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159 Apêndice 7: Dados das Entrevistas com professores dos cursos

DADOS ENTREVISTAS

QUESTIONAMENTOS PQ PB

De maneira geral, como foi o processo de reconstrução do PPC (Química ou Ciências Biológicas) para atender as DCNFP (2015)? Quem participou das mudanças?

Como foi feita a

“reformulação” do currículo?

Foi feita pelos professores das disciplinas? Pelo coletivo?

Na época, eu era o coordenador, na Química, além das discussões dentro do curso, tinha uma discussão que aconteceu junto ao Núcleo das licenciaturas da UFPel, e a partir de lá, surgiu um documento que serviu de base para essa discussão sobre como fundamentar o que que constitui aquilo que é denominado: dimensão pedagógica, estágio, prática como componente curricular, então todas essas definições sobre o que faz parte dessa Diretriz que mobilizou os cursos a mexerem no currículo, partiu também dessas discussão dentro do Núcleo das licenciaturas que eu também participava como coordenador de curso. Então esse espaço também fez parte dessa discussão e balizou muitas discussões dentro do currículo do nosso curso. É claro que essa discussão centraliza quando pensa no PPC na esfera que é o próprio curso, então essa discussão que acontecia no NDE de alguma forma, respingava na discussão dentro do curso. Por exemplo, principalmente no núcleo docente estruturante do curso, que é onde as discussões mais prepositivas do PPC acontecem. E é claro que depois isso tudo é levado para discussão junto com o colegiado do curso que envolve todos os departamentos envolvidos nesse processo que delibera sobre discussões iniciadas em outros espaços.

Algumas vezes eram feitas reuniões com o NDE e o Colegiado ao mesmo tempo. Além do NDE e do Colegiado, também se fez reuniões com os próprios discentes que eram uma das nossas preocupações de identificar algumas lacunas/demandas que esses alunos tinham sobre o curso. Acho que foram umas 2 reuniões que os alunos da licenciatura também foram incluídos junto aos professores do curso nas reuniões. Embora que não teve muita participação dos alunos, mas alguns participaram, opinaram e a gente já tinha relatos, principalmente nós que somos professores mais vinculados a área de ensino, tínhamos relatos de algumas demandas, que aparecem dentro de algumas disciplinas como as de estágio, as disciplinas de prática como componente curricular. Isso tudo acabou motivando e mobilizando algumas possibilidades de contemplar esse novo currículo. Outra questão que vale a pena destacar, é que o nosso curso já vinha de uma discussão recente que veio a partir de uma reformulação do currículo motivado por uma avaliação do ENADE, que teve visita em Loco, então o curso já tinha passado por uma reformulação lá em 2014, e aí já tinha se atualizado com as Diretrizes e aí depois ficou mais fácil esse atendimento a essa outra DCN,

A reformulação do PPC foi feita prioritariamente pelo NDE, que era composto por professores de disciplinas do currículo do curso e, em alguns momentos, dois professores da área pedagógica que não faziam parte do NDE, também participaram e auxiliaram nessa organização.

Na verdade, nós tivemos poucos professores realmente comprometidos com essa reformulação, basicamente ela ficou concentrada sobre a coordenadora e sobre mim. As pessoas pouco se comprometeram, eles acreditam que o envolvimento com essas questões deveria ser feito pelos professores da área pedagógica. Mas na verdade essa responsabilidade é de todos, todos nós somos docentes, não é só os professores que têm informação na área. Os professores têm uma dificuldade muito grande de assumir o seu papel como professores docentes. Os professores do DZGE, departamento que tem o maior número de professores que dão aula para a Licenciatura, foram os que apresentaram maior resistência a licenciatura e a proposta de reformulação do PPC, na verdade as discussões realizadas no departamento reforçaram a ideia de um currículo bastante bacharelesco, linha em que o currículo da licenciatura já vinha nessa proposta. Entre os cursos de lic. Da UFPel, a Biologia era o curso que tinha a maior carga horária. Antes da minha chegada na UFPel, entendia-se que para atender as exigências do CRBRIO, era necessário colocar um número absurdo de carga horária, o que era uma visão equivocada! Tanto que naquele momento de reconstrução do PPC, ligamos para o CRBIO, onde afirmaram como equivocado o entendimento citado, pois a carga horária deveria ser flexível, ou seja, o aluno poderia construir seu percurso, não estando limitado a um currículo onde nós determinamos tudo. Também informaram que os conselhos da Biologia eram estabelecidos por áreas de ênfase, sendo a licenciatura na ênfase do meio ambiente.

