ORIGEM, EVOLUÇÃO E ATUALIDADE DA MARCA DE CERTIFICAÇÃO: SITUAÇÃO NO DIREITO COMPARADO
OUTROS ELEMENTOS CARACTERÍSTICOS DA MARCA DE CERTIFICAÇÃO Elementos Valorados
2.2 SISTEMA DE PROTEÇÃO E INTERESSE PROTEGIDO
A proteção jurídica outorgada à Marca de Certificação ou de Garantia nos países em estudo inclui-se no marco geral do regime da Marca Ordinária,102 com delineamentos especialmente interessantes que denotam a visão particular do legislador ao proteger a referida instituição.
Neste sentido, a Marca de Certificação é vista por países de Common Law como um sinal distintivo com identidade própria e autonomia frente a qualquer outra categoria de sinal, o que se vê reforçado pelo amplo estatuto jurídico desenvolvido para a proteção da Marca de Certificação por parte do legislador na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos.103
Mais particularmente em relação ao interesse protegido pela Marca de Certificação, a Grã-Bretanha não buscava, em um primeiro momento, proteger os consumidores, pois objetivava simbolizar e promover os interesses coletivos de determinados fabricantes e comerciantes - os produtores escoceses de lá.104 Mas na Lei de marcas de 1938, ao introduzir a figura jurídica de forma expressa, estabelece como pressuposto para o registro a mesma a necessidade de que o solicitante comprove perante a Board of Trade a vantagem pública que seu registro traz consigo.
Com a consagração de tal pressuposto nota-se a importância do interesse protegido por estas marcas de natureza coletiva para o momento. Por isto a Delegação da Grã-Bretanha, durante a celebração da Reunião para a Revisão da Conferência de Washington da CUP, manifestou-se no sentido de considerar como inaceitável o artigo 7bis proposto, visto que a lei nacional inglesa continha exigências que visavam o registro de marcas de natureza coletiva de acordo com certas regras e condições, sendo a mais importante: que em cada caso se demonstrará que tal registro operava em prol do interesse público, o qual só poderia ser reconhecido pela autoridade nacional competente para apreciar o cumprimento ou não de tal
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La doctrina española entiende que el concepto legal de marca fijado en el Art. 4.1 LME 17/2001, -“Se entiende por marca todo signo susceptible de representación gráfica que sirva para distinguir en el mercado los productos o servicios de una empresa de los de otras. […]”-, se corresponde con el tipo de Marca
Ordinaria. Vid. OTERO LASTRE, José Manuel. La definición de la marca en la nueva ley española de
marca. In: Actas de Derecho Industrial y Derecho de Autor, t. XXII, año 2001. p. 209. –la negrita es nuestra-
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En estos países donde no se permite que el fabricante certifique sus propios productos, instituciones como la Marca de Certificación cobran particular importancia en cuanto instrumento que certifica productos o servicios de una forma totalmente transparente e independiente. Vid. BELSON, Jeffrey. op. cit., 2002a. p. 342.
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condição, em cada país.105
No que tange ao interesse protegido pela marca no sistema americano, este geralmente corresponde diretamente à finalidade que o sinal satisfaz: evitar o engano ou que se possa induzir o público ao erro com tal sinal distintivo em produtos ou serviços que a portam.106
Na Decisão Andina, a consagração da proteção da Marca de Certificação se introduz por um título separado, a qual observamos como uma dupla inovação. Por um lado, a proteção por si mesma, já que pela primeira vez se reconhece no marco da Comunidade Andina tal instituição jurídica; e por outro lado, que a mesma se introduz mediante um regime jurídico independente, reconhecida e protegida, em princípio, como uma categoria de marca com suficiente identidade e autonomia. Ainda assim, é difícil fundamentar em algum pressuposto legal a intenção do legislador andino em relação ao interesse que se pretende proteger com tal instituição.
No CPIIT 273/2005 e no CPIF adota-se a Marca de Certificação como uma Marca Coletiva, ou um subtipo de Marca Coletiva de certificação, respectivamente. Estes países estruturam o regime de proteção no estatuto geral estabelecido para as marcas coletivas, sendo que o interesse acusado na França com a proteção desta categoria de marca sempre foi garantir ao consumidor a natureza ou a qualidade dos produtos ou serviços em prol do interesse geral.107
Caracteristicamente, o interesse geral protegido pela Marca Coletiva na Itália observa- se na exigência do exercício de certo controle sobre o uso da marca por parte do titular, que como administrador de um serviço e desaparecendo qualquer diferença entre as marcas coletivas e as marcas de certificação, mantém-se a possibilidade de aplicação das normas de
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Vid. UNION INTERNATIONALE POUR LA PROTECTION DE LA PROPRIETE INDUSTRIELLE. op. cit, 1911. p. 107, 199, 304.
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El interés en la identificación de la fuente de procedencia de los bienes y servicios ofrecidos en el mercado es tutelado en sí mismo, como expresión de liberad de elección, prescindiendo de toda consideración sobre su calidad. Sin embargo el ordenamiento tutela igualmente el interés de la empresa que puede verse perjudicada y el de los consumidores que pueden caer en un equívoco; la tutela es oportunamente ‘anticipada’ al momento del peligro sin tener que esperar a la verificación del daño. Vid. CHIDINI, Gustavo. Aspectos actuales del
Derecho industrial. Propiedad intelectual y competencia. Traducido al español por Vanesa Martí Moya.
Granada: Comares, 2002 p. 104-105. 107
La Marca Colectiva de Certificación ejerce una función de garantía en “interés general”. Vid. BERTRAND, André R. Les marques collectives simples et de certification et les marques syndicales In: Le droit des
marques, des signes distinctifs et des noms de domaine. Droit Français, droit communautaire et droit international. Paris: Cedat, 2002. p. 188; En este mismo sentido, vid. PLAISANT, op. cit., p. 223;
MATHÉLY, Paul. op. cit., 1990. p. 243; BOUCOURECHLIEV, Jeanne. Presentation de la marque collective. In: Centre Paul Roubier. La Marque Collective. París: Librerías Técnicas, 1979. p. 2 1 - 2 3 .
concorrência quando o uso da marca seja contrário à função especificamente encomendada à Marca Coletiva.108
Por fim, no sistema adotado pela LME 17/2001 e pela LPIB 9.279/96, o regime jurídico da Marca de Garantia ou de Certificação, respectivamente, é parcialmente compartilhado com o regime consagrado para as Marcas Coletivas, regulamentando separadamente as características essenciais das mesmas, além de algumas outras normas comuns que devem ser observadas ao passo em que o uso das mesmas seja realizado por uma pluralidade de sujeitos, sendo que a Marca de Garantia é preservada enquanto a mesma tutela interesses de ordem geral.109 E no Brasil, segundo estabelece a própria Constituição, a Marca de Certificação enquanto sinal distintivo responde aos interesses da ordem social que com a mesma se protegem.110