• Nenhum resultado encontrado

3 ESTUDO DE CASO: DIAGNÓSTICO DA DRENAGEM URBANA DE

3.6 DIAGNÓSTICO DA DRENAGEM EXISTENTE

3.6.1 Setor 1 – Lado Oeste

O diagnóstico da drenagem existente do setor 1 do bairro de Canasvieiras se dá pela análise da bacia hidrográfica de nº 01 e da bacia de nº 02 que estão sendo apresentadas no Anexo B. Grande parte da área compreendida pela bacia hidrográfica continua preservada, com bastante mata e alguns pontos de desmatamento, mas ainda assim, apresenta um elevado coeficiente de infiltração, o que ajuda nos picos de cheias.

3.6.1.1 Descrição dos trechos

Ponto 1 – Rua Fernandes Francisco Coutinho (Canal aberto)

A contribuição da bacia nº 01 deságua em canal aberto pela Rua Fernandes Francisco Coutinho, através de dois bueiros tubulares, um de Ø 1,00m e outro de Ø 0,60m (Figura 11). Em visita ao local no dia 16 de setembro de 2107, constatamos que o canal apresentava bastante mato no fundo, conforme pode ser observado na Figura 12. O mesmo segue aberto até a Rua Tertuliano Brito Xavier, onde atravessa a via por um BDTC Ø 1,00m (Figura 13) que segue sob as construções no limite entre os terrenos (Figura 14). Conforme cadastro topográfico, por cerca de 250,0m o bueiro segue com linha dupla, até chegar à caixa coletora na Rua Laser, quando passa para uma linha simples, segundo relatos de moradores. A área drenada neste ponto é expressiva e os tubos não vencem a vazão da bacia, pois a água extravasa pelas caixas coletoras gerando alagamentos.

Figura 11 – Bueiros da bacia hidrográfica de nº01 que deságuam no canal.

Figura 12 – Canal aberto, com muito mato, na R. Fernandes Francisco Coutinho.

Fonte: autores (2017)

Figura 13 – BDTC Ø 1,00m, que coleta a água do canal e cruza a Rua Tertuliano.

Fonte: autores (2017)

Figura 14 – Após atravessar a R. Tertuliano B. Xavier, segue no limite dos terrenos.

Fonte: autores (2017)

Todo o deságue desta contribuição citada acima, se dá no final da Rua Acari Margarida, na orla marítima de Canasvieiras (Figura 15 e Figura 16).

Figura 15 – Bueiro duplo Ø 1,00m, com saída na praia, pela Rua Acari Margarida.

Fonte: autores (2017)

Figura 16 – Final da Rua Acary Margarida, onde é o deságue da bacia hidrográfica de nº01.

Fonte: autores (2017)

Em toda a extensão do trecho entre a Rua Tertuliano e a saída na praia, podemos afirmar que à tubulação existente não atende a vazão de contribuição da bacia, em virtude dos pontos de estrangulamento, criando zonas de alagamento por toda a extensão mais baixa do trecho e resultando numa redução da capacidade de escoamento da água.

O Manual de Drenagem do DNIT (2006) traz na página 51 uma tabela de vazão, velocidade e declividade crítica de bueiros tubulares trabalhando como canal, ou seja, com aproximadamente 67% do tubo cheio. De acordo com a tabela, um bueiro duplo de Ø 1,00m atende uma vazão crítica de 3,07m3/s para uma declividade crítica de 0,74%. Portanto,

mesmo se o bueiro trabalhasse com carga máxima, ele não atenderia a vazão de contribuição da bacia que é de 5,07m3/s para um TR=15 anos e de 5,59m3/s para um TR=25 anos.

Este bueiro além de passar no limite entre terrenos, sob garagens e edificações, ele não é mais suficiente para atender a demanda de vazão.

Ponto 2 – Vala perpendicular a Rua Acari Margarida

No final da Rua Acari Margarida, chega uma vala (Figura 17) que procede da Rua João Luís da Silva Brito. Esta contribuição cruza um lote onde foi edificada uma residência e deságua em vala aberta através de uma tubulação de 60 cm de diâmetro que se encontra constantemente assoreada (Figura 18 e Figura 19). A malha de drenagem nas proximidades é deficiente e foi um empecilho para detectar no diagnóstico realizado em campo e pelo levantamento cadastral a área drenada que esta tubulação de Ø 0,60m recebe. Nas enxurradas a água acaba vertendo pelas caixas coletoras situadas à montante e a vala também transborda.