Em relação a essa proposta de pensar um currículo mais contextualizado e interdisciplinar, a Biologia estava muito presa à questão de o cumprimento da carga horária para o licenciado ser considerado biólogo.

Muitos professores dos cursos, amedrontavam os alunos... e os alunos ficavam preocupados, quando os alunos entram no curso de Lic. em Biologia, eles querem ser Biólogos, mais do que serem professores da educação básica, embora lá façam a sua escolha pela licenciatura, na verdade a ideia é “se nada der certo, eu vou ser prof., mas acima de tudo eu vou ser pesquisador!” Então

160 que acabava formalizando coisas que a gente já tinha arrumado algumas

questões como a Inclusão que já estavam sendo iniciadas em termos escrita do PPC, e que depois com a reformulação currículo, isso ficou mais pontuado. Como exemplo se teve a inclusão da disciplina de inclusão ofertada pela FAE, e também de um estágio supervisionado que visa uma discussão mais voltada à inclusão, que era uma demanda muito relatada pelos alunos. Outra discussão foi sobre a disciplina “Didática da Química”

que agora está aparecendo mais nessa nova reformulação e que vai contemplar a extensão. Então o curso passa por processos de reformulação, às vezes até me confundo de qual versão estou falando, pois são muitas atualizações e documentos e isso acaba mobilizando mudanças.

A reformulação foi feita em uma discussão com o coletivo maior, assim como toda a instituição e depois centrada nos cursos e isso então foi posto em avaliação dentro do colegiado do curso e com a participação de alguns discentes dentro dessas socializações e propostas de curso. Motivava a discussão para dizerem o que faltava e depois a gente apresentava as propostas para eles, dizendo como iria ficar organizado e ainda sujeito a alguns ajustes com bases também nas possíveis contribuições deles. As ementas, quando tem alguma adequação para alguma disciplina, são feitas a partir de mudanças que o próprio professor insere dentro dessa disciplina, então é o professor mesmo que acaba inserindo coisas, conteúdos novos por exemplo. Mas é claro que isso é motivado por um documento normativo maior que diz: “você precisa trabalhar mais inclusão, ou ... a interdisciplinaridade precisa aparecer no curso” então isso acaba motivando que determinados professores que são quase que intimados a incluir certas discussões dentro do curso para atender o que as DCNs colocam enquanto formação de professores. É uma discussão que o professor atualiza, mas é também um pouco coletiva. As vezes acontece de a ementa ser passível de ajustes por mais de um professor, aí são eles que fazem as mudanças! Ainda mais nós da área de ensino que muitas vezes tem a possibilidade de diferentes professores trabalharem a mesma disciplina... Quanto ao envolvimento dos professores na reformulação do PPC, sempre tem alguns professores que se envolvem mais, eu acho que a responsabilidade maior, o encaminhamento e a mudança textual no PPC muitas vezes sobrecarregam o coordenador de curso. Eu me via como alguém que talvez tenha feito mais mudanças textuais pelo menos como proposta inicial do PPC, mas teve um grupo que contribuiu bastante, se destacando bastante os professores da área do ensino, que são professores que se identificam mais com o curso, são mais próximos com a formação dos alunos e a preocupação mais acentuada com essa formação e pela experiência. Eles não se opuseram, até porque estávamos balizados por essa DCN, então eu não vi movimento contra essa necessidade de inclusão de discussões dentro do curso, que são motivadas por uma DCN. Mas quem puxa mais o barco, acaba sendo aqueles professores vinculados à área de ensino. Tem outros professores que você delega algumas atividades e eles até fazem, mas não é um envolvimento

a permanência da carteira de biólogo, mesmo com a carga horária mínima, foi muito importante como forma de não termos um esvaziamento no curso.

