4. METODOLOGIA DA PESQUISA
5.4. Sequência Didática 4: Aprendendo a poupar
Quadro 16: Sequência Didática 4: Aprendendo a poupar
Disciplina: Matemática Professora: X
Turma : 3º Ano Nível: (X) Fundamental
Conteúdo: Soma e divisão
Fase da Imersão e Familiarização contextual
- Adquirir conhecimento sobre as noções e operações de adição e subtração - Despertar os alunos para o hábito de poupar.
Fase de Conceituação e Descontextualização
- Fazer a estilização dos cofres; - Poupar suas próprias moedas; - Lançar os valores poupados;
- Usar as operações matemáticas para contabilizar os depósitos e as retiradas - Fazer a contabilidade do valor depositado no cofre.
Fase de Reinvestimento (exploração e recontextualização)
-Fazer uso do caderno de matemática para os lançamentos;
- Analisar a necessidade de empréstimo do dinheiro de modo parcial ou total.
Procedimentos de Ensino 1º Momento
Compreensão dos aspectos que envolvem a poupança.
2º Momento
Estilização dos cofres; Poupança;
Lançamento dos valores poupados;
Uso de operações matemáticas para contabilizar os depósitos e as retiradas Contabilidade do valor depositado no cofre.
Recursos Potes reciclados; Xerox Quadro Pincel Caneta Caderno. EVA Procedimentos de Avaliação
A avaliação deve possibilitar acompanhar o desempenho do aluno durante o processo de aprendizagem, ou seja, as informações obtidas criaram condições para a professora adequar suas intervenções às necessidades de cada aluno e analisar os resultados obtidos em relação aos objetivos propostos (HOFFMANN, 2000).
Referências:
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria da Educação Básica. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, DF, 2016. Disponível em: < http://basenacionalcomum.mec.gov.br/#/site/inicio>. Acesso em: 27/03/2019.
HOFFMANN, Jussara Maria Lerch. Avaliação: Mito & Desafio. São Paulo: Mediação, 2000. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/. Acesso em: 27/03/2019.
Na SD: Aprendendo a poupar, representada no quadro 16, a Fase da Imersão e Familiarização contextual foi pensada para que os alunos adquirissem conhecimentos sobre as noções e operações de adição e subtração e com isso despertassem para o hábito de poupar. O elemento desencadeador dessa fase foi a atividade denominada festival do cachorro quente. Após o festival houve a prestação de contas e o grupo efetuou o pagamento de todas as despesas a sobra do valor arredado foi de R$ 1,00 (Um real). E agora? O que fazer com o dinheiro?
Essa situação adidática apontou para a necessidade de os alunos mobilizarem conhecimentos para a questão: O que fazer com o que sobrou do dinheiro arrecadado? O trabalho de Andorinha foi facilitado pelo uso do milieu (materiais, instrumentos, procedimentos, recursos, etc.) apresentados aos alunos para a confecção do cofre.
A professora pediu aos alunos sugestões o destino que poderia ser dado aquele dinheiro que havia sobrado. Dentre as muitas sugestões foi unânime a de que o valor poderia ser guardado e utilizado em outro momento para patrocinar atividades proposta pela escola. A figura 21, representa o momento que um dos alunos deposita o dinheiro no cofre e faz o registro.
Figura 21: Criação dos Cofres
Fonte: Arquivo pessoal da pesquisadora (2018).
Assim, seguindo a sugestão dos alunos, a poupança continuou. Cada aluno ficou responsável pelo seu cofre. Foram os alunos que decoraram os potes. O milieu é identificado pelos alunos não só como material, instrumento ou procedimento, mas também, como uma prática social de referência (NUNES & NUNES, 2019).
Eram os alunos que guardavam seu próprio dinheiro e também faziam a contabilidade do valor depositado no cofre, usando sempre o caderno de matemática para os lançamentos, com isso, as crianças aprenderam não apenas a poupar, mas
a usar as operações matemáticas para contabilizar os depósitos e as retiradas, pois os alunos tinham liberdade para tomar emprestado o dinheiro de modo parcial ou até mesmo finalizar a poupança.
É iniciada a Fase de conceituação e descontextualização que ocorre ao longo de todo o desenvolvimento da SD, pois as atividades da poupança despertaram um interesse tão grande em relação a ideia de poupar, que ao final da atividade os alunos se recusaram a finalizar os depósitos. O excerto abaixo apresenta a reflexão da professora ao explicar aos pais sobre a continuidade da atividade:
O interessante é que “os potes continuam na escola...eles não querem finalizar... Eu já avisei aos pais, eles estão cientes de que os alunos trazem dinheiro para depositar. Tem alunos que já tem R$15,00, R$ 17,00...” (Trecho da entrevista cedida pela professora Andorinha).
