• Nenhum resultado encontrado

Simula¸c˜ao do comportamento das baterias no

5.4 Modela¸c˜ao e compara¸c˜ao t´ecnica de um caso de estudo

5.4.1 Simula¸c˜ao do comportamento das baterias no

Matlab/Simulink aplicado a um sistema solar fotovol-

taico

Sendo a energia solar aproveitada para produ¸c˜ao de energia atrav´es de sistemas foto- voltaicos, e para que a sua produ¸c˜ao seja compat´ıvel com a utiliza¸c˜ao requerida ´e ne- cess´ario associar c´elulas fotovoltaicas, sendo esta associa¸c˜ao designada por m´odulos fotovoltaicos que em conjunto formam os pain´eis fotovoltaicos. Os m´odulos fotovol- taicos s˜ao ligados entre si atrav´es de liga¸c˜oes em s´erie e em paralelo, sendo cons- tru´ıdas de acordo com a faixa de potˆencia pretendida (na ordem dos kW ou MW). Na associa¸c˜ao em paralelo as c´elulas s˜ao submetidas `a mesma tens˜ao e adicionam-se as intensidades de corrente, sendo o resultado obtido pela adi¸c˜ao de correntes para o mesmo valor de tens˜ao, ou seja quanto maior o n´umero de c´elulas em paralelo maior ser´a a corrente do m´odulo. Na associa¸c˜ao de m´odulos em s´erie permite obter maiores tens˜oes mantendo a corrente estipulada no m´odulo, sendo as c´elulas atra- vessadas pela mesma corrente e o resultado ´e obtido pela adi¸c˜ao das tens˜oes aos terminais das c´elulas, ou seja, quanto maior for o n´umero de c´elulas em s´erie, maior a tens˜ao do m´odulo, (Pimenta, 2011).

Os sistemas fotovoltaicos n˜ao s˜ao apenas constitu´ıdos pelos pain´eis. A energia pro- duzida por estes ter´a de ser armazenada em baterias e por sua vez estas necessitam de ser controladas por reguladores de carga para assim prolongarem o seu tempo de vida ´util, (Pimenta, 2011).

No entanto, ter´a de se modelar o sistema de baterias de modo a ter tens˜ao e capa- cidade de armazenamento para se satisfazer as necessidades de armazenamento do

sistema.

A associa¸c˜ao de baterias faz-se para se poder incrementar a capacidade global na associa¸c˜ao em paralelo e para a obten¸c˜ao de tens˜oes mais elevadas, no caso da associa¸c˜ao em s´erie, (Morais, 2009).

Na associa¸c˜ao em paralelo, as baterias devem ter a mesma tens˜ao nominal para evitar que as baterias de tens˜ao superiores enviem fortes correntes para as de tens˜ao inferior, que resultaria em sobrecarga, (Pimenta, 2011).

Para serem colocadas em paralelo, ligam-se os terminais positivos da associa¸c˜ao de baterias e separadamente, conecta-se todos os terminais negativos, sendo que nesta configura¸c˜ao, a associa¸c˜ao de baterias tem uma tens˜ao de valor igual a uma ´unica bateria, enquanto a capacidade ´e igual ao somat´orio de todas as baterias. Na figura

5.11, est´a ilustrada uma associa¸c˜ao de baterias em paralelo e onde ´e mostrado o que foi referido anteriormente sobre a capacidade e tens˜ao total da associa¸c˜ao.

Figura 5.11 – Associa¸c˜ao de baterias em paralelo (Pimenta,2011).

Para serem colocadas numa associa¸c˜ao em s´erie, as baterias tˆem de estar ligadas do terminal positivo de uma para o terminal negativo da seguinte, e assim sucessi- vamente, (Pimenta, 2011). Neste tipo de associa¸c˜ao, o conjunto de baterias tˆem a mesma capacidade que uma s´o bateria e tens˜ao total igual ao somat´orio de todas as baterias individuais (Morais,2009). Na figura 5.12, est´a exemplificado uma asso- cia¸c˜ao de baterias em s´erie e onde ´e mostrado o que foi falado anteriormente sobre a capacidade e tens˜ao total desta associa¸c˜ao.

