4.1 Análise da entrevista com alunos que usam BIM e os orientadores
4.1.3 Sobre o modo como os estudantes trabalham com sistemas BIM
Este item relaciona-se ao item 5 do questionário aplicado aos estudantes. Apresenta seis perguntas (Planilha 5) e questiona sobre a relação dos estudantes com o sistema BIM em seus projetos de arquitetura.
Dos dezessete estudantes que utilizam BIM, apenas três entrevistados afirmaram categoricamente que definem, desde o início, o projeto de arquitetura em ambiente BIM. Basicamente, declararam que fazem algum tipo de croqui ou mesmo desenhos ortogonais analógicos, utilizando-se papéis e tablets ou mesmo programas de CAD. Para os professores as respostas foram exatamente o contrário, ou seja, dos dez professores entrevistados apenas dois perceberam que seus orientados definem os seus projetos em ambientes não BIM. Provavelmente, esse contraste deve-se ao fato de que os estudantes, com raras exceções, não trabalham mais nos ateliês, “pegam” suas orientações e vão embora. As primeiras
ideias chegam até os seus orientadores já codificadas e transferidas para ambiente BIM. Esse comentário não prejudica em nada a relação professor-aluno, apenas o fato de que os orientadores não têm mais o controle de todo o processo, se é que algum dia eles tiverem. Talvez o modelo clássico e renascentista, segundo o qual o mestre ensina e o pupilo, de tempo integral, assistia aprendendo, até se tornarem profissionais capacitados, seja o exemplo clássico de controle total das etapas do aprendizado.
Quando perguntado aos estudantes se eles definiam a estrutura diretamente em ambiente BIM, a maioria (nove) ainda confirmou que, como na pergunta anterior, também não definem a estrutura no ambiente BIM. Outros seis estudantes confirmaram que, mesmo não definindo o “partido” arquitetônico no ambiente BIM desde o início, definem a estrutura em ambiente BIM. Dos três estudantes que afirmaram que definem o projeto de arquitetura em ambiente BIM desde o início, apenas um estudante, e de forma incoerente, não define a estrutura no ambiente BIM. Esta é uma resposta totalmente inesperada, pois se o estudante tem conhecimento e segurança para iniciar um projeto desde as suas primeiras ideias no ambiente BIM seria natural que a estrutura também fosse definida no ambiente BIM, como uma consequente sequência de comandos e das etapas do projeto, mesmo que em momentos distintos.
Dos dez professores entrevistados (Planilha 6), apenas três entendem que os estudantes definem a estrutura em ambiente BIM e dois professores não souberam avaliar. Dos oito estudantes que afirmaram que definem estrutura diretamente em ambiente BIM, apenas um deles está em consonância com a resposta do seu
ASSUNTO A B C D E F G H I J K L M N O P Q SIM NÃO SIM NÃO
5
5.1Você define a o projeto de arquitetura, inicialmente, em ambiente BIM? 3 14 17,65% 82,35%
5.2Você define a estrutura direto no programa BIM? 8 9 47,06% 52,94%
5.3Você define a estrutura no inicio do projeto? 8 7 47,06% 41,18%
5.4Este momento(5.1) é independente de estar usando a ferramenta BIM ? 9 5 52,94% 29,41%
5.5Você define os materias construtivos direto no BIM? 8 8 47,06% 47,06%
5.6Você define os materias construtivos no inicio do projeto? 8 9 47,06% 52,94%
TOTAL
%
Sobre a sua maneira de trabalhar com BIM
Nº ESTUDANTES QUE UTILIZAM BIM PUC GOIÁS
UEG
UFG
respectivo orientador, ou seja, os outros sete estudantes afirmaram que definem a estrutura no ambiente BIM, o que não foi percebido pelo seu orientador. Ou o estudante define a estrutura longe do olhar do orientador ou ele não está percebendo a estrutura no modelo do ambiente BIM, mesmo que o estudante dê as primeiras informações e adie parte da estrutura para momentos posteriores.
Dos oito estudantes que afirmaram definir a estrutura em ambiente BIM, três não o fazem no início do projeto e dois não souberam responder. Mas, dos oito estudantes que afirmaram que definem a estrutura no início do projeto, cinco não o fazem em ambiente BIM e apenas quatro não definem no início e nem em ambiente BIM. Mesmo sendo a minoria, esses últimos, tendem a seguir uma lógica razoável, pois afirmaram que não definem desde o início do projeto de arquitetura no ambiente BIM. Diferente de outros três estudantes, que afirmaram que definem a estrutura desde o início no ambiente BIM e o projeto arquitetura eles definem, primeiramente, fora do ambiente BIM. Mesmo não sendo uma aparente contradição, é curioso que estes estudantes tratam a definição do projeto de arquitetura e estrutura de maneiras diferentes.
