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DESCRIÇÃO DOS GÊNEROS E ESPÉCIES

6. Senna Mill., The Gard Dict Abr., 4 ed 3 1754.

Irwin & Barneby 1982; Rodrigues et al. 2004

Subarbustos a árvores. Folhas paripinadas. Pecíolos glandulares ou não. Estípulas persistentes ou caducas. Folíolos opostos. Inflorescência racemosa a paniculada. Flores amarelas ou alaranjadas, bractéolas ausentes. Cálice 5-laciniado. Corola zigomorfa, 5 pétalas. Androceu com 6 ou 7 estames férteis e 3 estaminódios. Anteras poricidas. Ovário glabro ou pubescente. Legumes cilíndricos, compressos ou quadrangulares, retos ou curvos, deiscentes ou indeiscentes. Sementes 1-2-seriadas, de diferentes formas.

Gênero pertencente à tribo Cassieae Bronn, composto por 295 a 300 espécies. O maior número de espécies ocorre nas Américas, sendo também bem representada na África e Austrália (Lewis et al. 2005).

Chave de identificação das espécies de Senna

1 Árvores

2 Folhas com 2 pares de folíolos (fig. 5B); folíolos assimétricos, falcado-lanceolados, 6,5-14 cm compr., com a face adaxial glabra; flores 3,5-4 cm compr. ... S. macranthera 2 Folhas com 10 a 20 pares de folíolos; folíolos oblongos, oblongo-elípticos ou obovados, 2-4 cm compr., pubérulos em ambas as faces; flores 1,5-1,8 cm compr. ... S. multijuga 1 Arbustos

3 Folhas com 5 pares de folíolos; folíolos obovados, ápice arredondado, pecíolo 1,5- 2,5 cm compr. ... S. pendula 3 Folhas com 4 pares de folíolos; folíolos lanceolados com ápice acuminado, pecíolo 4-6 cm compr... S. tropica

6.1 Senna macranthera (DC. ex Collad.) H.S. Irwin & Barneby, Mem. New

York Bot. Gard.,35: 181. 1982.

Árvore 15-20 m altura. Ramos pubérulos, levemente estriados. Folhas com 2 pares de folíolos. Nectário entre os folíolos do primeiro par. Pecíolo 4,5-6 cm compr., pubérulo, estriado. Raque 2-3 cm compr., semelhante ao pecíolo. Estípulas não vistas. Folíolos 6,5-14 x 2,5-5,2 cm, opostos, assimétricos, falcado-lanceolados, face abaxial pubérulo, face adaxial glabra, ápice acuminado, base inequilátera, nervação broquidódroma, proeminente na face abaxial.

Inflorescência racemosa a paniculada, axilar e terminal, multiflora.Pedúnculo 4-6 cm compr., pubérulo, muito estriado. Raque 1 cm compr., semelhante ao pedúnculo. Pedicelo 3-5 cm compr. Bractéas 4 mm compr., lanceoladas. Flores amarelas, 3,5-4 cm

compr.Cálice 5 mm compr., 5-laciniado, lacínias desiguais, piloso externamente.Corola 5 pétalas, 3,6-4,2 x 1,5-2, obovadas, pubérulo, base prolongada. Androceu 7 estames livres. Filetes curtos 4, com 1-3 mm compr., glabros; filetes longos 3, com 5-6 mm compr., encurvados, glabros. Anteras dimorfas, as 3 maiores com 7-9 mm compr. e ápice encurvado-acuminado, sob filamentos longos; as 4 menores com 6-7 mm compr. e ápice truncado, sob filamentos curtos. Gineceu 3,5 cm compr., denso-pubérulo, encurvado. Legume imaturo, 15-20 x 0,8 cm, cilíndrico, indeiscente, glabro. Sementes não vistas.

Fácil de identificar, pode ser reconhecida por possuir hábito arbóreo, ramos pubérulos a glabros, folhas com 2 pares de folíolos (fig. 5 B), nectários presentes entre os folíolos do primeiro par, flores grandes (fig. 16 E), com 3,5 a 4 cm compr., 7 estames e legumes cilíndricos.

Floração / Frutificação da espécie na área de estudo: janeiro, fevereiro e março /

não vista.

Fitofisionomia onde a espécie foi encontrada: Floresta de Restinga, Floresta Ombrófila Densa de Terras Baixas, Floresta Ombrófila Densa Submontana, Floresta Ombrófila Densa Montana.

Freqüência da espécie em relação ao local de coleta: freqüente.

