RAISSA GONÇALVES RODRIGUES (assistida por MANON BRAGA GONÇALVES) ajuizou AÇÃO INDENIZATÓRIA POR ACIDENTE DO TRABALHO contra OI S.A, alegando que é descendente menor de ERALDO RODRIGUES MOREIRA, ex-empregado da reclamada que veio a óbito na data de 20/11/2002, em decorrência acidente automobilístico provocado por terceiro em via pública, durante a execução de atividade externa desempenhada em favor da empregadora. Diante disso e invocando dificuldades financeiras para subsistência, bem como sofrimento moral, ambos causados pela perda do genitor, o qual, com sua força de trabalho, contribuía para o sustento da prole, requer a condenação da reclamada ao pagamento de indenização por danos morais e materiais, tudo conforme consta da inicial (fls. 02/45), instruída com documentos (fls. 47/72), dando à causa o valor de R$1.098.489,28 (um milhão e noventa e oito mil, quatrocentos e oitenta e nove reais e vinte e oito centavos). Postula, ainda, a concessão dos efeitos da assistência judiciária gratuita.
A reclamada ofertou defesa escrita, de fls. 80/91 na qual alega ausência de nexo de causalidade entre o evento danoso- morte de empregado motivada por acidente de trânsito no deslocamento decorrente do desempenho funcional, provocado por terceiro- e conduta comissiva ou omissiva do agente, de quem se pretende a reparação. Evidenciando a inexistência de responsabilidade da empregadora sob a ótica da teoria subjetiva, adotada pelo art. 7°, XXVIII da Constituição Federal, ao cuidar do tema, resistiu à pretensão exordial, propugnou pela improcedência do pedido. Postulou a aplicação ao caso concreto de compensação entre o valor da indenização e aquela prestada por ocasião da rescisão contratual.
Juntados aos autos com a defesa os documentos de fls. 96/194, foi a autora sobre eles instada a se manifestar.
Sem outras provas, encerrada a instrução processual, com o oferecimento de razões finais pelos presentes.
Malogradas ambas as tentativas conciliatórias.
FUNDAMENTAÇÃO
MEDIDA SANEADORA
A reclamante, conforme indicado na fl. 02 dos autos, é a filha do empregado ERALDO R. MOREIRA, a saber RAISSA GONÇALVES RODRIGUES, que, desde a data de 20/11/2012, completando 16anos, passou a ser assistida por sua genitora, Manon Braga Gonçalves.
Retifique-se o pólo ativo, adequando-o aos limites subjetivos da demanda.
MÉRITO
Acidente do Trabalho. Dano e Nexo de Causalidade com o Trabalho Prestado
As alegações das partes e o conjunto probatório espelhado nos autos e, por especial, os instrumentos de fls. 67 e 154(v), tornam patente que o genitor da reclamante, na condição de empregado da ora ré, no curso de atividade externa na qual conduzia veículo de propriedade desta última, foi envolvido em colisão de trânsito provocada por terceiro estranho ao empregador, vindo a falecer no local do sinistro, em decorrência dos ferimentos que lhe foram então impingidos.
Trata, portanto, a lide, de pedido de reparação advindo da ocorrência de acidente do trabalho típico, definido pelo art. 19 da Lei 8.213/1991 como o que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da empresa ou pelo exercício do trabalho dos segurados referidos no inciso VII do artigo 11 desta Lei, provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause morte ou a perda ou redução, permanente ou temporária, da capacidade para o trabalho.
A indenização reparatória objeto da lide assume natureza civil, sendo deduzida perante o empregador. Não se confunde com a prestação previdenciária, integrante de conjunto de benefícios criados pelo sistema de seguridade social, a partir de contribuições de empregados e empregadores. Fundamenta-se na norma positivada no art. 7°, XXVIII, da Constituição Federal, que, ao elencar os direitos sociais do trabalhador detentor de vínculo subordinado, estendeu-lhe o direito a seguro contra acidentes do trabalho, a cargo do empregador, sem excluir a indenização a que este está obrigado, quando incorrer em dolo ou culpa.
Segundo a letra fria da disposição ora transcrita, a caracterização do acidente do trabalho fica condicionada à existência cumulativa de diversos elementos, a saber: a) presença de dano, correspondente à morte, perda ou redução definitiva ou temporária da capacidade de trabalho, b) que esse dano seja causado pelas condições de prestação do trabalho subordinado, e, c) conduta patronal que, de qualquer modo, tenha concorrido para a ocorrência do evento.
