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SISTEMAS DE GESTÃO E GERENCIAMENTO DE RESÍDUO

O fluxo dos diferentes tipos de resíduos sólidos gerados pode impactar negativamente o ambiente, contaminando e degradando os espaços naturais e construídos, o que diminui sua qualidade, alterando suas características e comprometendo suas funções e seu uso futuro (GÜNTHER, 2011).

Assim, pode-se dizer que o resíduo sólido representa um componente importante na atual problemática ambiental urbana e por isso é fundamental que exista uma gestão adequada e integrada capaz de auxiliar nas soluções do problema e que tornem possível o atendimento à meta de sustentabilidade (GÜNTHER, 2011).

Lima (2001) define gestão de resíduo sólido como o processo que compreende as ações referentes à tomada de decisões políticas e estratégicas quanto aos aspectos institucionais, operacionais, financeiros, sociais e ambientais relacionados ao resíduo sólido, capaz de orientar a organização do setor.

Gestão de resíduo sólido é o processo de conceber, planejar, definir, organizar e controlar as ações a serem efetivadas pelo sistema de gerenciamento de resíduo sólido. Este processo compreende as etapas de definição de princípios, objetivos, estabelecimento da política, do modelo de gestão, das metas, dos sistemas de controles operacionais, de medição e avaliação de desempenho e previsão de quais recursos serão necessários (ARAÚJO, 2002).

Mansor (2010) corrobora com a afirmação acima ao mencionar que a gestão de resíduo sólido compreende o conjunto de decisões estratégicas e de ações voltadas à busca de soluções para resíduo sólido, envolvendo políticas, instrumentos e aspectos institucionais e financeiros.

Gestão de resíduo sólido pode ser entendida como a interação entre diversos agentes que fazem parte do plano institucional, setorial e regional de forma dinâmica, capaz de gerir e gerenciar o resíduo de forma integral (LIMA, 2005).

Na Política Nacional de Resíduos Sólidos (BRASIL, 2010a) define-se gestão de resíduo como o conjunto de ações voltadas para a busca de soluções para o resíduo sólido, de forma a considerar as dimensões políticas, econômicas, ambientais, culturais e sociais, com controle social e sob a premissa do desenvolvimento sustentável.

A gestão do resíduo sólido vai além dos aspectos operacionais, envolvendo questões sociais, econômicas, de planejamento urbano, ambientais e de saúde (GÜNTHER, 2011).

De acordo com Mansor (2010), a gestão de resíduo sólido deve estar pautada nos preceitos da minimização: redução, reutilização, reciclagem e recuperação, e contar com o envolvimento de toda a sociedade.

Em linhas gerais, pode-se dizer que a redução na fonte, também denominada de prevenção de resíduo é a mudança no projeto, fabricação, compra ou uso de materiais e produtos, inclusive embalagens, de modo a reduzir a sua quantidade ou periculosidade, antes de se tornar resíduo sólido (EPA, 2012).

É importante ressaltar que medidas de redução devem ser adotadas no local de geração, como residências, escritórios, empresas e indústrias, limitando o uso de materiais e diminuindo a quantidade de resíduo (MANSOR, 2010).

Günther (2011) entende que a gestão integrada de resíduo sólido é o conjunto articulado e inter-relacionado de ações normativas, operacionais, financeiras, de planejamento, administrativas, sociais, educativas, de monitoramento, supervisão e avaliação para o gerenciamento do resíduo sólido, desde sua geração à disposição final, com o objetivo de obter benefícios ambientais, otimização econômica e aceitação social, respondendo às necessidades e circunstância de cada localidade ou região.

O gerenciamento integrado de resíduo sólido pode ser definido como o conjunto de ações normativas, operacionais, financeiras e de planejamento de forma articulada, de maneira que proporcione a coleta, a segregação, o tratamento e a disposição adequada do resíduo (IPT/CEMPRE, 2000).

Lima (2005) conceitua gerenciamento de resíduo sólido como o processo que compreende atividades referentes à tomada de decisões estratégicas quanto aos aspectos da prestação, da fiscalização e do controle dos serviços públicos de manejo integrado do resíduo sólido nas suas diferentes etapas, que são segregação, coleta, acondicionamento, transporte, armazenamento, transbordo, triagem e tratamento, reciclagem, comercialização e destinação final adequada.

