O Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB)68 funcionou de forma efi ciente e segura no segundo semestre de 2013. As análises de backtesting, periodicamente realizadas para os sistemas de compensação e de liquidação de transações com títulos, valores mobiliários, derivativos e moeda estrangeira, nos quais há uma entidade atuando como contraparte central (CPC), apresentaram resultados satisfatórios ao longo do semestre. No que tange às garantias exigidas nesses sistemas, não foi observada defi ciência de cobertura do risco de crédito apresentado pelos participantes. Os cenários utilizados para o cálculo de margem foram satisfatórios, quando comparados às variações dos fatores de risco efetivamente ocorridas no mercado.
Nos sistemas de transferência de fundos, a liquidez intradia agregada disponível continuou acima das necessidades das instituições fi nanceiras participantes, o que garante que as liquidações ocorram com tranquilidade, sobretudo no que diz respeito ao Sistema de Transferência de Reservas (STR).
3.1 Desempenho dos sistemas de
transferência de fundos
Durante o segundo semestre de 2013, o funcionamento do STR foi normal, apresentando, ao fi nal do período, índice de disponibilidade de 99,9%, dentro da meta regulamentar estabelecida para sistemas desse tipo, de, no mínimo, 99,8% de disponibilidade.
Com relação à quantidade de transações (gráfi co 3.1.1), o principal período de concentração se manteve entre 16h e 17h30, representando 28,4% do giro nesse semestre.
68/ O SPB compreende os sistemas de transferência de fundos e de compensação e de liquidação de transações com títulos, valores mobiliários, derivativos e moedas estrangeiras.
No segundo semestre de 2013, os títulos públicos permaneceram como a principal fonte de liquidez intradia do sistema (gráfi co 3.1.2). Em média, a necessidade de liquidez intradia agregada do sistema foi de 2,1% da liquidez intradia disponível.
0 200 400 600 800 1.000 Jan
2013 Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez
R$ bilhões
Títulos vinculados ao compulsório Títulos livres
Compulsórios Reservas início de dia Necessidade efetiva de liquidez
Gráfico 3.1.2 – Necessidade de liquidez intradia
0 20 40 60 80 100 0 3 6 9 12 15 6:30 8:00 9:30 11:00 12:30 14:00 15:30 17:00 18:30 20:00 % acumulado %
Faixa: média +/- desvio padrão Percentual médio
Percentual médio acumulado
Gráfico 3.1.1 – STR
Não houve alterações signifi cativas na distribuição da necessidade efetiva de liquidez intradia (tabela 3.1.1) entre o primeiro e o segundo semestre de 2013. Com 110 das 130 instituições fi nanceiras na faixa de baixo percentual de necessidade de liquidez (inferior a 20%), dezessete na faixa de percentual intermediário de necessidade de liquidez (entre 20% e 80% do potencial) e três com necessidade de liquidez acima de 80% do potencial, mas representando 0,2% dos pagamentos totais efetuados, o cenário de distribuição de liquidez permanece confortável para garantir a fl uidez dos pagamentos. O volume e a distribuição de liquidez foram adequados para garantir a liquidação das ordens de transferência de fundos, não havendo ocorrência de travamento de pagamentos (gridlock) no período considerado.
Os demais sistemas de transferência de fundos69 também apresentaram funcionamento normal.
3.2 Desempenho dos sistemas de
compensação e de liquidação
de títulos, valores mobiliários,
derivativos e câmbio
Nas análises de backtesting da Câmara de Ações da BM&FBovespa (BM&FBovespa – Ações) (gráfico 3.2.1) e da Câmara de Derivativos da BM&FBovespa (BM&FBovespa – Derivativos) (gráfi co 3.2.2), o valor
69/ O Comunicado nº 25.164, de 23 de janeiro de 2014, relaciona os sistemas de transferência de fundos do SPB, identifi cados como sistemas de pagamento
máximo de risco fi nanceiro líquido (RFL)70 encontrado para os dois participantes mais críticos representaram, respectivamente, 5,5% e 10,3% das salvaguardas adicionais disponíveis (por exemplo, fundos mutualizados).
