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Sistemas de programação e controle da produção OPT (Optimized Production Technology)

EMPREENDIMENTO PLANTA B

SISTEMAS DE ESTOQUE SEM LOTE (LOTLESS – JIT)

2.12 Sistemas de programação e controle da produção

2.12.3 Sistemas de programação e controle da produção OPT (Optimized Production Technology)

No início denominado Optimized Production Timetables ou “OPT”, essa tecnologia foi originalmente criada pela empresa Creative Output Limited em Israel, no início de 1970 e passou a ser divulgada nos Estados Unidos pela empresa Creative

Output Inc. a partir de 1979. Sua denominação foi então alterada para Optimized

Production Technology (Spencer, 1991), mantendo a sigla original, porém suscitando dúvidas quanto ao verdadeiro desempenho do sistema. O OPT foi concebido partindo do pressuposto único de que “o real propósito de uma empresa é fazer dinheiro” (Meleton, 1986). De acordo com Schragenhein & Ronen (1990), o sistema é baseado na teoria das restrições, que diferencia recursos gargalo (eventualmente sobrecarregados, mas não limitantes do fluxo) de Recursos Restrição de Capacidade (Capacity Constraint

Resource ou apenas CCR, que limitam o fluxo final dos produtos) (Frizelle, 1989), conforme apresentado na Figura 2.25.

Emissão de ordens a b c d e f g i h vendas temp P P P Emissão de ordens a b c d e f g i h Estágio 1 Estágio 2 Estágio 3 Legenda: Operação Fluxo de material Estoque de desacoplamento Entre estágios _

Figura 2.25 Gargalos e recurso restrição de capacidade

Fonte: Frizelle, G.D.M., (1989).

Segundo a teoria das restrições, a técnica de programação pode ser sintetizada em três etapas fundamentais:

• etapa (a): Programar a (s) restrição (ões);

• etapa (b): Determinar o tamanho dos estoques de amortecimento; • etapa (c): Determinar o programa de liberação de materiais conforme

as etapas (a) e (b).

O sistema OPT é composto basicamente, conforme Fry et al. (1992) por quatro módulos:

• BUILDNET: que parametriza o sistema e contém as listas de materiais, um arquivo de roteiros de produtos, um arquivo de clientes com dados dos pedidos, um arquivo de estoque em processo e um arquivo de matérias- primas.

• SPLIT: que contém um arquivo de instruções para partições de programações, um arquivo de parâmetros administrativos para operar o módulo de programação OPT e um arquivo de instruções relacionado aos recursos críticos.

• SERVE – que executa a programação retroativa com capacidade infinita. • OPT (OPT BRAIN) que executa a programação progressiva a partir do

gargalo (Goldratt 1988).

Uma primeira programação é feitaa partir do arquivo de pedidos, conjugado ao arquivo de listas de materiais, como em uma “explosão” do programa mestre que, em lugar de considerar lead times pré-estabelecidos, utiliza o arquivo de roteiros para dimensionar a carga no sistema. Esse programa é retroativamente elaborado pelo módulo SERVE a partir das datas dos pedidos, considerando a capacidade infinita e os tempos calculados das operações. Ele produz, como no módulo de planejamento grosseiro de capacidade do MRP (RCCP), um perfil de carga por recurso que permite a identificação dos

B C DEMANDA = 100/DIA Mercado CAPACIDADE =20/dia Gargalo e CCR A CAPACIDADE =30/dia Gargalo não CCR CAPACIDADE =40/dia Gargalo não CCR

denominados recursos gargalo, em que a carga supera a capacidade (Antunes et al., 1989). Os dados dos gargalos, ditos restrição de capacidade, são verificados, eventualmente corrigidos, e um MPS é então gerado.

A partir da caracterização dos recursos que são restrição de capacidade (CCR), entre os recursos gargalo, o módulo SPLIT divide os produtos/operações e recursos em duas redes. Uma anterior aos recursos restrição de capacidade e outra a partir destes, incluindo-os.

O módulo OPT executa uma programação progressiva com capacidade finita a partir do recurso restrição de capacidade, calculando os tamanhos de lotes, quantidade de lotes e datas em que precisa recebê-los em cada recurso, bem como a dimensão do estoque de amortecimento que alimentará o recurso restrição de capacidade, conforme essa programação.

O módulo SERVER programa os recursos anteriores aos recursos ‘restrição de capacidade’ considerando a capacidade infinita e os prazos do OPT para o recurso restrição de capacidade. Também programa os itens que não passam pelos recursos restrição de capacidade, considerando capacidade infinita e os prazos dos clientes.

As particularidades do sistema OPT no que diz respeito a sua programação são: (1) a programação usa intervalos de tempo que são baseados na quantidade

mínima de trabalho que a administração acha que deveria ser programada a cada vez;

(2) a priorização do programa usa um conjunto de coeficientes administrativos que determinam o intervalo de tempo e o tamanho de lote mínimo dos produtos (Jacobs, 1983);

(3) a partição do problema de programação em duas partes, uma antes dos recursos restrição de capacidade e outra depois;

(4) o uso de um estoque amortecedor para separar as duas partições, com uma dimensão compatível com o mix de produção, o que lhe permite alterar o regime de balanceamento conforme a dinâmica do fluxo programado;

(5) o uso de lotes de transferência com tamanhos diferentes dos lotes de processo e variáveis no tempo de acordo com o mix de produção e o regime de balanceamento;

(6) o uso de programação retroativa na partição de recursos e operações que antecedem os recursos restrição de capacidade e uso de programação progressiva nos recursos e operações que sucedem os recursos restrição de capacidade, considerando os prazos destes como elos entre os dois programas;

(7) o balanceamento do fluxo nos recursos restrição de capacidade, feito com o dimensionamento dos lotes de processo, usando um número de unidades de cada item ajustado a uma potência de dois;

(8) o uso de superposição de operações;

(9) o balanceamento de fluxo e não da capacidade (Gelders & Van Wassenhove, 1985).

A estrutura completa do software é apresentada na Figura 2.26.

Figura 2.26 Carta de fluxo do OPT

Fonte: Fry, T. D. et al., (1992).

SPLIT

BOS ROT CUS WIP BOH

BUILDNET

ENG

O-MNG

S-INS S-SBN

CLN O-MNG O-NET S-NET S-INS

Ciclo de retro alimentação para ajustes de programa RELATÓRIOS DE PRODUÇÃO ANALISADOR T-26 RELATÓRIOS OPT T-26 SERVE Arquivos criados pela administração Arquivos criados pelo sistema BOS – arquivo de lista de materiais ROT – arquivo de roteiros CUS – arquivo de clientes e pedidos WIP – arquivo de estoque em processo

BOH – arquivo de estoque de matéria-prima

ENG – arquivo rede de produto (lista de materiais e roteiros) e recursos.

S-INS – parâmetros de operação