4.1 PLANEJAMENTO
4.1.3 Sistema de Informações Geográficas e Banco de Dados
A Lei n° 9.433/1997, que instituiu a Política Nacional de Recursos Hídricos, definiu o Sistema de Informações sobre Recursos Hídricos como um de seus instrumentos. De acordo com esta Lei, é um sistema de coleta, tratamento, armazenamento e recuperação de informações sobre recursos hídricos e fatores intervenientes em sua gestão, sendo que os dados gerados pelos órgãos integrantes do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos serão incorporados ao Sistema Nacional de Informações sobre Recursos Hídricos.
Conforme Câmara (2006), um sistema de informação geográfica é capaz de armazenar tanto os atributos descritivos como as geometrias dos diferentes tipos de dados geográficos. Isso possibilita inserir e integrar, numa única base de dados, informações espaciais provenientes de diversos fontes, bem como, oferece mecanismos para combinar essas informações através de algoritmos de manipulação e análise, possibilita realizar consultas (como de pertencimento e vizinhança), recuperar e visualizar o conteúdo da base de dados geográficos.
De maneira sintética, pode-se indicar que a PROFILL utilizará um Sistema de Informações Geográficas de modo a: coletar, estruturar, gerenciar, consultar e analisar as informações georreferenciadas a serem utilizadas no presente Plano, com o objetivo de facilitar e agilizar o desenvolvimento dos estudos relativos ao planejamento e à gestão dos recursos hídricos. Este Sistema será compatível com a plataforma ArcGis que se constitui em sistema fornecido pela ESRI que integra diversas soluções de análise espacial.
Na estrutura vetorial, o formato shapefile, nativo do sistema ArcGis possibilita, através do mencionado programa, uma ampla gama de transformações de formato. Quanto aos arquivos em estrutura raster, também há ampla trafegabilidade. É importante salientar que a estrutura GeoDatabase, presente no ArcGis, possibilita a articulação de arquivos vetoriais, raster, TIN e o banco de dados numa estrutura funcional única. Pretende-se utilizar o sistema de informações geográficas na melhor escala de cartografia disponível sendo adotada, sempre que possível, a escala 1:25.000 para
elaboração dos trabalhos temáticos (mapas) de hidrologia, balanço hídrico e uso e ocupação do solo. A base cartográfica será estruturada de forma a obter uma cobertura contínua para cada tema, permitindo a agregação por unidade de gestão, por estado e por unidades físicas de planejamento e pontos de controle.
O banco de dados do PIRH-PS reunirá uma ampla gama de informações importantes e espacializadas sobre a Região Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul, gerando uma base de dados espacial e de atributos que poderá servir a vários propósitos futuramente, além de fazer parte do sistema de apoio à gestão.
Cabe ressaltar que, as informações coletadas geralmente são obtidas de várias fontes, escalas e sistemas de projeção diferentes. Desta forma, antes de serem utilizadas e estruturado o Banco de Dados, serão padronizadas as informações geográficas. A padronização começará com a definição do formato dos dados e a definição do sistema de referência. A seguir são descritas as atividades e as propostas para organização do banco de dados do PIRH-PS e dos PARHs:
Tendo em vista a condição amplamente favorável existente, da Bacia do Rio Paraíba do Sul contar com o SIGA-CEIVAP, todas as informações relativas a SIG e Banco de dados deverão ser compatibilizadas a esta plataforma. As novas informações geradas deverão, portanto, ser implementadas no banco de dados do SIGA-CEIVAP de modo que ao final do PIRH-PS o mesmo esteja atualizado e completo com o estado da arte das informações geoespaciais.
Coleta de Dados
Por se tratar de uma complementação de Plano, a Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul já conta com uma ampla gama de informações espacializadas disponível. A compilação de dados geoespaciais terá como fonte inicial o banco de dados geoespaciais elaborado pela empresa COHIDRO durante a vigência do contrato nº 21/2012 e repassado para a PROFILL em 17 de janeiro de 2018, pela AGEVAP. Segundo informado no relatório, este Banco foi estruturado sobre o Sistema Gerenciador de Banco de Dados Objeto Relacional (SGBDOR) PostgreSQL,
versão 9.5, associado ao PostGIS, versão 2.2, que é uma extensão que confere ao PostgreSQL a capacidade de gestão de dados geoespaciais, assim como um conjunto completo de funções de geoprocessamento, tratamento de dados vetoriais, matriciais e modelos numéricos de terreno, análise de dados e exportação para diversos formatos. O Banco encontra-se organizado em 16 esquemas, onde os doze primeiros agrupam dados e objetos referentes aos horizontes (2018, 2023, 2028, 2033) de cada um dos cenários (otimista, pessimista e tendencial) estudados na fase de Prognóstico do Plano. Estes dados serão convertidos para o formato GeoDatabase e divididos em
Datasets (que possuem características e funções semelhantes aos esquemas
utilizados pela COHIDRO).