Para a Câmara de Câmbio da BM&FBovespa (BM&FBovespa – Câmbio), o valor do RFL foi nulo em todo o período, visto que as garantias individuais foram sufi cientes para cobrir as exposições geradas pelos participantes (gráfi co 3.2.3). Com relação ao risco de liquidez em reais, houve quatro dias em que as linhas de liquidez contratadas pela BM&FBovespa não seriam sufi cientes para converter as garantias em reais e cobrir a inadimplência simultânea dos dois maiores devedores (gráfico 3.2.4), apesar de o montante das garantias depositadas suportarem o risco de crédito.
70/ O RFL representa o custo em que a câmara incorreria para encerrar a carteira de um determinado participante, caso se tornasse inadimplente, subtraído do total de garantias por ele constituídas, com base nas variações reais dos preços dos ativos. Representa, pois, a parcela de exposição ao risco que não é coberta pelas garantias individuais do participante. Para cada dia, são considerados os dois participantes aos quais a câmara é mais exposta, isto é, os dois participantes que apresentarem maior valor de RFL.
Tabela 3.1.1 – STR
Necessidade efetiva de liquidez
Percentual da necessidade efetiva de liquidez em relação à
disponibilidade total de liquidez Nº de IF %1/ Nº de IF %1/
De 0 a 10% 99 92,4 97 90,7 De 10 a 20% 14 2,8 13 4,4 De 20 a 30% 6 1,2 6 1,5 De 30 a 40% 4 0,9 4 1,5 De 40 a 50% 2 0,7 3 0,9 De 50 a 60% 2 0,6 2 0,4 De 60 a 70% 2 0,8 1 0,4 De 70 a 80% 1 0,4 1 0,1 De 80 a 90% 1 0,2 1 0,1 De 90 a 100% 2 0,2 2 0,1 Total 133 100,0 130 100,0
1/ Participação percentual dos pagamentos efetuados pelas instituições que se enquadram na classe em relação ao giro financeiro total.
2013 1º semestre 2º semestre 0 600 1 200 1 800 2 400 3 000 0 100 200 300 400 500 1.7 2013 23.7 13.8 2.8 23.8 13.9 4.10 25.10 18.11 10.12
Risco financeiro líquido Risco financeiro
RF (R$ milhões) RFL (R$ milhões)
Fontes: BM&FBovespa e BCB
Gráfico 3.2.2 – BM&FBovespa – Câmara de derivativos
Risco financeiro e risco financeiro líquido
0 2.500 5.000 7.500 10.000 12.500 0 200 400 600 800 1.000 1.7 2013 24.7 15.8 6.9 30.9 22.10 13.11 9.12
Risco financeiro líquido Risco financeiro
RF (R$ milhões) RFL (R$ milhões)
Fontes: BM&FBovespa e BCB
Gráfico 3.2.1 – BM&FBovespa – Câmara de ações
As garantias depositadas na BM&FBovespa – Ações (tabela 3.2.1) foram compostas, majoritariamente, por ações e títulos públicos federais, enquanto as depositadas na BM&FBovespa – Derivativos (tabela 3.2.2) foram compostas, majoritariamente, por títulos públicos federais. A totalidade das garantias depositadas na BM&FBovespa – Câmbio foi composta por títulos públicos federais e dinheiro, em moeda nacional e estrangeira.
No segundo semestre de 2013, as variações acumuladas de dois dias nos principais fatores primitivos de risco (FPR), utilizados pela BM&FBovespa – Derivativos para cálculo de garantias, mantiveram-se dentro dos limites estabelecidos em seus cenários de estresse (tabela 3.2.3).