Outra discussão importante, foi em relação ao pedagógico, para dar conta daquele mínimo de carga horária, de ter um entendimento do que seria uma integração curricular, do que seria a parte dos conhecimentos específicos, a dimensão pedagógica etc. Na época, meus colegas diziam

“olha...eu não tenho nada a opinar em relação a dimensão pedagógica”, mesmo eu dizendo para eles que, não éramos só os professores da área pedagógica, e que todos eram formadores de professores de Biologia, por isso, todos teriam que ter uma concepção um pouco mais avançada em relação a isso, porque isso é bem importante para que a gente consiga entrar nessa proposta das DCNs 2015. Foi muito difícil, meus colegas entenderem, de que forma a dimensão pedagógica fazia parte de suas disciplinas, assim como a prática como componente curricular. Foi muito difícil fazer cumprir o mínimo de dimensão pedagógica e que os professores compreendessem que eles precisavam inserir a dimensão pedagógica em suas disciplinas para formar esse professor de biologia.

E, mesmo que os membros levassem as discussões do NDE para os seus departamentos e os professores compreendessem a importância das questões pedagógicas na formação de professores de Biologia, mesmo assim terão professores que não se comprometem, pois julgam que se formaram em suas áreas e não precisam se preocupar com essas questões, somente com sua área específica. Sabemos que isso é um reflexo de suas formações, sabemos que viemos de uma formação que prioriza muito a questão da pesquisa e os PPGs continuam reforçando esse modelo. Então quando essas pessoas vêm para serem professores, na verdade é o que elas menos gostariam. A maioria delas vem muito encantadas pelo fato de poder fazer pesquisa. Então é bastante complicado quando precisamos manter essas discussões pedagógicas porque realmente eles têm dificuldade de compreensão.

161 tanto quanto outros colegas. Talvez seja uma impressão minha, mas às vezes

parece que esses professores não entendem muito bem o que é uma DCN, dentro do contexto de um curso de licenciatura. Talvez também por essa incompreensão sobre como eu interpreto o documento, algumas vezes, eles vão mais na onda de aprovar ou aceitar o que algum grupo de professores coloca como estratégia de mudança.

Como sujeito pertencente ao contexto da formação docente,

na sua percepção, qual é o impacto que o conteúdo das

DCNFP (2015) tem no processo de formação de professores para o mundo

contemporâneo?

Eu entendo que o documento acaba reforçando a necessidade de uma discussão que coloca os cursos de licenciatura numa discussão que é de professor. Então acho que as DCNs vêm a destacar elementos que são próprios da formação profissional do professor, trabalhar mais a identidade profissional desse professor e aí eu vejo pelo movimento que o curso fez, de deixar isso mais demarcado. Essa diferença do que é um curso de bacharelado e o que é um curso de licenciatura. O nosso curso já tinha uma discussão bem grande nesse sentido, já tinha disciplinas muito específicas.

Vejo que outros cursos por exemplo, o aumento de carga horária voltadas para essas questões de ensino foi muito maior, até por um edital que teve de vaga para professor da área de ensino, tinham alguns cursos que essa discussão sobre o ensino, que é uma área interdisciplinar por natureza, ela não estava muito presente. E no nosso já tinham várias disciplinas com esse perfil e então acho que as DCNs vieram para demarcar essa necessidade de atualização dos PPCs para uma formação profissional que atenda demandas atuais e que fazem parte das políticas atuais de discussões sobre inclusão, cultural, gênero e identidade, meio ambiente, interdisciplinaridade etc.

