3.4 Experimento com doses de cálcio
4.1.7 Sistema radicular
Apesar da importância que as raízes exercem na produção e na persistência das pastagens, as informações disponíveis na literatura a respeito da produção de biomassa e aspectos morfológicos do sistema radicular são escassas, e as poucas informações sobre o efeito do manejo no ambiente em que as raízes se desenvolvem, às vezes são controversas (CECATO et al., 2004).
4.1.7.1 Massa seca
A interação entre as doses de nitrogênio e de cálcio na solução nutritiva foi significativa para a produção de massa seca do sistema radicular do capim-Tanzânia, com ajustes dos resultados a modelo polinomial. A dose de nitrogênio que proporcionaria o valor máximo da produção de massa seca de raízes excederia as doses empregadas desse nutriente (30 mmol L-1)
associada à dose de cálcio. Apenas doses de cálcio inferiores a 1,75 mmol L-1 não permitiram alcançar o maior patamar na produção de massa seca do sistema radicular (Figura 38).
Figura 38 – Produção de massa seca das raízes do capim-Tanzânia, em função das combinações de doses de nitrogênio e de cálcio
Para o capim-Mombaça, a dose de nitrogênio de 33,36 mmol L-1 na solução nutritiva foi responsável pela produção máxima de massa seca das raízes (LAVRES JUNIOR; MONTEIRO, 2002). Manarin e Monteiro (2002) verificaram que, para esse mesmo capim, a dose de nitrogênio que proporcionaria a maximização da produção de massa seca das raízes ultrapassaria a dose de nitrogênio de 33 mmol L-1 (a maior estudada no experimento).
Colozza (1998), avaliando os capins Mombaça e Aruana submetidos a doses de nitrogênio, constatou que a produção de massa seca das raízes variou positivamente com as doses de nitrogênio e o valor máximo obtido dessa produção foi obtido com o emprego da dose de nitrogênio de 224 e de 262 mg kg-1, para os respectivos capins.
Trabalhando com capim-Aruana submetido a doses de nitrogênio, Lavres Junior et al.
(2004) verificaram que a produção máxima de massa seca radicular foi obtida na dose de nitrogênio de 23,86 mmol L-1 na solução nutritiva.
0,50 1,75 3,00 4,25 5,50 2 9 16 23 30
Massa seca das raízes (g/vaso)
Cálcio
Batista (2002) verificou que a massa seca das raízes respondeu às doses de nitrogênio e a dose desse nutriente que corresponderia à produção máxima das raízes seria mais elevada que a máxima de 33 mmol L-1 empregada no experimento com capim-Marandu.
Avaliando doses de nitrogênio e de enxofre na recuperação de pastagem de capim-Braquiária em degradação, Bomfim-da-Silva (2005) encontrou efeitos das doses de nitrogênio na produção de massa seca de raízes do capim, com ajuste dos resultados a modelo quadrático de regressão e ponto de máxima produção obtido na dose de nitrogênio de 275 mg kg-1.
Premazzi e Monteiro (2002), ao estudarem doses e épocas de aplicação de nitrogênio após o corte na produção de massa seca de raízes do capim-Tifton 85, constataram que o valor máximo de produção radicular foi obtido com o fornecimento de nitrogênio de 196 mg kg-1 de solo.
Segundo Marschner (1995), o cálcio está envolvido na divisão celular, e o não atendimento das exigências em cálcio nas plantas resulta na inibição da extensão celular, sendo as células radiculares as primeiras a cessarem o crescimento. Fica evidente, no presente trabalho, que o cálcio foi limitante no crescimento das raízes, afetando a produção de massa seca radicular do capim-Tanzânia, quando fornecido em baixíssimas concentrações na solução nutritiva (menos do que 1,75 mmol L-1), na associação de elevadas doses de nitrogênio.
4.1.7.2 Comprimento total e superfície total
O comprimento total e a superfície total do sistema radicular do capim-Tanzânia não tiveram significância para a interação entre as doses de nitrogênio e de cálcio na solução nutritiva. Efeitos significativos apenas das doses de nitrogênio foram observados, com ajuste dos resultados a modelo quadrático de regressão, para ambos os atributos radiculares.