O regulador de carga controla a carga da bateria pela an´alise da tens˜ao da mesma durante o processo de carga, e no momento em que a carga est´a completa, o regu- lador interrompe o fornecimento de carga `a bateria, evitando a perda de eletr´olito e

5.4. MODELAC¸ ˜AO E COMPARAC¸ ˜AO T´ECNICA DE UM CASO DE ESTUDO 139

Figura 5.12 – Associa¸c˜ao de baterias em serie (Pimenta,2011).

de um poss´ıvel aquecimento dos acumuladores, sendo que tipicamente o estado de carga n˜ao deve ultrapassar os 100%. Tal como acontece na situa¸c˜ao da carga es- tar completa, os reguladores fazem tamb´em o processo contr´ario, ou seja, sempre que for detetado que a bateria atingiu um estipulado n´ıvel m´ınimo de tens˜ao, que tipicamente costuma ser de 20%, o regulador interrompe o fornecimento `as cargas externas at´e que o n´ıvel de tens˜ao suba ao valor m´ınimo admiss´ıvel. Os limites de tens˜ao para a carga e descarga das baterias est˜ao relacionados com a temperatura, sendo que a maioria dos reguladores disp˜oem de um dispositivo de compensa¸c˜ao por temperatura, podendo assim controlar de forma correta a carga e descarga de um acumulador a qualquer temperatura alcan¸cando sempre 100% de carga e n˜ao permitindo perdas desnecess´arias de eletr´olito, (Pimenta, 2011).

Para alimentar cargas em corrente alternada os sistemas fotovoltaicos tˆem de ter um inversor, cuja fun¸c˜ao ser´a converter corrente DC em AC, ou seja, a principal fun¸c˜ao dos inversores ´e a de converter o sinal el´etrico DC num sinal el´etrico AC monof´asico ou trif´asico, e ajust´a-lo `as carater´ısticas de frequˆencia e do n´ıvel de tens˜ao adequadas para a sua liga¸c˜ao `a rede ou para ser utilizada em sistemas isolados, (Pimenta,2011). Atualmente os sistemas fotovoltaicos s˜ao usados num vasto conjunto de aplica¸c˜oes e podem ser divididos em sistemas isolados (aut´onomos), figura 5.13, sistemas h´ıbridos, figura 5.14 ou sistemas ligados `a rede, figura 5.15.

Figura 5.13 – Exemplo de um sistema fotovoltaico isolado (Pimenta, 2011).

linguagem de programa¸c˜ao de alto n´ıvel, e ´e muito utilizado na educa¸c˜ao em espe- cial no ensino de ´algebra linear, an´alise num´erica e no processamento de som e imagem. O interessa nesta ferramenta recaiu sobre o facto do MatLab possuir uma ferramenta associada, designada Simulink que apresenta um ambiente de simula¸c˜ao integrada baseada em diagramas de blocos que permitem modelizar e analisar siste- mas dinˆamicos, contendo um vasto conjunto personaliz´avel de bibliotecas de blocos que permitem projetar, simular, implementar e testar uma grande variedade de sistemas que variam no tempo, (MathWorks, 2011). Por ser uma ferramenta do MatLab, necessita de ser sempre executado em conjunto com o MatLab, utilizando muitos recursos deste, tais como:

• Definir modelos de entrada;

• Guardar modelos de sa´ıda para an´alise e visualiza¸c˜ao;

• Executar as fun¸c˜oes de dentro do modelo, atrav´es de chamadas integrais aos operadores e fun¸c˜oes do MatLab.

No entanto, perante uma extensa pesquisa realizada sobre as baterias eletroqu´ımicas relativamente ao funcionamento, carater´ısticas, vantagens e inconvenientes, ´e rele- vante demonstrar a sua aplica¸c˜ao e importˆancia que podem ter em sistemas el´etricos de energias renov´aveis, como o caso de um sistema solar fotovoltaico.

5.4. MODELAC¸ ˜AO E COMPARAC¸ ˜AO T´ECNICA DE UM CASO DE ESTUDO 141

Figura 5.14 – Exemplo de um sistema fotovoltaico h´ıbrido fotovoltaico-e´olico (Pimenta,

2011).

O que se pretende ´e efetuar uma compara¸c˜ao quanto `as carater´ısticas e funciona- mento de diferentes tipos de baterias existentes num programa de simula¸c˜ao como o MatLab/Simulink e o SimPowerSystems, que cont´em um modelo de funcionamento pr´e-definido para as baterias como as de chumbo-´acido, i˜oes de L´ıtio, N´ıquel-C´admio e hidreto met´alico de N´ıquel a partir de um sistema fotovoltaico modelizado em Matlab/Simulink que foi desenvolvido por Pimenta (2011) como disserta¸c˜ao para obten¸c˜ao de grau de mestre na Universidade de Tr´as-os-Montes e Alto Douro.

