CIPATEX
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presidente, foi tentada a formulação de plastificantes em Cerquilho, numa indústria cognominada NPC. “Em pouco tempo, essa tacada provou-se antieconômica”, considera o dirigente. “Foi constatado ser melhor continuar a comprar o insumo de terceiros, pois a atividade lucrativa no reduto de plastificantes era a produção dos componentes anidrido ftálico e oxoálcool”. Aconteceu, então, uma convergência explicável apenas pela astrologia. Admi- nistrador de empresas, Marcelo fez da NPC o case de um trabalho de sua pós- -graduação em marketing e, no embalo, o apresentou aos acionistas da Cipatex. “Eles endossaram meu diagnóstico da inviabilidade da operação”, diz. Pois calhou de, à mesma época, uma fornecedora da empresa, a Carbocloro oxipar, desativar sua unidade de plastificantes e anidrido ftálico no município paulista de Mogi das Cruzes, “efeito de decisão societária”, atribui Marcelo. Nesse ínterim, a NPC tocava a vida formulando plastificantes menos convencionais, em pequenos lotes. Junto com três sócios mantidos até hoje, a Cipatex fechou ao final de 1998 a compra da fábrica da Carbocloro Oxipar, rebatizou- -a como petrom (petroquímica mogi das
Cruzes), agregou-lhe as linhas da NPC e
centralizou ali seu braço em plastificantes e anidrido ftálico, complementa Marcelo.
O final da década de 90 marcou no grupo pela sua descentralização geográfica. A mistura fina de incentivos fiscais e filiais de calçadistas do Sul enfiou o Nordeste no mapa da Cipatex. Ergueu na paraibana Bayeux sua primeira fábrica de tecidos impregnados com poliuretano (PU) coa- gulado. “Trata-se de laminado mais caro que o vinílico, mas de maior semelhança com couro natural e de intenso emprego em calçados, em particular femininos”, es- clarece Marcelo. No Rio Grande do Sul, por sua vez, após apalpar o núcleo calçadista do Vale dos Sinos com escritório comercial e estocagem, o grupo partiu em 1998 uma produção piloto de laminados de PU e de PVC por espalmagem em Nova Hartz. “A região era exportadora de calçados, remessas que dependiam da aprovação das amostras submetidas aos clientes in- ternacionais”, descreve Marcelo. A Cipatex entrou em cena provendo laminados em
quantidades menores, explica, para uso em itens como cabedais desses pares embarcados para o veredicto no exterior.
O mundo gira, os chineses engrenam e as exportações brasileiras de calçados esfarelaram. Para contrabalançar a perda e manter suas capacidades ocupadas a contento, segue Marcelo, as grifes nacionais de calçados femininos passaram a priorizar cada vez mais a compradora daqui. A con- corrência em frenesi e a moda globalizada alucinaram a velocidade dos lançamentos, ele afirma, a ponto de ter virado praxe a in- trodução de seis a oito coleções de modelos femininos por ano. “Com essa dinâmica do mercado, ficamos em desvantagem no atendimento a calçadistas do Sul/Sudeste”, assinala Marcelo. “O frete dos laminados remetidos para eles da Paraíba consumia cerca de sete dias”. Resultou que, em 2013, mediante aporte da ordem de R$ 10 milhões, foi implantada em Nova Hartz uma estrutura
Cipatex: diversidade de mercados e capacidade de sobra. nicolau: laminados imunes a
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trajetória
para produção em escala comercial de la- minados à base de PU coagulado e PVC, a tiracolo de maquinário zero bala e algumas linhas transferidas de Bayeux.
Nos estertores do século passado, o empresariado brasileiro punha a verti- calização na crista da onda das receitas de sucesso. Marcelo admite que a febre contagiou o Grupo Cipatex a ponto de, por determinado período, ele desfilar até com transportadora própria. “Era uma reação às dificuldades de suprimento e problemas de custos, mas logo vimos não ter cabimento verticalizações desse tipo”.
Uma verticalização certeira vingou em 2001 pelo flanco dos componentes, deixa claro o porta-voz do grupo. Nos idos de 1989, debutou em Cerquilho um equipa- mento para agulhagem (processo needle punch) de nãotecido de polipropileno (PP). “Convinha para acentuar a competividade de nossos laminados vinílicos para setores como o moveleiro”, interpreta Marcelo. Nesse meio tempo, a Cipatex comprava cada vez mais nãotecido de poliéster produzido por entrelaçamento com uso de água sob alta pressão (tecnologia spun laced), material trazido dos EUA por sua fabricante dupont e componente chave de laminados destinados à confecção de panos de limpeza e elementos de estojos
As importações concorrentes tiram do prumo a indústria brasileira de laminados sintéticos, deixa claro Marcelo Nicolau, presidente do Grupo Cipa-
tex, escorado em varreduras de duas entidades nas quais atua: a associação brasileira de Componentes para Couro, Calçados e artefatos (assintecal)
e a associação brasileira da Indústria de laminados plásticos e espumas (abrapla).
Pela varredura das duas associações, ele solta, as importações de lami- nados de PVC surfam em curva ascendente desde 2006 e atingiram picos em 2012, com 78.950 toneladas, e 2013, com 73.255 toneladas. Quanto a lamina- dos de poliuretano (PU), ele distingue, os desembarques no semestre passado emplacaram 14.671 toneladas contra 13.935 na metade inicial de 2013, ele cita. O clima preteja diante das importações indiretas de laminados, pois eles também integram produtos acabados e componentes aqui desembarcados. Em 2013, repassa Nicolau, foram importadas 13.729 toneladas de vestuário e acessórios de PVC e PU; 68.864 toneladas de malas, maletas, pastas, bolsas e itens como carteiras; 2.814 toneladas de cabedais costurados à base de PVC por emulsão (PVC-e), PU ou tecidos; 5.214 toneladas de calçados de PVC-e e PU e 10.997 tonerladas de calçados de tecidos.
Nicolau credita o estrago ao vácuo do governo na concepção de uma política industrial digna do nome, lacuna cuja conseqüência é o agravamento da taquicardia no setor de manufatura. Conforme estudo da Federação das
Indústrias do estado de São paulo (Fiesp) lastreado em indicadores de 2013
e endossado pelo presidente do Grupo Cipatex, o Custo Brasil (tributação, crédito caro, energia e matérias-primas, serviços non tradebles, infraestrutura logística e custo extra de serviços e funcionários) hoje incide em 23,40% na diferença do preço brasileiro em relação ao praticado por nossos principais parceiros comerciais. Se incluídos no cômputo a variação cambial, burocracia e demais fatores de menor monta, o desnível sobe a 33,70%.
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