Então ele vem reforçar essas questões vinham sendo discutidas dentro da área e o documento acaba demarcando essa importância dentro dos cursos de formação de professores, vejo que deixou isso mais claro. Pelo menos para mim, enquanto coordenação de curso, que já vinha de outras mudanças por outros documentos...não senti tanto impacto, pois já vínhamos atendendo outras normativas.

Eu penso que as DCNs de 2015, foram as DCNs que mais conseguiram aproximar desse ideal, o mais próximo para o adequado para ser trabalhado dentro dessa esfera que a gente tem de múltiplas discussões ou assuntos a serem abordados e que são importantes. Eu vejo que elas têm um papel bastante importante nesse sentido, elas nos trazem elementos importantes que já vinham sendo propostos lá na década de 90, nos PCNs que são as questões da Contextualização, Interdisciplinaridade, de trabalhar conceitos de forma transversal, conceitos como por exemplo a questão da Educação Ambiental na nossa área, traz a ideia de trabalhar as questões étnico raciais, inclusão, só que agora ela formaliza dentro de uma diretriz, porque até então ela ser uma orientação nos PCNs, ela dava oportunidade do professor se quisesse, ele fazia...se não quisesse, não fazia...não era obrigado! Até porque, apesar dos PCNs ter a ideia bastante ampliada de ensino, a formação de professores naquela época, continuava sendo do molde bastante curricular, então era muito difícil um professor conseguir trabalhar de maneira interdisciplinar, embora houvesse as orientações dos PCNs, se na verdade sua formação inicial continuava dentro das caixinhas. Eu sempre era uma pessoa muito crítica em relação a isso, porque eu levantava essa questão. Como que o professor vai ter uma postura interdisciplinar se as DCNs para FP permanece a mesma enrijecida, trabalhando de forma disciplinar.

As DCNs de 2015 para mim, ela representa esse avanço, porque ela traz isso como elementar para dentro da formação de professores. E ao mesmo tempo que essa ideia é fundamental, essa ideia de trazer a proposta bastante ampliada de discussão para dentro dos currículos dos cursos de licenciatura, por outro lado, eu vejo como um grande desafio. Porque ainda temos uma universidade e uma cultura institucional de que os conteúdos devem ser trabalhados das suas caixinhas, e no curso de licenciatura em Biologia, embora a gente queira trazer esse olhar um pouco mais humanizado, mais interdisciplinar para dentro do curso, a gente tem que

162 lembrar que a maioria dos professores vem de cursos de pós-graduação, as vezes não sendo licenciados, que trabalham muito dentro de suas caixinhas.

E por isso, quando eles vêm para dar aula na Biologia, eu vejo que isso é um grande desafio para a gente conseguir implementar dentro do curso de formação de professores, uma vez que um dois ou três professores tem esse entendimento e uma grande maioria ainda tem o entendimento que precisa trabalhar dentro da sua área do saber. Mas vejo que as DCNs de 2015, elas são um começo, sempre temos que partir de um ponto, e vejo que as DCNs provocaram isso, o repensar dessas propostas dentro de um viés mais ampliado, quando eu digo ampliado é no sentido de pensar essas dimensões que antes estavam invisíveis no currículo, então para mim teve um avanço muito importante, no sentido que sim precisam ser discutidas e sair da invisibilidade. Mas por outro lado um desafio muito grande porque ainda temos uma formação da maioria dos professores dentro de uma proposta bastante engessada... e eu não digo isso só daqueles que são licenciados, mas também dos bacharéis que vem dar aula nos cursos de licenciatura, que na nossa área é muito grande. Temos um número bastante expressivo de professores que dão aula para o nosso curso de licenciatura em Biologia, que são bacharéis e tem muita dificuldade de compreender o que prevê as DCNFP.

A legislação que constitui as DCNFP (2015), tem como

indicativo de mudança a dimensão interdisciplinar e a flexibilização curricular, entre

outros elementos, como aspectos importantes no processo de formação de professores. Qual a sua compreensão a respeito do enfoque interdisciplinar e da flexibilização curricular para

o processo formativo de docentes?

