CAPÍTULO II Desenvolvimento histórico
2.2. A primeira grande evolução da web: 2.0 a era colaborativa e o poder do utilizador
2.2.4. Serviços, coprodução e novos modelos de desenvolvimento
Em meados da primeira década dos anos 2000, a internet passou a ser encarada e entregue aos utilizadores como um serviço e não como um produto, e esta mudança de paradigma levou a sérias alterações no modelo de negócios das empresas, alterações estas enunciadas por O’Reilly (2005), que passamos a enumerar:
1. As operações web tornaram-se uma competência essencial: pelo que deveriam ser utilizadas diariamente. Toda a informação deveria ser permanentemente mapeada e atualizada. A filtragem de spam e a resposta contínua a todas as questões de todos os utilizadores que consultam a plataforma web passou a ser um requisito, bem como a apresentação de anúncios relacionados com o contexto da página e da pesquisa. Importa- nos neste ponto referir que a publicidade online é um dos métodos mais antigos e mais proeminentes de sustentar um serviço online sem receita (Crain, 2014, p. 378). Esta forma online de divulgação das empresas, mostra a importância de estas conhecerem os utilizadores das suas páginas web e os seus interesses, de modo a que apresentem os conteúdos mais apelativos à sua audiência.
2. Os utilizadores passaram a ser coprodutores: devido às práticas de código aberto que fomos explicando ao longo deste subcapítulo. O acompanhamento em tempo real do percurso do utilizador passou a ser um processo essencial para as organizações, de modo a compreenderem quais os recursos em que deveriam investir (analisando aqueles a que
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os utilizadores recorriam) e quais os recursos que deveriam descartar, por falta de utilização.
Após a descrição de alguns dos princípios de O’Reilly sobre a web 2.0, conseguimos compreender que uma das maiores aprendizagens para as empresas, foi a perceção de que os utilizadores web agregam um valor efetivo. A conclusão era de que o valor proveniente dos internautas, era tanto maior quanto o número de visitantes à plataforma em causa, pois era essa quantidade de visitas que melhorava a performance, por meio da informação recolhida e tratada.
Do mesmo modo, um novo passo foi dado com a noção de que a evolução seria uma constante e a adaptação era um requisito necessário. Esta afirmação é comprovada pelo facto de que as empresas nativas da web 2.0 foram privilegiadas, relativamente às organizações da web 1.0, pois aprenderam de imediato os insights necessários para o sucesso sem ter de reaprender ou readaptar os antigos processos (O’Reilly, 2005). Contudo, a adaptação por parte das empresas da web 1.0 foi possível e o efetivo sucesso empresarial assentou na capacidade de usufruir da participação dos utilizadores para construir uma verdadeira vantagem competitiva. A realidade é que a tecnologia da web 2.0, consciencializou as organizações e facilitou a modernização empresarial, por meio da alteração dos modelos de negócios, apresentando-se assim uma direção em relação ao futuro (Newman, Chang, Walters & Wills, 2016).
Neste momento histórico, importa ainda salientar o surgimento dos social media que foram claramente impulsionados pelas novas capacidades sociais das plataformas web 2.0 (Kaplan & Haenlein, 2010). Novamente de acordo com Newman et al. (2016), o Facebook é o melhor exemplo para evidenciar o sucesso da web 2.0 sob a perspetiva social, uma vez que já em 2016 ‘‘contava com bilhões de utilizadores em todo o mundo e bilhões de atualizações e interações entre usuários ocorridas diariamente’’ (p. 593), mostrando assim a capacidade de esta plataforma social misturar a conectividade, a popularidade e a noção de comunidade. Todavia, o conceito de social media será apresentado e analisado com maior detalhe no capítulo seguinte, evidenciando novamente a atuação do utilizador como crucial no mundo digital.
No que respeita aos problemas evidentes da web 2.0, encontramos de acordo com Zimmer (2008) a falta de privacidade e a obscuridade do ambiente online, que foram evidenciadas através da possibilidade de pesquisa e obtenção de informação sobre qualquer pessoa por via dos motores de procura. Esta pesquisa começou a afetar a dinâmica social, no sentido em que se tornou numa das etapas nos processos de decisão das relações interpessoais, por exemplo nas
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opções de contratação empresarial, onde o candidato passou a ser selecionado (ou não) de acordo com o que se encontrava na web a seu respeito (Weiss, 2006 citado em Zimmer, 2008). Este
processo de pesquisa tornou a privacidade de dados importantes e até confidenciais, muito reduzida e de acordo com o autor, a disponibilização dessas informações pessoais aumentou em larga escala as reações discriminatórias.
Outro dos perigos provenientes do contexto web 2.0 também relacionado com a privacidade e gestão de informação, de acordo com Lawton (2007), foi o surgimento dos hackers e a sua capacidade de ‘‘executar operações prejudiciais fora do navegador, sem que os utilizadores saibam destas atividades processadas em seu nome. Do mesmo modo, conseguem enviam conteúdo malicioso de aparência legítima’’ (p. 13). Esta nova dinâmica tornou-se ainda mais preocupante do ponto de vista empresarial, pois é previsível que digitalmente o número de ligações seja maior e estes incidentes causem maior dano. Deste modo e de acordo com o autor supracitado, os dados das empresas ficaram também desprotegidos, aumentando a possibilidade de grandes prejuízos. Outra das vulnerabilidades da web 2.0, segundo Lawton (2007), é a possibilidade de envio de vírus através de links para páginas externas, considerando estas ações como ataques, que poderiam ser travados por meio de firewalls. Outras medidas de prevenção, diziam respeito à educação dos programadores e funcionários das empresas procedendo a formações de práticas de navegação e computação seguras (p. 16)
Apesar dos constrangimentos da web 2.0, o mundo tecnológico não parou de evoluir e o futuro chegou com o surgimento da web 3.0, tendo ficado sobretudo marcado pela conexão mundial e permanente dos utilizadores, que se tornou possível através do aparecimento dos smartphones e da utilização em massa dos social media. Outro marco desta nova era é a maior exigência por parte dos utilizadores e sociedade em geral, relativa à privacidade dos dados e à robustez da sua segurança, que até então estava ainda pouco explorada. No capítulo seguinte aprofundaremos e analisaremos detalhadamente as ferramentas e os recursos provenientes desta terceira evolução web.
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