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SERVIÇO SOCIAL NO TERCEIRO SETOR E NO ICOM

Organograma 1 – Estrutura de Gestão 2005-2008

4 O SERVIÇO SOCIAL E SUA CONTRIBUIÇÃO NO ICOM INSTITUTO

4.3 SERVIÇO SOCIAL NO TERCEIRO SETOR E NO ICOM

O assistente social é o profissional graduado em curso Superior de Serviço Social, que devidamente habilitado, pode atuar nas expressões da questão

social, nas políticas sociais públicas, privadas e nas organizações não governamentais (ONGs). A profissão de assistente social pode contribuir muito para mudar os rumos das políticas sociais de um país, enfatizando-se que a profissão, em nosso país, é reconhecida.

A atuação no Terceiro Setor pode dar-se por meio de diversas possibilidades de atuação, como: atendimento a pessoas e famílias que estão à margem do processo produtivo ou fora do mercado de trabalho; defesa e garantia dos direitos dessa população; trabalho em conjunto com um corpo de voluntários; atuação junto a segmentos como criança e adolescente, idoso, dentre outros.

As organizações do Terceiro Setor constituem-se em campo de atuação profissional, e o assistente social precisa entender as configurações deste espaço. Precisa haver um novo olhar, “alargar os horizontes, olhar para mais longe, para o movimento das classes sociais e do Estado em suas relações com a sociedade; [...]” (IAMAMOTO, 2008, p.20).

As mudanças históricas alteraram as formas de divisão do trabalho na sociedade, e novas formas de organização surgiram no decorrer do tempo. Com a proposta neoliberal viu-se o enxugamento do Estado em suas responsabilidades sociais, no campo das políticas sociais e passou-se a perceber que as ações são mais focalizadas e mais privatizadas.

A retração do Estado em suas responsabilidades e ações no campo social manifesta-se na compressão das verbas orçamentárias e no deterioramento da prestação de serviços sociais públicos. Vem implicando uma transferência para a sociedade civil, de parcela das iniciativas para o atendimento das seqüelas da questão social, o que gera significativas alterações no mercado profissional de trabalho. (IAMAMOTO, 2008, p. 42- 43).

As condições de trabalho do assistente social sofreram e sofrem impactos diretos do conjunto das transformações operadas nas esferas privadas e estatais e alteram as relações entre o Estado e a sociedade. Com a terceirização na contratação de assistentes sociais registra-se uma maior incidência desses profissionais nas fundações privadas, organizações sem fins lucrativos, entre outros. As ONGS têm sido um espaço sócio ocupacional importante de atuação do profissional de Serviço Social, um amplo e diversificado campo que necessita estar se qualificando continuamente.

O aperfeiçoamento contínuo dos profissionais do Serviço Social tem sido considerado essencial para sua permanência no mundo do trabalho e enfrentamento

das questões que surgem no cotidiano. Os assistentes sociais trabalham com a questão social nas mais variadas expressões do dia a dia, tais como, na área da família, de habitação, no meio ambiente, na saúde, na assistência social, no atendimento a crianças, adolescentes e idosos, entre outros.

Conforme Iamamoto (2008), o assistente social no seu campo de atuação, deve saber fazer uma leitura crítica da realidade e, principalmente, das transformações econômicas, sociais e políticas do país.

O conhecimento da realidade constitui-se num instrumento básico, vital para a organização e desenvolvimento do processo de intervenção do Serviço Social. Sendo assim, este conhecimento possibilita entender a realidade e a maneira como o trabalho deve ser realizado, deixando de ser apenas uma reprodução da ação profissional, da prática pela prática, para se tornar uma ação fundada nos princípios que norteiam a profissão, numa intervenção baseada nas questões teóricas – metodológicas, técnico – operativas e ético políticas.

O trabalho do assistente social nas organizações do Terceiro Setor tem sido ampliado e a tendência desse setor é crescer. Deste modo, alguns requisitos são fundamentais para o profissional de Serviço Social executar suas ações de forma a constituir direitos e não como um mero favor aos sujeitos atendidos.

Conhecer o que é o Terceiro Setor e as instituições que o compõem é fundamental para se ter uma visão da totalidade organizacional, ou seja, saber o que faz parte do ambiente interno e externo da organização; identificar a legislação que fundamenta a política de atuação do público alvo atendido pela instituição; ter formação profissional sobre os determinantes da questão social brasileira; saber das políticas sociais setoriais para o enfretamento dessas manifestações e, por último, conhecer a articulação das relações entre Estado, Mercado e Terceiro Setor. (COSTA, 2005).