Verificou-se que tanto para o comprimento total e para a superfície total do sistema radicular, a dose de nitrogênio que correspondeu aos valores máximos dessas duas variáveis foi de 27,46 mmol L-1 e de 29,58 mmol L-1, respectivamente (Figuras 39 e 40).
No estudo do comprimento total e da superfície total de raízes do capim-Mombaça submetido a combinações de doses de nitrogênio e de potássio, Lavres Junior e Monteiro (2003) verificaram que para a obtenção dos valores máximos dessas variáveis seria necessário o fornecimento de nitrogênio em doses mais elevadas que a mais alta utilizada no experimento (33 mmol L-1).
Avaliando as respostas do capim-Marandu a combinações de doses de nitrogênio e de enxofre, Batista (2002) verificou que a dose de nitrogênio de 28,54 mmol L-1 foi responsável pelo comprimento máximo total de raízes e nessa dose o comprimento total de raízes foi 88% mais elevado que na dose de nitrogênio de 1 mmol L-1. Também constatou que, para a superfície total do sistema radicular, a dose de nitrogênio de 32,14 mmol L-1 correspondeu ao valor máximo nessa variável.
Figura 39 – Comprimento total das raízes do capim-Tanzânia, em função das doses de nitrogênio
Figura 40 – Superfície total das raízes do capim-Tanzânia, em função das doses de nitrogênio
1300 2300 3300 4300 5300 6300 7300 8300
2 9 16 23 30
Nitrogênio (mmol L-1) Superfície total das raízes (cm2 /vaso)
Y = 909,4771 + 445,2229N - 7,5267N2 R2 = 0,96
200 350 500 650 800 950 1100
2 9 16 23 30
Nitrogênio (mmol L-1) Comprimento total das raízes (m/vaso)
Y = 160,4219 + 60,1203N - 1,0946N2 R2 = 0,93
4.1.7.3 Comprimento específico e superfície específica
A interação entre as doses de nitrogênio e de cálcio não foi significativa para o comprimento e superfície específicos do sistema radicular do capim-Tanzânia. Entretanto, verificou-se efeito significativo em ambos os atributos radiculares para as doses de nitrogênio (Figuras 41 e 42), com ajustes dos resultados a modelo quadrático de regressão, em função do suprimento de nitrogênio na solução nutritiva. A dose de nitrogênio que proporcionou o valor mínimo foi de 25,02 mmol L-1 para o comprimento específico (Figura 41) e de 23,96 mmol L-1 para a superfície específica (Figura 42).
Quando o comprimento específico é alto tem-se a presença de raízes mais finas buscando nutriente em condição de baixa disponibilidade (FITTER, 1996), o que está de acordo com os resultados encontrados neste experimento, pois o maior comprimento específico das raízes do capim-Tanzânia corresponde a mais baixa dose de nitrogênio de 2 mmol L-1 fornecida na solução nutritiva.
Figura 41 – Comprimento específico das raízes do capim-Tanzânia, em função das doses de nitrogênio
40 50 60 70
2 9 16 23 30
Nitrogênio (mmol L-1) Comprimento específico das raízes (m/g)
Y = 73,0940 - 2,4816N + 0,0496N2 R2 = 0,98
Figura 42 – Superfície específica das raízes do capim-Tanzânia, em função das doses de nitrogênio
Para o capim-Mombaça submetido a combinações de doses de nitrogênio e de potássio na solução nutritiva, Lavres Junior e Monteiro (2003) encontraram o valor de mínimo comprimento específico das raízes na dose de nitrogênio de 23,43 mmol L-1 e para o valor de mínima superfície específica a dose de nitrogênio de 20,79 mmol L-1. Essa variação de pequena amplitude (menos de 3 mmol L-1) nas doses necessárias de nitrogênio para proporcionar o mínimo nesses parâmetros radiculares foi semelhante à obtida no presente experimento.
