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SUMÁRIO

ENTREVISTADO 7: Sim, com o fim do IAA Foi um desespero!

A partir dos anos 2000, com a expansão do consumo de etanol em decorrência do crescimento do mercado dos carros flexfuel no contexto nacional e a discussão mundial sobre novas alternativas para a matriz energética diante aquecimento global, houve uma nova expansão do setor. Neste período que compreendeu o governo Lula (2003-2010) a “bandeira do etanol como combustível verde” foi levantada pelo governo brasileiro no mercado internacional de biocombustíveis, tendo o presidente Lula como um verdadeiro “diplomata do etanol”25.

O apoio recebido pelo setor do governo Lula não se limitou apenas a serem chamados de heróis nacionais. No mesmo período, 2003 a 2010, o BNDES - Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social - ampliou significativamente o desembolso26 para o setor. Os desembolsos realizados de forma direta ou indireta27 que ocorriam em 2003 na ordem de 1,2 bilhão de reais chegaram a 8,3 bilhões em 2010. Ao todo, no período recortado, foram desembolsados para o setor 34,2 bilhões de reais. Dentro desse montante, 71,5% foram destinados à região Centro-Sul; 24,8% destinados a projetos interestaduais28; e apenas 3,7% à região produtora Norte-Nordeste (MILANEZ; NIKO, 2012).

A relação de proximidade entre o setor e o Estado, descrita nos parágrafos anteriores, influenciou diretamente a adoção ou retardo da introdução de progressos técnicos na cultura canavieira (ALVES, 1991; SCOPINHO, 1995 e 2003; MILANEZ e NIKO, 2012; e BACARRIN, 2016). Os retardos ocasionados pelo controle da produção

25 Termo apresentado pelo pesquisador Carlos Vian que busca demonstrar a atuação do presidente Lula na época como divulgador do etanol brasileiro no mercado internacional de biocombustíveis.

26 Tais desembolsos eram realizados por programas específicos que visavam ampliação da capacidade produtiva, desenvolvimento tecnológico dentre outros. Dentre tais programas podem ser destacados: Programa Conjunto de Apoio à Inovação Tecnológica Industrial dos Setores Sucroenergético e Sucroquímico (PAISS); Programa de Apoio do Setor Sucroalcooleiro (BNDES PASS); e BNDES Prorenova, destinado a renovação dos canaviais.

27 Realizados por outras instituições financeiras credenciadas.

28 Contudo, os autores destacam que, mesmo nessa modalidade, há uma grande concentração em projetos realizados na região Centro-Sul.

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ocorrido até os anos 1990 podem ser vistos no discurso do ENTREVISTADO 7 quando indica que esse controle sobre a produção atrofia a gente!, ou seja, a falta de competitividade a partir do controle da produção inibe a adoção de ações modernizantes de uma forma mais intensiva. Esse fato não indica a inexistência da incorporação de tecnologias no setor ao longo dos anos, porém a velocidade da introdução é reduzida.

O Estado foi o grande estimulador da incorporação tecnológica e, consequentemente, da “modernização” agrícola como aponta Vieira Filho (2014) no papel dos créditos rurais concedidos. Entretanto, a participação estatal não se limitou apenas a financiar, pois ocorreu a construção de uma estrutura ou programas que possibilitassem a modernização, como, por exemplo, a criação da EMBRAPA - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária

A participação estatal para a “modernização” agrícola nos canaviais pode ser vista com o PLANALSUCAR, criado na década de 1970 para proporcionar melhoramentos genéticos a partir do desenvolvimento de variedades de cana-de-açúcar mais compatíveis com a realidade brasileira. Os ganhos de produtividade apresentados com o melhoramento genético propiciaram um aumento no teor de sacarose das novas culturas e uma melhor adaptação à realidade canavieira encontrada em territórios brasileiros, dado que, devido às condições continentais do território nacional, existe uma grande heterogeneidade edafoclimática entre as regiões produtoras.

