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serviço social, em contexto de modernidade

A .construção .do .saber .na .prática .profissional .do .serviço .social, .num . contexto .de .globalização, .modernidade .e .crescente .complexidade, .cons- titui, .em .nosso .entender, .um .tema .de .reflexão .essencial, .para .a .concretiza- ção .de .uma .prática .de .serviço .social, .inovadora, .crítica .e .contextualizada . no .momento .actual .É .neste .sentido .que .propomos .uma .breve .reflexão . sobre .os .conceitos .que .nos .ajudam .a .elucidar .o .tema .e .sobre .o .modo . de .os .articular .enquanto .conceitos .essenciais

A globalização

No .Mundo .globalizado, .partilhamos, .alegria, .guerras, .experiências, .de . gentes, .tempos .e .lugares, .que .nos .são .distantes .e .desconhecidos .e .que . se .tornam .próximos .e .conhecidos, .pela .função .dos .média, .presentes . nesta .sociedade .de .informação .A .experiência .da .globalização .é, .como . diz .Giddens, .“uma .realidade .interior, .vivida .por .cada .um .de .nós .de .um . modo .personalizado, .não .é .um .incidente .passageiro, .é .a .nossa .maneira . de .viver .actual”

Esta .globalização .como .conceito, .modo .de .vida .e .modelo .de .ges- tão .mundial, .leva-nos .a .dimensionar .o .nosso .tempo .como .um .tempo . que .ultrapassa .a .sua .própria .modernidade, .colocando .novos .desafios .e . novas .tensões, .que .redimensionam .tempo .e .espaço, .dando .um .sentido . pós-modernidade, .de .consciência .crítica .e .de .balanço, .às .nossas .vivências . complexas .e .multiculturais .Esta .conjugação .interactiva .de .vectores, .na . cultura, .no .poder, .nas .redes .de .comunicação, .configura .um .paradigma . de .complexidade, .onde .os .saberes .e .as .práticas .são .modos .de .constru- ção .social .e .de .apropriação .de .sentido, .em .contextos .transculturais .e . onde .os .mapas .culturais .se .redefinem, .colocando .novos .problemas .éti- cos, .exigindo .do .cidadão .uma .postura .de .implicação .construtiva, .nas .suas . vivências .e .nos .seus .valores

Ao .assumirmos .o .serviço .social .como .uma .prática .profissional .de .inter- venção .para .a .mudança .social, .redescobrimos .na .sua .dimensão .partici- pativa, .uma .prática .flexível, .para .agir .em .contexto .de .novos .mapas .cultu- rais, .capaz .de .promover .uma .cidadania .comprometida .com .o .mandato . democrático.

A modernidade

De .acordo .com .Boaventura .de .Sousa .Santos, .a .primeira .definição .de . modernidade .foi .obra .dos .próprios .modernos .e .escorou-se .em .dois .pilares, . o .da .regulação .e .o .da .emancipação .O .primeiro .fundado .nos .princípios . do .Estado, .do .mercado .e .da .comunidade .e .o .segundo, .na .racionalidade . estético .expressiva .da .arte .e .da .literatura, .na .racionalidade .moral-prática . da .ética .e .do .direito .e .na .racionalidade .cognitiva .instrumental .da .ciência . Podemos .então .perceber .a .Modernidade .como .progressiva .conquista .da . racionalidade .em .todos .os .eixos .da .vida .social .

O .Serviço .Social .estrutura-se .como .profissão .e .saber .disciplinar, .dentro . das .ciências .sociais, .intervindo .na .mediação .da .questão .social .e .consti- tuindo-se, .quer .como .agente .regulador .ao .serviço .do .Estado, .seu .princi- pal .empregador, .quer .como .movimento .emancipador, .por .estar, .igual- mente, .ao .serviço .dos .pobres .e .excluídos, .ao .defender .como .princípios . éticos .da .profissão, .a .justiça .social, .a .autodeterminação .do .sujeito, .indi- vidual .ou .colectivo, .e .a .democracia .O .Serviço .Social .surge, .assim, .como . agente .da .modernidade, .enquanto .mediador .entre .o .Estado, .o .mercado . e .a .sociedade .civil, .advogando .(advocate), .no .quotidiano, .nas .práticas .ins- titucionais, .causas .que .se .balançam .entre .os .direitos .e .interesses .colec- tivos .e .os .interesses .e .direitos .individuais

