2 O SIGILO PROFISSIONAL NOS CÓDIGOS DE ÉTICA DO SERVIÇO SOCIAL
2.5 Sigilo Profissional enquanto direito e/ou dever do Assistente Social
Com a reformulação do Código de Ética de 1986 realizada no ano de 1993, este que é o último e atual Código de Ética Profissional dos Assistentes Sociais brasileiros, o Sigilo Profissional é preconizado como direito do Assistente Social. Além disto, pode-se compreender que além de um direito do Assistente Social, o Sigilo também é um dever do profissional, o que é explicitado no Art. 16, segundo o qual é o compromisso ético com o Sigilo que “protegerá o usuário de todas as informações que o Assistente Social venha a tomar conhecimento, através de sua atuação profissional” (CFESS, 1993, p.7).
A noção de direito e/ou dever está posta nos Códigos de Ética tal como indica o quadro a seguir.
Tabela 2 – Sigilo enquanto direito ou dever do Assistente Social:
Código de Ética 1947 1965 1975 1986 1993
Terminologia Dever Dever Dever e Direito
Dever Direito e
Dever
Fonte: Elaborado pela autora.
Outro aspecto de grande relevância é perceber e analisar de que forma esta noção de direito e/ou dever em relação ao Sigilo Profissional está colocada textualmente nos Códigos de Ética do Serviço Social brasileiro. A concepção do Sigilo enquanto um direito é percebida ora como uma noção indireta, isto é, não está textual e explicitamente colocada no Código nos termos “O Assistente Social tem direito ao Sigilo Profissional” , e ora como uma noção direta, ou seja, aparece textualmente colocada nos Códigos de Ética. Já a noção de dever aparece somente como uma noção indireta, visto que o texto dos Códigos de Ética utiliza termos como “obrigado”, “vedado”, isto é, o Assistente Social é obrigado a manter Sigilo ou lhe é vedado revelar Sigilo profissional; nunca aparecendo explicitamente que o Assistente Social tem o dever de resguardar o Sigilo Profissional. A tabela abaixo sistematiza esta análise tal como aparecem nos diferentes Códigos.
Tabela 3 – Forma como aparece a noção de dever e de direito ao Sigilo.
Códigos de Ética 1947 1965 1975 1986 1993 Noção de Direito Como aparece Não
aparece Não aparece
Indireta Indireta Direta Termo utilizado “Direito a inviolabilidade” “Constituem- se direitos” Constitui direito do Assistente Social. Noção de Dever Como
aparece Indireta Indireta Indireta Indireta Indireta
Termo utilizado “Guardar rigoroso Sigilo” “O Assistente Social é obrigado a” É vedado” “Deve observar” “Proteção a confidencialidade do cliente” “O Assistente Social deve observar Sigilo”. “O Sigilo protegerá o usuário”
Fonte: Elaborado pela autora.
A noção indireta do Sigilo Profissional enquanto um direito do Assistente Social aparece apenas a partir do Código de 1975. Esta idéia se coloca nos Códigos quando apontam
como um direito do Assistente Social a “inviolabilidade do domicílio do consultório, dos locais de trabalho e respectivos arquivos”, tal como expresso no Título II- Direitos e Deveres do Assistente Social, Capítulo I- Dos Direitos, Art.4º, Alínea “e” (CFAS, 1975, p.4). O Código de Ética de 1986 também traz a noção de direito ao Sigilo de uma forma indireta quando aborda no Título II- Dos direitos e das Responsabilidades gerais do Assistente Social, no Capítulo I- dos Direitos no “Art.2º- Constituem-se direitos do Assistente Social: e. Inviolabilidade do domicilio, do local de trabalho e respectivos arquivos e documentação” (CFESS, 1986, p.3). Também no Código de Ética de 1993, esta noção indireta de sigilo está colocada no Art. 2º, alínea d, que diz: “Inviolabilidade do local de trabalho e respectivos arquivos e documentação, garantindo o sigilo profissional” (CFESS, 1993, p.4).
A noção direta de direito ao Sigilo aparece no Código de Ética de 1975, no Título II que aborda os Direitos e Deveres do Assistente Social, Capítulo I - dos Direitos, alínea “d” do Art.4, o qual preconiza explicitamente que é um direito do Assistente Social o Sigilo Profissional. Essa noção aparece novamente no Código de 1993, a idéia vem explicitamente colocada no Art.15 quando afirma que “Constitui direito do Assistente Social manter o Sigilo Profissional” (CFESS, 1993, p.7).
A noção indireta de dever com relação ao Sigilo aparece no Código de Ética de 1965, no Art.15, quando diz que: “O Assistente Social é obrigado pela Ética e pela Lei (art.154 do Código Penal) a guardar segredo sobre todas as confidências recebidas e fatos que tenha conhecimento ou haja observado no exercício de sua atividade profissional” (CFAS, 1965, p.3), ou seja, a obrigatoriedade de manter o “segredo” das informações recebidas no exercício profissional dá a idéia de que era dever do Assistente Social zelar pelo “segredo” dessas informações.
No Código de Ética de 1975, no Art. 6, estava previsto que: “É vedado ao Assistente Social: c- Divulgar nome, endereço ou outro elemento que identifique o cliente”. E ainda no Art.7: “O Assistente Social deve observar o segredo profissional: I- Sobre todas as confidências recebidas, fatos ou observações colhidas no exercício da profissão”. Sendo assim, nos artigos a idéia de dever se coloca indiretamente. Neste mesmo Código, embora preconizado como um direito do Assistente Social com relação ao exercício profissional, na alínea “c” do Art.4 diz: “Proteção a confidencialidade do cliente” (CFAS, 1975), o que também exprime de forma indireta essa noção de dever do profissional.
No Código de Ética de 1986, essa noção indireta de dever vem expressa somente no Art.4 que prevê que: “O Assistente Social deve observar o Sigilo Profissional, sobre todas as informações confiadas e/ou colhidas no exercício profissional” (CFESS, 1986).
E, no último e atual Código de Ética do Assistente Social, de 1993, a noção indireta de dever aparece no Art.16: “O Sigilo protegerá o usuário em tudo aquilo que o Assistente Social tome conhecimento, como decorrência do exercício profissional da atividade profissional”.
Apenas no Código de 1993, ficará explicitamente colocado no texto em seu Art.15: “Constitui direito do Assistente Social manter o Sigilo profissional” (CFESS, 1993, p.7).