Veríssimo (2018) pontua que, com o fim do IAA e, por conseguinte, do PLANALSUCAR, teve início o processo de construção da RIDESA - Rede Interuniversitária para o Desenvolvimento do Setor Sucroenergético, que congrega 10 Universidades Federais. A Rede, formada por pesquisadores espalhados pelo país e que conta com financiamento público e privado, é responsável por pesquisas que desenvolvem novas variedades de cana-de-açúcar para as diferentes regiões produtoras do país.

Nyko et. al. (2013, p. 410) apontam que as modificações genéticas (inovações biológicas) nos cultivos foram fundamentais para a elevação da produtividade da cana- de-açúcar ao longo da sua história em território brasileiro, sublinhando que tal procedimento “(...) conquistou consistentes ganhos de produtividade na cultura da cana, mas vem enfrentando problemas para manter o ritmo dos resultados alcançados no passado (...)”. Mesmo não apresentando as taxas de crescimento na produtividade como antes, os ganhos propiciados ao longo dos anos possibilitaram o alcance de novos patamares produtivos como pode ser percebido no Gráfico 1 (um).

70 Gráfico 1 Evolução da produtividade de cana-de-açúcar por hectare no período de 1975 a 2012

Fonte: Nyko et. al. (2013, p. 407)

Tal ocorrência ocasionou um aumento na produtividade da tonelada de cana-de- açúcar por hectare e da quantidade de açúcar por hectare. Dessa maneira, pode-se perceber que, além da ampliação da área plantada ao longo do tempo, houve ganhos de produtividade a partir daquilo que Graziano da Silva (1981) chama de uso intensivo do solo.

O Centro-Sul mantêm as maiores taxas de produtividade de cana-de-açúcar por hectare. Segundo dados da Conab (2019), a produtividade média do Centro-Sul nas safras de 2017/2018 e 2018/2019 foi, respectivamente, 75.105 kg/ha e 74.323 kg/ha. Já no Norte-Nordeste, a produtividade média foi de 50.021 kg/ha na safra 2017/2018 e 54.012 kg/ha na safra seguinte. A produtividade média da região Norte-Nordeste foi inferior quando comparada ao cenário nacional, já que a produtividade brasileira era de, aproximadamente, 72.000 kg/ha em ambas as safras.

Tabela 1 Produtividade de cana-de-açúcar por hectare nas safras 2017/18 e 2018/19

PRODUTIVIDADE (kg/ha) ANO SP AL PR MG MS MT PE GO BRA S IL CEN TRO - S UL NO RTE - NO RD ES TE 2017/18 76.607 44.916 64.207 78.816 70.480 70.974 48.470 77.470 72.543 75.105 50.021 2018/19 75.207 55.258 62.370 74.525 76.472 75.789 49.407 76.332 72.234 74.323 54.021 Fonte: elaborada pelo a partir da Conab (2019)

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É importante destacar que, na produção do setor sucroalcooleiro, a fase agrícola tem o relevante papel de fornecer a matéria-prima para a área industrial. Os avanços alcançados na fase industrial possuem limitações se a matéria-prima fornecida apresentar falhas como baixo teor de sacarose, impurezas ou mesmo a falta para abastecer o sistema produtivo. Assim posto, promover um equilíbrio entre as áreas industrial e agrícola torna- se fundamental para os objetivos de elevação da produção do setor. Diante desse fato, a modernização não deve restringir-se apenas à área industrial, mas é preciso que a modernização seja incorporada também no campo.

Graziano da Silva (1981) indica os caminhos que são seguidos no desenvolvimento tecnológico, na área agrícola, para potencializar o uso intensivo da terra, destacando as inovações nas dimensões biológicas, químicas, agronômicas e mecânicas. A “modernização” agrícola advinda das inovações mecânicas, que substituem o trabalho manual, ocorre com a adoção de máquinas, como tratores, carregadeiras e colheitadeiras, que viabilizam e reduzem os tempos gastos nas etapas do processo de trabalho.