Demonstra¸c˜ao das baterias no Matlab/Simulink

Existindo basicamente trˆes tipos de modelos de bateria: eletroqu´ımica, experimen- tal e com base em circuitos el´etricos; sendo que os modelos experimentais e ele- troqu´ımicos n˜ao s˜ao os mais adequados para representar as carater´ısticas de uma bateria com base na estimativa do seu estado de carga, a utiliza¸c˜ao de modelos ba- seados em circuitos el´etricos podem ser ´uteis para representar estas caracter´ısticas (Pimenta, 2011).

Sendo que muitos modelos foram desenvolvidos at´e hoje para as baterias e como ilustrado no cap´ıtulo 3na sec¸c˜ao 3.5.1 representa-se um dos modelos realizados por

Figura 5.15 – Exemplo de um sistema fotovoltaico ligado `a rede (Pimenta,2011).

Norian (2011) para a determina¸c˜ao da varia¸c˜ao de tens˜ao da bateria durante uma sequˆencia de descarga-repouso-carga-repouso assim como o seu circuito equivalente. No entanto, Tremblay et al. (2007) representa um modelo el´etrico simples de uma bateria recarreg´avel que tal comoNorian(2011), consiste numa fonte ideal de tens˜ao em s´erie com uma resistˆencia interna, e este modelo assume as mesmas carater´ısticas para os ciclos de carga e descarga como mostra a figura 5.16, tal como o modelo da sec¸c˜ao 3.5.1. Sendo que as equa¸c˜oes desenvolvidas por Shepherd (1965), descrevem o comportamento eletroqu´ımico de uma bateria em termos da tens˜ao final, da tens˜ao de circuito aberto, da resistˆencia interna, da corrente de descarga e do estado de carga que pode ser aplicado tanto ao processo de carga bem como de descarga. O modelo que ser´a descrito de seguida ´e o desenvolvido pelo MatLab/Simulink. A fonte de tens˜ao controlada ´e descrita pela equa¸c˜ao 5.6:

E = E0 − K

Q

Q − it + Aexp(−B.it) (5.6)

Por sua vez, a tens˜ao da bateria Vbatt ´e dada pela express˜ao 5.7:

5.4. MODELAC¸ ˜AO E COMPARAC¸ ˜AO T´ECNICA DE UM CASO DE ESTUDO 143

Figura 5.16 – Circuito equivalente de uma bateria (Tremblay et al.,2007).

Onde temos que,

• E - tens˜ao n˜ao-linear (V);

• E0 - tens˜ao inicial da bateria (V);

• exp - zona exponencial dinˆamica (V); • K - tens˜ao de polariza¸c˜ao (Ah−1);

• Q - capacidade m´axima da bateria (Ah); • i - corrente da bateria (A);

• it - capacidade extra´ıda (Ah); • A - tens˜ao exponencial (V);

• B - capacidade exponencial (Ah)−1;

• R - resistˆencia interna (Ω);

No modelo de Shepherd (1965) este termo, KQ−QR

idti, representa uma tens˜ao n˜ao-

linear que varia com a amplitude da corrente e a carga atual da bateria. Assim, nos momentos em que a bateria estiver quase completamente descarregada e n˜ao existir

nenhuma corrente, aumenta a tens˜ao da bateria para valores aproximados de E0,

de modo a que a tens˜ao n˜ao-linear caia abruptamente sendo quase zero, (Pimenta,

2011). Este comportamento ´e representativo de uma bateria real, mas o modelo matem´atico que representa este fen´omeno provoca um loop alg´ebrico e por sua vez a instabilidade na simula¸c˜ao (Tremblay et al., 2007).

Este modelo fornece resultados precisos mas ´e baseado em suposi¸c˜oes e tem algumas limita¸c˜oes, (Tremblay et al., 2007):

1. Suposi¸c˜oes do modelo:

• a resistˆencia interna ´e supostamente constante ao longo dos ciclos de carga e descarga e n˜ao varia com a amplitude da corrente;

• os parˆametros do modelo s˜ao deduzidos a partir das caracter´ısticas de descarga e assumidos para serem iguais para a carga;

• a capacidade da bateria n˜ao se altera com a amplitude da corrente; • a temperatura n˜ao afeta o comportamento do modelo.

2. Limita¸c˜oes do modelo:

• a tens˜ao m´ınima da bateria sem carga ´e 0V e a tens˜ao m´axima da bateria n˜ao ´e limitada.