A complexidade

Como .nos .diz .Morin, .a .complexidade .refere-se .a .um .fenómeno, .quan- titativo .e .qualitativo, .de .interacções .e .de .interferências .de .um .grande . número .de .unidades, .causando .incertezas .e .indeterminações, .quanto .à . forma .como .interagem .e .se .combinam .este .diferentes .elementos .no .seio . de .sistemas .organizados .Ao .introduzir .o .elemento .aleatório .no .interior .

do .sistema, .a .complexidade .mistura .ordem .e .desordem, .pondo-nos .em . contacto .com .o .acaso

Conforme .Morin, .o .problema .teórico .e .metodológico .da .complexi- dade .situa-se .na .necessidade .de .“renovação .da .concepção .do .objecto”, . bem .como .na .“viragem .das .perspectivas .epistemológicas .do .sujeito” . Para .lidar .com .a .incerteza .e .o .vago .é .necessário .reconhecer .a .impreci- são .“não .só .nos .fenómenos, .mas .também .nos .conceitos” .De .acordo .com . Morin .“é .preciso .reconhecer .fenómenos .como .liberdade .e .criatividade, . inexplicáveis .fora .do .quadro .complexo, .o .único .que .permite .a .sua .apa- rição”, .(Morin, .2003)

Trata-se .de .uma .teoria .aberta .que .permite .trazer .para .o .seio .da .ciên- cia .o .que .ela .própria .havia .rejeitado: .o .mundo .e .o .sujeito .A .noção .de . sistema .aberto .faz .apelo .à .noção .de .meio .e .às .interacções .do .sujeito . com .outros .sujeitos .e .com .o .seu .meio .ecológico .“O .sujeito .emerge . ao .mesmo .tempo .que .o .mundo” .(Morin, .1995, .p 57), .emerge .sobre- tudo .através .da .sua .capacidade .de .autodeterminação, .da .sua .capa- cidade .de .apropriação .desse .mundo, .transformando-o .como .sujeito . de .acção, .ele .próprio .fazedor .de .sentidos .É .este .sujeito .epistémico, . dotado .de .capacidade .de .auto-organização, .que .introduz .no .sistema . elementos .de .subjectividade, .ao .assumir, .pela .acção, .consciência .de .si, . (counsciousness of self‑awareness)transformando-se .enquanto .sujeito . e .transformando .a .própria .realidade .

Nesta .perspectiva .do .sistema .aberto, .sujeito .e .objecto .são .indisso- ciáveis, .são .“constitutivos .um .do .outro”, .porque .criam .e .recriam .interac- ções .recíprocas, .tornando .inevitável .a .interdependência .entre .sistema .e . ecossistema .”A .epistemologia .torna-se .assim .o .lugar .da .incerteza .e .da . dialógica”, .(Morin, .2003)

O .Serviço .Social .ao .definir .como .seu .objecto .de .estudo .e .intervenção, . “as .pessoas .em .interacção .com .outras .e .com .o .meio”, .escolhendo .como . objecto .preferencial, .as .pessoas .pobres .e .excluídas, .(J .McDonough, .2000) . propõe-se .constituir .na .relação .entre .sujeito .e .objecto, .ou .seja, .entre .pro- fissional .e .utente, .um .sujeito .colectivo, .capaz .de .intervir, .no .quotidiano, . para .a .mudança .social, .através .da .defesa .dos .direitos .humanos, .do .exer- cício .da .cidadania .e .da .democracia

O .Serviço .Social .encontra, .assim, .nas .teorias .da .complexidade .e .do . sistema .aberto, .um .referencial .teórico .e .metodológico .para .a .sua .inter- venção