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Os mapas mentais são úteis para entender argumentos complexos, com múltiplas ramificações. O mapa mental apresentado na página 78 dá uma boa ideia dos aspectos do ambiente que afetam nossos estudos.

Repetindo, aprendemos mais ainda quando somos nós que fazemos esses mapas. No primeiro caso, é o aprendizado passivo. É como se nos recostássemos na cadeira e disséssemos ao professor: “Quero ver. Enfie isso na minha cabeça”. Nosso esforço é só de absorver ou entender o que foi apresentado.

Mas, quando somos nós que vamos construir o mapa mental, trata-se de um aprendizado ativo. Somos nós mesmos quem formulamos as ideias, seja trabalhando assuntos novos ou reconstruindo com nossas próprias palavras a estrutura lógica do que foi dito ou lido. E, como sabemos, o aprendizado ativo é muito mais eficaz que o passivo.

Na prática, os mapas mentais encontram vários usos.

1.

LISTAS

Na verdade, são uma ferramenta imbatível para fazer listas, cronogramas e agendas. Anotamos, mudamos de lugar, apagamos. Tudo muito fácil, sobretudo, se o mapa for em versão digital, pois pode ser ajustado, cortando e adicionando elementos. É o seu uso mais simples e imediato.

2.

BRAINSTORM

Um uso mais nobre é para o brainstorm. Diante de um problema sobre o qual sabemos pouco ou não temos clareza, fazer um mapa mental ajuda a organizar as ideias. Já começamos com um mínimo de organização, mas permanecemos livres para rearranjar tudo.

3.

FAZER SUMÁRIOS E RESUMOS

São uma excelente maneira de sumariar artigos ou livros que estamos lendo, cujas ideias queremos captar melhor.

4.

ANOTAÇÕES DURANTE AULAS E CONFERÊNCIAS

Uma possibilidade interessante de uso dos mapas mentais é para fazer anotações durante aulas e conferências, para aqueles que levam computadores ou tablets para tais eventos. É muito conveniente, pois à medida que flui a aula, vamos criando novas entradas, em sequência, uma atrás da outra. Apertando uma só tecla do

notebook, abrimos um novo retângulo, a cada ideia nova ou informação que apareça, sem tentar organizar ou

estruturar os assuntos. Ao fim da aula, o mapa mostra-se incrivelmente congestionado, com dezenas de entradas rodeando o conceito central.

Olhando para esse amontoado de palavras ou frases, depois da aula, começamos a perguntar quais são as grandes ideias transmitidas pelo professor. Essas são, em seguida, identificadas no mapa (ou arrastadas para o topo, para facilitar a visualização do todo). Tornam-se, então, a espinha dorsal da aula ouvida. O passo seguinte é ir movendo cada entrada, para que se encaixe dentro daquela lógica que se revela mais apropriada. Terminamos com uma aula que pode até estar mais bem organizada do que a do próprio professor. De certa forma, com tais desenhos, aperfeiçoamos aulas dadas por professores desorganizados.

Usar um computador ou um tablet é uma opção. Mas também é possível ir construindo o mapa à mão livre, criando anotações conectadas ao conceito central (ou a conceitos secundários) por linhas. Historicamente, os mapas mentais nascem nessa versão manual. Muitos se sentem mais à vontade com esse método mais artesanal. A desvantagem é que vai ficando confuso e será preciso redesenhar tudo, para ter um mapa limpo e fácil de navegar.

É também um recurso poderoso para armar o arcabouço lógico de alguma redação que estamos preparando. Pode ser de uma página ou de um livro inteiro. Começamos deixando as ideias fluírem, sem muita lógica, sem sequência, sem estrutura. Estando lá tudo o que pudermos lembrar, como se fosse os “ingredientes” do nosso escrito, começamos a remexer na posição de cada elemento, buscando encontrar uma organização lógica mais apropriada.

Organizamos o material por ordem cronológica ou por categorias lógicas? Não há respostas predeterminadas. Em cada caso, deve haver uma organização mais conveniente.

Prosseguimos. O que está escrito neste quadradinho é uma ideia nova ou o detalhamento de uma ideia anterior? Esse exemplo pertence a qual ideia? Como esse conceito se vincula ou se associa ao outro? Respondendo a essas perguntas, vamos movendo os quadradinhos dentro do mapa. O que estava aqui, passa para ali, dentro de uma ideia maior, ou vice-versa.

Progressivamente, vamos ver uma estrutura tomar corpo. Se parecer adequada, aperfeiçoamos. Se ainda está trôpega, voltamos a mudar de lugar os seus elementos, até chegar a alguma organização que satisfaça. No limite, o mapa pode demonstrar que as ideias não têm pé nem cabeça.

A seguir, reproduzo um mapa “de verdade”, que usei para escrever um trabalho sobre ensino básico no Brasil. No caso, foi usado o programa MindNode. O ensaio foi sendo estruturado, com as ideias principais sendo adicionadas e os pontos menores colocados no melhor lugar, segundo a lógica do ensaio. Após feito o mapa, chega então a hora de redigir o trabalho.

Quando comecei a listar as “novidades” na educação, descobri que algumas ideias eram realmente novas, como a universalização da escola e a ênfase no real aprendizado e não apenas no diploma. Contudo, reapareciam ideias velhas, mas que tinham sido esquecidas e precisavam ser exumadas. Nesse processo, fui levado a criar o título “O velho que virou novo”, separado do título “Novo”. E assim por diante, com as ideias encontrando o seu lugar, dentro de cada uma das seis seções.

É, portanto, um recurso poderoso para armar o arcabouço lógico da redação que estamos preparando, permitindo verificar sua estrutura lógica e aperfeiçoar sua apresentação. Repetindo, pode ser um ensaio de uma página ou de um livro inteiro.

Começamos por deixar as ideias fluírem, sem lógica, sem sequência, sem estrutura. Empilhamos no desenho tudo que pudermos lembrar, como se fosse os “ingredientes” do nosso escrito. Feito isso, começamos a remexer a posição de cada elemento, buscando encontrar uma organização lógica. Progressivamente, após certo vai e vem com os quadradinhos, vamos ver uma estrutura tomar corpo. Se parecer adequada, aperfeiçoamos. Se ainda está trôpega, voltamos a mudar de lugar os seus elementos até chegar a alguma organização que satisfaça.

Às vezes, podemos chegar à conclusão de que não há organização lógica possível. Nesses casos, pode ser que haja um erro fatal na estrutura do argumento. Dizemos uma coisa aqui e outra contraditória acolá. Nesse caso, o mapa mental ajuda a identificar erros.

Voltando ao mapa da organização do espaço físico, se “computador” estivesse ao lado de “televisão” não estaria bem, pois computador não faz barulho, portanto, não afeta a tranquilidade do ambiente.

O mapa mostra também a presença de um argumento que nega o outro. Por quê? Falta algum passo crítico na argumentação? O mapa mental ajuda a achar tais equívocos.

A possibilidade de ver um ensaio inteiro dentro de uma única página é muito conveniente, sobretudo para aqueles que têm uma inteligência visual mais apurada.

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