• a capacidade m´ınima da bateria ´e de 0 Ah e a capacidade m´axima n˜ao ´e limitada, por isso, o SOC m´aximo pode ser superior a 100%, se a bateria estiver sobrecarregada.

Este modelo pode representar o comportamento de muitos tipos de baterias, desde que os parˆametros obtidos sejam os adequados. Estes parˆametros podem ser fa- cilmente deduzidos a partir da curva t´ıpica de descarga fornecida pelo fabricante, como mostra a figura5.17, que representa uma c´elula de hidreto met´alico de N´ıquel com 1,2 V e 6,5 Ah, tendo a curva de descarga uma corrente constante de 1,3 A, (Tremblay et al., 2007).

5.4. MODELAC¸ ˜AO E COMPARAC¸ ˜AO T´ECNICA DE UM CASO DE ESTUDO 145

Figura 5.17 – Curva t´ıpica de descarga de uma bateria (Tremblay et al.,2007).

A ´area 1 representa a queda de tens˜ao exponencial quando a bateria est´a carregada o que vai variando com o tipo de bateria (´area mais ou menos larga); a ´area 2 representa a carga que pode ser extra´ıda da bateria at´e que a tens˜ao caia para valores inferiores aos da tens˜ao nominal da bateria; a ´area 3 representa a descarga total da bateria, quando a tens˜ao cai abruptamente, (Pimenta, 2011).

Modelo de carga e descarga de uma bateria

O modelo de descarga proposto ´e semelhante ao modelo de Shepherd (1965), mas representa com precis˜ao a dinˆamica de tens˜ao quando a corrente varia e tem em conta a tens˜ao em circuito aberto em fun¸c˜ao do SOC, (Pimenta, 2011).

A tens˜ao de polariza¸c˜ao (K) ´e adicionada para representar melhor o comportamento da tens˜ao de circuito aberto e a resistˆencia de polariza¸c˜ao ´e alterada. A particu- laridade deste modelo ´e a utiliza¸c˜ao de uma corrente filtrada (i∗) que atravessa a

resistˆencia de polariza¸c˜ao, (Pimenta, 2011).

Assim a tens˜ao da bateria no caso das baterias de i˜oes de L´ıtio, que varia em rela¸c˜ao `as outras baterias na sua zona exponencial, ´e obtida da seguinte forma:

Vbatt = E0− K Q Q − it.it + Aexp(−B.it) − K Q Q − it.i ∗ (5.8) Onde,

• KQ−itQ .it representa a tens˜ao de polariza¸c˜ao; • KQ−itQ .i∗ representa a resistˆencia de polariza¸c˜ao.

Para os outros tipos de baterias (chumbo-´acido, N´ıquel-C´admio e hidreto met´alico de N´ıquel) existe um fen´omeno denominado de histerese durante os ciclos de carga e descarga e onde o valor do SOC n˜ao tem importˆancia, sendo que este fen´omeno ocorre apenas na zona exponencial, como est´a ilustrado na figura 5.18, (Pimenta,

2011) . A tens˜ao exponencial aumenta quando a bateria est´a a ser carregada e diminui quando a bateria est´a a descarregar (Tremblay and Dessaint, 2009).

Figura 5.18 – Zona exponencial para baterias chumbo-´acido, NiMH e NiCd (MathWorks,

2011).

Para as baterias de i˜oes de L´ıtio, a zona de tens˜ao exponencial pode ser representada por um sistema dinˆamico n˜ao-linear, (Tremblay and Dessaint, 2009).

5.4. MODELAC¸ ˜AO E COMPARAC¸ ˜AO T´ECNICA DE UM CASO DE ESTUDO 147

Onde,

• Exp(t) – tens˜ao na zona exponencial (V); • i(t) – corrente da bateria (A);

• u(t) – m´odulo de carga e descarga.

A tens˜ao exponencial depende do seu valor inicial Exp(t0) e do modelo de carga

(u(t) = 1) ou descarga (u(t) = 0), (Pimenta, 2011).

Para o modelo de carga, no caso das baterias de chumbo-´acido e i˜oes de L´ıtio, a ca- rater´ıstica de fim de carga ´e a mesma, isto porque a tens˜ao aumenta rapidamente quando a bateria atinge a carga completa, sendo modelada pela resistˆencia de pola- riza¸c˜ao, como ilustrado na figura 5.19, (Pimenta, 2011).

Figura 5.19 – Curva de carga caracter´ıstica das baterias de chumbo-´acido e i˜oes de l´ıtio (MathWorks, 2011).

A resistˆencia de polariza¸c˜ao aumenta at´e a bateria estar praticamente carregada (it = 0), esta situa¸c˜ao torna a resistˆencia infinita o que n˜ao se verifica exatamente na pr´atica, por isso, ´e agora alterada como demonstrado na equa¸c˜ao 5.10, onde RP

RP = K.

Q

it (5.10)

Segundo Tremblay and Dessaint (2009) determinados resultados experimentais tˆem demonstrado que a contribui¸c˜ao da resistˆencia de polariza¸c˜ao ´e deslocada em cerca de 10% da capacidade da bateria. Por isso a equa¸c˜ao 5.10 ´e reescrita para:

RP = K

Q

it − 0.1.Q (5.11)

No caso das baterias de hidreto met´alico de N´ıquel e N´ıquel-C´admio o comporta- mento da carater´ıstica do fim de carga ´e diferente. Quando atinge a sua carga total, a tens˜ao diminui lentamente, dependendo da amplitude da corrente, como ilustrado na figura 5.20, (Pimenta, 2011).

Figura 5.20 – Curva de carga caracter´ıstica das baterias NiMH e NiCd (MathWorks,2011).

Quando a bateria estiver totalmente carregada (it = 0) e o carregador continua a sobrecarregar a bateria, a tens˜ao diminui, modificando a resistˆencia de polariza¸c˜ao de carga. Este fen´omeno pode ser representado por diminuir a resistˆencia de pola- riza¸c˜ao quando a bateria est´a sobrecarregada usando o valor absoluto da carga (it), (Pimenta, 2011):

5.4. MODELAC¸ ˜AO E COMPARAC¸ ˜AO T´ECNICA DE UM CASO DE ESTUDO 149

RP = K

Q

|it| − 0, 1.Q (5.12)

O modelo de carga e descarga das baterias ´e ilustrado na figura 5.21. Por fim s˜ao dadas as express˜oes para o c´alculo da tens˜ao da bateria em modo de carga e descarga para os quatro tipos de bateria mencionadas anteriormente, sendo estas utilizadas para o programa de simula¸c˜ao, (Tremblay and Dessaint, 2009).

Figura 5.21 – Modelo de uma bateria (MathWorks,2011).

• Bateria de chumbo-´acido Descarga (i∗ > 0) Vbatt = E0− R.i − K Q Q − it.it − K Q Q − it.i ∗+ Exp(t) (5.13) Carga (i∗ > 0) Vbatt = E0− R.i − K Q Q − it.it − K Q it − 0.1.Q.i ∗+ Exp(t) (5.14)

• Bateria de i˜oes de l´ıtio Descarga (i∗ > 0) Vbatt = E0− R.i − K Q Q − it.it − K Q Q − it.i ∗+ Aexp(−B.it) (5.15)

Carga (i∗ > 0) Vbatt = E0− R.i − K Q Q − it.it − K Q it − 0.1.Q.i ∗+ Aexp(−B.it)(5.16)

• Baterias NiMH e NiCd Descarga (i∗ > 0) Vbatt = E0− R.i − K Q Q − it.it − K Q Q − it.i ∗+ Exp(t) (5.17) Carga (i∗ > 0) Vbatt = E0− R.i − K Q Q − it.it − K Q |it| − 0.1.Q.i ∗+ Exp(t) (5.18)

Modela¸c˜ao das baterias

O Simulink possui na sua biblioteca um bloco pr´oprio que simula v´arios tipos de baterias. A figura 5.22 mostra o aspeto do bloco de bateria do Simulink e a figura

5.23 a estrutura interna da mesma. A figura 5.13 tem como parˆametros de entrada a corrente proveniente do painel fotovoltaico (entrada 1) e a terra (entrada 2). O bloco Model Continuous ´e muito importante pois da´ı resultar˜ao os valores do SOC, corrente e tens˜ao da bateria. Internamente o bloco tem o aspeto da figura 5.24.

5.4. MODELAC¸ ˜AO E COMPARAC¸ ˜AO T´ECNICA DE UM CASO DE ESTUDO 151

Figura 5.22 – Bloco da bateria no software Simulink.

F ig ura 5 .2 4 – D ia gra m a in te rn o d a b at eri a.