4.1.7.4 Concentração de nitrogênio
A interação entre as doses de nitrogênio e de cálcio foi significativa para a concentração de nitrogênio nas raízes do capim-Tanzânia. A concentração de nitrogênio nas raízes se ajustou a modelo polinomial, e a menor dose de nitrogênio associada à dose de cálcio de 1,75 mmol L-1 proporcionou o valor mínimo de concentração de nitrogênio nas raízes do capim-Tanzânia (Figura 43).
300 350 400 450 500
2 9 16 23 30
Nitrogênio (mmol L-1) Superfície específica das raízes (cm2 /g)
Y = 472,3582 - 12,9282N + 0,2698N2 R2 = 0,98
Figura 43 – Concentração de nitrogênio nas raízes do capim-Tanzânia, em função das combinações de doses de nitrogênio e de cálcio
Respostas lineares na concentração de nitrogênio nas raízes para as doses de nitrogênio foram obtidas por Manarin e Monteiro (2002), no capim-Mombaça submetido a doses de nitrogênio na solução nutritiva. Esses autores verificaram que a concentração de nitrogênio nas raízes dessa gramínea variou entre 8,2 e 18,6 g kg-1, dentro dos limites das doses de nitrogênio estudadas.
Colozza (1998) verificou que a concentração de nitrogênio nas raízes do capim-Aruana e do capim-Mombaça variou significativa e linearmente com as doses de nitrogênio. Essa variação foi de 6,62 a 21,90 g kg-1 para o capim-Aruana e de 6,55 a 19,37 g kg-1 para o capim-Mombaça.
Bonfim-da-Silva (2005), estudando doses de nitrogênio e de enxofre para o capim-Braquiária, relatou que a concentração de nitrogênio nas raízes das plantas que receberam a maior dose de nitrogênio foi 1,44 vezes mais elevada do que a concentração nas raízes das plantas que não receberam adubação nitrogenada.
Batista (2002) constatou que a concentração de nitrogênio nas raízes do capim-Marandu variou de 2,4 a 29,5 g kg-1, tendo essa concentração sido incrementada pelo aumento nas doses de nitrogênio, quando a dose de enxofre foi mantida constante.
0,50 1,75 3,00 4,25 5,50 2 9 16 23 30
4.1.7.5 Concentração de cálcio
Para a concentração de cálcio nas raízes do capim-Tanzânia não se detectou significância para a interação entre as doses de nitrogênio e de cálcio. Efeitos significativos das doses de cálcio foram observados na concentração desse nutriente nas raízes, com ajuste dos resultados a modelo linear de regressão. A concentração de cálcio nas raízes do capim-Tanzânia variou de 1,08 a 2,22 g kg-1, no intervalo de doses de cálcio entre 0,50 e 5,50 mmol L-1 na solução nutritiva (Figura 44).
Loneragan e Snowball (1969), avaliando doses de cálcio de até 1 mmoL L-1 em Azevém (Lolium perenne), verificaram que a variação na concentração de cálcio nas raízes foi de 0,3 a 1,4 g kg-1.
Premazzi (1991), estudando a saturação por bases como critério para recomendação de calagem em cinco forrageiras tropicais, encontrou a variação de 0,7 a 1,2 g kg-1 na concentração de cálcio nas raízes do capim-Colonião.
Trabalhando com capim-Marandu em solução nutritiva, com omissões de macronutrientes, Monteiro et al. (1995) observaram que para o tratamento completo a concentração de cálcio nas raízes foi de 4,6 g kg-1, enquanto no tratamento de omissão de cálcio as raízes apresentaram a concentração de cálcio de 0,8 g kg-1.
Figura 44 – Concentração de cálcio nas raízes do capim-Tanzânia, em função das doses de cálcio
0,5 1,0 1,5 2,0 2,5
0,50 1,75 3,00 4,25 5,50
Cálcio (mmol L-1)
Cálcio nas raízes (g kg-1 ) Y = 0,8443 + 0,2218Ca
R2 = 0,89
4.2 Experimento com doses de cálcio