6 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS
SERVIDOR RAZÕES REFERENTES AO SETOR, CARGO E/OU FUNÇÕES
11 “Não me sinto importante, minhas tarefas poderiam ser desenvolvidas por um robô.”
12
“Estive em lotação provisória fora da UFSM por motivo de acompanhamento de cônjuge e quando retornei à UFSM comecei a trabalhar em outro local por necessidade da Instituição.”
13 “Fui removida de setor para realizar uma experiência, porém não me adaptei e quero voltar ao meu setor de origem.”
14 “Exerço meu trabalho em dois setores, um destes é na minha especialidade e que me traz muita satisfação, e o outro é em pronto socorro, que não me traz satisfação.”
15
“O setor no qual estou lotado exige habilidade de comunicação e relacionamento interpessoal, e minhas habilidades são relacionadas a tarefas de cunho técnico, lógico e analítico.”
16 “Gostaria de trabalhar em outro setor, na mesma instituição.”
17 “Gosto da minha formação, mas onde estou loteada não estou exercendo a profissão na prática, por isso não estou gostando.”
18 “Exercício de funções não adequadas a formação profissional e cargo para o qual foi prestado concurso.”
19 “O cargo ocupado é de nível médio e não compatível com minha área de formação, sendo que possuo pós-graduação (nível Doutorado).”
20 “Gostaria de me envolver com um projeto que demande mais de minhas capacidades, que faça me sentir engajado e que explore o melhor que tenho a oferecer.”
Diante das explanações, percebe-se que muitos dos pesquisados gostariam de mudar de setor, e infere-se que isso pode ser em razão das tarefas executadas ou excesso delas, por causa do clima entre os colegas, pela demanda de trabalho, bem como pelo cargo ou função que desempenham que muitas vezes é incompatível com a sua formação, impedindo-os de explorar mais seus conhecimentos e realizar o trabalho com propósito e satisfação.
Schaufeli, Dijkstra e Vazquez (2013) ressaltam que tanto a exaustão por sobrecarga de trabalho que leva a ocorrência da Síndrome de Burnout, quanto à escassez por tarefas desafiadoras, denominado de Boreout, é considerado prejudicial do ponto de vista psicológico, pois é como as atividades são consideradas significativas para o indivíduo que determina o fato de ele sentir-se bem ou não no trabalho. Ademais, Macey e Schneider (2008), afirmam que os atributos das tarefas ainda são o ponto-chave para promover o engajamento. Por isso, o Engajamento no Trabalho só é concretizado se o profissional sente- se entusiasmado e estimulado por tarefas enriquecedoras, ou seja, trabalha com aquilo que realmente gosta (SCHAUFELI, DIJKSTRA E VAZQUEZ, 2013).
Salienta-se que questões burocráticas relativas ao cargo, funções e tarefas repetitivas, também se sobressaíram nas descrições dos servidores. Esses citaram que muitas vezes realizam trabalhos muito burocráticos, que de certa forma não necessita de conhecimento intelectual para exercê-los, são detalhes considerados muitas vezes desnecessários, que acabam atrapalhando o desenvolvimento das atividades pela demora que gera o excesso de burocracia.
No Quadro 39 são explanados alguns comentários de servidores desgostos com seus trabalhos em razão da burocracia existente na Instituição.
Quadro 39 – Razões de não gostar do trabalho referentes à burocracia
SERVIDOR RAZÕES REFERENTES À BUROCRACIA
21 “Sou formada em 2 licenciaturas e gosto de ensinar da relação pedagógica que se estabelece no ensinar e aprender. Realizo um trabalho burocrático que não gosto.”
22 “A excessiva burocracia e assédio moral dificultam ou mesmo privam da relação direta à produção e reprodução do conhecimento.”
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“A existência de um sistema centralizado e ineficiente, composto de instâncias extremamente burocratizadas impedem inovações na busca de novas formas de atendimento da Missão da Instituição, no ambiente dos Centros. Assim, o "gostar" do trabalho deixa de ter importância na equação, uma vez que, gostando ou não gostando, o trabalho executado não gera o resultado desejado.”
