O Brasil é internacionalmente conhecido em razão da diversidade e da grande ocorrência de pedras preciosas (IBGM, 2011). Segundo dados do IBGM (2009, 2011), o setor de gemas e joias brasileiras tem boa parte de sua estrutura produtiva baseada em polos e APLs. É o caso de grande parte da produção, abrangendo diversos estados do Brasil, como mostra o Quadro 8.
DESCRIÇÃO LOCALIZAÇÃO
Polo de Gemas e Joias do estado do Amazonas Amazonas
Polo de Gemas e Joias do estado da Bahia Bahia
Polo de Gemas e Joias do Distrito Federal Distrito Federal
Polo de Gemas e Joias do estado do Ceará, Ceará
Polo de Gemas e Joias do estado do Goiás Goiás
Polo de Gemas e Joias do estado do Mato Grosso Mato Grosso
Polo de Gemas e Joias do estado de Minas Gerais Minas Gerais
Polo de Gemas e Joias do estado do Pará Pará
Polo de Gemas e Joias do estado do Piauí Piauí
Arranjo Produtivo Local de Joias do estado Rio de Janeiro Rio de Janeiro
Arranjo Produtivo do estado de São Paulo São Paulo
Arranjos Produtivos de Gemas e Joias do estado do Rio Grande do Sul Rio Grande do Sul
Quadro 8 – Estados do Brasil e incidência de Polos e Arranjos Produtivos de Gemas e Joias
Estima-se que o Brasil responde por cerca de 1/3 da produção mundial de gemas, exceto diamante, rubi e safira, sendo que a maior parte da produção é realizada por garimpeiros e pequenas empresas e empreendimentos de mineração (IBGM, 2011). Conforme dados do IBGM (2009), o Brasil apresenta produção de 113 tipos de materiais gemológicos18, além de se destacar mundialmente como o maior polo de pedras preciosas em bruto, no que tange a artefatos de pedras preciosas, ficando na quinta posição, e na sétima posição em relação às pedras preciosas lapidadas. A Figura 15 apresenta o mapa gemológico brasileiro com as principais localizações dos diferenciados tipos de pedras.
Figura 15 – Mapa gemológico brasileiro Fonte: IBGM (2005).
Pesquisas recorrentes do Sebrae e também dados do IBGM (2009) apontam que o porte das empresas brasileiras do setor de pedras é composto, em sua maioria, por estabelecimentos de micro (cerca de 73%) e pequeno porte (cerca de 23%); estima-se que quase 50% da lapidação e fabricação de artefatos de pedras no Brasil encontra-se ainda na informalidade (IBGM, 2011). Os dados também apontam que o país possui capacidade e competitividade para lapidar pedras de qualidade, incluindo as chamadas lapidações
18 Entende-se por material gemológico natural aquele inteiramente formado pela natureza, sem interferência do homem, podendo ser de origem inorgânica (minerais e rochas) e orgânica.
diferenciadas ou contemporâneas, agregando valor ao produto e intensificando o seu potencial para as exportações, inclusive no que se refere a joias, folheados e bijuterias, em que as exportações ainda são incipientes.
A informalidade, a lenta inovação tecnológica e a falta de controle ambiental constituem-se em realidades das empresas desse setor e dos garimpos, no início do processo produtivo. Esses últimos empregam, principalmente, mão de obra não qualificada e oriunda do meio rural.
Exposto o contexto nacional para o setor de gemas, situa-se o Estado do Rio Grande do Sul nesse cenário, o qual aparece como o segundo estado mais importante nas atividades extrativas de pedras no país, perdendo para o Estado de Minas Gerais; outros estados que aparecem a partir da colocação do Rio Grande do sul, são: Bahia, Goiás, Pará e Tocantins. Por sua vez, a industrialização de gemas, pedras e metais é realizada por meio de um parque industrial diversificado, localizando-se, principalmente, nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro (IBGM, 2009).
Barreto e Bittar (2010, p. 126 e 127) afirmam que o Rio Grande do Sul
é o maior produtor brasileiro de pedras coradas em bruto e um dos mais importantes produtores mundiais de duas delas: a ágata e a ametista. Além disso, exporta o citrino, que resulta do aquecimento da ametista, provocando a oxidação do ferro e a consequente mudança de cor. [...] A ágata e a ametista totalizam mais de 95% do valor da produção gemológica do Rio Grande do Sul.
O Rio Grande do Sul destaca-se, portanto, como o estado das maiores jazidas de ágata e ametista do mundo, respondendo por 20% das exportações brasileiras de gemas e joias (IBGM, 2009). Como afirma Hartmann (2010, p.30), “O Estado é o maior produtor mundial desses minerais (400t/mês), encontrando-se as principais jazidas de geodos no distrito mineiro de Ametista do Sul (trezentas minas subterrâneas) e outras jazidas distribuídas ao longo da beira do Planalto vulcânico.” O APL Soledade ajuda a compor esse cenário, sendo considerado o principal centro de comercialização de pedras do Estado, principalmente ágata e ametista. O APL Soledade encontra-se numa das seis localizações geográficas no Rio Grande do Sul, com especializações produtivas distintas no setor de pedras (BATISTI; TATSCH, 2010).