Gerenciamento de resíduo sólido, de acordo com a Lei Federal no 12.305 de 2010 (BRASIL, 2010a), é o conjunto de ações exercidas, direta ou indiretamente, nas etapas de coleta, transporte, transbordo, tratamento e destinação final ambientalmente adequada do resíduo sólido e disposição final ambientalmente adequada do rejeito.

O gerenciamento de resíduo sólido diz respeito às etapas operacionais envolvidas no sistema do fluxo de resíduo desde sua geração até sua disposição final.

Após a geração, o resíduo passa pelas etapas de acondicionamento, coleta, transporte, transbordo, recuperação (reutilização, reciclagem e recuperação

energética), tratamento (processamento ou transformação) e disposição final (GÜNTHER, 2011).

Monteiro (2001) menciona que para realizar o gerenciamento integrado de resíduo sólido, ou seja, a limpeza urbana, a coleta, o tratamento e a disposição final do resíduo, deve haver envolvimento de diferentes órgãos da administração pública e a sociedade.

Souza (2007) explica que o gerenciamento de resíduo sólido compreende todos os processos de administrar a operacionalização das atividades da coleta, tratamento e disposição final adequada.

A seguir, apresenta-se na tabela 3.1, de maneira simplificada, o sistema produtivo e as conexões do gerenciamento integrado de resíduo sólido.

Tabela 3.1 – Processos e Conexões Operacionais da Gestão Integrada de Resíduo Sólido

Atividades Processos Conexões Acondicionamento Instalação de acondicionadores,

separação, acondicionamento, degradação

População, trabalhadores informais, intempéries, animais e processos naturais

Coleta e Transporte Manuseio, compactação, cumprimento do trajeto, transferência do resíduo Fornecedores (equipamento, combustível etc), trabalhadores formais, população, infraestrutura urbana

Transferência Receptação, condução, estocagem, carregamento de

veículo

Trabalhadores, mercado de recicláveis, fornecedores

Tratamento Reciclagem, compostagem, tratamento físico, químico,

biológico, recuperação energética

Mercado de recicláveis, trabalhadores, população

Disposição Final Dimensionamento e preparação, receptação, confinamento, degradação, drenagem, tratamento de efluentes Ambiente, população, trabalhadores, fornecedores, infraestrutura Fonte: modificado de Monteiro (2001)

Gerenciamento integrado de resíduo sólido é aquele que contempla um manejo seguro e efetivo do fluxo de resíduo sólido urbano, com mínimo impacto à saúde pública e ao ambiente (MAZZER; CAVANCANTI, 2004).

O gerenciamento de resíduo sólido deve ser estruturado de forma a ser um sistema integrado de gerenciamento de resíduo, ou seja, segundo Teixeira e Bidone

(1999), deve envolver o estudo das condições que regem: a produção do resíduo , incluindo sua minimização na origem; seu manejo e as condições existentes de tratamento e disposição do resíduo; e, contempla, no seu projeto, todos os tipos de resíduos gerados, aproveitando-os e tratando-os, baseando-se no princípio da descarga zero e causando o menor impacto ao meio que o cerca.

A atualização do conceito do princípio descarga zero é: não zerar a geração do resíduo, mas sim buscar cada vez mais a minimização do resíduo, tanto na origem, como para tratamento e destino final (TEIXEIRA; BIDONE, 1999).

A Administração Pública é responsável pela implementação e articulação das ações de gerenciamento de resíduo sólido, portanto, é necessário que se invista em ações de sensibilização da população envolvida, para que as fases que compreendem o gerenciamento sejam efetivas (IPT/CEMPRE, 2000).

Para Mansor (2010), a gestão e gerenciamento de resíduo sólido é atribuição do Estado, que deve ser executada nas suas três esferas: federal, estadual e municipal.

Lima (2005) diferencia estes três níveis de gestão mencionando que:

“a gestão nacional é que determina através da política nacional de resíduos sólidos, os planos, as estratégias setoriais, os aspectos legislativos e as regulações ambientais e institucionais. A gestão estadual é a que determina através de sua política estadual o conjunto de normas e procedimentos sobre o manejo integrado e a coloca para que os municípios tenham uma Lei que estabeleça normas e metas de gestão.

A gestão municipal cuida mais dos aspectos de execução com qualidade do modelo desenvolvido, para manejo integral de resíduos, para um município ou para um conjunto de municípios, mediante aprovação dos elementos de decisão política, administrativos, socioculturais e financeiros” (p. 36)

Na Lei Federal no 12.305/10 (BRASIL, 2010a) menciona-se a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos como um dos seus princípios, a ser implementada de forma individualizada e encadeada, envolvendo os fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes e consumidores e titulares dos serviços públicos de limpeza urbana.