Como caráter epistemológico, como sou professor que trabalha no campo da história e filosofia e epistemologia da ciência, eu vejo que o enfoque interdisciplinar tem a ver com o olhar ampliado sobre o mundo, que não pode ficar preso ao processo de disciplinarização e compartimentalização dos saberes nesse sentido de formação em caixinhas. Como talvez há muito tempo se tinha essa compreensão da necessidade de especialização sem uma compreensão que busca integrar ou compreender o universo numa dimensão que tem como necessidade mobilizar diferentes conhecimentos/áreas do conhecimento para poder responder perguntas complexas como aquelas que envolvem a formação do professor, como aquelas que envolvem o campo de formação lá na escola, afinal o sujeito professor, ou o sujeito estudante lá da escola ele trabalha com problemas complexos, então, não é que o disciplinar não é importante mas uma formação apenas disciplinar ela não ajuda a pensar as questões complexas que envolvem o mundo. Nesse sentido a formação disciplinar pode não ajudar na compreensão do mundo em que vivemos, ou da dimensão que envolve o espaço que o professor atua. Eu tenho uma compreensão que um professor de Química, ele por sua essência, por ele trabalhar com questões de ensino de química, ele necessariamente caminha, estuda questões que são por si só interdisciplinares, ou..tem vários termos e definições, mas ele necessariamente precisa mobilizar diferentes conhecimentos que extrapolam a Química, que extrapolam a psicologia, as discussões de caráter pedagógico, sociológico...e nesse sentido a formação ela tem como necessidade mobilizar esses diferentes campos de conhecimentos para que esse professor em formação tenha condições de

A flexibilização curricular e a interdisciplinaridade estão relacionas, diretamente! Assim como o conceito de interdisciplinaridade, o conceito de flexibilização curricular, também é polissêmico, podendo ser entendida de várias formas, mas se entendida por exemplo, como uma possibilidade de inclusão de disciplinas de outras áreas do conhecimento de modo a realizar a complementação dos estudos, e dessa forma favorecer a interdisciplinaridade! Quando se fala de uma proposta de flexibilização curricular, temos que entender é que um curso não vai perder sua visão específica dos conhecimentos, mas quando permite que o aluno faça o intercâmbio com outras disciplinas de outras áreas do conhecimento, da ideia do todo! E isso tem uma relação muito forte com um dos conceitos de interdisciplinaridade que conhecemos, que é a ideia de dar a dimensão do todo. Se formos pensar a flexibilização curricular também como uma possibilidade de uma atualização constante dos professores e atualização do currículo, também é importante! Porém, como eu digo, ainda dentro da minha própria área do conhecimento, ela também é um desafio! Eu falava que era um desafio para os professores das áreas específicas, mas é um desafio para nossa área também...porque esse professor que vai dar aulas nas disciplinas pedagógicas, e digo...especificamente do ensino de Biologia, ele precisava ter um pouco de conhecimento sobre inclusão, sobre as questões étnico-raciais, sobre os direitos humanos, e que muitas vezes foge da nossa formação, e isso também eu vou confessar que é desafiador, mas que vejo que, como professores, precisamos correr atrás! Constituindo-se como professores, precisamos aprender muitas coisas ao longo da carreira, e vejo

