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3 ESTUDO DE CASO: DIAGNÓSTICO DA DRENAGEM URBANA DE

3.6 DIAGNÓSTICO DA DRENAGEM EXISTENTE

3.6.3 Setor 3 – Lado Leste

O diagnóstico da drenagem do setor 3 do bairro de Canasvieiras não deve ser tratado de forma pontual, pois é uma área totalmente interligada, onde toda a destinação das águas precipitadas se dá apenas em um local, o Rio do Braz, com exceção da Rua Vidal Ramos Neto que deságua em vala ao lado do supermercado Imperatriz.

Com terrenos e pavimentos mais impermeáveis ocorre maior escoamento superficial em um curto espaço de tempo, ou seja, picos com maior vazão. A urbanização no local é muito rápida e cada vez mais verticalizada, aumentando o coeficiente de impermeabilização e dificultando a infiltração.

Trata-se de uma região muito plana, o que acaba dificultando o fluxo das águas pluviais. Quando ocorrem volumes expressivos de precipitação, é nítido o acúmulo de água na pista, principalmente em locais com ausência de captação ou em pontos de gargalo, com diminuição do diâmetro das tubulações. Como o desnível é muito pequeno e existem zonas com deficiência de drenagem, é necessário analisar a situação como um todo, para assim, propor alternativas mais viáveis ou dimensionar seções de galerias adequadas às novas situações.

Em alguns cruzamentos de ruas não há caixas coletoras, e em outros o assoreamento de caixas ou a insuficiência hidráulica dos bueiros pode ser a causa de acúmulo de água na pista quando chove muito, como ocorreu na esquina da Rua Antônio Heil com a Rua Madre Maria Vilac (Figura 37) e na interseção da Rua Jorge Mussi com a Rua Dr. João

de Oliveira (Figura 38). Estes dois pontos descritos não são isolados, pois moradores e comerciantes relatam que todas as quadras próximas ao Rio do Braz alagam quando chove torrencialmente, principalmente quando está associado à maré alta.

Observando em campo as caixas de captação e as tubulações, identificamos bueiros de pequeno diâmetro próximo do exutório, sendo que alguns apresentavam bastante areia em seu interior. (Figura 39). Esta falta de limpeza constante das caixas e as ligações clandestinas de esgotos domésticos na rede pluvial diminuem a vazão das tubulações e também contribuem para os problemas de inundações, como o que aconteceu ao lado do Hotel Internacional de Canasvieiras, em dezembro de 2015, que fica localizado a 02 quadras do Rio do Braz (Figura 40).

Figura 37 – Esquina da Rua Antônio Heil com a Rua Madre Maria Vilac com grande quantidade de água acumulada por assoreamento das caixas.

Fonte: Empresa Prosul, 2013.

Figura 38 – Cruzamento da Rua Jorge Mussi com a Rua Dr. João de Oliveira.

Figura 39 – Tubulação na Rua Madre Maria Vilac, com grande quantidade de areia.

Fonte: autores (2017)

Figura 40 – Rua Madre Maria Vilac, ao lado do Hotel Internacional de Canasvieiras.

Fonte: Jornal Conexão, 30 de dezembro de 2015.

Apesar de não existir nenhum talvegue que possa trazer grandes volumes de água para o local, a área de contribuição é de aproximadamente 135 hectares. A área de contribuição compreende as quadras limítrofes da Avenida das Nações, até as ruas próximas ao Rio do Braz, que recebe as tubulações por meio de duas ruas principais: Rua Madre Maria Vilac e Rua Apóstolo Paschoal.

Em alguns trechos da Rua Apóstolo Paschoal não há caixas coletoras ou o espaçamento entre elas é muito grande, podendo chegar até 70,0m, que para uma área plana é muito distante. Isso dificulta a captação e faz com que a água acumule na via, trazendo transtornos para veículos e pedestres. Ruas perpendiculares próximas, como a Rua Vidal Ramos Neto e trechos da Rua Afonso Cardoso da Veiga que ainda apresentam pavimento de lajota, também apresentam deficiência de caixas coletoras, conforme pode ser observado na planta do levantamento topográfico e constatado em visita in loco (Figura 41).

De acordo com o relato de moradores que residem há bastante tempo no bairro, às tubulações são antigas e não tiveram nenhum tipo de complementação, o que ocorre são intervenções pontuais que não acompanham a necessidade local e a evolução do mercado imobiliário.

Figura 41 – Rua Afonso Cardoso da Veiga, sem caixas coletoras.

Fonte: Empresa Prosul, 2013.

Em toda a extensão da Rua Madre Maria Vilac (cerca de 900m), até a saída no Rio do Braz, foi possível observar através das grelhas de ferro fundido das caixas coletoras, que não há um aumento do diâmetro proporcionalmente ao acréscimo de vazão ao longo das quadras e ruas. Apenas no último trecho, entre o Hotel Internacional de Canasvieiras e o Rio do Braz, pouco mais de 150,0m é que o bueiro simples de concreto com diâmetro de 0,40m passa a ser um bueiro duplo de 0,50m, conforme pode ser visto na Figura 42.

Figura 42 – Saída da drenagem da Rua Madre Maria Vilac no Rio do Braz.

Fonte: autores (2017)

Outro agravante para a rede pluvial de drenagem que desemboca no Rio do Braz, é que a foz do mesmo nem sempre se encontra aberta, ou seja, não apresenta ligação com o

mar (Figura 43 e Figura 44), fazendo com que as tubulações pluviais saiam de forma afogada, ocasionando inundações em todas as quadras próximas do rio, como já relatado por moradores do entorno.