Sob tal prisma, emerge evidente que à reclamada não se poderia imputar qualquer responsabilidade pelo desfecho do infortúnio advindo da morte do genitor da autora, dado que a determinação para realização de atividade externa eventual era ínsita às funções do obreiro e, portanto, lícita. A par disso, o agente causador do acidente automobilístico não guarda qualquer relação de fato ou de direito com a empregadora, tornando inconcebível o estabelecimento de liame de causalidade entre dano e conduta lesiva.
Diversa, contudo, se apresenta a pretensão deduzida neste feito, voltada ao reconhecimento do ônus reparatório desvencilhado do conceito de dolo ou culpa do empregador.
Alicerça-se o pleito vestibular no art. 927, parágrafo único, do Código Civil Brasileiro, gizado nos seguintes termos: Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem.
Cuida-se da responsabilidade objetiva, calcada na teoria do risco, desenvolvida por juristas de diversos países, a partir do final do século XIX, justamente para solucionar a dificuldade na reparação dos acidentes de trabalho avultados pela Revolução Industrial.
Há o dever de reparar o dano ocasionado por acidente do trabalho pela simples circunstância de que o fato prejudicial decorre do exercício regular de atividade ou profissão que implique em perigo. Ao definir as condições de trabalho, sujeitando o empregado, por força da subordinação, ao respectivo cumprimento, cria o empregador nas atividades laborais uma condição de perigo, devendo recompor o patrimônio daquele atingido pelas consequências do fato, sobretudo porque arca com os riscos do empreendimento (art. 2º/CLT).
Pouco importa, na hipótese, se para o desfecho do evento em si não concorreu o empregador com conduta que importasse em violação do dever de vigilância de seus prepostos.
O direito posto, acolhendo a realidade do cotidiano da prestação do trabalho em situação de risco, impõe ao empregador o dever de indenizar o empregado acidentado, salvo se comprovado que a lesão foi fruto de conduta ativa ou passiva exclusiva da vítima, ou, ainda, nas hipóteses de caso fortuito- evento de álea externa imprevisível. Pouco importa, na hipótese, se para o desfecho em si não concorreu o empregador com conduta que importasse em violação do dever de vigilância de seus prepostos.
CAIO MÁRIO, de longa data, justifica a adoção do critério da imputação de responsabilidade objetiva ao empregador, no acidente de trabalho, sob os seguintes fundamentos:
O caso mais flagrante de aplicação da doutrina do risco é o da indenização por acidente no trabalho. (...). A aplicação da teoria da culpa levava bastas vezes à absolvição do empregador. Em tais hipóteses, muito numerosas e frequentes, a aplicação dos
princípios jurídicos aceitos deixava a vítima sem reparação, contrariamente ao princípio ideal de justiça, embora sem contrariedade ao direito em vigor. Observava-se portanto, um divórcio entre o legal e o justo. (Responsabilidade Civil-10ª Ed. Revista e atualizada por Gustavo Tepedino- Editora GZ- Rio de Janeiro- 2012- pág. 363/364).
LOUIS JOSSERAND, manifestando inconformismo em face da adoção da teoria subjetiva, in casu, menciona que quando um acidente sobrevém, em que à vítima nada se pode censurar, por haver desempenhado um papel passivo e inerte, sentimos institivamente que lhe é devida uma reparação; precisamos que ela a obtenha, sem o que nos sentiremos presos a um mal estar moral, de um sentimento de revolta; vai-se a paz da nossa alma. (Evolução da Responsabilidade Civil- in Revista Forense, v. 86, pág. 549, 1941).
Pertinente indagação aflora do aparente conflito normativo entre o texto constitucional e a lei civil invocada. Seria juridicamente possível admitir-se a coexistência dos dois ordenamentos citados, na regência da reparação do acidente de trabalho?
O juízo, reformulando o entendimento na matéria, fixa posição no sentido de que se revela plenamente plausível a convivência harmônica dos dispositivos constitucional e infraconstitucional em tela, sem que haja malferimento ao princípio da hierarquia normativa das leis.
A Carta Política representa um conteúdo mínimo de direitos sociais assegurados aos detentores de vínculo subordinado. Logo, nada impede que a lei ordinária estenda esta gama de direitos, criando condições mais favoráveis ao trabalhador.