Tabela 2 Disposição das máquinas no mundo rural brasileiro por tipo e região

Fonte: IBGE (2019a)

Os usos de tecnologias mecânicas ocorrem nas diversas etapas do processo produtivos, como o preparo do solo, plantio, trato e colheita. Cada uma dessas etapas, recebe um tipo de progresso que possibilita modernizar a agricultura e dinamizar a produção. Atualmente, no Brasil, conforme dados do IBGE (2019a), existem quase dois

ALAGOAS NORTE- NORDESTE CENTRO- SUL BRASIL Tratores 3.540 142.425 1.086.209 1.228.634 % da quantidade nacional 0,29% 11,59% 88,41% 100,00% Semeadeiras / plantadeiras 603 29.400 328.683 358.083 % da quantidade nacional 0,17% 8,21% 91,79% 100,00% Colheitadeiras 519 12.786 135.722 148.508 % da quantidade nacional 0,35% 8,61% 91,39% 100,00% Adubadoras e / ou distribuidoras de calcário 411 16.803 194.055 210.858 % da quantidade nacional 0,19% 7,97% 92,03% 100,00% Total 5.073 201.414 1.744.669 1.946.083 % da quantidade nacional 0,26% 10,35% 89,65% 100,00%

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milhões de máquinas agrícolas no campo atuando nas mais diversas culturas existentes no território nacional. A maior concentração dessas máquinas está localizada na região Centro-Sul, que concentra 89% de toda a maquinaria nacional alocada no campo como demonstrado na Tabela 2.

A mecanização das atividades agrícolas é um dos reflexos do processo de modernização que o campo vem passando, mais intensamente, desde os anos 1960 no Brasil. A incorporação de máquinas no campo brasileiro com maior intensidade foi impulsionada pela concessão de créditos realizada, principalmente, pelo Estado. De acordo com Baricelo e Vian (2017), essa incorporação tem algumas fases. A primeira, iniciada na década de 1960, durante o regime militar, foi marcada pela grande expansão no uso de maquinários a partir da concessão de créditos. A segunda, ocorrida nos anos 1980 e 1990, caracterizou-se por uma redução na aquisição de máquinas devido à queda na política de financiamento estatal, ocasionada pela crise fiscal, a qual o Brasil vivenciou na época. A terceira e, mais recente, aconteceu a partir dos anos 2000 com o Moderfrota29.

Nessa última fase, houve uma retomada no crescimento da demanda e, consequentemente, uma nova onda de incorporação de máquinas agrícolas no campo.

O resultado deste movimento de incorporação mecânica no universo rural brasileiro pode ser percebido ao analisar-se a evolução do uso de tratores no campo, como demonstra o Gráfico 2 (dois). O período analisado, que vai de 1920 a 2017, apresentou um crescimento acumulado de 1307% no número absoluto do uso de tratores. A década de 1970 e o período mais recente, a partir de 2006, foram os momentos nos quais ocorreram as maiores altas do uso de tratores.

29Programa de Modernização da Frota de Tratores e Implementos Associados e Colheitadeiras. Programa

do governo federal específico para financiar a compra de máquinas agrícolas como: tratores, colheitadeiras, pulverizadores, plantadeiras e semeadoras.

73 Gráfico 2 Número de tratores no Brasil no período de 1920 a 2017

Fonte: elaborado pelo autor a partir de IBGE (2019b)

A mecanização, ou substituição do trabalho vivo pelo morto, ocorrida no mundo rural brasileiro chegou, também, aos canaviais. A intensificação da incorporação no universo canavieiro, de acordo com Vian e Gonçalves (2007), ocorreu no final dos anos 1950 e começo dos anos 1960. Tal período foi marcado pela substituição da tração animal pelos tratores nas fases de preparação do solo e plantio. Ao focar a fase da colheita de cana-de-açúcar, como apontam Nyko et. al. (2013), as primeiras experiências realizadas no Brasil foram em 1956 a partir de máquinas importadas da Austrália. Porém, desde as primeiras experiências até os anos 2000, o sistema de colheita mecanizada não se disseminou. Contudo, fatores como questões trabalhistas, capacidade de investimento, estratégia de associar a imagem do setor a padrões de produção sustentáveis e o avanço tecnológico impuseram uma nova realidade para o setor canavieiro, que reagiu com a mecanização da colheita.

Segundo Baccarin (2019), mais recentemente – a partir de 2007 –, a incorporação de tecnologias mecânicas na colheita da cana-de-açúcar foi sendo intensificada e exerceu influência direta sobre os trabalhadores, dado que esta foi uma das últimas etapas do processo produtivo agrícola do setor canavieiro, onde se observa a incorporação de inovações mecânicas.