Distribuição: América do Sul: Brasil, Equador, Venezuela e Peru. Brasil: todas as regiões.

Material examinado: Brasil. São Paulo: Ubatuba, Parque Estadual da Serra do Mar,

Fazenda Capricórnio, 23°23’69” S 45°04’25” W, alt. 39 m, 10/III/2007, E. D. Silva 709 (UEC). Picinguaba, Parque Estadual da Serra do Mar-Núcleo Picinguaba, 23°22’00” S 44°48’07” W, alt. 123 m, 30/I/2007, E. D. Silva 657 (UEC).

Material adicional examinado: Brasil. Rio de Janeiro: Rio de Janeiro, VI/1939, A.

Sampaio 7895 (NY). Rio de Janeiro: Petrópolis, Itaipava, 04/III/2007, H.C. Lima 6519 (RB). Santa Catarina: Itajaí, 10/II/1970, R. M. Klein 8600 (US). São Paulo: Ubatuba,

Parque Estadual Ilha Anchieta, trilha da Prainha, 20/II/1993, M. J. Robim 828 (UEC). São Paulo, s. d., Hoehne 28778 (NY).

6.2 Senna multijuga (Rich.) H.S. Irwin & Barneby, Mem. New York Bot.

Gard., 35: 492. 1982.

Árvore 5-15 m altura. Ramos glabros, lenticelados, levemente estriados. Folhas 10 a 20 pares de folíolos. Nectário entre os folíolos do primeiro e do último par. Pecíolo 1-2 cm compr., pubérulo, muito sulcado. Raque 10-25 cm compr., semelhante ao pecíolo. Estípulas não vistas. Folíolos 2-4 x 0,8-1,2 cm, opostos, oblongos, oblongo-elípticos ou obovados, pubérulos em ambas as faces, face adaxial glabrescente, ápice mucronado, base inequilátera, nervação broquidódroma, não proeminente.

Inflorescência racemosa a paniculada, axilar e terminal, multiflora. Pedúnculo 3-5 cm compr., pubérulo, estriado. Raque 4-15 cm compr., semelhante ao pedúnculo. Pedicelo 3 mm compr. Brácteas não vistas. Flores amarelas, 1,5-1,8 cm compr.Cálice 4 mm compr., 5-laciniado, lacínias desiguais, piloso externamente. Corola 5 pétalas assimétricas, 1,7-2,5 x 0,5-1,3, glabras, base prolongada. Androceu 7 estames livres. Filetes curtos 4 com 1 mm compr., glabros; filetes longos 3, com 4-6 mm compr., encurvados, glabros. Anteras dimorfas, as 3 maiores 7-9 mm compr. e ápice acuminado, sob filamentos longos; as 4 menores 5 mm compr. e ápice truncado, sob filamentos curtos. Gineceu 2 cm compr., pubérulo. Legume 14-19 x 1,1-2 cm, oblongo, plano-compresso, deiscente, glabro, margem sinuosa. Sementes 20-30, oblongas, unisseriadas.

Senna multijuga (fig. 16 C. e D), conhecida popularmente como “aleluia” é uma espécie muito abundante na Floresta de Restinga e FODTB. Fácil de identificar possui flores vistosas, de amarelo forte, folhas com nectários entre um ou mais pares de folíolos, folíolos numerosos e frutos com muitas sementes. Na época da reprodução das cigarras as árvores de Senna multijuga ficam repletas desses insetos, o que

também inspirou o nome popular “pau-cigarra”, freqüentemente utilizado pela comunidade local.

Floração / Frutificação da espécie na área de estudo: janeiro, fevereiro, março e abril

/ março, junho, julho, setembro, outubro e dezembro.

Fitofisionomia onde a espécie foi encontrada: Floresta de Restinga, Floresta Ombrófila Densa de Terras Baixas, Floresta Ombrófila Densa Submontana, Floresta Ombrófila Densa Montana.

Freqüência da espécie em relação ao local de coleta: muito freqüente. Distribuição: Pantropical. Brasil: todas as regiões.