Além dos dados coletados durante a vigência do contrato nº 21/2012, serão buscadas bases complementares, visando caracterizar de forma discretizada as unidades de análise adotadas no presente estudo.
Padronização do Datum e da Projeção Cartográfica
Os dados secundários coletados nesta etapa do Plano, serão verificados quanto ao sistema de coordenadas e, caso seja necessário, serão reprojetados, quando for o caso, para um sistema único.
Como a Região Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul está compreendida entre as Zonas UTM 23 e 24, será utilizado o Sistema de Coordenadas Geográficas no Sistema de Referência Geodésico SIRGAS2000 (conforme determinação do IBGE, pela Resolução da Presidência 1/2005, a qual estabelece o Sistema de Referência Geocêntrico para as Américas (SIRGAS), em sua realização de 2000, 4 (SIRGAS2000), como novo sistema de referência geodésico para o Sistema Geodésico Brasileiro (SGB) e para o Sistema Cartográfico Nacional (SCN). Considerando que o Sistema de Coordenadas Geográficas não é adequado para medição de áreas, quando forem calculadas áreas, será utilizado a Projeção Cônica Equivalente de Albers, conforme recomendações do IBGE e que já foi utilizada pela COHIDRO nas etapas realizadas até o momento.
Correção de Erros Topológicos
Uma das características dos SIG é a capacidade de armazenar relações entre objetos, como vizinhança, proximidade e pertinência. Estes relacionamentos são fundamentais para possibilitar a realização de diversos tipos de operações de análise espacial.
As feições geométricas (ponto, linha e polígono) utilizadas para representação dos elementos estabelecem as relações espaciais entre os elementos geográficos, ou seja, relações espaciais existentes entre si e entre os outros elementos, denominadas relações topológicas. Conforme Francisco (2014), a topologia permite estabelecer as seguintes relações entre os elementos:
1. Pertinência / Contingência: os arcos definem os limites dos polígonos fechados delimitando uma área;
2. Conectividade: os arcos são conectados com outros a partir de nós, permitindo a identificação de rotas e de redes, como rios e estradas; 3. Contiguidade: os arcos comuns definem a adjacência entre polígonos.
Visando dar consistência e confiabilidade aos dados que serão inseridos no banco, serão aplicadas regras de topologia para identificar a ocorrência de sobreposição, problemas de continuidade, entre outros. Caso seja identificado algum erro topológico nas bases coletadas, será feita a correção.
Adequação dos Dados ao Recorte Espacial da Bacia
Os dados de fontes secundárias oficiais, em geral, são disponibilizados para um determinado recorte político, como limite municipal ou estadual, assim quando forem coletados dados que extrapolem o limite da Bacia, será feito recorte pelo limite da mesma, de forma a possuir uma uniformidade quanto ao limite da informação.
O produto deste trabalho corresponderá a uma base de dados de acesso local, contendo informações tabulares e espaciais de interesse do Plano, que serão
definidas e complementadas durante o andamento do projeto, conforme procedimentos listados acima. Esses dados serão organizados de forma que seja possível sua visualização na forma de mapas temáticos e tabelas alinhadas com o SIGA-CEIVAP.
A Base Digital de Dados Geográficos será entregue no formato Geodatabase, no qual podem ser inseridos arquivos vetoriais, matriciais e tabulares. Juntamente com a base digital, será entregue um Dicionário da Base de Dados Geográficos, que consiste em planilha descritiva contendo o nome de cada arquivo, tipo do arquivo e respectiva extensão, com uma breve descrição de sua origem ou fonte e qualquer outro tipo de informação como escala, resolução, datum, sistema de coordenadas e os respectivos programas compatíveis para executá-los.
Ao final da Etapa I, será apresentado um banco de dados preliminar contendo as especificações do item 9 e 11.2.3 do TR.