A evolução que a mecanização da colheita registrou nos canaviais brasileiros foi exponencial e pode ser percebida ao ver o crescimento do número absoluto de colheitadeiras nos canaviais dos principais estados produtores, conforme visualizado na Tabela 3 (três). Em 11 anos, a quantidade de colheitadeiras praticamente triplicou, saindo de 1905 em 2008 para 5.765 colheitadeiras em 2018. São Paulo foi o estado a concentrar a maior quantidade de colheitadeiras dos canaviais brasileiros, registrando 3.280 ou 57%

1706 3380 8372 61345 165870 323113 545205 665280 799742 820673 1228634 1920 1940 1950 1960 1970 1975 1980 1985 1995 2006 2017 QUANTIDADE DE TRATORES

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de todas as colheitadeiras no ano de 2018. Além de São Paulo, os estados de Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul foram os que acabaram concentrando a maior quantidade de colheitadeiras no ano de 2018 com, respectivamente, 614, 579 e 447. Pernambuco, por sua vez, foi o estado dentro dos principais produtores nacionais que apresentou uma menor quantidade de colheitadeiras, apenas nove em 2018.

Tabela 3 Número absoluto de colheitadeiras dentre os principais produtores no período de 2008 a 2018 ESTADO 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 AL 23 24 34 51 57 58 65 67 62 62 62 GO 67 171 306 383 493 551 564 603 688 642 614 MG 73 185 236 374 487 492 580 577 599 639 579 MS 29 83 193 304 383 450 462 564 559 448 447 MT 63 62 83 103 121 113 127 158 168 168 191 PE 1 2 3 2 3 3 3 6 11 13 9 PR 43 70 136 210 234 290 320 406 393 430 408 SP 888 1264 1900 2462 2769 2847 3144 3235 3505 3624 3.280 CENTRO- SUL 1859 2880 3863 4517 4785 5249 5600 5968 5994 5693 5.571 NORTE- NORDESTE 46 67 114 149 166 174 185 201 201 198 194 BRASIL 1.905 2.947 3.977 4.666 4.951 5.423 5.785 6.169 6.195 5.891 5.765

Fonte: elaborado a partir de dados da CONAB (2019)

Os estados de Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Paraná foram os que apresentaram maior crescimento na incorporação de colheitadeiras no seu sistema agrícola. Mato Grosso do Sul, por exemplo, saiu de apenas 29 colheitadeiras em 2008 para 447 em 2018, sendo que, no ano de 2016, chegou a ter 559 colheitadeiras. Ao comparar as regiões produtoras, Centro-Sul e Norte-Nordeste, as diferenças são abissais. No ano de 2018, apenas 3% das colheitadeiras existentes nos canaviais brasileiros estavam localizadas na região Norte-Nordeste. Uma demonstração dessa diferença entre as regiões pode ser percebida ao comparar a quantidade de colheitadeiras que existiam no estado de Mato Grosso em 2018, 191, e o número da região Norte-Nordeste para o mesmo ano, 194. Expresso em outras palavras, apenas um único estado do Centro-Sul possuía quase a mesma quantidade de uma região inteira que congrega inúmeros estados.

A evolução no número absoluto de colheitadeiras nos canaviais reflete diretamente no percentual da colheita mecanizada, pois, no ano de 2008, 37,10% da cana- de-açúcar foram colhidas mecanicamente e onze safras depois, em 2018, esse percentual subiu para 91,60%. O processo de mecanização tem se intensificado a partir da relação conflituosa entre trabalho e capital, do avanço tecnológico das colheitadeiras, da necessidade de melhorar a imagem do setor sucroalcooleiro diante do mercado externo e

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da busca por uma maior competitividade por parte do setor. O uso intensivo da mecanização da colheita, entre os principais produtores nacionais, apresenta-se de forma correlacionada à localização regional, pois os produtores localizados na região Centro- Sul possuem altos percentuais de mecanização, ao passo que os produtores localizados na região Norte-Nordeste apresentam percentuais bem menores.