Estabelece-se também uma hierarquia para a gestão do resíduo sólido, compreendendo a não geração, redução, reutilização, reciclagem, tratamento e disposição final do rejeito – aquilo que restar depois de esgotadas todas as

possibilidades de tratamento e recuperação por processos tecnológicos disponíveis e economicamente viáveis, e que não apresente outra possibilidade senão disposição em aterros sanitários.

Na Lei obriga-se também a estruturação e implantação de sistemas de logística reversa, por meio do retorno do resíduo pós-consumo e de forma independente do serviço público de limpeza urbana, aos produtores, importadores, distribuidores e comerciantes de determinados produtos como pilhas e baterias; lâmpadas fluorescentes, de vapor de sódio e mercúrio e de luz mista; e, equipamentos elétricos e eletrônicos e seus componentes, entre outros.

Saqueto (2010) menciona que um sistema de gerenciamento de resíduo sólido deve conter ações de prevenção da poluição; minimização; segregação; tratamento; e, disposição, embora se observe, na prática, que esta hierarquia de prioridades é equacionada de forma inversa, isto é, a urgência é sempre ter um local para dispor o resíduo.

Verifica-se no Brasil que embora haja incentivos legais para disposição e tratamento diferenciado do resíduo sólido, a grande maioria dos materiais é disposta de maneira inadequada e as experiências de coleta seletiva ainda são muito pontuais (SOUZA, 2007).

A forma inadequada de disposição do resíduo sólido domiciliar e em alguns casos do industrial está relacionada à falta de controle e fiscalização dos órgãos competentes, além do pouco envolvimento da população no que diz respeito às questões políticas, sociais e ambientais das cidades (SOUZA, 2007).

Esta situação é verificada na Pesquisa Nacional de Saneamento Básico (IBGE, 2013), demonstrando que, embora tenham diminuído a existência de lixões no País, o seu número ainda é alarmante, como apresentado na Figura 3.1.

De acordo com a pesquisa efetuada pelo mesmo instituto no ano de 1991, a situação do destino do resíduo sólido brasileiro era ainda mais crítica, já que na época contava com 73% de lixões, onde o resíduo era disposto a céu aberto; 13% de aterros controlados; 10% de aterros sanitários; 0,9% de usina de compostagem; e, 0,1% usina de incineração (IBGE, 2012a).

Figura 3.1 – Destino do Resíduo Sólido no Brasil - 2011

Fonte: IBGE, 2013

Ao se comparar estes dados com os da pesquisa realizada em 2011, verifica-se diminuição na quantidade de lixões e pequeno aumento de aterros controlados e sanitários, o que se infere que algumas medidas foram tomadas por parte do Estado. É importante ressaltar que modalidades como aterro de resíduo especial e usinas de reciclagem, que não constavam da pesquisa realizada em 1991, são relatadas no levantamento de 2011.

Embora existam locais adequados para o descarte do resíduo, muito do que é gerado nos centros urbanos não é recolhido e acaba sendo disposto em logradouros públicos, terrenos baldios e encostas e cursos d’água.

A Política Nacional de Resíduos Sólidos, regulamentada pelo Decreto no 7.404/10 (BRASIL, 2010b), estabelece metas para implantação coleta seletiva, de sistema de logística reversa, além da substituição dos lixões por aterros sanitários e elaboração de planos de resíduos sólido nas esferas nacional, estadual e municipal e de geradores específicos

É importante frisar que existe legislação que determina responsabilidade quanto à coleta, tratamento e disposição do resíduo sólido domiciliar, cabendo ao município legislar sobre assunto de interesse local, devendo prestar, direta ou sob regime de concessão ou permissão os serviços públicos de interesse local. Neste caso, inclui-se a limpeza das vias e logradouros públicos, remoção e destino do resíduo sólido (PINTO et al., 2010).

O IPT/CEMPRE (2000) constatou que, embora os municípios tenham legitimidade na prestação dos serviços de limpeza urbana, questões como ineficiência

de uma política brasileira de limpeza pública; limitação financeira; falta de capacidade técnica e profissional; descontinuidade política-administrativa; e, falta de controle ambiental, dificultam o cumprimento e observância das obrigações municipais.

Souza (2007) aponta outros fatores relacionados ao resíduo sólido que prejudicam o gerenciamento dos mesmos, entre estes, pouca participação da população na gestão de resíduo sólido, dinamismo do mercado de recicláveis, padrões de produção e consumo. A seguir, apresenta-se, na tabela 3.2, uma síntese destes fatores.