De acordo com os resultados de pesquisa realizada por Batisti e Tatsch (2010)19, a localização geográfica dos arranjos produtivos de gemas e joias no Rio Grande do Sul
19 Destacam-se como importantes os estudos desenvolvidos pelas autoras, os quais caracterizam o arranjo gaúcho de gemas e joias (dentre eles o APL Soledade), com a apresentação dos agentes inseridos e formas de interação e
encontra-se em seis regiões com especializações produtivas distintas: Ametista do Sul, Salto do Jacuí e Quaraí (atividades de extração e beneficiamento mineral), Guaporé (produção de joias, bijuterias e folheados), Lajeado e Soledade (beneficiamento mineral, lapidação de gemas e artefatos de pedras).
Segundo dados da Prefeitura de Soledade (2012), 246 empresas legalizadas atuam no setor de pedras na cidade, sendo a maior parte de pequeno porte (com faturamento abaixo de R$ 100.000,00 anuais); até final de 2011 eram 186 empresas, mas, por meio da ação da APPSol em parceria com a Prefeitura, 60 pequenos empreendimentos foram legalizados no início de 2012, sendo que ainda existe um número significativo em processo de legalização, estimados em torno de 80. De acordo com dados do IBGM, da Prefeitura de Soledade (2011) e do Sindipedras (2009), a cidade destaca-se na industrialização e comercialização de pedras e não na extração da matéria-prima, sendo considerado ponto de referência para comercialização de gemas e pedras preciosas no Brasil e no exterior, denotando a sua importância econômica e social para a região e o País, consolidando-se como referência em pedras trabalhadas e semi-industrializadas. Estima-se que noventa por cento das gemas e pedras do APL Soledade são exportados; já no que se refere às joias, aos folheados e às bijuterias, a participação na exportação é bem menor (cerca de 20%), por mais que este mercado se encontre em plena expansão nacional e internacional (SINDIPEDRAS, 2009; 2011; PREFEITURA MUNICIPAL, 2011; INDÚSTRIAS, 2011).
Na atualidade, a matéria prima que abastece as empresas e os empreendimentos da cidade de Soledade é oriunda de diferentes localidades, não havendo garimpos no município. Concentra-se nas proximidades, sobretudo na cidade de Ametista do Sul, para as gemas de ametistas e em Salto do Jacuí, para as gemas de ágata. Ajudando a compor o cenário do setor de gemas e pedras do Rio Grande do Sul, essas duas pedras também são as mais características e comercializadas em Soledade. Imagens de ambas são expostas por meio das Figuras 16 e 17, respectivamente.
articulação estabelecidas. Ainda cabe salientar que Ana Lúcia Tatsch desenvolve vários estudos em APLs no Rio Grande do Sul, abrangendo diversos setores. Inclusive, muitas das suas pesquisas são desenvolvidas junto à RedeSist.
Figura 16 – Pedras Ametista Fonte: Lodi Pedras Preciosas (2009).
Figura 17 – Pedras Ágata
Fonte: Lodi Pedras Preciosas (2009).
Outras gemas e pedras preciosas são provenientes dos estados de Minas Gerais e da Bahia e até de outros países, como Uruguai, por exemplo. Houve um aumento, nos últimos anos, principalmente em razão da ampliação da produção de joias, folheados e bijuterias, a importação de outras pedras, inclusive das artificiais, oriundas de países diversos: Uruguai, Bolivia, China, Argentina, Hong Kong, México, Indonésia, Peru, Africa do Sul e Madagascar (MDIC, 2011). Porém, não se nega também a questão do esgotamento dos recursos naturais. Embora Soledade seja intitulada oficialmente como a “Capital das Pedras Preciosas” (conforme lei Estadual 12.874/2007), não é um ponto de centralização de matéria-prima, por mais que já tenha sido no passado, mas, atualmente, de produção, industrialização e comercialização. Poucas empresas – e apenas entre as maiores –, possuem garimpo próprio, porém não localizado em Soledade. A maioria das empresas e empreendimentos de médio e pequeno porte efetivam parcerias com os garimpos, inclusive com garimpos menores localizados nas terras de pequenos agricultores da região.
Exposto o contexto que envolve o APL Soledade, não se podem negar interferências desse entorno, algumas mais próximas, como a de outras cidades que fazem parte do próprio APL de gemas e joias do Rio Grande do Sul ou garimpos, como outras mais distantes: APLs e polos de gemas e joias dos outros estados do país, como fora do país também, relações de mercado, sobretudo a comercialização no Brasil e no exterior, exigências dos clientes e entrada de compradores de produtos com menor valor agregado. Isso posto, parte-se para a
caracterização mais específica do campo empírico desta tese, expondo a visão estrutural do APL Soledade na próxima subseção.