Assim como acontece com a concentração da maquinaria, conforme Tabela 3 (três), com os investimentos feitos pelo BNDES e pelas taxas de produtividade, existe uma enorme separação tecnológica entre as regiões produtoras do país. A diferença da incorporação de tecnologia no campo entre regiões produtoras já era apontada por Loureiro (1970, p.29), em décadas anteriores. O autor anotava que: “[...] o que distancia a indústria açucareira do Sul para com o Nordeste, não é a fábrica, mas o campo”. Pode- se ver, a partir dos dados da mecanização da colheita esboçados no Gráfico 3 (três), que essa realidade no setor sucroalcooleiro ainda se perpetua e foi acentuada em tempos atuais.

Gráfico 3 Percentual de mecanização da Colheita de Cana-de-Açúcar entre 2008 e 2018

Fonte: elaborado a partir de dados da CONAB (2019)

O gráfico 3 (três) demonstra que a região produtora localizada no Centro-Sul do país tem puxado a elevação do percentual de mecanização da colheita no cenário nacional. A região teve, no ano de 2018, 97% de mecanização. A região Norte-Nordeste, por sua vez, tem tido um baixo desempenho nesse processo de modernização. O maior percentual de mecanização que tal região obteve, no período analisado, foi de 25,40% no ano de 2018. 42,80% 54,90% 62,20% 71,60% 77,20% 82,00% 84,30% 93,00% 94,60% 95,60% 97% 37,10% 47,10% 55,10% 63,70% 69 ,20% 74,00% 76,80% 85,10% 89,80% 90 ,20% 91,60% 5, 10% 5, 60% 11,2% 13, 90% 16, 50% 16, 90% 18, 20% 22,70% 23,50% 23,20% 25, 40% 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018

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Quando realizada uma análise da mecanização a partir dos principais estados produtores pode ser percebido que houve uma elevação dos percentuais de mecanização da colheita com o passar dos anos. De acordo com os dados da Conab (2019), apresentados na Tabela 5 (cinco), é possível observar que os estados de Minas Gerais e Mato Grosso do Sul apresentaram, na safra 2017/2018, quase 100% da sua colheita mecanizada. Pernambuco foi o estado produtor, para o mesmo período, que apresentou a menor taxa, com apenas 4,3% de mecanização. O estado do Paraná apresentou o maior crescimento da colheita mecanizada no período em análise, já que, em 2008, a colheita era realizada com máquinas em apenas 18,40% da área plantada e, em 2017, esse percentual cresceu para 86,10%. O aumento ocorrido na mecanização da colheita dos canaviais paranaenses foi da ordem de 368%.

Tabela 4 Percentual de mecanização da colheita entre os principais produtores no período de 2008 a 2018 ESTADO 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 AL 8,20 6,30 14,00 15,10 17,60 15,70 17,80 22,40 18,10 19,90 19,60 GO 48,80 64,70 75,80 79,60 83,50 88,00 84,40 91,80 95,90 95,80 96,00 MG 37,50 47,50 61,50 73,20 80,30 80,00 84,80 98,00 97,00 99,50 99,80 MS 34,30 63,30 80,60 89,90 87,20 99,90 90,80 95,80 99,80 99,10 99,90 MT 46,30 57,30 64,30 75,10 77,90 80,00 87,30 97,70 92,50 91,70 92,70 PE 0,20 0,30 1,40 1,60 1,70 1,10 0,70 4,00 1,90 3,70 4,30 PR 18,40 26,90 42,00 48,30 59,10 65,30 72,80 74,70 86,60 86,10 79,40 SP 47,60 58,60 62,70 72,20 77,70 81,30 85,10 94,50 94,50 95,90 93,30

Fonte: elaborada a partir de Conab (2019)

Um outro fato interessante da mecanização da colheita é que, dos oito maiores produtores nacionais, cinco (Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e São Paulo) possuíam, na safra 2018, mais de 90% da área plantada colhida de forma mecanizada. Tal fato leva a entender que o uso intensivo do solo a partir da incorporação tecnológica potencializa a produção e produtividade, transformando a região Centro-Sul na principal região produtora de cana-de-açúcar do país no começo do século XXI.

2.2 ALTERAÇÕES NO MERCADO DE TRABALHO DO SETOR