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3 CASUÍSTICA E MÉTODO

4.7 Leituras oficiais e interesse dos profissionais do PSF e PACS em obter

5.1.2 Sexo e idade dos profissionais do PSF e PACS

No presente estudo, o predomínio de profissionais do sexo feminino entre os que atuam diretamente no PSF e PACS é semelhante ao relatado na literatura (ESCOREL, 2002; GIL, 2005; PIRES et al., 2005; ROSSI; PINTO e SILVA, 2005), com percentuais que variam de 60,9% a 99,5% entre diversos municípios brasileiros.

A predominância das pessoas do sexo feminino pode ser explicada por uma tendência a feminilização das profissões, no mercado de trabalho em saúde (GIL, 2005). A mulher se insere, devido às restrições, discriminações e por não romper radicalmente com o âmbito doméstico, preferencialmente através de atividades do setor de saúde, educação, lazer, prestação de serviços e, também setores sociais (MACHADO, 1986).

Mott (1999), ao estudar a história da enfermagem em São Paulo, discute a profissão como extensão do lar onde a mulher busca desempenhar atividades como cuidadora e educadora. No caso das mulheres médicas, a escolha das especialidades recai sobre as áreas da pediatria, da psiquiatria, da ginecologia e da clínica médica, consideradas menos complexas, de menor status e baixo retorno financeiro (MACHADO, 1986). Embora pareça ter uma conotação natural, esse fenômeno remete à posição social da mulher. O sistema de produção capitalista privilegia a subvalorização das capacidades femininas, marginalizando sua força produtiva em conseqüência da supremacia masculina (SAFFIOTI, 1969).

No Brasil, após a década de 70, há uma tendência à feminilização no mercado de trabalho em saúde, com ênfase no nível superior [a força de trabalho feminina com esta escolaridade passou de 18% em 1970 para 35% em 1980] e na categoria médica e odontológica, motivada pelo aumento do número de vagas nas universidades e pela ampliação de cursos oferecidos; no entanto, em 1980, 68% das mulheres médicas eram remuneradas com salários inferiores a 10 salários mínimos e apenas 21% dos médicos se apresentavam nesta mesma faixa salarial; 15% das enfermeiras recebiam menos de três salários mínimos, não havendo nenhum enfermeiro nesta condição (MACHADO, 1986).

Em estudo realizado, em 1999, com o objetivo de traçar o perfil dos médicos e enfermeiros do PSF no País, há informações de que o programa absorve mais mulheres em

suas equipes; dados da Região Sudeste apontavam que 41,90% dos médicos eram mulheres, no Rio de Janeiro, por exemplo, os profissionais do sexo feminino chegavam a 66,67%; quanto à enfermagem o percentual atingia 91,58% (BRASIL, 2000b).

Assim, o século XXI é marcado pelo crescente número de mulheres no mercado de trabalho devido à expansão do sistema econômico e a maior escolarização desta população que passa a profissionalizar-se e investir em sua formação (CARNEIRO, 2006; RABELLO; GODOY; PADILHA, 2000). Entre 1992 e 2002, a participação feminina na População Economicamente Ativa (PEA) passou de 28 milhões (42%) para 36,5 milhões (52,3%) (CARNEIRO, 2006).

O predomínio entre os entrevistados, de adultos jovens, com até 30 anos, corrobora estudos encontrados na literatura (ARAÚJO, 1999; ESCOREL, 2002; FRANCO; BASTOS; ALVES, 2005; GIL, 2005; RONZAN; RIBEIRO 2004; ROSSI, 2004).

O PSF vem se constituindo como a porta de entrada no mercado de trabalho para profissionais que estão em início de carreira, o que explica o grande número de pessoas concentradas nesta faixa etária (ARAÚJO, 1999; FRANCO; BASTOS; ALVES, 2005; GIL, 2005; RONZAN; RIBEIRO, 2004). Em alguns municípios estudados por Escorel (2002), a maioria dos profissionais do PSF tinha no máximo cinco anos de formados. Antigas formas de trabalho estão sendo substituídas por essa nova proposta de atenção à saúde, havendo inclusive uma interiorização dos profissionais, uma vez que a implantação do PSF acontece prioritariamente em municípios de pequeno porte (RONZAN; RIBEIRO; 2004).

