4. Enquadramento do setor
4.1. Setor TIC em Portugal
A expressão Tecnologias da Informação e Comunicação, vulgarmente conhecido como TIC, refere-se segundo o Campos (2019, p. 7) ao “conjunto de tecnologias e atividades que estão na base
do que tem sido designado por economia digital, isto é, a crescente e transversal integração nas atividades económicas de avançados desenvolvimentos tecnológicos que, ao integrar sistemas físicos e digitais, geram novos processos produtivos e modelos comerciais, criam produtos e serviços inteligentes e instituem modelos de negócio inovadores”.
Este utilização das TIC, como motor para uma desmaterialização de processos, para a promoção da economia digital, para a criação de novos modelos de negocio, entre muito mais, tem potenciado um crescimento exponencial das TIC por todo o mundo, sendo que Portugal e em especifico a região da AMP não são exceção (Campos, 2019; INE, 2020). Nesse sentido, várias são as empresas tecnológicas no âmbito das TIC que se têm desenvolvido nos últimos anos, porém é difícil definir com exatidão quais atividades e empresas que são consideradas como TIC. Neste presente estudo, irá ser utilizada a mesma definição de Campos (2019), no seu estudo “O Setor TIC em Portugal (século XXI)”, que através da classificação portuguesa das atividades económicas (CAE)1 definiu as atividades presentes na seguinte tabela, como atividades TIC.
Tabela 2 - CAEs do Setor TIC
Subsetores TIC CAE REV 3 Classes de Atividades TIC
26 - Fabricação de equipamentos informáticos,
equipamento para comunicações e produtos eletrónicos e óticos
2611 - Fabricação de componentes eletrónicos 2612 - Fabricação de placas de circuitos eletrónicos
2620 - Fabricação de computadores e de equipamento periférico 2630 - Fabricação de aparelhos e equipamentos para
comunicações
2640 - Fabricação de recetores de rádio e de televisão e bens de consumo similares
2680 - Fabricação de suportes de informação magnéticos e óticos
1 Classificação das Atividades Económicas Portuguesa por Ramos de Atividade -Revisão 3 (Instituto
26
465 - Comércio por grosso de equipamento das tecnologias de informação e comunicação
4651 - Comércio por grosso de computadores, equipamentos periféricos e programas informáticos
4652 - Comércio por grosso de equipamentos eletrónicos, de telecomunicações e suas partes
474 - Comércio a retalho de equipamento das tecnologias de informação e comunicação, em estabelecimentos especializados
4741 - Comércio a retalho de computadores, unidades periféricas e programas informáticos, em estabelecimentos especializados 4742 - Comércio a retalho de equipamento de telecomunicações, em estabelecimentos especializados
582 - Edição de programas informáticos 5821 - Edição de jogos de computador 5829 - Edição de outros programas informáticos
61 -Telecomunicações 6110 - Atividades de telecomunicações por fio 6120 - Atividades de telecomunicações sem fio 6130 - Atividades de telecomunicações por satélite 6190 - Outras atividades de telecomunicações
62 - Consultoria e programação informática e atividades relacionadas
6201 - Atividades de programação informática 6202 - Atividades de consultoria em informática 6203 - Gestão e exploração de equipamento informático 6209 - Outras atividades relacionadas com as tecnologias da informação e informática
631 - Atividades de processamento de dados, domiciliação de informação e atividades relacionadas; Portais Web
6311 - Atividades de processamento de dados, domiciliação de informação e atividades relacionadas
6312 - Portais Web
951 - Reparação de computadores e de equipamento de comunicação
9511 - Reparação de computadores e de equipamento periférico 9512 - Reparação de equipamento de comunicação
O setor TIC em Portugal tem tido um crescimento muito grande nos últimos anos, sendo que segundo dados dos Quadros do Setor do Banco de Portugal o setor TIC em 2018, obteve um valor de Vendas e Serviços Prestados superior a treze mil milhões de euros (Banco de Portugal, 2019). Segundo dados do Anuário Estatístico de Portugal:2019, INE (2020) em 2018 o número de empresas do setor das TIC registou um crescimento de 7,2% (mais 1108 empresas), passando a representar, agora, cerca de 1,3% do total de empresas em Portugal (INE, 2020).
Em termos dos negócios internacionais das atividades TIC portuguesas, estas podem ser divididas por vendas de produtos TIC internacionalmente e por serviços prestados no mercado internacional e para estrangeiros (Campos, 2019).
Analisando, apenas, a comercialização de bens TIC no mercado internacional, segundo Campos (2019) as exportações portuguesas têm vindo a ser consecutivamente inferiores às importações, existindo, portanto, um saldo negativo da balança comercial no setor TIC. No entanto, entre 2007 e 2018 o saldo negativo da balança comercial do comercio de bens TIC teve um decréscimo de 6,2%. Este decréscimo do saldo negativo da balança comercial do
27 setor TIC deveu-se ao facto de, durante este período, ter existido um grande decréscimo das importações nacionais, de cerca de 22,6%. De evidenciar, que as exportações de bens deste setor, durante este período, de 2007 a 2018, tiveram um decréscimo muito grande, de cerca de 35,5%, tendo, portanto, contribuído negativamente, para o saldo da balança comercial. No entanto, desde 2014 tem existido um crescimento consistente do valor das exportações de bens TIC portuguesas (GEE, 2019).
Em termos de países de destino das exportações portuguesas de bens TIC, segundo Campos (2019), no período entre 2008 e 2017, destacam-se a Alemanha, Taiwan (China), Espanha, Angola e França. Em termos de continentes de destino, destaca-se o aumento das exportações para fora da Europa, sendo que em 2018 quase um quarto das exportações de bens TIC foram para fora do continente europeu. Este crescimento das exportações para fora da Europa, deveu-se ao aumento exponencial das exportações para Ásia em 2016 e 2017 (GEE, 2019).
Relativamente às importações de bens TIC, segundo (Campos, 2019) os países que mais se destacam são a Alemanha, Espanha, Países Baixos, Taiwan (China) e China. Realçando-se que as importações de bens TIC nacionais, provenientes da Ásia tiveram um aumento exponencial, durante o período de 2007 e 2017. No entanto, a grande maioria das importações de produtos TIC nacionais continuam a ser provenientes do continente Europeu, sendo que em 2017, cerca de 70% das importações TIC tiveram origem no continente Europeu (GEE, 2019).
Relativamente aos negócios internacionais dos serviços TIC nacionais, segundo (Campos, 2019) existiu durante o período de 2008 a 2017 um crescimento de 75,5% das exportações de serviços TIC, sendo que esse crescimento desde 2010 tem sido continuo. As importações de serviços TIC também tiveram um crescimento, no período em análise, porém muto mais contido (11,3%). Como resultado destes negócios internacionais dos serviços TIC, assistiu- se a um aumento positivo do saldo da balança comercial, estando, mesmo, desde 2011 com saldo positivo (GEE, 2019).
Esta melhoria do saldo da balança comercial dos serviços TIC, segundo Campos (2019) é explicada, em parte, pelo crescimento exponencial das exportações do subsetor TIC, Serviços Informáticos, que entre 2008 e 2017 teve um crescimento de 304,7%, tendo sido , para além disso importante o crescimento das exportações de outro subsetor TIC, os Serviços de
28 Informação, que durante o período em análise cresceram 153,2%. Por outro lado, a melhoria do saldo da balança comercial dos serviços TIC é explicada pelo baixo crescimento das importações, que muito se deveu ao decréscimo das importações dos subsetores TIC, Telecomunicações e Serviços de Informação (GEE, 2019).