2.3 Contabilidade de Custos
2.3.6 Sistemas de custeio por processo, ordem e conjunto
Alguns custos não variam muito a cada período, diferentemente da produção que frequentemente varia a cada mês, aumentando ou diminuindo conforme a demanda. Mesmo que uma fábrica produza diversos produtos em seu interior ou vários serviços sejam prestados pela mesma empresa. Isto de certa forma torna-se um problema para os gestores calcularem o custo de um produto ou serviço dentro destas condições, visto que o cálculo depende bastante da natureza do processo envolvido.
2.3.6.1 Sistema de Produção por Processo
O sistema de produção por processo é caracterizado pela acumulação dos custos de produção, em cada uma das etapas do processo contínuo de fabricação de produtos homogêneos. Os custos médios acumulados durante uma etapa são transferidos para as etapas seguintes. As alocações são necessárias somente quando um material ou produto é dividido em dois ou mais subprodutos. O sistema por processo é muito utilizado em empresas de produção padronizada.
De acordo com Costa (2011),
A modelagem de um sistema de custos baseado em objetos e processos proporciona um melhor entendimento dos requisitos do sistema porque está descrito por um conjunto de conceitos baseados em objetos e uma notação gráfica bastante simples. Não obstante, um sistema de gestão de custos por processos, em tempo real, baseado em objetos, seus resultados poderão ser confrontados com outros de diferentes métodos existentes, suas vantagens serão inegavelmente a sua performance imediatista na apresentação de seus resultados e a facilidade pela qual este foi construído.
A contabilidade no sistema de produção por processo é baseada na premissa de que o custo médio é típico das operações de produção e que esse custo é de interesse fundamental para a gerência.
As seguintes características do sistema podem ser destacadas:
1) Os custos, diretos e indiretos, podem ser acumulados nas contas de custo em nível de departamento, setor, processo ou célula, durante um determinado período, sendo no final, transformado em custo do produto;
2) Nos casos em que os produtos são processados em mais de um departamento os custos de um departamento são transferidos para o departamento seguinte de forma que o custo total e o custo unitário vão sendo acumulados até que o produto esteja terminado;
3) A produção, em termos de unidades, quilos, toneladas, é registrada diária, semanal ou mesmo mensalmente, sendo preparado ao final, um demonstrativo dos resultados obtidos;
4) O custo total de cada processo é dividido pelo total da produção, obtendo-se um custo médio por unidade para o período;
5) Se um produto é danificado ou destruído durante o processo de produção em uma determinada fase do processo esse departamento, área, setor ou célula é responsável, devendo absorver esses custos. Como visto, nesse sistema de produção, a classificação por departamento, setor, área, processo ou célula, é fundamental.
Muitos procedimentos no sistema de custeio por processo são semelhantes aos desenvolvidos no sistema de custo por ordem de produção. Em geral, o sistema por processo apresenta a necessidade de algumas contas de controle com a finalidade de receber e registrar as transações. Ex: material direto ou matéria-prima, mão de obra, custo geral de fabricação.
2.3.6.2 Sistema de Produção por Ordem
O sistema de produção por ordem é o sistema de custeamento no qual cada elemento do custo é acumulado separadamente, segundo ordens específicas emitidas, geralmente, pela seção de controle de produção.
Segundo Passarelli e Bomfim (2008, p. 63) a acumulação de custos por ordem de produção:
É útil para o controle de estoque, porque acompanha o fluxo físico do material; é útil no controle dos custos, porque reúne todos os custos ocorridos em um único documento e é útil nos serviços por contrato porque, uma vez encerrada a ordem de produção, servirá de indicação dos resultados (lucro ou prejuízo) gerados por essa encomenda, contrato ou serviço.
No processamento contábil dos custos das ordens de produção, cada elemento do custo é coletado, separadamente, para cada trabalho desenvolvido. O pré-requisito do método é a identificação da produção por lotes, grupos ou pedidos.
As desvantagens deste sistema são: o seu custo administrativo pode ser elevado, pois exige um rigoroso controle para o registro das informações nas ordens de produção; um controle permanente é necessário para verificar se o material direto e a mão de obra direta foram corretamente lançados na ordem de produção; se um embarque parcial é efetuado, antes de completar a ordem de produção, será necessário estimar os custos, para determinação do custo de vendas e consequentemente a apuração de resultado.
2.3.6.3 Sistema de produção Conjunta
Na produção por processo existe o fenômeno da Produção Conjunta, que é o aparecimento de diversos produtos a partir, normalmente, da mesma matéria-prima. São definidos como custos comuns de bens ou serviços empregados na produção simultânea de dois ou mais produtos.
Segundo Martins (2001) os produtos de menor valor comercial são denominados de subprodutos, sendo que estes nascem naturalmente durante o processo de produção, possuem mercado relativamente estável, tanto no que diz respeito à existência de compradores como quanto ao preço. São itens que tem comercialização tão normal quanto os produtos da empresa, mas que representam porção pequena do faturamento total. Os produtos de maior valor, consequentemente são chamados de co-produtos. Ex: refinação de petróleo resulta em gasolina, querosene, óleo lubrificante e asfalto.
2.3.6.3.1 Apropriação dos Custos Conjuntos aos Co-produtos
O problema para a montagem do custo dos co-produtos está exatamente na primeira fase do processo de fabricação, pois existem alguns critérios que, apesar de conterem certa arbitrariedade, implicam o uso de algum tipo de análise quanto ao relacionamento entre custos e produtos, como horas-máquina, valor de mão de obra, tempo total de execução. Adote-se então, um método para distribuir esses custos. Os custos da fase seguinte serão debitados diretamente a cada um dos produtos.
Os principais critérios de apropriação dos custos conjuntos são: o método do valor de mercado; método dos volumes produzidos; método da igualdade do lucro bruto; método das ponderações.
Diversas finalidades podem justificar a necessidade de alocação de custos conjuntos, são eles os seguintes: relatórios financeiros; avaliar estoques mantidos no balanço, ou determinar o resultado; avaliar contratos com clientes que adquirem apenas parte da produção conjunta; negociação referente à indenização de seguros; políticas de aplicação de preços.
Para os gerentes é necessário saber o custo do produto para a tomada de decisão e controle de custos. Porém as avaliações baseadas nas alocações de custos conjuntos para fins gerenciais podem ser enganosas, portanto, é imprescindível apontar a necessidade de alocação para cada um dos propósitos.