Entre os professores, apenas dois mantiveram a opinião a respeito de como o seu orientando define arquitetura e estrutura no ambiente BIM. Um afirmou que o estudante não definiu nem arquitetura nem a estrutura em ambiente BIM, ao passo que o outro professor afirmou que o seu orientando definiu a arquitetura e a estrutura desde o início do projeto. Um terceiro afirmou que, mesmo não sabendo se o estudante definiu a estrutura no ambiente BIM, definiu a estrutura no início do projeto e a arquitetura inicialmente em ambiente BIM. Outro professor afirmou que seu orientando não definiu nem arquitetura, nem a estrutura em ambiente BIM, mas definiu a estrutura desde o início do projeto. Não coube a esta pesquisa avaliar o nível de estrutura exigido por cada orientador, mas espera-se que cada um deles esteja referindo-se aos elementos mínimos de um edifício, como as vigas, os pilares e as lajes. Em alguns casos, dependendo do projeto, o orientador deveria exigir elementos adicionais com os encapsulamentos e esquadrias, mais especificamente nos casos em que a tecnologia construtiva, escolhida para o projeto, solicitasse esse tipo de intervenção.
Adicionalmente para os estudantes foi perguntado se eles definem a estrutura desde o início do projeto de arquitetura, independentemente de estar no ambiente BIM. A maioria deles afirmou que este momento da definição independe de se estar em ambiente BIM ou não, três não souberam responder e cinco afirmaram que o ambiente influencia a tomada de decisão. Destes cinco estudantes, apenas um afirmou inicialmente que define a estrutura desde o início do projeto de arquitetura. Quatro afirmaram que o ambiente BIM influencia o momento de definição da estrutura, mas, incoerentemente, não a definem no início do processo projetual. Provavelmente, se compreenderam bem a pergunta, eles acreditam que o início do projeto não é o momento adequado de se definir a estrutura, mesmo no ambiente BIM.
Quanto aos materiais construtivos, sete estudantes confirmaram, da mesma forma quando responderam quanto ao emprego da estrutura no projeto de arquitetura, coerentemente às suas convicções. Destes, apenas três estudantes afirmaram que definem os materiais diretamente no ambiente BIM. Além desses três estudantes, outros cinco estudantes afirmaram que também definem materiais diretamente no ambiente BIM. É um número muito baixo, se consideradas as facilidades dos programas BIM, que “oferecem” uma variedade de opções já cadastradas e referenciadas. A opinião dos professores foi muito equilibrada quanto à escolha dos materiais diretamente em ambiente BIM, coerente com as respostas dos estudantes. O que chamou a atenção nessa resposta foi o fato de todos os quatro orientadores que têm mais de um orientando responderem positivamente à questão. Destes quatro orientadores, dois afirmaram positivamente quanto à definição da estrutura diretamente em ambiente BIM.
Completando o conjunto de perguntas de como os estudantes trabalham com projeto de arquitetura em ambiente BIM, foi perguntado se os estudantes definem os materiais construtivos no início do projeto. Dos dezessete estudantes, oito afirmaram que definem desde as etapas iniciais, sendo que destes apenas dois definem matérias em ambiente BIM. No conjunto das respostas, apenas quatro estudantes definem estrutura e materiais construtivos diretamente em ambiente BIM, Estes dois definem a estrutura no início do projeto, mas não definem os materiais construtivos nas etapas iniciais, mas responderam que este momento é
independente do ambiente BIM. Outro, o terceiro deste grupo de quatro estudantes, define os materiais no início do processo projetual, mas não define a estrutura no inicio do processo, muito embora não tenha sabido responder o momento da definição da estrutura, seja independentemente do ambiente BIM. Os professores afirmaram (Planilha 6) quase na sua totalidade, exceto dois, que os estudantes que utilizam BIM não definem materiais construtivos no início do projeto. Resposta diferente da percepção dos estudantes, pois praticamente a metade acredita estar definindo os materiais no início do processo.
Para melhor análise e compreensão desse conjunto de perguntas/respostas, adicionaram-se mais duas questões aos professores-orientadores sobre os estudantes que não utilizam BIM e suas relações com os materiais construtivos e a estrutura. As respostas foram semelhantes, pois apenas um professor (diferente) em cada pergunta não soube responder e os outros nove professores afirmaram que os estudantes não definem nem a estrutura e nem os materiais construtivos no início do projeto. É bom lembrar que os orientadores, mesmo aqueles com mais de um orientando que utilizam BIM, têm, da mesma forma, outros tantos que não utilizam BIM, independentemente da IES pesquisada. Certamente não é foco desta pesquisa saber exatamente quantos estudantes cada professor orienta, mas é sabido que o campo de atuação abrange dezenas de estudantes, então, a negativa de praticamente todos os professores dá uma perspectiva bastante contundente de
N/S
ASSUNTO 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
5
5.1 Ele define a o projeto de arquitetura, inicialmente, em ambiente BIM? 8 2 80,00% 20,00%
5.2 Ele define a estrutura direto no programa BIM? 3 5 30,00% 50,00%
5.3 Ele define a estrutura no inicio do projeto? 4 6 40,00% 60,00%
5.4 Ele define os materias construtivos direto no BIM? 5 4 50,00% 40,00%
5.5 O aluno que usa BIM, define materiais construtivos no inicio do projeto? 2 8 20,00% 80,00%
5.6 O aluno que não usa BIM, define estrutura no inicio do projeto? 0 9 0,00% 90,00%
5.7 O aluno que não usa BIM, define os materiais no inicio do projeto? 0 9 0,00% 90,00%
SIM NÃO SIM NÃO
Sobre a maneira de projetar.
TOTAL
%
PROFESSORES ORIENTADORES
Nº PUC GOIÁS
UEG UFG
Sim Não
que a praxe projetual, mesmo ainda de forma tímida, apresenta sinais de mudanças de procedimentos importantes.