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Antes de abordar os sintomas da ansiedade, é importante entender como esse processo ocorre fisiologicamente. Nesse sentido, Linda Davidoff (2001) explica que a sequência da m m m “m m ” emitida pelo ambiente e processada pelo „ m v ‟ do indivíduo. Segundo a autora, os circuitos ao longo de todo o „ é b ‟ „m h ‟ m h m m é . A „ m ‟, m é v z b , seleciona os dados sobre eventos potencialmente perigosos e alerta o córtex4 para informações sensoriais importantes. Este, por sua vez, ao processar informações sobre perigo, comunica-se com o „h á m ‟, q m é „ m ímb ‟5

. Conforme ilustra a Figura 1, outras regiões desse sistema, „ mí ‟ „ ‟, b h m m j m „h á m ‟ a fim de regular as emoções e as motivações do indivíduo, porém, o „hipotálamo‟ m incipal delas (DAVIDOFF, 2001).

4 O „ x b ‟ á v v , v m õ b o comportamento subsequente. Embora as pessoas geralmente se sintam fora do controle quando estão ansiosas, os pensamentos que surgem no córtex estão sob o controle do indivíduo e desempenham papel fundamental na manutenção ou dissolução da ansiedade (DAVIDOFF, 2001).

5 O „ m ímb ‟ é í m -relacionados, profundamente enraizados no centro do cérebro (DAVIDOFF, 2001).

Figura 1 – Partes do cérebro especialmente ativas quando as pessoas experimentam ansiedade e outras

emoções: córtex cerebral, sistema límbico (representado em cinza-escuro) e formação reticular.

Fonte: DAVIDOFF, 2001, p.391.

Durante o estado de ansiedade, as pessoas geralmente estão cientes dos sintomas apresentados: coração disparado, dores no estômago, pulso acelerado, tensão muscular, transpiração, tremor nas pernas e nas mãos, entre outros. De acordo com Davidoff (2001), m „ õ ô m ‟ q z „ m v ô m ‟ – SNA6

e ocorrem automaticamente, sem qualquer decisão deliberada de nossa parte. O SNA possui duas ramificações, que atuam para manter um ambiente interno . A m é „ m m á ‟, m v q m calmos e responsável por auxiliar na regulação de processos como o do sono e o da digestão. A m é „ m m á ‟, q m m emergências, mobilizando os recursos necessários para a ação do indivíduo (ver Figura 2).

6 O „ m v ô m ‟ v q v m h é b m órgãos internos, glândulas, coração e vasos sanguíneos (DAVIDOFF, 2001).

Figura 2 – Principais conexões entre o SNA e os órgãos. Para maior clareza o sistema simpático está

desenhado à direita e o sistema parassimpático à esquerda.

Fonte: LOPES; ROSSO, 2013, p.737.

A m, mé „ m m á ‟ é aumenta a fim de levar mais oxigênio para dentro do corpo, somando energia para lidar com a emergência. O sangue, responsável pelo transporte de oxigênio e nutrientes, é direcionado para o cérebro e os músculos com o objetivo de proporcionar um pensamento mais claro e uma ação decisiva. O açúcar é liberado pelas reservas do fígado e enviado aos músculos com o intuito de fornecer maior quantidade de energia. O sangue é preparado para coagular rapidamente de modo que cicatrize quaisquer ferimentos eventuais. Se houver a necessidade de uma ação rápida, fugir ou lutar, por exemplo, a resposta de ansiedade aumenta as chances de sobrevivência do indivíduo (DAVIDOFF, 2001).

Por fim, estimulada pelo mensageiro químico do hipotálamo (o fator de liberação de corticotropina) a hipófise libera dois hormônios: adrenocorticotrofina (ACTH) e „b ‟. E m h mô x m é , b õ

, q q m é „ â ‟, z m rins e ativa os hormôni , „ ‟ ( ) „ ‟ ( ). O h mô m m m m m respostas de prontidão emergencial, já incitadas pelo sistema nervoso simpático. O ACTH e os hormônios suprarrenais exercem outros papéis no aguçamento do pensamento e no prolongamento das memórias do evento estressante. Enquanto o corpo permanecer altamente alerta e ativo, até que passe a crise de ansiedade ou se estabeleça a exaustão, os hormônios suprarrenais continuam sendo secretados. Esses hormônios são apenas um dos muitos sistemas endócrinos que preparam os animais para lidar com situações de estresse (DAVIDOFF, 2001).

Com base nesse processo, é possível perceber que a ansiedade prepara todo o organismo para enfrentar a ameaça. Porém, os sintomas decorrentes da ansiedade proporcionam uma instabilidade interna no indivíduo, que prejudica o seu controle emocional e impede que ele consiga reagir e produzir diante da ansiedade. Isso nos remete à ideia original do conceito de ansiedade, empregada pelos gregos antigos por meio dos termos frontis, ídos e agônia. Conforme foi visto anteriormente, os gregos costumavam empregar o termo frontis para designar sentimentos de cuidado e preocupação, atrelados às ações da psique de reflexão e meditação; utilizavam o termo ídos, associado ao termo idrôs, para traduzir a ideia de suar, transpirar, molhar as vestes com suor, referindo-se aos sintomas fisiológicos da ansiedade; e finalmente, adotavam o termo agônia para indicar o comportamento da pessoa que não consegue produzir diante da ansiedade, deixando-se abater por ela.

