4 A COOPERATIVA AGROPECUÁRIA CASTROLANDA
4.3 SISTEMA DE RASTREABILIDADE E CERTIFICAÇÃO
Em 2001, a Cooperativa Castrolanda implantou o sistema de rastreabilidade e
certificação da soja não geneticamente modificada (não-GM). A proposta
encaminhada pela Gerência de Projetos e Novos Negócios foi aceita em Assembléia e
adotada por todos os cooperados, em função das expectativas criadas com a obtenção
de preços diferenciados junto a cooperativas européias e às próprias traders que
acenavam com a possibilidade de ganhos de até US$ 12/ton.
A empresa escolhida para a implantação do sistema de rastreabilidade e a sua
certificação foi a SGS do Brasil que atua no mercado brasileiro desde 1938, na
inspeção e certificação em diversos segmentos: produtos agrícolas e alimentos in
natura, custódia de mercadorias, alimentos processados, serviços para o meio
ambiente, serviços para governos e instituições, bens industriais, minérios e produtos
metalúrgicos, petróleo, petroquímicos e produtos químicos.
A certificadora SGS, que diz controlar cerca de 80% do mercado brasileiro de
certificação de soja não-GM, tem como principais clientes, Cargill, ADM, Coimbra, e
Bunge. A estimativa da SGS é de que em 2006 tenha certificado como não-GM: 5% da
produção da soja do Paraná (5 milhões de ton.); 20% do Estado de Goiás (1,2 milhões
de ton.; 60% do Mato Grosso (9,6 milhões de ton.); e 100% da Bahia (2 milhões de
ton.) (MORAWSKI e ZWIR, 2006).
4.3.1 Caracterização do Sistema
Com um grau de tolerância de 0,01%, o sistema de rastreabilidade, implantado
pela Cooperativa Castrolanda apresenta quatro estágios, conforme descrito na figura 3
em anexo: 1) controle da semente; 2) inspeção de campo; 3) recebimento nas unidades
de armazenamento e 4) beneficiamento e supervisão de embarque.
4.3.1.1 Controle das sementes
Esta etapa procura identificar a presença de variedade de soja transgênica com
a finalidade de evitar a contaminação dos campos de produção, de modo a garantir a
produção de soja não-GM. As etapas desse estágio são:
• amostragem de acordo com as normas ISO;
• contra provas armazenadas por 90 dias;
• análise de transgenia pelo método Polimerase Chain Reaction (PCR);
• registro de todas as operações.
4.3.1.2 Inspeção de campo
A segunda fase do sistema procura garantir que nenhuma variedade de soja
transgênica esteja sendo cultivada pelos produtores de modo a evitar a contaminação
com variedades de outra origem. As etapas desse estágio são:
• amostragem durante o período vegetativo;
• visitas com técnico da cooperativa e auditor;
• teste das folhas com SDI-Trait.
4.3.1.3 Recebimento nas unidades de beneficiamento e armazenagem
A penúltima fase do sistema visa garantir que nenhum veículo contendo soja
transgênica seja descarregado nas unidades de recebimento, evitando assim a
contaminação e garantindo a integridade do programa. As etapas desse estágio são:
• amostragem de todos os veículos;
• contra-provas armazenadas por 90 dias;
• garantia de segregação: a cada 5.000 toneladas realiza-se um teste de
PCR;
• registro e relatório de todos os veículos.
4.3.1.4 Surpevisão do embarque
Última fase do sistema. Esta etapa procura garantir que nenhuma
contaminação possa ocorrer nos veículos durante o embarque e entrega do produto. As
etapas desse estágio são:
• inspeção visual em todos os veículos;
• registro de inspeção;
• auditorias mensais dos registros.
Durante o processo a certificadora atua garantindo que todas as fases sejam
cumpridas e auditadas, de modo que ao final seja emitido um certificado de
rastreabilidade do produto com validade internacional.
4.3.2 Pontos Críticos de Controle do Sistema
A gerência agrícola da cooperativa identifica três pontos críticos no sistema de
rastreabilidade da cooperativa: 1) os falsos positivos dos testes de transgenia; 2) o
transporte rodoviário da safra agrícola da cooperativa e 3) e o escoamento da safra
pelo Porto de Paranaguá
26.
O primeiro ponto crítico é considerado de baixa relevância, uma vez que as
contra-provas garantem uma margem de segurança considerada satisfatória. O segundo
ponto crítico seria o de maior relevância uma vez que o transporte da safra da
cooperativa é realizado por empresas terceirizadas que transportam as cargas de outros
produtores de soja que adotam cada vez mais o cultivo de soja GM (geneticamente
modificada). Apesar de os caminhões transportarem carregamentos fechados, a
probabilidade da existência de resíduos de outros carregamentos é elevada, mesmo
26 A visualização dos pontos críticos no fluxograma do sistema de rastreabilidade da cooperativa