Por conta da resolução dos próprios alunos, os cofres não foram entregues e a poupança continuou em sala de aula. Funcionava assim: os alunos traziam para sala de aula um valor para guardar em seus potes. Como já foi dito antes, a própria criança administrava seu dinheiro. A professora organizou um caderno no qual o próprio aluno fazia o lançamento do valor que apresentado para poupar. O mesmo acontece quando eles decidiam fazer o uso do dinheiro que foi economizado. Após decidirem o valor que será resgatado eles próprios fazem a retirada do valor e também a anotação do que restou. A figura 22 apresenta o trabalho desenvolvido pelos alunos em sala de aula.
Figura 22: Economizansdo, somando, mutiplicando
Fonte: Arquivo pessoal da pesquisadora (2018).
Esses procedimentos de manipulação do dinheiro e também o incentivo às crianças quanto a um planejamento de compras ajudou a inseri-las nas questões financeiras reais (D’AQUINO,2008).
É importante lembrar que nas fases iniciais da infância, a construção da percepção das coisas se dá muito na forma da materialidade. Mas em tempos de era digital, o dinheiro está cada vez sendo menos utilizado nas transações financeiras, pois as experiências de compra e venda se dão de forma cada vez menos física, em lojas virtuais com o uso de cartão de crédito, boleto, débito em conta corrente. O dinheiro se virtualizou.
Por esse motivo, fica mais evidente o papel da escola de em suas práticas possibilitar a materialidade nas experiências de compras usando o dinheiro, da mesma forma as conversas que envolvam finanças. Aqui já estava instaurada a fase Fase de Reinvestimento (exploração e recontextualização). A professora trouxe do supermercado vários folhetos com preços dos produtos de supermercado, como ilustrado na figura 23 abaixo:
Figura 23: Panfletos e materiais didáticos
Fonte: Arquivo pessoal da pesquisadora (2018).
Esse foi o material usado para montar o cartaz. A professora pediu que as crianças observassem o produto e também os preços e os desafiou a apresentar os elementos da nota fiscal. Para a dinamização da atividade, a professora fez as seguintes questões:
Como sabem que o número escrito no folheto representa dinheiro? Os preços dos produtos são todos iguais?
Como a gente sabe que um produto é mais caro que o outro?
Após as explicações sobre o consumo, a professora levou para sala de aula um cartaz com várias imagens, retiradas de revistas de roupas, carro, celular, geladeira, fogão e solicitou que as crianças elegessem os bens de consumo que eles consideravam essenciais para sobreviver. As conversas serviram para Andorinha
mostrar a origem dos recursos financeiros familiares; explicando as dificuldades que os pais enfrentam para ganhar dinheiro e sustentar a família; mostrando a importância de se ter reservas financeiras para o atendimento de possíveis gastos extras.
A professora refere que o cartaz foi uma boa atividade, mas reconhece que faltou de sua parte o cuidado para dosar a quantidade de informações, pois o comando solicitava aos alunos o uso das quatro operações matemáticas, a professora Andorinha comenta: “Achei que eu botei muita informação ... em uma única folha. Achei que baratinou a cabeça ... eu tive de explicar o que eu queria pra eles.” (Trecho da entrevista com a professora após a conclusão da sequência)
Dando continuidade a atividade, a professora solicitou aos alunos verificassem no cartaz que trazia imagens de diversos eletrodomésticos e deu o seguinte comando:
Joana vai se casar e dos padrinhos ela ganhou: 7 notas de R$100,00; 3 notas de R$ 50 notas e 10 notas de R$ 20. Eles teriam de multiplicar as notas para que os alunos soubessem o que daria para o casal comprar com o dinheiro que havia recebido notas. (Trecho da entrevista com a professora após a conclusão da sequência)
A ideia, segundo a professora, era que após efetuar as operações matemáticas, as crianças deveriam apontar quais eletrodomésticos o casal conseguiria comprar com o dinheiro. Foram selecionadas várias imagens para distribuir as crianças, a ideia era que eles dividissem o valor arrecadado pelo casal pela quantidade de eletrodomésticos que eles poderiam comprar. Foram trabalhadas as operações matemáticas.
Para realizar a tarefa, as crianças deveriam observar as imagens e preço dos produtos que compunham o cartaz. Nesse momento, a professora pode observar as estratégias adotadas pelas crianças para identificar o preço e o produto e também o que eles julgavam essenciais para o consumo.
A cada novo desafio das atividades, sugerido para o trabalho com a educação financeira em sala de aula, surgia um outro desafio: adequar o que seria ensinado aos alunos as competências gerais da BNCC (BRASIL, 2017).
“...o projeto assim me trouxe algo louvável...meus alunos conhecem dinheiro, conseguem mexer com as quatro operações, tem o raciocínio do que seja seu bem de consumo.” (Trecho da entrevista com a professora após a conclusão da sequência)
A dinâmica das atividades deveria articular o que o aluno estava aprendendo a outras habilidades relacionadas as outras áreas do conhecimento. Isso se concretizou a partir do Plano de aula 5: Raciocínio Lógico Matemático na atividade 5: Vamos ao Supermercado, SD 5, Quadro 17, abaixo: