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Sintetizando as Respostas dos Conselheiros

CAPÍTULO 4 CRISTÃOS DA IGREJA CATÓLICA DE LAGES:

3. Cristãos de Lages: Ovelhas ou Protagonistas?

3.2 Ouvindo os Cristãos do Município de Lages

3.2.3 Sintetizando as Respostas dos Conselheiros

• Respostas da Primeira Pergunta:

A primeira questão procurou averiguar se as paróquias de Lages têm

despertado lideranças para atuarem na sociedade civil como cristãos.

Num primeiro momento as lideranças foram categóricas no seu “não”. As

a) As lideranças que surgem não querem se incomodar com os problemas da sociedade e atuam somente nas pastorais, ainda dependendo do estímulo ou não do padre. Afirmam que num passado recente (década de 60 a 80) havia um número razoável de lideranças que atuava na sociedade civil, a partir de sua fé. b) Outro destaque foi a falta de incentivo da hierarquia ou atitudes autoritárias da

mesma, ou seja, em outras palavras, os conselheiros declaram uma dependência acentuada da hierarquia.

c) Aparece também como destaque o entendimento que muitas lideranças têm de que, ou se é cristão, por exemplo, ou se é político. Alguns tiveram destaque na política, a partir da fé, mas neste estágio, abandonaram a Igreja.

Num segundo momento, ou num segundo bloco de respostas os conselheiros

afirmam que “sim”. A Igreja desperta pessoas como: professores, alguns políticos, empresários, entre outros. Mas, as respostas são, de certa forma, “tímidas” e com ressalvas: Desperta, mas é muito difícil que isso aconteça... Ainda é muito pouco...

Antes despertava mais... Desperta, mas não motiva, não encoraja, não pega junto... Mas é um processo lento... Há um incentivo maior para lideranças das pastorais ou próximas dela como “os atingidos por barragens ou Pastoral Afro”...

Num terceiro momento, afirmam que aqueles que a Igreja desperta não estão

preparados para atuarem. Que a Igreja ainda não despertou para a missão. Por fim, os conselheiros destacam a lentidão da formação, bem como, muitas vezes, ela é superficial e antiquada. Lembram que há dificuldades para aceitar ou praticar idéias novas.

• Respostas da Segunda Pergunta:

A Segunda questão procurou saber dos Conselheiros se, na opinião deles, há

ou não democracia na Igreja de Lages. Num primeiro momento, a resposta foi “Não”, destacando-se as seguintes justificativas:

a) Há domínio das lideranças mais esclarecidas, fazendo com que as demais não tenham voz, nem vez. Afirmam que há uma espécie de aristocracia ou uma forma deturpada de democracia, ou seja, um pequeno grupo que dita as diretrizes. b) Destaca-se que nos grupos de famílias há democracia, porque não existe a

c) Afirma-se que as questões já vêm prontas de cima; que quem manda é a hierarquia ou um pequeno grupo. Ao povo cabe trabalhar e executar o que foi decidido.

d) Há destaque para os Conselhos, como um início de democracia, mas ainda muito incipiente.

e) Ressalta-se a ‘democracia de fachada’. Os conselheiros quiseram dizer que há muitas reuniões e formas de participação na Igreja, mas existe uma ‘aparência’, onde o leigo acredita que está decidindo as coisas mais importantes da comunidade, mas que isso é um disfarce, pois as decisões importantes já vêm prontas.

Num segundo momento, as lideranças afirmaram que há democracia,

enfatizando que ela é limitada e restrita. Neste mesmo contexto, alguns grupos disseram que se pode afirmar que há democracia nas paróquias de Lages, principalmente ‘quando o padre permite’; que existem muitas lideranças democráticas. Alguns grupos concordam que há democracia nas assembléias da Paróquia e Diocese e que, nos últimos anos a Igreja está assumindo uma postura mais democrática. A maioria dos Conselhos afirmou, no entanto, que existem paróquias nas quais os conselheiros tomam decisões, mas ficou subentendido que são naquelas “que o padre permite”, pois, há paróquias em que os padres são muito abertos. É uma ‘democracia tutelada’.

• Respostas da Terceira Pergunta:

Na terceira questão procurou-se saber se existem trabalhos pastorais nas

comunidades, cuja iniciativa é exclusiva das lideranças locais, demonstrando, com isso, protagonismo e criatividade nas iniciativas próprias.

Num primeiro momento, as respostas consistiram na palavra “não”, por parte

de 45% dos participantes. Foi comentado que as normas sempre chegam com muita insistência para as lideranças. As iniciativas são oriundas da Paróquia e da Diocese.

Num segundo momento, a resposta foi “sim”, tendo como exemplos a luta

para conseguir terreno para a capela, sem interferência do padre, ajuda aos mais pobres, feiras, cursos de trabalhos manuais ou semelhantes, mas são iniciativas ligadas, de alguma forma, a um órgão já existente, como Cáritas, escola ou Associação de Moradores.

• Respostas da Quarta Pergunta:

Nesta quarta questão, os Conselhos apontaram o que eles entendem como

situações erradas na Igreja de Lages. Dos 16 grupos que participaram da pesquisa, a percentagem das respostas ficou assim:

a) Os padres não podem casar – 12 grupos, dos 18 que participaram, colocaram esta resposta em 1º lugar.

b) Muita lentidão nas inovações, resistência ao sacerdócio feminino e o poder

centralizado da hierarquia, obtiveram o 2º lugar, com a participação de 07

grupos.

c) As respostas que alcançaram o 3º lugar, com a participação de 06 grupos, foram: o posicionamento contrário ao uso de métodos contraceptivos e camisinha e a forma de como as pessoas descasadas ou de 2º casamento são tratadas,

negando-se a elas acesso a alguns sacramentos.

d) Respostas dadas por 05 grupos, até 02 grupos: falta de comunicação e união

entre as lideranças, certos padres com muita autoridade; na homilia falam uma coisa e, na prática as atitudes são outras; lideranças desmotivadas, as paróquias devem participar na escolha do Pároco, abuso de autoridade, tanto da hierarquia, quanto de leigos e leigas, ritualismos, fechar os olhos para as injustiças sociais e falta de apoio e participação na Política.

• Respostas da Quinta Pergunta:

Na quinta pergunta, o interesse do pesquisador foi saber quais as situações

que os conselheiros avaliam como certas na Igreja de Lages. Dos 16 grupos que participaram da pesquisa, a percentagem das respostas ficou assim:

a) Liberdade e abertura para o leigo ficaram em 1º lugar com respostas de 11 grupos.

b) Em 2º lugar foram citadas: a Igreja CEB’s e os Grupos de Famílias, com a participação de 09 grupos.

c) Obtiveram o 3º lugar, com respostas de 08 grupos, os cursos de formação para

lideranças e as escolas de teologia.

d) Respostas dadas por 05 grupos, até 02 grupos: batizados, casamentos e cultos

realizados por ministros. Apoio a pessoas e comunidades pobres, dízimo livre e consciente, trabalho realizado pelas pastorais. Ecumenismo, Conselhos

Pastorais, missões, liturgia e catequese, Campanha da Fraternidade. Abertura, mesmo que pequena e tímida, dos padres, posicionamento a respeito do aborto e eutanásia, rodízio de Ministros, padres e religiosos integrados na sociedade e vivendo os problemas da comunidade. Acolhida nas celebrações e na porta da Igreja e intercâmbios entre comunidades.

• Respostas da Sexta Pergunta:

Na sexta questão, buscou-se entender, numa pergunta mais aberta, qual é a

relação entre os leigos e a hierarquia, na Igreja de Lages.

a) A relação entre hierarquia e leigos é boa. Este resposta ficou em 1º lugar, com a afirmativa de 12 grupos.

b) Não é boa porque as decisões cabem aos que estão no topo do sistema. Esta resposta ficou em segundo lugar, com 07 afirmativas.

c) Em 3º lugar ficou a seguinte resposta, com 06 afirmativas: Dever existir

hierarquia para a organização do trabalho.

d) Respostas dadas por 05 grupos, até 02 grupos: nós precisamos de líder, não

com poder, mas apenas com autoridade. A relação entre hierarquia e leigos é razoável. O leigo procura e o padre nunca está. O padre é ausente da comunidade. Relação desgastada. O padre, aonde vai, faz mudanças e vai embora, deixando que a comunidade se enquadre. Tem melhorado, mas é mais um problema estrutural. A sociedade evoluiu e a Igreja continua com as mesmas posições. Então as pessoas vão se afastando e buscando outras alternativas para a sua fé.

• Respostas da Sétima Pergunta:

Na sexta questão, buscou-se entender, numa pergunta também mais aberta,

qual é a relação entre os leigos, na Igreja de Lages.

a) A seguinte resposta ficou em 1º lugar, com a afirmativa dos 16 grupos: existem

lideranças centralizadoras, que não distribuem funções e não sabem partilhar serviços. Acham-se donas de tudo, impedem o surgimento de novas lideranças, ocupam muitos serviços e querem fazer tudo sozinhas.

b) Em 2º lugar, com a afirmação de 14 grupos, ficou a seguinte resposta: existem

líderes que querem formar pessoas em sua pastoral e ajudam muito.

c) Outras respostas dadas por 05, até 02 grupos: é necessário que a Igreja ensine a

diferença entre o poder manipulador e o poder cristão. Há pessoas que exercem funções paroquiais porque são mais simpáticas ao padre e por nomeação do mesmo.

3.2.4 Uma Análise das Respostas dos Conselheiros, na Perspectiva do