5.4. MODELAC¸ ˜AO E COMPARAC¸ ˜AO T´ECNICA DE UM CASO DE ESTUDO 153

Como parˆametro de entrada tem-se a corrente e de sa´ıda o ”m”que subdivide-se em trˆes parˆametros que s˜ao, a SOC, a corrente de descarga e a tens˜ao de sa´ıda. Os principais blocos constituintes s˜ao, (Pimenta, 2011):

• Par^ametros de entrada

A bateria conta com um parˆametro de entrada, designado ”Corrente”, que representa a entrada da corrente origin´aria do m´odulo fotovoltaico;

• Carga

O bloco de ”Carga”´e respons´avel por analisar a corrente da bateria no processo de carga. O bloco ap´os efetuar a leitura do tipo de bateria a ser usada, calcula a tens˜ao de carga da bateria, ou seja, internamente possui os c´alculos para os diferentes tipos de baterias existentes na biblioteca do Simulink. Por exemplo na situa¸c˜ao de uma bateria de chumbo-´acido, utiliza a equa¸c˜ao 5.14;

• Descarga

O bloco de ”Descarga”fornece os valores da tens˜ao que a bateria tem no mo- mento da sua descarga;

• Zona Exponencial

Funciona como os dois blocos anteriores (Carga e Descarga), com a particula- ridade para as baterias de chumbo-´acido, NiMH e NiCd em compara¸c˜ao com as baterias de i˜oes de L´ıtio, como referido nas equa¸c˜oes de carga e descarga dos quatro tipos de baterias mencionados. No caso das baterias de i˜oes de L´ıtio, para o c´alculo da zona exponencial utilizam a capacidade extra´ıda, nos outros trˆes tipos de baterias usam os valores da corrente da bateria;

• Soma ´

E o bloco respons´avel por fazer o somat´orio das tens˜oes da bateria, que dar˜ao depois os valores da mesma;

• Par^ametros de sa´ıda

Abateria conta com dois parˆametros de sa´ıda, designados de ”m”e ”V”, que representam respetivamente, as carater´ısticas da bateria e a tens˜ao da bateria. O parˆametro ”m”desdobra-se no estado de carga da bateria (SOC) analisando a corrente que a bateria recebe e/ou fornece, bem como a corrente e a tens˜ao da bateria.

Tabela 5.4 – Carater´ısticas da bateria OPzS Solar 420 (Renov´aveis,2013).

Tens˜ao Nominal 6 V Capacidade C120 420 [Ah] Resistˆencia Interna 1,96 [mΩ]

O bloco Model Continuous sendo uma parte fundamental da estrutura interna do bloco da bateria no software Simulink, existem testes que comprovam o seu funcio- namento e comportamento em diferentes situa¸c˜oes, ap´os a escolha de uma bateria. De modo a obter resultados mais explicativos, a bateria utilizada ´e de baixa capaci- dade nominal, visto que posteriormente ter´a de ser utilizada uma bateria de elevada capacidade nominal para simular um verdadeiro sistema fotovoltaico.

Sendo as baterias de chumbo-´acido que possuem um conjunto de parˆametros e cara- ter´ısticas melhores para aplica¸c˜ao num sistema deste tipo, para os testes de amostra- gem foi escolhida a bateria de Chumbo-´acido OPzS Solar 420 do fabricante classic (Renov´aveis, 2013) tendo em aten¸c˜ao parˆametros importantes que se tˆem de ter aquando da sua escolha, sendo eles a sua tens˜ao nominal, a capacidade da bateria e a resistˆencia interna que est˜ao dispon´ıveis na tabela 5.4.

Para iniciar os testes de simula¸c˜ao estes parˆametros tˆem de ser introduzidos numa janela do Simulink, que se abre ao clicar no bloco da bateria, figura 5.25.

Nesta janela (Block Parameters Battery) ´e poss´ıvel escolher quatro tipos de bate- rias no local ”Battery type”, tais como, chumbo-´acido (Lead Acid), N´ıquel-C´admio (Nickel-Cadmium), hidreto met´alico de N´ıquel (Nockel-Metal-Hybride) e de i˜oes de L´ıtio (Lithium-Ion). Para o teste de simula¸c˜ao ser´a escolhida a op¸c˜ao ”Lead-Acid”. De seguida existem trˆes campos de preenchimento obrigat´orio, sendo os dois primei- ros valores fornecidos pelo fabricante:

Nominal Voltage: ´e o valor da tens˜ao nominal, expressa em Volts (V);

Rated Capacity : ´e o valor da capacidade nominal, expressa em Amp´eres-hora (Ah);