Diferentemente, na Região Sudeste do País, evidenciou-se uma concentração de profissionais do PSF na faixa etária entre 30 e 49 anos, sendo que 69,7% dos médicos estavam distribuídos em duas fases, a de afirmação profissional [entre 5 a 14 anos de formados] e a de consolidação profissional [entre 15 a 24 anos de formados], porém, apenas 45,6% destes haviam cursado residência; os enfermeiros, no entanto, eram mais jovens, e 43% tinham até quatro anos de formados (BRASIL, 2000b).

Desde a década de 90, de forma crescente, o SUS tem ampliado o mercado de trabalho dos profissionais de saúde, os quais são absorvidos pelos sistemas municipais. Para muitos, o PSF representa a oportunidade do primeiro emprego. No entanto, tem se tornado um lugar de passagem com tendência à grande rotatividade, motivada pelo vínculo informal [contratos de trabalho não baseados no sistema celetista ou estatutário] que gera insatisfação e insegurança nas equipes (BRASIL, 2004; ESCOREL, 2002; GIL, 2005).

Um estudo sobre a avaliação da implantação e funcionamento das equipes de saúde da família no Brasil revelou ser recente a inserção dos profissionais, o tempo de permanência dos médicos (76,8%), enfermeiros (65,3%) e auxiliares de enfermagem (52,9%) era igual ou inferior a um ano; a contratação de médicos corresponderam a contratos temporários em 34,3% e a prestação de serviços em 15,5%. Na Região Nordeste, nos Estados de Pernambuco, Maranhão e Paraíba, foram observados os maiores percentuais de contratação temporária. Ao contrário, a maioria dos profissionais, no Estado de São Paulo, tinham contratos em regime estatutário ou celetista, com percentuais de 70% para médicos e 73,5% para enfermeiros; no Distrito Federal 100% das equipes eram contratadas em regime celetista (BRASIL, 2004).

A forma de contratação foi também mencionada no estudo que comparou dois municípios quanto à implantação do PSF; no município A em que as equipes eram regidas pela Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), os profissionais demonstraram maior satisfação e comprometimento com o trabalho, enquanto no município B, onde os contratos eram de prestação de serviço com a prefeitura, o sentimento era de insegurança e insatisfação (COPQUE; TRAD, 2005).

O fenômeno da não fixação dos profissionais pode, ainda, ser explicado pela substituição a outros e pela atuação [mudança] profissional em mais de uma equipe (ESCOREL, 2002). Há dificuldade em se avaliar a rotatividade dos profissionais em Uberlândia, devido ao curto período de tempo de existência do PSF nesta cidade.

O PSF tornou-se uma possibilidade financeira para os médicos, pois o mercado de trabalho não comporta a demanda, e muitos profissionais não conseguem aprovação na residência médica. Assim, trabalhar em saúde da família, muitas vezes, não se trata de uma escolha, mas sim de uma opção, não havendo por parte dos mesmos uma identificação e valorização da formação em saúde da família como uma especialidade médica (RONZAN; RIBEIRO, 2004). Sobre o ingresso no programa, Franco, Bastos e Alves (2005), ao contrário, apresentam dados que mostram, em 76,1% dos relatos dos médicos, identificação com a proposta e com o trabalho na comunidade, enquanto a possibilidade de emprego e retorno financeiro foram referidas por 23,9%. No entanto, constataram uma pequena porcentagem de profissionais que havia cursado a residência. Outros motivos são destacados por diversos profissionais na escolha pelo trabalho no PSF: desemprego, por constituir-se um mercado promissor e pela crença na reorganização de atenção à saúde (ESCOREL, 2002).

5.2 Conhecimento dos profissionais sobre o tema da violência intrafamiliar contra