Nesse sentido, Valentine (2002) afirma que os sintomas da ansiedade podem ser classificados em três tipos: fisiológicos, comportamentais e mentais. Para Steptoe (2001), os sintomas mentais podem ser subdivididos em dois grupos: cognitivos e emocionais. Além disso, vimos que Barlow (2000) caracterizou os sintomas da ansiedade como sendo de ordem somática, emocional, cognitiva e comportamental. Contudo, na presente pesquisa, a título de nomenclatura, utilizou-se os termos fisiológico, psicológico e comportamental para descrever os sintomas da ansiedade.

Desse modo, os sintomas fisiológicos compreendem as reações físicas do indivíduo como, por exemplo, boca seca, falta de ar, frequência respiratória acelerada, tensão muscular, transpiração excessiva, suor nos pés e/ou nas mãos, mãos trêmulas, tremor nas pernas, falta de apetite, náuseas, taquicardia, tontura, vômitos, desmaios, diarreia, constipação, formigamento na face e/ou nos membros superiores e/ou inferiores, entre outros. Segundo Marshall (2008),

os sintomas fisiológicos da ansiedade, vivenciados pelo indivíduo na performance musical, são similares àqueles experienciados nas demais situações de estresse. Assim, uma pesquisa realizada por Silva e Santiago (2011) com clarinetistas da Escola de Música da Universidade Federal da Bahia – UFBA apontou que a aceleração dos batimentos cardíacos, a tensão muscular, os tremores pelo corpo e a sensação de boca seca figuram como os principais sintomas fisiológicos relatados por aqueles clarinetistas.

Com relação aos sintomas psicológicos, vale ressaltar que estes compreendem todas as manifestações cognitivas e emocionais atreladas ao funcionamento da psique do indivíduo. Desse modo, destacam-se entre eles: sensação de mente divagante, noção de tempo alterada, , “ z” m m â , h m m , , , angústia, falta de concentração, preocupação excessiva, autocrítica severa, pensamentos negativos, entre outros. Segundo Bruce e Barlow (1990), pensamentos negativos sobre a performance podem ser mais destrutivos do que os sintomas fisiológicos e comportamentais decorrentes da ansiedade. Desse modo, frases e pensamentos como: “ m h performance”, “ ”, “ m ”, “ m ”, “ q ”, m m m performance e expressar a presença de ansiedade.

Contudo, o sentimento de ansiedade também pode desencadear sintomas psicológicos positivos tais como sensação de bem-estar, sensação de prazer antecipada, sentimento de satisfação, aumento de concentração, entre outros. Para Cox (2007), se a mensagem de alerta processada pelo sistema nervoso central estiver associada com algo positivo, o indivíduo vivenciará uma sensação de excitação e antecipação prazerosa. Porém, se o alerta estiver relacionado à percepção de uma ameaça, a pessoa irá sofrer com os efeitos negativos da ansiedade.

O terceiro e último tipo de sintoma da ansiedade descrito na presente pesquisa compreende os sintomas comportamentais. Conforme mencionado, esse tipo de sintoma possui sua origem no termo grego agônia, que literalmente significa esterilidade (infecundidade) e indica os efeitos da ansiedade sobre a pessoa que não consegue reagir e contorná-la, deixando-se abater por ela. Isso nos leva a entender que esse tipo de sintoma é responsável por desestabilizar o indivíduo e desencorajá-lo para realizar a tarefa, impedindo que o sujeito consiga produzir diante da ansiedade e comprometendo o resultado final de sua performance.

Desse modo, figuram entre os sintomas comportamentais da ansiedade: inquietação, irritabilidade e excesso de movimentos – responsáveis pela desestabilização do indivíduo;

reação de esquiva, tentativa de disfarçar a ansiedade com sorrisos e brincadeiras, vontade de desistir de realizar a apresentação, ou de abandonar o palco durante a performance – responsáveis por desencorajar o sujeito; e finalmente, erros técnicos e decaimento da performance – comprometendo o resultado final da ação. Além disso, vale ressaltar que todo esse contexto pode induzir a pessoa a outros comportamentos decorrentes da ansiedade tais como necessidade de consumir bebidas alcoólicas para tocar, necessidade de utilizar Cannabis e/ou outras drogas não legalizadas para tocar ou ainda, necessidade de ingerir medicação para tocar, entre outros.

Por fim, Lehmann e colaboradores (2007) afirmam que os diferentes sintomas da ansiedade se relacionam entre si e podem ocorrer simultaneamente durante o processo de preparação e performance de uma obra musical. Diante disso, os músicos costumam utilizar diversas estratégias a fim de contornar os efeitos da ansiedade e minimizar os seus sintomas. Considerando que esses sintomas podem coexistir durante a situação de estresse, observa-se também a possibilidade do sujeito empregar mais de uma estratégia, concomitantemente, no enfrentamento da ansiedade na performance musical. De acordo com Maciente (2016), essas estratégias buscam ampliar o autocontrole motor e emocional do indivíduo, sendo de grande valor para o músico, tanto em sua atividade profissional, quanto em outras áreas de sua vida. Segundo a pesquisadora, esse processo contribui para a melhoria da saúde física e mental do sujeito, proporcionando uma melhor qualidade de vida que, consequentemente, se reflete em sua performance.