Material examinado: Brasil. São Paulo: Picinguaba, Parque Estadual da Serra do

Mar-Núcleo Picinguaba, estrada para a Casa de Farinha, 23°20’38” S 44°50’29” W, alt. 5 m, 16/VII/2006, E. D. Silva 332 (UEC); idem, BR Rio-Santos, 23°21’06” S 44°51’30” W, alt. 33 m, 22/III/2009, E. D. Silva 384 (UEC); idem, 23°21’32” S 44°50’59” W, alt. 11 m, 07/III/2007, E. D. Silva 690 (UEC); idem, 07/III/2007, E. D. Silva 691 (UEC). Ubatuba, Parque Estadual da Serra do Mar, Fazenda Capricórnio, 23°23’69” S 45°04’25” W, alt. 39 m, 10/III/2007, E. D. Silva 707 (UEC); idem, 09/IX/2006, E. D. Silva 388 (UEC); idem, próximo ao Rio Indaiá, 17/VI/2006, E. D. Silva 388 (UEC). Núcleo Santa Virgínia, Parque Estadual da Serra do Mar, trilha do Rio Ipiranga, 23°19’42” S 45°05’34” W alt. 932 m, 19/VII/2006, E. D. Silva 367 (UEC); idem, antiga estrada Ubatuba-São Luiz do Paraitinga, 11/III/2007, E. D. Silva 712 (UEC).

Material adicional examinado: Brasil. Paraná: Guaraqueçaba, morro do Quitumbe,

25°17’ S 48°20’ W, 08/V/1994, S. F. Athayde 980912 (NY). Santa Catarina: Araranguá, 7/XI/1943, R. Reitz 127 (US). São Paulo: São Miguel Arcanjo, Parque Estadual Carlos Botelho, Floresta Ombrófila Densa Montana, 24°03’23” S 47°59’42” W, 23/IV/2002, R. Farias et al. 693 (UEC). Pariquera-açu, Estação Experimental do IAC, 24°36’30” S 47°52’37” W, 30/III/1940, C. Smith (5642 IAC).

6.3 Senna pendula (Humb. & Bonpl. ex Willd.) H.S. Irwin & Barneby, Mem.

New York Bot. Gard., 35: 378. 1982.

Arbusto 1,5 m altura. Ramos pubérulos a glabros, lenticelados, levemente estriados. Folhas 5 pares de folíolos. Nectário entre os folíolos do primeiro par. Pecíolo 1,5-2,5 cm compr., pubérulo, muito sulcado. Raque 3-5 cm compr., semelhante ao pecíolo. Estípulas 5 mm compr., oblongo-lineares a linear-lanceoladas. Folíolos 1,7-3 x 1-2 cm, opostos, obovados, glabros em ambas as faces, ápice arredondado, base levemente obtuso a arredondada, nervação broquidódroma, não proeminente.

Inflorescência racemosa a paniculada, axilar e terminal, multiflora. Pedúnculo 3- 4,5 cm compr., pubérulo, estriado. Raque 0,5-1,5 cm compr., semelhante ao pedúnculo. Pedicelo 1,8-2 cm compr. Brácteas 4 mm compr., oblongo-lineares. Flores amarelas, 1,8-2 cm compr. Cálice 9 mm compr., 5-laciniado, lacínias desiguais, glabros. Corola 5 pétalas assimétricas, 1,8-2,2 x 0,9-1,2, glabras, base não prolongada. Androceu 7 estames livres. Filetes curtos 4, com 1 mm compr., glabros; filetes longos 3, com 7-12 mm compr., encurvados, glabros. Anteras de tamanhos diferentes, mas semelhantes na forma; as 3 maiores com 6-9 mm compr., sob filamentos longos; as 4 menores com 4,5 mm compr., sob filamentos curtos. Gineceu 1,8 cm compr., adpresso-piloso. Legumes imaturos, 10-13 x 0,7-1 cm,cilíndricos, encurvados, glabros. Sementes 26-44, biseriadas.

Senna pendula (fig. 16 A e B) também pode ser reconhecida pela combinação dos seguintes caracteres: hábito arbustivo; folhas com 5 pares de folíolos; estípulas oblongo-lineares, nectários geralmente presentes entre os primeiros pares de folíolos; folíolos geralmente obovados; legumes cilíndricos com sementes biseriadas.

Semelhante a Senna bicapsularis (L.) Roxburgh., diferencia-se desta pelo tamanho do pedicelo que é menor em Senna pendula, variando de 0,8 a 3,3 cm ou, mais raramente, até 3,7 cm compr.

Floração / Frutificação da espécie na área de estudo: abril / maio. Fitofisionomia onde a espécie foi encontrada: Floresta de Restinga.

Freqüência da espécie em relação ao local de coleta: pouco freqüente. Distribuição: Pantropical. Brasil: todas as regiões.

