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6 AS SETE CONSTITUIÇÕES DO BRASIL

ESTADO CONSTITUCIONAL: CONCEITO, CLASSIFICAÇÕES E PODER CONSTITUINTE

6 AS SETE CONSTITUIÇÕES DO BRASIL

Nesta seção serão apresentadas as sete constituições do Brasil, em ordem cronológica, com base no que diz Lenza (2016).

A primeira delas foi a Constituição de 1824, também chamada de Constituição do Impé- rio, que surgiu dois anos após a Independência do Brasil, em 1822. No ano seguinte, Dom Pedro I convocou uma assembleia geral constituinte e legislativa, que teve forte presença de ideais li- berais que esbarraram em seu autoritarismo, e, em substituição da assembleia, originou o Con-

Estado constitucional: conceito, classificações e poder constituinte selho de Estado, no qual trataria de negócios de maior monta e criaria um projeto que refletisse a vontade imperial da majestade.

Em 25 de março foi outorgada a Constituição de 1824, que seria a que mais tempo vigeria, ten- do como marca o forte centralismo administrativo e político, oriundo do unitarismo e do absolutismo. Estabeleceu-se um quarto poder, o Moderador, acima do Executivo, Legislativo e Judiciá- rio. O Poder Moderador era particular do Imperador e a chave de toda a organização. Embora a religião católica fosse a oficial do País, previu liberdade de culto doméstico para todas as cren- ças, e concedeu o direito de votar e ser votado apenas aos mais ricos.

A Constituição de 1891 adveio de Assembleia Constituinte eleita em 1890, sendo a primeira Constituição da República do Brasil. Foi promulgada, sofreu uma pequena alteração em 1926, vindo a vigorar até o ano 1930. Teve como relator Rui Barbosa, sendo influenciada pela Constituição Norte- -Americana de 1787, consagrando o presidencialismo como sistema de governo e a forma de Estado federado, não fazendo menção a Deus, abolindo a pena de morte e ampliando o direito a voto (ante- riormente reservado, apenas, à elite). Ainda, instituiu o mandato para presidência da República para quatro anos, e foi a primeira Constituição do País a afirmar que todos eram iguais perante a Lei.

A Constituição de 1934 foi influenciada pela crise econômica de 1929, pelo Governo da República alemã de Weimar e pelo fascismo personificado na representação classista do parla- mento. Foram mantidos princípios fundamentais, como a República, a Federação, a Tripartição de poderes e o Presidencialismo, ficando evidentes os direitos humanos de segunda dimensão. No ordenamento brasileiro foi a que menos tempo durou, sendo abolida em 1937. Estabeleceu o voto secreto e universal e, pela primeira vez, assegurou o voto para as mulheres, o salário mí- nimo e uma jornada de trabalho de oito horas diárias.

A Constituição de 1937 teve origem no forte antagonismo de Getúlio Vargas, que governaria até o ano seguinte, mas que, no presente ano, outorgou a carta que denominou “nascer de uma nova era”, instalando a Ditadura. Centralizou os poderes, estendeu o mandato da presidência para seis anos, reintroduziu o direito de morte e aboliu o direito de greve. Por meio desta, Vargas passou a indicar os governantes e acumulou poderes para interferir no Judiciário. Essa carta foi influenciada pelo fascismo e apelidada de “polaca”, por ser parecida com a Constituição da Polônia de 1935.

Encurralado, Getúlio Vargas entregou o cargo em 1945. A partir do novo ano o Brasil ga- nhou uma nova constituição, a Constituição de 1946, que teve vigência de 18 anos. A assembleia constituinte foi instalada em 01 de fevereiro de 1946, sendo o texto promulgado no mesmo ano, em 18 de setembro. Tratava-se da redemocratização do Brasil, tendo inspirações de ideais libe- rais, além de procurar a harmonização do princípio da livre iniciativa com o da justiça social. O novo presidente era Eurico Gaspar Dutra, o qual retomou diversos pontos da Constituição de 1934, reassegurando a livre expressão e os direitos individuais.

A exemplo da Carta de 1937, a Constituição de 1967 cerceou diversos direitos individuais e concentrou os poderes no âmbito federal, diminuindo os poderes dos estados e municípios. Os militares patrocinaram a nova Constituição, e seu texto restringia a organização partidária, concentrava poderes no Executivo, impunha eleições indiretas para presidência e restabelecia a pena de morte. A estrutura da ditadura foi remendada por vários decretos, entre eles 13 atos

constitucionais, 67 complementares e 27 emendas. O mais notório foi o Ato Institucional (AI) 5, decretado em 1968, que suspendeu as mais básicas garantias, como o direito ao habeas corpus, sendo revogado 10 anos depois, em 1978. A duração dessa Constituição foi de 10 anos.

A Ditadura já havia caído, e o País tinha um civil à frente no Governo, José Sarney. Faltava o mar- co legal que livrasse o País do Autoritarismo. A assembleia constituinte ocorreu no dia 01 de fevereiro de 1987, presidida por Ulysses Guimarães. A Constituição de 1988 foi promulgada no dia 05 de outubro de 1988 e recebeu grande liberdade política e de imprensa, restabeleceu equilíbrio entre poderes e fixou direitos individuais, enfileirou uma série de direitos que custam até hoje a sair do papel, resultou prolixa (longa, desnecessária), ambígua (equívoco), paternalista e desastrada, economicamente falan- do. Proporcionou o mais longo período ininterrupto de democracia que o País já atravessou.

7 CONCLUSÃO

Com a realização deste artigo foi possível compreender o conceito de Constituição, bem como de Constitucionalismo, sendo possível classificar as diferentes constituições.

Ainda, pôde-se conceituar Estado Constitucional, discernir a diferença entre os diferen- tes tipos de poder constituinte e, finalmente, saber quantas constituições existiram no Brasil até os tempos hodiernos, pontuando as evoluções que ocorreram desde o ano 1824.

Os resultados evidenciaram a evolução histórica do País, a depender das leis que o regem, nos diferentes tempos, refletidas no comportamento da sociedade sobre a égide de cada Consti- tuição. Tal evolução é marcada pela permanência de um Estado Democrático de Direito que, atual- mente, tem abarcado, na medida do possível, os interesses da sociedade como um todo.

Acredita-se que a metodologia utilizada possibilitou responder aos objetivos traçados inicialmente e espera-se que este trabalho possa contribuir para a construção do conhecimento na área jurídica, tanto acadêmica quanto historicamente.

REFERÊNCIAS

CORWIN, Edward Samuel. A Constituição norte-americana e seu significado atual. Tradução Lêda Boechat Rodrigues. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1986.

FÜHRER, Maximilianus Claúdio Américo; FÜHRER, Maximiliano Roberto Ernesto. Resumo de

direito constitucional. São Paulo: Malheiros, 2001.

KELSEN, Hans. Teoria pura do direito. 8. ed. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2009. LENZA, Pedro. Direito Constitucional esquematizado. 20. ed. São Paulo: Saraiva, 2016.

LOEWENSTEIN, KARL. Teoría de la constitución. Tradução Alfredo Gallego Anabitarte. 2. ed. Barcelona: Ariel, 1976.