163 enxergar esse todo complexo. Então é claro que algumas disciplinas têm

caráter mais interdisciplinares que outras, mas quando eu trabalho com questões de ensino, eu tenho necessidade a mobilização de diferentes conhecimentos. Se eu pensar por exemplo no currículo eu vou ter disciplinas que vão ter um caráter muito interdisciplinar, por exemplo as nossas disciplinas da área de ensino, todas elas têm caráter muito interdisciplinar, quando eu necessariamente penso um conteúdo a ensinar por exemplo....quando eu penso que esse conteúdo a ser ensinado precisa ter processos que viabilizam o acesso desse conhecimento ao estudante. Então o professor vai ter que mobilizar conhecimentos que ele possui sobre questões psicológicas por exemplo, sobre questões que facilitam esse processo de ensino e de aprendizagem, então eu preciso mobilizar vários conhecimentos. O próprio campo de pesquisa da área do ensino de Química ele é multidisciplinar, tanto é que o campo de ensino está situado dentro da área multidisciplinar da CAPES...justamente porque ele tem esse caráter de precisar de várias disciplinas para resolver problemas desse campo de pesquisa...desse campo de estudo. Então vai ter lá... a disciplina, por exemplo, de Instrumentação do ensino de química que vai estar mobilizando conhecimentos de Química e os estudantes vão estar aprendendo conhecimentos de Química, como ensinar esses conhecimentos de Química, estarão aprendendo sobre inclusão, quando vai estar estudando textos que discutem essas questões...vai estar aprendendo questões que tem a ver com a transformação desse conhecimento científico para se tornar ensinável por exemplo. Então tem disciplinas com esse caráter muito interdisciplinar por natureza, mas é claro que, além disso, tem disciplinas que pensam em estratégias de ensino que já tem um caráter mais interdisciplinar também, como por exemplo a disciplina de projetos do Ensino de Química que talvez seja a disciplina que tem mais potencial de eu enxergar diferentes disciplinas quando se acabo trabalhando um tema/temática contextual, e ai penso numa organização didática e uma sequência de conteúdos e tudo mais...mas é claro que isso as vezes se torna um pouco mais complexo quando eu penso por exemplo no estágio, que o aluno se depara com uma lista de conteúdos que ele tem que ensinar e ai essa interdisciplinaridade acontece em outras dimensões, talvez não tanto como um projeto de ensino que a todo momento volta ao mesmo tema, mas muitas vezes como um conteúdo que acaba sendo vinculado a um campo maior de conhecimento e ai acontece a vinculação entre a disciplina que ensina um conteúdo e o mundo que é entendido também com esse olhar a partir da Química e algumas vezes é necessário mobilizar outros conhecimentos para poder entender melhor o conteúdo ou aquele tema que está sendo estudado. Então eu acho que as disciplinas têm vários potenciais de discussão nesse sentido e vejo que a dimensão interdisciplinar já é por natureza interdisciplinar no nosso curso e vejo como algo facilmente identificável, pelo menos para mim que sou formador, não digo que os alunos identifiquem, talvez eles não saibam localizar essas questões...talvez eles não saibam localizar essas questões até por uma

que essa atualização dentro da proposta de flexibilização curricular, como a atualização constante dos currículos também como sendo necessária!

É uma discussão que a gente sempre fazia nos núcleos das licenciaturas, se eu não dou conta de todas essas dimensões do currículo, e não tem como um único professor dar conta de tudo que se tem para trabalhar, nós procuramos colegas que trabalham dentro dessas propostas para que a gente faça uma parceria. Uma das questões que era orientada é a questão de gênero e sexualidade, bom eu não sou especialista em gênero e sexualidade e tampouco tenho tempo, por exemplo para aprofundar os conhecimentos com a Biologia. O que eu faço nessa circunstância, eu procuro professores de outras unidades que possam oferecer alguma disciplina que os alunos possam contemplar essa dimensão. Então isso eu vejo como interessante na flexibilização curricular e acho importantíssimo. Nós temos currículos dentro da universidade, pouco flexíveis e repito, é um começo para que se comece a mudar essa estrutura tão rígida que ainda temos na universidade e as DCNs de 2015 proporcionam isso! Mas por outro lado, sabemos que existem muitas resistências e que isso vai ser um trabalho de formiguinha, porque os currículos são pouco flexíveis e muitas disputas e muitas brigas, reuniões, discussões serão necessárias para que os nossos colegas comecem a compreender a ideia de flexibilização curricular