Tabela 3.2 – Fatores que Prejudicam a Gestão do Resíduo Sólido

Aspectos técnicos e operacionais Adequação das áreas de disposição final: 42%

das cidades

Existência de coleta seletiva: 8,2% das cidades

Baixa disponibilidade de recursos Gastos: ≤ 5% do orçamento municipal

Gastos com pessoal específico: ≤ 5% do orçamento municipal

54% dos municípios não cobram taxa de resíduo Terceirização: 1,24 empresas/município

Padrões de produção e consumo Aquisição de veículo: 6% do rendimento mensal

Demanda/oferta de computadores no país: 96%

Dinamismo do mercado de recicláveis Média nacional de materiais:

Alumínio: 87%; latas de aço: 49,5%; papel: 43,9% do total

Coleta seletiva formal: Alumínio: 1%; metais: 9% do total

Cooperativas na coleta seletiva: 43% dos municípios

Catadores na área de disposição final: 28% dos municípios

Participação da população na gestão Existência de poucos conselhos ambientais:

22,3% dos municípios

Grau de identificação da população com as entidades: 35%

Fonte: Adaptado de IPT/CEMPRE (2000) e SOUZA (2007)

Para viabilizar a implantação de um sistema de gerenciamento é importante que o município conheça todas as características que influenciam a geração de resíduos, entre os quais se podem citar, o número de habitantes no município; o poder aquisitivo da população; as condições climáticas; os hábitos e costumes da população e o nível educacional, como se verifica na tabela 3.3 (IPT/CEMPRE, 2000).

Tabela 3.3 – Informações Importantes para o Planejamento do Gerenciamento do Resíduo Sólido

Parâmetro Descrição Importância Taxa de geração

por habitante (kg/habitante.dia)

Quantidade de resíduo gerada por habitante num período de tempo especificado; refere-se aos volumes

efetivamente coletados e à população atendida

Fundamental para o planejamento de todo o sistema de gerenciamento

do lixo, principalmente no dimensionamento de instalações e

equipamentos

Composição física

Refere-se às porcentagens das várias frações do resíduo, tais como

papel, papelão, madeira, trapo, couro, plástico duro, plástico mole,

matéria orgânica, metal ferroso, metal não-ferroso, vidro, borracha e

outros

Ponto de partida para estudo de aproveitamento das diversas frações

e para a compostagem

Densidade aparente

Relação entre a massa e o volume do resíduo; é calculada para diversas fases do gerenciamento do

resíduo

Determina a capacidade volumétrica dos meios de coleta, transporte,

tratamento e disposição final

Umidade Quantidade de água contida na massa de resíduo

Influencia a escolha da tecnologia de tratamento e equipamentos de coleta. Tem influência notável sobre

o poder calorífico, densidade e velocidade de decomposição biológica da massa de resíduo.

Teor de materiais combustíveis e incombustíveis

Quantidade de materiais que se prestam à incineração e materiais

inertes

Juntamente com a umidade, informa, de maneira aproximada, sobre as propriedades de combustibilidade do

resíduo

Poder calorífico É a quantidade de calor gerada pela combustão de 1 kg de resíduo misto

(e não solvente dos materiais facilmente combustíveis)

Avaliação para instalações de incineração

Composição química

Normalmente são analisados N, P, K, C, relação C/N, pH e sólidos

voláteis

Definição da forma mais adequada de tratamento (sobretudo compostagem) e disposição final. Vários outros elementos que atuam

como inibidores/catalisadores nos diversos tipos de tratamento também

podem ser analisados

Teor de matéria orgânica

Quantidade de matéria orgânica contida no resíduo. Inclui matéria

orgânica não-putrescível

Avaliação da utilização do processo de compostagem e do estágio de estabilização do resíduo aterrado Fonte: IPT/CEMPRE (2000)

Na opinião de Günther (2011) é fundamental que o gestor público conheça os tipos, classificação e fontes do resíduo sólido, além de sua composição e taxa de geração, pois isso auxiliará no direcionamento do planejamento, projeto e operação de unidades que integrarão a gestão e o gerenciamento de resíduos. Será também

possível avaliar o grau de impactos socioambientais e à saúde que o descarte inadequado poderá acarretar, caso esse sistema não seja implantado.