Outro agravante é o efeito da maré, que quando está muito alta, a água não consegue ter saída retornando pela vala (Figura 20), e trazendo sedimentos que são depositados ao longo da mesma, obstruindo completamente as tubulações à montante.

Figura 17 – Vala que recebe um BSTC Ø 0,60m, que se encontra totalmente obstruído.

Fonte: autores (2017)

Figura 18 – Vala que recebe um BSTC Ø 0,60m, que se encontra totalmente obstruído.

Figura 19 – A mesma vala da figura 16, no ano de 2017 com apenas 10% do bueiro.

Fonte: autores (2017)

Comparando as duas fotos tiradas, uma no ano de 2013 e a outra do ano de 2017, percebe-se que nada foi realizado no local para minimizar ou até mesmo resolver os problemas mencionados anteriormente.

Figura 20 – Vala em dia de maré cheia, quase transbordando sua calha.

Ponto 3 – Rua das Flores (Canal fechado de pedra)

A contribuição pluvial da bacia nº 02 não é através de talvegue, mas de pequenos cursos da água e dispositivos superficiais (Figura 21) provenientes de uma área à montante da Rua Tertuliano Brito Xavier, que é tubulada e tem seu escoamento parte pela Rua das Flores e outra parte pela Rua Desembargador Rid Silva.

São ruas que quando recebem grandes volumes de precipitação acabam sofrendo alagamentos em suas vias públicas, residências, garagens prediais e em alguns estabelecimentos comerciais. Em uma avaliação preliminar, se constatou que tais transtornos têm sua origem em grande parcela da região por ter o seu solo bastante impermeabilizado e também pela inexistência ou mau funcionamento dos sistemas de drenagens pluviais existentes, como pode ser observado na Figura 22, aonde o pavimento já se encontra bem deteriorado.

Em determinado ponto da Rua das Flores, praticamente em frente à residência de número 361, existe uma galeria coberta que cruza diagonalmente a rua (Figura 23) e segue sob a calçada até sair na praia. Ela recebe as contribuições que vem da Rua Desembargador Rid Silva e de uma área interna de um condomínio fechado entre as duas ruas. Em certo ponto da calçada foi possível obter uma foto, através de uma caixa de ligação e passagem, da parte interna do canal, talvez do ponto onde chega a contribuição do condomínio fechado. Percebe- se pela foto que chega dois bueiros simples e continua com bueiro duplo (Figura 24). Ele se encontra bastante assoreado, a cerca de 140 metros de sua saída na praia, o que remete que a maré chega ou até passe deste ponto.

Na orla marítima é possível identificar que sua saída já é outra dimensão e outro formato. É um canal de pedra, ou seja, bastante antigo, que tem como dimensão aproximada de 1,60x0,90m, registrada no levantamento topográfico (Figura 25 e Figura 26).

Como não foi possível determinar com precisão as áreas contribuintes que deságuam por este canal, não podemos afirmar se ele é suficiente ou não. Mas é bem provável que ele não atenda a vazão, por causa também da influência de maré, pois conversando com moradores da Rua das Flores, nos informaram que já teve épocas que era possível passar de canoa pela rua. Outra dificuldade é que a galeria existente não pode ser substituída devido a existência de uma bomba de recalque de esgoto bem no centro da via, inviabilizando qualquer alteração, remoção ou complementação desta galeria.

Figura 21 – Contribuições superficiais que escoam para a Rua das Flores.

Fonte: autores (2017)

Figura 22 – Rua das Flores com deficiência de drenagem e pavimento deteriorado

Fonte: autores (2017)

Figura 23 – Galeria coberta que cruza a Rua das Flores.

Figura 24 – Tubulações que chegam em caixa de passagem na Rua das Flores.

Fonte: autores (2017)

Figura 25 – Canal de pedra na saída da Rua das Flores bem assoreado.

Fonte: Empresa Prosul, 2013.

Figura 26 – Canal de pedra com saída na areia da praia, final da Rua das Flores.

Documentos relacionados