Ainda nesse contexto, com fundamento na Lei nº 8.662/93, visualiza-se algumas competências e atribuições específicas do assistente social, a saber: desenvolver a Política de Assistência Social, conforme preconiza a Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS), de acordo com o público alvo atendido pela instituição; elaborar, coordenar, executar e avaliar planos, programas e projetos, com a participação da sociedade civil; realizar pesquisa que possa contribuir para análise da realidade social e dar suporte às ações desenvolvidas; fornecer orientação social e fazer encaminhamentos da população usuária aos recursos da comunidade,

integrando e utilizando-se da rede de serviços sócio-assistenciais; realizar perícias, laudos, visitas interinstitucionais e pareceres técnicos; no âmbito da instituição ou, quando solicitado, identificar as necessidades individuais e coletivas, na perspectiva do atendimento social e da garantia de direitos.

Contudo, a atuação do assistente social, comprometido e participativo faz- se de fundamental importância nesse setor. A inserção desse profissional contribui para um trabalho de qualidade, no alcance dos objetivos, metas e valores preconizados pela instituição, trabalhando no enfoque da garantia dos direitos da inclusão da população usuária. Deste modo, a contribuição do profissional de Serviço Social é relevante para as organizações que compreendem o terceiro setor.

Desde o momento em que o ICom estava sendo pensado, já tinha em seu grupo profissionais assistentes sociais. O profissional de Serviço Social contribuiu para todo o processo de formalização da instituição.

O assistente social tem como atribuições o acompanhamento, monitoramento, e avaliação dos projetos junto com os coordenadores de projetos, mantendo uma visão de sociedade, cidadania e inclusão.

O profissional de Serviço Social, no ICom, não realiza contato direto com as organizações da sociedade civil e a comunidade local, e sim com os coordenadores dos projetos; sendo assim, ele acompanha, monitora e avalia o que está sendo desenvolvido nesses projetos.

Para que os projetos desenvolvidos pela instituição possam promover o desenvolvimento social em municípios da Grande Florianópolis de uma forma organizada, ágil e prática o assistente social utiliza os instrumentos técnico- operativos como entrevista, visita interinstitucional, reuniões técnicas, observação, grupo, relatórios sociais, orientações, avaliações, capacitação e elaboração de projetos sociais.

As expressões da questão social que o profissional trabalha na instituição são as vulnerabilidades das organizações não governamentais, as comunidades vulnerabilizadas pela exploração, pobreza e exclusão social, população jovem em situação de risco pessoal e social, apoio ao investidor social privado e à defesa e preservação do meio ambiente. Visando atender algumas dessas expressões da questão social o ICom criou os projetos Guia do Terceiro Setor e Fortalecer, a revista Sinais Vitais, o projeto Fundo Comunitário de Empreendedorismo Social

Jovem, Fundo Vonpar de Investimento Social, Projeto Transparência, Fundo de Incentivo à Implementação dos PDIs e o Fundo Comunitário para Reconstrução.

Para o desenvolvimento das atividades realizadas na instituição, são de extrema importância o conhecimento do assistente social nas áreas de elaboração de projetos sociais, pesquisa, captação de recursos, avaliação, políticas públicas, responsabilidade social e organizações do terceiro setor.

O profissional de Serviço Social, na organização, tem autonomia relativa, considerando-se que seu trabalho é desenvolvido de acordo com a missão, visão, valores e princípios em conjunto com a diretoria, coordenação geral e coordenadores de projetos.

O Serviço Social possui uma relação interinstitucional com as organizações sem fins lucrativos como Fundação Mauricio Sirostky Sobrinho (FMSS), Instituto Voluntários em Ação (IVA), Irmandade do Divino Espírito Santo (IDES), Instituto Guga Kuerten (IGK), Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL), e uma relação profissional com as assistentes sociais dessas organizações.

Na instituição ICom, o profissional de Serviço Social tem como objeto de trabalho as questões da vulnerabilidade das organizações sociais, das comunidades, a inserção das políticas públicas voltadas para as organizações do terceiro setor e responsabilidade social; dessa forma desenvolve maneiras eficientes para intervenção nessas questões, com o objetivo de avaliar o impacto do desenvolvimento social local.

Uma das ações desenvolvidas pelo Serviço Social do ICom foi o mapeamento das organizações sem fins lucrativos do município de Florianópolis, resultado que contribui para o desenvolvimento de seus programas e projetos. Além disto, o referido instrumento auxilia o profissional de Serviço Social, na busca de informações necessárias para identificar a realidade social das organizações que fazem parte do terceiro setor da região da grande Florianópolis, visando a implementação, monitoramento e acompanhamento de projetos e programas que objetivam o desenvolvimento social local, exercendo um trabalho com compromisso e responsabilidade voltado para a garantia dos direitos da população atendida.

No próximo item, aborda-se a experiência de estágio supervisionado em Serviço Social vivenciada pela acadêmica, no ICom, durante o período de agosto de 2007 a dezembro de 2008, enfatizando-se sua participação na pesquisa do

mapeamento das ONGs dos municípios de Florianópolis, São José, Palhoça e Biguaçu, e na organização de eventos promovidos pela instituição.

4.4 EXERCÍCIO DA PRÁTICA PROFISSIONAL NO ICOM - INSTITUTO