Cite-se, a propósito, luminar preleção do doutrinador SEBASTIÃO GERALDO DE OLIVEIRA sobre o tema:
Entendemos que a previsão do inciso XXVIII mencionado deve ser interpretada em harmonia com o que estabelece o caput do artigo respectivo, que prevê: São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social. Assim, o rol dos direitos mencionados no art. 7º da Constituição não impede que a lei ordinária amplie os existentes ou acrescente outros que visem à melhoria da condição social do trabalhador. Como leciona Arnaldo Sussekind, o elenco de direitos relacionados no art. 7º é meramente exemplificativo, admitindo complementação.
(...)
Como afirmou com segurança Louis Josserand a responsabilidade moderna comporta dois pólos, o pólo objetivo, onde reina o risco criado e o pólo subjetivo onde triunfa a culpa; é em torno desses dois pólos que gira a vasta teoria da responsabilidade. (Indenizações por Acidente do Trabalho ou Doença Ocupacional- 1ª Ed. LTr- setembro/2005 – págs. 83 e 91).
No mesmo diapasão, destaca-se a preclara exposição de CAIO MÁRIO DA SILVA PEREIRA, ao defender a convivência das duas doutrinas:
A culpa exprimiria a noção básica e o princípio geral definidor da responsabilidade, aplicando-se a doutrina do risco nos casos especialmente previstos, ou quando a lesão provém de situação criada por quem explora profissão ou atividade que expôs o lesado ao risco do dano que sofreu. (Responsabilidade Civil-10ª Ed. Revista e atualizada por Gustavo Tepedino- Editora GZ- Rio de Janeiro- 2012- pág. 355).
Posto isto, passa-se a analisar o caso concreto.
O empregado ERALDO R. MOREIRA sofreu acidente de trabalho fatal enquanto, no cumprimento de ordens do empregador, conduzia veículo deste, com a finalidade de transportar bens pertencentes à ré, pertinentes ao desempenho funcional. Em outras palavras, ao determinar ao empregado que se submetesse à circulação em veículo automotivo no trânsito do porte daquele enfrentado no Distrito Federal, expôs o trabalhador a perigo potencial, criando situação que, afinal, resultou em dano lesivo à descendente do obreiro- que dele dependia emocional e financeiramente.
Presente, assim, o fato gerador do dever de indenizar fundado na responsabilidade objetiva de que cogita o art. 927/CCB.
Fica afastada a alegação da defesa no passo da ocorrência de caso fortuito ou força maior, em face da previsibilidade do evento, já que o automóvel é reconhecidamente um instrumento de risco, como observado por MARIA HELENA DINIZ (in Curso de
Direito Civil Brasileiro-22ª Ed. Saraiva- pág. 562) e JUSTINO MAGNO ARAÚJO (in Responsabilidade Civil pelo Fato da Coisa- artigo publicado na Revista de Direito Civil, Imobiliário, Agrário e Empresarial, vol. 26, ano 7- outubro/dezembro de 1983- pág.83).
Frise-se que, adoção de tese em contrário ensejaria flagrante distorção na aplicação do direito. Considerando-se que o proprietário de veículo é solidariamente responsável pela reparação do dano causado aos passageiros transportados em caráter oneroso – reputando-se como gratuito exclusivamente aquele do qual não se tira proveito, do que não se cuida na espécie- seria ele condenado a indenizar qualquer ocupante do automóvel- ainda que com direito de regresso contra o responsável pelo dano- desde que ele não fosse seu empregado!
Por tudo quanto foi exposto, indene de dúvidas que a reclamada deve ressarcir a autora os prejuízos que lhe foram causados pela morte de empregado em acidente automobilístico caracterizado como acidente de trabalho, com suporte no art. 927 do Código Civil Brasileiro.
Reparação do Dano- Indenizações
Dano Material
O objeto da ação de indenização é a reparação tendente a levar as partes à manutenção do status quo ante e não promover o enriquecimento do autor em face do infortúnio. Conclui-se, portanto, que o objeto do dano material é o efetivo prejuízo sofrido pelo empregado (art. 944/CCB). Logo, a ação indenizatória tem por finalidade recompor o patrimônio daquele que, privado de parcela de sua renda periódica, assumiu encargos que não teria, não houvesse o acidente.
Diante disso, flagrante não assistir à reclamante direito a perceber da ré a indenização pretendida a título da pensão vindicada no item g de fl. 44. A reparação pretendida a título de lucros cessantes atinge somente a pessoa do empregado, o qual inabilitado à utilização de sua força de trabalho ou vendo-a depreciada, venha concretamente a deixar de ganhar (arts. 949 e 950, ambos do Código Civil Brasileiro).
