CAPÍTULO II Desenvolvimento histórico
2.3. O digital como o conhecemos
2.3.1. Web semântica
‘‘A web semântica conectará todos os dados e informações com muito mais proximidade, possibilitando a pesquisa contextual’’ (Booz & Company, 20117).
O conceito de web semântica foi estudado por Shadbolt, Berners-Lee e Hall (2006) e diz respeito à capacidade de vinculação de bilhões de páginas web, tornando-se assim plausível apresentar, de forma quase instantânea, os conteúdos mais relevantes para cada um dos utilizadores. De forma sucinta e para os autores, a web semântica é a web dos dados e das informações, passíveis de extração para um uso específico. Os autores ilustram este conceito através da utilização de um calendário online, com informação em diferentes formatos (como datas, fotografias e até transações financeiras) exibidas cronologicamente, que à data se apresentava como um protótipo idealista de como a web semântica evoluiria, e que hoje é plenamente exequível. Esta capacidade de extração de milhões de dados relevantes para um único repositório, trouxe vantagens imensuráveis, não só para as empresas com fins lucrativos, mas também para instituições de saúde e governos, como seguem explanando os autores, daí ter sido um grande e importante passo na evolução da sociedade em geral.
O serviço de pesquisa é, como sabemos, o principal benefício da Word Wide Web, sendo baseado no uso de termos e expressões escolhidos pelo utilizador. Com o surgimento da nova web, esta pesquisa foi bastante aprimorada tornando possível a apresentação de resultados específicos e de resultados relacionados (o que podemos entender como resultados, que embora não tenham sido diretamente pesquisados, são provavelmente relevantes para o utilizador). A divulgação automática de melhores e mais ajustados resultados deveu-se à capacidade de a tecnologia analisar, compreender e relacionar o significado e o contexto em que a pesquisa foi realizada (Booz & Company, 2011). Com efeito, surgem as folksonomias, expressão cunhada por Vander Wal (2007), cuja definição assenta no ‘‘resultado de um utilizador marcar livremente informações ou objetos [em ambiente web] para sua própria utilização, num ambiente social partilhado e aberto’’ (p. 3) a outros utilizadores. Este conceito foi o que permitiu a classificação da informação por meio de palavras chave, conhecidas como tags, que podiam ser posteriormente recuperadas e partilhadas. Neste sentido e segundo Shadbolt et al. (2006), estas folksonomias podiam ser criadas também como forma de auxiliar outros utilizadores web a encontrar informação
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relevante que procurassem evidenciando o desenvolvimento de relações por meio digital, assumindo progressivamente um caráter de cooperação para além da produção coletiva de novos conteúdos.
Como forma de afirmação do legado da informação e sobretudo do relacionamento na web 3.0, Shadbolt et al. (2006) descreve-a como ‘‘um espaço de informações reunidas, onde os dados são constantemente enriquecidos’’ (p. 100). De acordo com os autores, outro conceito que marcou esta era foi a web viral caracterizada pela cada vez maior envolvência dos utilizadores no processo de criação de conteúdos online, através da disponibilização em massa dos seus dados pessoais, o que faz alusão à inteligência coletiva, descrita no subcapítulo 2.2.2. Deste modo o comportamento online dos utilizadores passou a ser a maior riqueza no que concerne à utilização eficaz das ferramentas em ambiente digital. No entanto, questões basilares de design e arquitetura da web continuavam a ser preponderantes, no sentido de evitar, por exemplo, que os links existentes nas páginas falhassem (Shadbolt, Berners-Lee & Hall, 2006), procurando tornar a experiência o mais agradável e simples possível.
O surgimento do smartphone, como já referimos, marcou a ascensão da web 3.0 permitindo que bilhões de utilizadores estivessem ‘‘conectados à internet (…) acedendo a diferentes tipo de aplicações, serviços e comunicações’’ (Newman et al., 2016, p. 596). Foi este alcance sem limites geográficos, a par do acesso à informação útil e à sua posterior partilha (como temos vindo a descrever no presente capítulo) nomeadamente por via dos social media, o principal transformador do comportamento interpessoal e empresarial no meio digital. O reduzido custo, potenciou a utilização massiva destes dispositivos conectados por redes Wi-Fi sem fios.
Adicionalmente a esta evolução digital, à sua aceitação por parte do utilizador e ao desenvolvimento dos processos cada vez mais minuciosos da web semântica tornou-se possível que a web 3.0 oferecesse novos serviços, que Newman et al. (2016, p. 597) elenca como:
1. Serviços de gestão eletrónica: entendida como a capacidade governamental dos países gerirem administrativa, estratégica e operacionalmente os seus serviços com a colaboração dos cidadãos. Estes, por sua vez, passaram a ter acesso a uma comunicação mais ágil com os governos, fornecendo feedback direto sobre os serviços governamentais; 2. Serviços de e-business: através dos quais as pessoas poderiam pagaros seus produtos
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3. Serviços de e-banking: que permitiam o pagamento de despesas através de sistemas digitais onde a autenticação pessoal e real pode ser verificada em segundos.
Assim, ainda de acordo com o artigo da Booz & Company (2011), a digitalização de setores tão amplos quanto os enumerados acima, bem como os setores das telecomunicações e da saúde foi uma realidade emergente que não parou de evoluir nos anos subsequentes.
Do ponto de vista empresarial, a web 3.0 por meio do desenvolvimento da web semântica, revelou-se uma plataforma ideal para o desenvolvimento de negócios com recurso a ferramentas de marketing mais direcionadas. A enorme quantidade de dados disponíveis na web sobre o comportamento e preferências dos utilizadores revelou-se uma oportunidade de uso, por parte dos profissionais das empresas, capaz de atrair os utilizadores para os websites, aumentando o volume das vendas e da eficiência operacional (Booz & Company, 2011, p. 8).