A acurácia71 do modelo de risco utilizado pela BM&FBovespa – Derivativos na determinação dos níveis de garantia individuais dos seus participantes permaneceu acima dos 99% (gráfico 3.2.5) recomendados pelos Princípios para Infraestruturas do Mercado Financeiro.
71/ O nível de acurácia é defi nido como a proporção de acertos de um modelo de gerenciamento de riscos em um determinado período de tempo. No caso de câmara de liquidação atuando como contraparte central (CPC), o nível de acurácia é dado, simplifi cadamente, pelo número de vezes em que as garantias requeridas dos participantes foram superiores ao risco de fato incorrido pela CPC, dividido pelo número total de participantes que tiveram sua exposição ao risco verifi cada, em um determinado período de tempo. 0,00 0,40 0,80 1,20 1,60 2,00 0,00 0,04 0,08 0,12 0,16 0,20 1.7 2013 18.7 6.8 23.8 11.9 30.9 17.10 5.11 25.11 12.12
Risco financeiro líquido Risco financeiro
RF (R$ milhões) RFL (R$ milhões)
Fontes: BM&FBovespa e BCB
Gráfico 3.2.3 – BM&FBovespa – Câmara de câmbio
Risco financeiro e risco financeiro líquido
0 80 160 240 320 400 1.7 2013 19.7 7.8 26.8 13.9 2.10 22.10 8.11 2.12 19.12
Falha de um membro da câmara Falha de dois membros da câmara
Gráfico 3.2.4 – BM&FBovespa – Câmara de câmbio
Deficit de liquidez
R$ milhões
Fontes: BM&FBovespa e BCB
Tabela 3.2.1 – BM&FBovespa – Câmara de ações
Garantias por tipo de ativo1/
%
Jul Ago Set Out Nov Dez
Ações 49,3 52,2 54,0 54,5 52,1 53,5 Título público 46,8 43,4 41,8 41,2 43,6 42,5 Título internacional 1,4 1,9 1,8 1,9 2,2 2,0 CFI2/ 1,4 1,5 1,4 1,4 1,3 1,3 CDB3/ 0,4 0,4 0,4 0,3 0,3 0,3 Dinheiro 0,4 0,5 0,5 0,6 0,4 0,4 Outros 0,2 0,1 0,1 0,1 0,1 0,1 Fontes: BM&FBovespa e BCB
1/ Consideram-se apenas garantias vinculadas. 2/ Carta de fiança interbancária.
3/ Certificado de depósito bancário.
2013 Discriminação
Tabela 3.2.2 – BM&FBovespa – Câmara de derivativos
Garantias por tipo de ativo
%
Jul Ago Set Out Nov Dez
Tít. públicos federais 93,5 93,1 93,3 92,6 93,0 93,1 Cartas fiança 2,1 2,3 2,2 2,4 2,4 2,3 CDB 1,0 1,1 0,9 1,2 0,9 0,9 Ações 2,8 2,9 2,9 3,1 3,1 3,1 Ouro 0,1 0,1 0,0 0,0 0,0 0,0 Dinheiro 0,5 0,5 0,5 0,6 0,4 0,5 Outros 0,1 0,1 0,1 0,1 0,1 0,1 Fontes: BM&FBovespa e BCB 2013 Discriminação
Tabela 3.2.3 – BM&FBovespa – Câmara de derivativos
Fatores primitivos de risco (FPR)
% Mín1/ Máx1/ N2/ Confiança do VaR3/ Ibovespa a vista -28 30 0 99 Dólar a vista -39 28 0 99 Pré 42 -4 17 0 99 Pré 126 -12 29 0 99 Pré 252 -16 28 0 99 Pré 756 -28 23 0 99 DDI4/ 180 -13 10 0 99 DDI 360 -9 12 0 99 DDI 1080 -15 12 0 99 Fontes: BM&FBovespa e BCB 1/ Segundo semestre de 2013.
2/ N é o número de exceções observadas na amostra de tamanho T. 3/ Teste de Kupiec, T = 255 dias.
4/ Cupom cambial.