Há que se ponderar, no mais, que a autora, na condição de filha do empregado ERALDO R. MOREIRA, auferia deste, ao tempo de seu falecimento, mensalmente, a importância de R$172,15, a título de pensão alimentícia (doc. fl. 163)- e não a integralidade do salário percebido por seu pai. O valor da pensão, pois, corresponde ao montante que deixou de ganhar, com o óbito do prestador dos alimentos.
Condena-se a reclamada a pagar à autora indenização por danos materiais- com valor mensal de R$172,15, entre o dia 20/11/2002- data do óbito- e 20/11/2017- oportunidade em que a parte atingirá vinte e um anos completos, nos termos do pedido.
Danos Morais
A dor impingida à pessoa que, aparentada de trabalhador morto em decorrência de acidente do trabalho, venha a ser privada do convívio familiar, é presumível em virtude da experiência comum da vida, e como tal não depende de prova.
Reconhece-se a exposição da reclamante a situação que causou dano moral, que deve ser reparado.
Já no que tange ao montante da indenização a ser paga à reclamante, permite-se o juízo transcrever aresto que, ao tratar da matéria, prelecionou no passo de que: A fixação do valor da indenização por dano moral deve ser feita pelo Julgador atentando-se para os critérios de satisfação do ofendido, bem como de sanção do ofensor, não devendo o primeiro enriquecer-se de forma desarrazoada, nem o segundo sentir-se intocado pela penalidade imposta, para o que devem-se observar, no caso concreto, as condições que cercam tanto um como outro, tanto do ponto de vista profissional, como patrimonial. (RO- TRT 2ª R. Proc. 02520-2001-024-02-00-5, ac. nº20040054025; rel. Juíza Anelia Li Chum- 7ª T. - publ. DJ 12/03/2004).
Em suma, a indenização não pode ser nem tão grande que se converta em fonte de enriquecimento, nem tão pequena que se torne inexpressiva (Caio Mario da Silva Pereira, in Da Responsabilidade Civil, 2002- p. 60.
Analisando as circunstâncias do caso, e, por especial, o grau da perda causado pelo infortúnio, arbitra-se o montante da condenação a título de indenização à quantia equivalente, nesta data, a R$96.698,00 (noventa e seis mil seiscentos e noventa e oito reais), equivalente a 50 (cinquenta) remunerações do empregado/pai da requerente, ao tempo do falecimento- e que, para o porte da reclamada e a extensão do dano e a ausência de culpa, assemelha-se razoável.
Defere o pedido, nos termos supra.
Juros e Correção Monetária
Deverá o débito ora apurado sofrer os efeitos de juros e correção monetária, a teor da Súmula 211 do C. TST e do art. 293 do Código de Processo Civil, observando-se que a mora, para efeito da incidência de juros, tem início com a propositura da reclamação, a partir da dispensa, nesta Justiça Especializada, da aposição de despacho liminar positivo à peça exordial (art. 219 CPC, c/c art. 841 da CLT).
O termo inicial da contagem da correção monetária será o mês subsequente ao do vencimento da obrigação, pois que apenas após o 5° dia útil deste- quando a obrigação é devida- pode-se constituir o devedor em mora (art. 459, parágrafo único, da CLT).
Na liquidação do julgado, os juros moratórios devem ser excluídos da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Física, visto que não sinalizam acréscimo patrimonial do trabalhador, constituindo, por diverso, penalidade imposta ao empregador que o indeniza pelo retardo na quitação de pagamentos devidos (OJ 400- SBDI-I/TST).
A indenização por dano moral sofre os efeitos de juros e correção monetária a partir da publicação desta decisão- data de seu arbitramento.
Gratuidade de Justiça
A impossibilidade do exercício do direito subjetivo público de demandar sem prejuízo do próprio sustento foi declarada com a observância dos ditames da Lei 7.115/83.
Atendidos os pressupostos do art.790, §3°, da CLT, concede-se à reclamante o benefício de Justiça gratuita.
DISPOSITIVO
Posto isto, decide a 16ª Vara do Trabalho de Brasília - DF julgar o pedido PROCEDENTE EM PARTE, para condenar a reclamada a prestar à reclamante as obrigações de pagar, deferidas na fundamentação da presente decisão, que fica fazendo parte integrante desta disposição e que são as seguintes:
a) indenização por danos materiais, no valor mensal de R$172,15, entre o dia 20/11/2002 e 20/11/2017, e,
b) indenização por dano moral (R$96.698,00).