Figura 43 – Foz do Rio do Braz fechada, sem escoamento das suas águas.

Fonte: autores (2017)

Figura 44 – Grande quantidade de água armazenada, deixando as ligações pluviais existentes que chegam ao Rio do Braz afogadas.

Fonte: Empresa Prosul, 2013.

Quando acontecem eventos críticos de precipitação, aliado a ação da maré, o nível do rio se eleva, fazendo com que a barra do Braz se rompa e então se dá o escoamento do volume de água armazenado (Figura 45 e Figura 46). Contudo, quando isso ocorre, gera outro grave problema, pois boa parte dos efluentes domésticos do bairro ainda é lançada no Rio do Braz através de ligações clandestinas pela rede pluvial, aumentando a poluição e trazendo riscos a população e banhistas quando a barra do rio se encontra aberta.

As águas pluviais chegam ao rio do Braz exatamente ao lado da estação elevatória da CASAN, próximo da ponte (Figura 47). Um morador que reside ao lado do rio relata,

“quando o nível do rio está baixo, é possível observar uma série de tubos de concreto por onde escoam águas escuras e fedorentas, além de muito lixo de origem doméstica e comercial”. (Jornal Notícias do Dia, 08 de janeiro de 2016).

De acordo com o mesmo jornal, moradores relatam que a barra deve ser fechada, pois o rio tem poluído as águas da praia, trazendo problemas de saúde para os banhistas. Mas pessoas ligadas à prefeitura de Florianópolis e a Fundação Municipal de Meio Ambiente (FLORAM), alegam que existe um processo natural que leva à abertura e fechamento da barra, e por esta razão não se deve tocar em nada, pois com o fechamento da barra as enchentes em Canasvieiras vão aumentar e se tornar insuportáveis.

Figura 45 – Foz do rio do Braz aberta com escoamento de suas águas em direção ao mar.

Fonte: Empresa Prosul, 2013.

Figura 46 – Grande escoamento da água armazenada do rio do Braz.

Fonte: Empresa Prosul, 2013.

A mata ciliar algo tão importante para a proteção do rio, já não existe mais. O lado esquerdo do rio foi aterrado para dar lugar à Rua Murilo Antônio Bortoluzzi (Figura 48) e na outra margem existia um mangue que agora está sendo ocupado por um camping (Figura 49).

Figura 47 – Local onde deságua a drenagem pluvial proveniente da Rua Madre Maria Vilac, ao lado da estação elevatória da CASAN.

Fonte: Autores, 2017.

Figura 48 – Rua Murilo Antônio Bortoluzzi, que reduziu a largura do Rio do Braz.

Fonte: Autores, 2017.

Figura 49 – Margem esquerda aterrada para a implantação de um camping.

Outros pontos merecem destaque pela insuficiência de drenagem, ou ainda pela falta de manutenção da rede pluvial.

A Rua dos Eucaliptos apresenta declividade transversal da via para os dois lados, porém em quase toda a sua extensão existem caixas coletoras em apenas um lado da rua, ocasionando acúmulo de água (Figura 50).

Figura 50 – Acúmulo de água na Rua dos Eucaliptos devido à falta de drenagem.

Fonte: Empresa Prosul, 2013.

No cruzamento da Rua Madre Maria Vilac com a Rua do Kalifa se percebe grande distanciamento de caixas coletoras e bastante acúmulo de material e areia na pista trazido por escoamento superficial (Figura 51). É possível observar um canteiro no passeio que poderia ser aproveitado como trincheira drenante em toda a sua extensão, para que parte do escoamento superficial seja por ela absorvido, já que o espaçamento entre as caixas coletoras é grande, como ilustrado no capítulo de medidas de controle.

Figura 51 – Grande quantidade de areia na Rua Madre Maria Vilac.

Na Rua Desembargador Maurílio Coimbra é uma vala aberta que traz problemas e preocupações para os moradores do local, pois as tubulações de saída da vala são pequenas, com diâmetro de 0,40m. Quando acontecem eventos críticos de chuva, a vala chega a transbordar, levando água para a rua e terrenos vizinhos. Segundo os moradores, a vala está sempre coberta de mato e apresenta muito lixo, aumentando o número de mosquitos principalmente no verão (Figura 52).

Figura 52 – Vala aberta na Rua Desembargador Maurílio Coimbra.

Fonte: Autores, 2017.

No setor 3 apenas um local não é direcionado para o rio do Braz, é a Rua Vidal Ramos Neto que deságua em vala ao lado do supermercado Imperatriz, através de um bueiro de 1,00m de diâmetro. É muito provável que a jusante tenha algum problema de escoamento, pois a vala sempre se encontra com bastante água e o bueiro fica afogado como podemos observar em fotos tiradas em anos diferentes (Figura 53 e Figura 54).

Figura 53 e Figura 54 – Saída do bueiro na Rua Vidal R. Neto em 2014 e 2017.

Há outros locais no setor 3, como a Rua Afonso Cardoso da Veiga (Figura 55), Rua Vasco da Oliveira Gondin (Figura 56) e Rua Jorge Mussi (Figura 57), que não apresentam nenhum tipo de pavimentação em alguns trechos e consequentemente nenhuma rede de drenagem, deixando com que a água precipitada se acumule na frente de casas ou nas esquinas das ruas.

Figura 55 – Rua Afonso Cardoso da Veiga sem pavimentação e sem drenagem.

Fonte: Autores, 2017.

Figura 56 – Rua Rua Vasco da Oliveira Gondin com pavimento ruim e sem drenagem.

Figura 57 – Rua Jorge Mussi sem pavimentação e sem drenagem.

Fonte: Autores, 2017.

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