Material examinado: Brasil. São Paulo: Picinguaba, Parque Estadual da Serra do

Mar-Núcleo Picinguaba, Praia da Fazenda, 23°21’20” S 44°50’59” W, alt. 2 m, 06/IV/2007, E. D. Silva 726 (UEC); idem, 06/IV/2007, E. D. Silva 727 (UEC); idem, 19/V/2007, E. D. Silva 794 (UEC).

Material adicional examinado:Brasil. Paraná: Manuá, 8/IV/1966, J. C. Lindeman & J.

H. de Haas 990 (US). Rio de Janeiro. Búzios, 23/06/1999, D. Fernandes 226 (RB). Rio de Janeiro, 18/X/1962, T. T. Campos (112000 R). São Paulo: São Paulo, Morro das Pedras / Morro do Iguapé, III/1922, A. C. Brade 8332 (R).

6.4 Senna tropica (Vell.) H.S. Irwin & Barneby, Mem. New York Bot. Gard.,

35: 368. 1982.

Arbusto 1,5-2,5 m altura. Ramos glabros, levemente estriados. Folhas com 4 pares de folíolos. Nectário entre todos os pares de folíolos. Pecíolo 4-6 cm compr., glabro, estriado. Raque 5-9,5 cm compr., semelhante ao pecíolo. Estípulas 7-8 mm compr., oblongo-lineares. Folíolos 4-9 x 1,7-3 cm, opostos, lanceolados, glabros em ambas as faces, ápice acuminado, base obtusa, nervação broquidódroma, levemente proeminente.

Inflorescência racemosa a paniculada, axilar e terminal, multiflora. Pedúnculo 0,7-4,5 cm compr.,pubérulo, estriado. Raque 1-5 cm compr., semelhante ao pedúnculo. Pedicelo 1-1,5 cm compr. Bractéas 2-3 mm compr., oblongo-lineares. Flores amarelas, 1,5 mm compr. Cálice 9 mm compr., 5-laciniado, lacínias desiguais, pubérulo externamente. Corola 5 pétalas, oblongas a largo-oblongas, 1,2-1,4 x 0,7-14, glabras, não prolongada ou curto prolongada. Androceu 7 estames livres. Filetes curtos 5, com 0,8 mm compr., glabros; filetes longos 2, com 10 mm compr., encurvados, glabros. Anteras de tamanhos diferentes, mas semelhantes na forma; as 2 maiores com 6 mm

compr., sob filamentos longos; as 5 menores com 4 mm compr., sob filamentos curtos. Gineceu 1,6 cm compr., glabro. Legumes imaturos, oblongos. Sementes não vistas.

Espécie de difícil identificação pela semelhança que apresenta com Senna septemtrionalis (Viv.) H. S. Irwin & Barneby e S. araucarietorum H. S. Irwin & Barneby.

Irwin & Barneby (1982) descreveram Senna tropica a separaram de S. septemtrionalis e de S. araucarietorum pela presença de anteras com ápice proeminentemente 2-umbonado, ovário 66-96-ovulado e sementes biseriadas.

Apesar de considerarmos o táxon encontrado como sendo S. tropica (fig. 16 F), estudos recentes que apontem para a correta separação dessas espécies, ainda são necessários.

Floração / Frutificação da espécie na área de estudo: fevereiro, novembro e

dezembro /novembro e dezembro.

Fitofisionomia onde a espécie foi encontrada: Floresta Ombrófila Densa Montana.

Freqüência da espécie em relação ao local de coleta: pouco freqüente.

Distribuição: Brasil: Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo,

Minas Gerais e Bahia.

Material examinado: Brasil. São Paulo: Núcleo Santa Virgínia, Parque Estadual da

Serra do Mar, trilha da Pirapitinga, 23°20’14” S 45°09’02” W alt. 880 m, 18/XII/2006, E. D. Silva 611 (UEC). idem; antiga estrada para São Luiz do Paraitinga, alt. 900 m, 26/I/2007, E. D. Silva 619 (UEC). idem, rodovia entre Ubatuba e a base do Núcleo Santa Virgínia, 23°22’23” S 48°06’80” W alt. 202 m, 17/XI/2007, E. D. Silva 987 (UEC).

Material adicional examinado: Brasil. Rio de Janeiro: Petrópolis, 22°33’ S 43°11’ W,

23/XI/1928, L. B. Smith, 1316 (NY). São Paulo: São Luiz do Paraitinga, 750 m alt., 17/11/1968, G. F. J. Pabst 9236 (NY). Pariquera-açu, Estação Experimental do IAC, 24°36’30” S 47°52’37” W, 01/IX/1939, C. Smith (5321UEC)