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“Sou Secretária Administrativa, mas não gosto das tarefas atribuídas à função: controlar agenda, marcar reuniões, entregar correspondências, "dar desculpas" quando a chefia comete um erro ou gafe, etc. São tarefas estáticas, repetitivas e, principalmente, que dependem da boa vontade alheia, de certa forma algo humilhante.”
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“[...] São atividades burocráticas e rotineiras, sem qualquer autonomia (pela natureza das mesmas e não por questões de chefia). Ingressei na carreira (pela descrição do cargo) pensando que iria desempenhar atividades muito distintas das que efetivamente realizo. Continuo investindo na minha formação (hoje sou aluno de doutorado na UFSM) e o meu sonho é poder, no meu cargo atual, contribuir efetivamente com a instituição dentro daquilo que estou me capacitando e que tem relação direta com o cargo (pelo menos no que está descrito para ele, mas que não realizo).”
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“O mais correto seria 'depende do dia'. O serviço público possui MUITAS etapas que, no meu entender, são desnecessárias, trancam processos e não servem para nada. O que não quer dizer que eu não goste de estar aqui, de atender às pessoas, de ajudar os alunos nas suas respectivas caminhadas - o que, modéstia à parte, realizo muito bem. Fiz o concurso sabendo o que me esperava, mas às vezes esta falta de eficiência imposta me tira do sério.” Fonte: Dados da pesquisa
É possível observar que a burocracia de algumas tarefas ou procedimentos, é algo que incomoda alguns servidores, mas que são necessários para manter a organização e segurança das atividades em pleno desenvolvimento. Sabe-se ainda, que esta é a garantia de que o trabalho seja realizado corretamente no serviço público e que muitos não podem ser alterados. De acordo com Brasil (1988), o servidor público deve seguir aos princípios da legalidade, moralidade, impessoalidade, publicidade e eficiência de modo que só é permitido fazer conforme a lei, o que impossibilita muitas vezes do servidor ter liberdade perante a execução de suas atividades. Contudo, pode ser que algumas tarefas ou rotinas consideradas burocráticas sejam desnecessárias. Por isso, deve-se analisar e avaliar de fato a importância, podendo assim otimizar muito os processos e evitar o desperdício de tempo, melhorando a eficácia do trabalhador.
Além disso, foram mencionadas pelos servidores outras causas, como em relação a questões políticas da Instituição. Conforme o relato de um servidor, “critérios políticos prevalecem em detrimento da capacidade técnica e de relacionamento para ascender na carreira”, ou ainda “a política atrapalha demais a coisa certa a se fazer”, sendo estes motivos que geram muitas vezes frustação nesses servidores por não sentirem-se reconhecidos.
Destaca-se ainda, que foram citadas justificativas em relação a: sobrecarga de tarefas, falta de apoio da equipe, falta de recursos, materiais e equipamentos de qualidade e ainda casos de descontentamento com o trabalho em virtude de sofrer assédio moral. O estudo de Devoto (2016) corrobora com esses achados, ao afirmar que o assédio moral afeta negativamente o Engajamento no Trabalho, sendo um preditor negativo deste, assim como a sobrecarga de trabalho, que influencia para o baixo bem-estar emocional e consequentemente diminui o engajamento. Do mesmo modo, Hakanen, Bakker e Schaufeli (2006) confirmam que a Síndorme de Burnout intercede os efeitos das altas demandas de trabalho sobre a má saúde do indivíduo e os efeitos da falta de recursos com o baixo comprometimento, assim como o Engajamento no Trabalho intercede os efeitos dos recursos de trabalho sobre o comprometimento organizacional.
Além disso, as condições do trabalho interferem no engajamento, como: os atributos do trabalho, disponibilidade de recursos, colegas de trabalho, progressos na carreira e chefia. Entendem-se como chefes efetivos aqueles que realizam o trabalho com as pessoas que têm, não tentam mudá-los e tentam valorizar suas competências. Assim, se essas condições existem, os funcionários demonstraram comportamentos de engajamento, resultando no melhor desempenho da unidade (MACEY e SCHNEIDER, 2008). Em alguns casos, observou-se que certos servidores apresentam sintomas semelhantes aos da Síndrome de Burnout, os quais deveriam ser tratados, como podem ser vistos no Quadro 40:
Quadro 40 – Razões de não gostar do trabalho que se assemelham aos sintomas da síndrome de burnout