De acordo com a nova Política de Resíduos Sólidos, promulgada no ano de 2010 (BRASIL, 2010a), os municípios deverão elaborar o plano de gestão integrada de resíduo sólido, consorciados ou não, atendendo aos vários preceitos elencados na Lei, entre estes, destacam-se o da implementação da coleta seletiva com a participação de cooperativas ou outras formas de associação de catadores de materiais reutilizáveis ou recicláveis; realizarem diagnóstico da situação do resíduo gerado no território, identificando a origem, o volume, a caracterização e a forma de destinação e disposição final adequada.

O plano municipal também deverá apontar áreas favoráveis à disposição ambientalmente adequada de rejeitos, observados os requisitos do artigo 182 da Constituição Federal (PINTO et al., 2010); deverá também conter a identificação do resíduo sólido e dos geradores que estão sujeitos a um plano de gerenciamento específico; além de programas de educação ambiental que promovam a não geração, a redução, a reutilização e a reciclagem do resíduo sólido (BRASIL, 2010a).

Günther (2011) considera que o fato da Política Nacional de Resíduos Sólidos ter mencionado que os planos de resíduo devem ser elaborados atendendo ao critério do território geográfico e não aos tipos de resíduo pode dificultar a elaboração e implantação de planos para determinados tipos de resíduos que têm geração difusa, como é o caso do Resíduo de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos – REEE.

Nagle (2004) menciona que:

“Em um Sistema de Gerenciamento Integrado, a resolução do problema não se limita a atuar após a geração, deve existir uma interação entre as políticas públicas setoriais e ações normativas, operacionais e financeiras e o planejamento das atividades do sistema de limpeza urbana, para que funcione adequadamente. O objetivo deve ser implementar programas de limpeza urbana, onde a sociedade, participa ativamente nas diversas etapas, a cooperação, parceria e participação de todos os envolvidos fazem com que o conjunto de ações, planejadas e implementadas, tenham maior eficácia” (p.39).

Günther (2011) corrobora com a ideia ao mencionar que a gestão integrada de resíduo sólido deve contemplar a sustentabilidade nas dimensões social, econômica, ambiental e de saúde, como também a integração entre os agentes envolvidos, ou seja,

o Poder Público, responsável pelo gerenciamento; o setor privado, executor dos serviços; e, a sociedade civil.

E completa afirmando que o conhecimento e a divulgação de informação sobre os riscos à saúde, decorrentes da gestão inadequada do resíduo e a produção e consumo não sustentáveis devem ser difundidos, buscando a participação popular neste processo de mudança de paradigma da questão do resíduo (GÜNTHER, 2011).

3.8 COLETA SELETIVA

No Brasil, a questão ambiental do resíduo sólido iniciou-se com o processo de industrialização por volta da década de 40, mas poucas ações foram realizadas, neste período, no que diz respeito ao gerenciamento de resíduo, o que culminou em uma série de problemas de saneamento ambiental (SAQUETO, 2010).

Para Silva (2006), é de suma importância que o gerenciamento de resíduo sólido seja realizado e efetivado de maneira ambientalmente adequada, adotando-se, para isto, um conjunto de atividades administrativas, técnicas e operacionais, quanto ao manuseio, tratamento, condicionamento, transporte, armazenamento e disposição final do resíduo.

Somente no final da década de 80 é que foram estabelecidas prioridades nos programas de gestão de resíduo sólido, inovando ao trazer elementos socioambientais e multidisciplinares da área da educação, saúde, ambiental, economia e cidadania (PIRANI, 2010).

Silva (2006) menciona a importância de conhecimentos multidisciplinares para a gestão de resíduo sólido; a atuação de profissionais de diferentes áreas pode contribuir para diminuir as dificuldades encontradas quanto ao planejamento da gestão de resíduo sólido.

Araújo (2002) comenta que no início da década de 90 surgiram algumas experiências de implantação de coleta seletiva em algumas cidades brasileiras, que procuravam cumprir com a legislação vigente e, sobretudo, se enquadrarem no princípio da sustentabilidade ambiental discutido no ano de 1972 na Declaração de Estocolmo (JUNGSTEDT, 1999).

Nesta mesma época, observa-se a multiplicação das experiências envolvendo catadores de material reciclável organizados em cooperativas e outras formas de associações, iniciando-se, assim, a gestão compartilhada do resíduo sólido urbano (PIRANI, 2010).

Pirani (2010), explica que:

“a gestão compartilhada dos resíduos sólidos representa um modelo de política social que visa promover a sustentabilidade a partir da co-responsabilização de diferentes setores sociais com