Juros e correção monetária, como de direito.
Concede-se à reclamante o benefício de gratuidade de Justiça.
Custas, pela reclamada, no importe de R$ 4.460,00 (quatro mil, quatrocentos e sessenta reais), calculadas sobre o valor arbitrado à condenação, da ordem de R$ 223.000,00 (duzentos e vinte e três mil reais), que deverão ser pagas no prazo assinalado para cumprimento desta decisão.
Declara-se que não há, no objeto da condenação, obrigação suscetível de incidência previdenciária- art. 832,§3º, da CLT c/c Lei 8.212/91, art. 28,§9º, contrariu sensu.
Cumpra-se em 48 horas após o trânsito em julgado desta decisão. No silêncio, à execução.
As partes serão intimadas desta decisão, nas pessoas dos procuradores constituídos, por meio de publicação em veículo da imprensa oficial.
Audiência encerrada às 17h01min.
SENTENÇA EDMILSON
ATA DE AUDIÊNCIA
PROCESSO: 0001588-12.2012.5.10.0004
RECLAMANTE: Edmilson Limeira de Sousa
RECLAMADA: Ágil Serviços Especiais Ltda
Aos vinte e oito dias do mês de fevereiro de 2013, na sala de sessões da MM. 04ª Vara do Trabalho de Brasília - DF, sob a direção do Sr. Juiz do Trabalho Raul Gualberto Fernandes Kasper de Amorim, realizou-se audiência relativa ao processo em referência, oportunidade em que foi proferida a seguinte decisão:
Edmilson Limeira de Sousa ajuíza Reclamação Trabalhista em desfavor da Ágil Serviços Especiais Ltda, alegando que foi admitido em 03/06/2009, na função de encarregado geral, auferindo remuneração de R$1.913,23. Narra que laborava em condições perigosas, com expresso reconhecimento da reclamada vindo em laudo pericial por ela própria produzido, todavia, não recebe o adicional legal. Diz, também, que há diferenças de horas extras em seu favor, conforme constam das folhas de frequência. Com base nessas declarações, em breve síntese, formula os pedidos constantes da inicial.
Dá à causa o valor de R$58.188,00 e junta documentos.
Regularmente notificada (fl. 116-verso), a reclamada comparece à audiência (fl. 117), ocasião em que apresenta defesa escrita, com documentos, arguindo preliminar de inépcia da petição inicial e, no mérito, sustentando que foi realizado um novo laudo técnico no local de trabalho do reclamante, o qual concluiu pela inexistência de periculosidade. Defende-se, ainda, ao argumento de que inexistem as cogitadas diferenças de horas extras, porquanto já pagas ou compensadas. Combate, no mais, outras afirmações da inicial.
Realizada perícia judicial de periculosidade (fls. 342 a 360), as partes apresentam suas manifestações.
Na audiência em prosseguimento (fls. 370 e 371), foram colhidos os depoimentos do reclamante e de uma testemunha por ele indicada. Sem outras provas, foi encerrada a fase instrutória.
Razões finais remissivas, infrutíferas as tentativas conciliatórias, é o relatório.
FUNDAMENTAÇÃO
Vigora no Processo do Trabalho o Princípio da Simplicidade. Basta uma breve exposição dos fatos em que se fundamenta o pedido para se concluir por sua regularidade processual (CLT, art. 840, §1º).
Entendo que não assiste razão à reclamada quando sugere vício processual intransponível supostamente constante da peça de ingresso. Diz a reclamada que o reclamante deixou de informar o suposto agente para fins de concessão do adicional de periculosidade, o que inviabilizaria a análise de seu pedido.
Todavia, examinando o teor da petição inicial, observa-se que o reclamante pauta sua pretensão em laudo pericial produzido pela própria empresa, onde se assenta a necessidade de pagamento da periculosidade ao encarregado geral, ele, reclamante. Os documentos que acompanham a inicial também constituem a causa de pedir, no particular.
Tanto se confirma a regularidade da petição inicial que a reclamada pode exercer regularmente seu direito constitucional ao contraditório e ampla defesa.
Com essas razões, rejeito a preliminar.
MÉRITO
PERICULOSIDADE. RECONHECIMENTO PATRONAL. ACOLHIMENTO DO PEDIDO.
Enquanto o reclamante aponta a existência de condições perigosas em seu trabalho à reclamada, apontando um laudo produzido pela própria empresa em que se atestou o