99,0 99,2 99,4 99,6 99,8 100,0 1.7 2013 1.8 2.9 2.10 1.11 5.12
Gráfico 3.2.5 – BM&FBovespa – Câmara de derivativos
Acurácia do cálculo do risco de crédito1/
1/ Estimativas de acurácia do modelo de cálculo de garantias individuais, Fontes: BM&FBovespa e BCB
realizadas com janela móvel dos últimos três meses (63 dias).
%
No segundo semestre de 2013, foram realizadas no Sistema Central de Cessões de Crédito – C3, 281 operações de cessão, envolvendo 3.314.192 contratos e 162.857.211 parcelas num montante fi nanceiro de R$ 22,1 bilhões. Em comparação com o primeiro semestre de 2013, trata-se de uma redução de 6% em termos de quantidade de cessões e de uma queda de 16% em termos de valor fi nanceiro.
Tabela 3.2.4 – Visão geral do Sistema de Pagamentos Brasileiro: 2º semestre de 2013
Principais operações Giro – Valor Giro – Quantidade Forma de Poder de Economia Contraparte liquidadas Média diária Média diária liquidação compensação de liquidez central
R$ bilhões Mil operações Média diária
R$ bilhões Sistemas de
Trans-ferência de Fundos
STR Selic, câmaras, TED1/ e outros pagamentos
críticos2/ 916,4 127,5 LBTR - -
CIP-Sitraf TED1/ 14,2 758,4 Híbrido - -
CIP-Siloc Boleto de pagamento3/, cartão de pagamento4/ e DOC 12,2 20972,4 LDL 84,3 10,3 Compe Cheque5/ 4,5 3447,6 LDL 92,3 4,1 -Sistemas de com-pensação e liquida-ção de ativos
Selic Títulos públicos
federais 802,0 6,6 LBTR - - Não
BM&FBovespa –
derivativos Mercadorias, futuros,
opções e swaps 3,0 127,4 LDL 0,8 2,3 Sim
BM&FBovespa –
câmbio Câmbio interbancário 3,6 0,1 LDL 0,5 1,6 Sim
BM&FBovespa – Títulos públicos
ativos federais 0,0 0,0 LDL 0,0 0,0 Sim
BM&FBovespa – Ações e outros títulos priv. 0,1 0,01 LBTR - - Não
ações 7,1 863,0 LDL 0,9 6,5 Sim
Cetip Títulos privados, títulos
estaduais e municipais 21,9 2,8 LBTR - - Não
e swaps 14,4 3,0 LDL 0,3 4,4 Não
CIP-C3 Cessão de crédito 0,2 0,0 LBTR - - Não
1/ Transferência eletrônica disponível que envolve cliente e por conta de IF.
2/ Incluída a liquidação bilateral de cheques de valor unitário igual ou superior a R$250 mil e de boletos de pagamentos com valor unitário igual ou superior a R$250 mil.
3/ CIP-Siloc liquida boletos de pagamento de valor unitário menor que R$250 mil. 4/ CIP-Siloc liquida alguns cartões de pagamento.
5/ Compe liquida cheques de valor unitário menor que R$250 mil.
A Lei nº 12.810, de 15 de maio de 2013, defi niu, em seus artigos de 22 a 28, a atividade de depósito centralizado e de registro de ativos fi nanceiros e de valores mobiliários e estabeleceu competência para o Banco Central do Brasil (BCB) e para a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), nas suas respectivas áreas de competência, de autorizar, supervisionar e estabelecer condições para o exercício dessas atividades.
A crise econômica iniciada em 2008 deu destaque, internacionalmente, ao papel das “infraestruturas do mercado fi nanceiro” na manutenção da estabilidade financeira dos países. Tal expressão denomina um amplo conjunto de entidades que realizam atividades relacionadas à transferência de fundos, ao gerenciamento de riscos, à compensação e à liquidação, incluindo a atividade de registro e de depósito centralizado de ativos financeiros e de