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Sobre o Conceito Preliminar do Curso – CPC

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Parte II – Avaliação das licenciaturas

3. Sobre o Conceito Preliminar do Curso – CPC

A nota técnica 58 expedida pelo INEP em 2015 esclarece como se dá o cálculo do CPC, o que o compõe e como é estabelecido o conceito

A composição e o cálculo do CPC abarcam 8 (oito) componentes, agrupados nessas três dimensões de avaliação da qualidade dos cursos de graduação:

a) Desempenho dos Estudantes: mensurado a partir das notas dos estudantes concluintes no Enade e dos valores do Indicador da Diferença entre os Desempenhos Observado e Esperado (IDD);

b) Corpo Docente: baseado em informações obtidas a partir do Censo da Educação Superior sobre a titulação e o regime de trabalho dos docentes vinculados aos cursos avaliados; e c) Percepção Discente sobre as Condições do Processo Formativo: obtida por meio do levantamento de informações relativas à organização didático-pedagógica, à infraestrutura e instalações Físicas e às oportunidades de ampliação (INEP, 2015, p. 4).

O Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes – ENADE é realizado desde 2004 em substituição ao “provão”. Em comum, os dois visam avaliar o desempenho dos alunos ao final do curso. Divergem no sentido de que o conceito do curso é apenas resultado do desempenho dos estudantes, para a extinta lei do “provão”. No que concerne ao SINAES, o ENADE figura como um dos elementos que compõe o CPC. Elemento importante, relacionado a 55% do valor do conceito do curso.

O exame direcionado aos alunos, estipulado no âmbito do SINAES, é uma avaliação que possui duas dimensões: uma específica, abordando os conteúdos da área no qual o discente se forma, e outra dimensão considerada generalista também para o curso que o profissional é formado. Os cursos de direito e medicina possuem avaliações diferenciadas, mas para os cursos de Licenciatura, o de Física, por exemplo, a formação generalista possui um caráter pedagógico enquanto os específicos referem-se a questões relacionadas ao saber Física. A nota do exame representa 20% do CPC

Relaciona-se à nota do ENADE a do ENEM, mais uma vez o recurso estatístico é utilizado essas notas são padronizadas e escalonadas, em seguida realiza-se uma operação de subtração cujo resultado é denominado Indicador da Diferença de Desempenho Observado e Esperado – IDD. O IDD é um recurso estatístico para considerar o desenvolvimento do estudante promovido pelo curso, a nota ENEM é o estado do discente quando entra e do ENADE quando conclui da graduação. Este indicador passou por modificações em 2014, por

exemplo, utilizava-se a média dos estudantes no ENEM, já em 2015 é a nota do estudante que entra na conta. O IDD representa 35% do CPC.

Onde:

é o IDD do estudante i da unidade de observação j;

é medida de desempenho do estudante concluinte i no ENADE, ponderada das notas no componente específico (75%) e na formação geral (25%), da unidade de observação j; e

é estimativa da parte do desempenho do estudante concluinte i da unidade de observação j no Enade, decorrente de suas características quando ingressante no curso (INEP, 2015, p. 22).

O IDD é conceituado pela nota técnica 58/2015 emitida pelo INEP como ferramenta no intuito de levar em consideração o papel agregador do processo formativo do estudante que ingressa na instituição.

Na segunda etapa da conceituação dos cursos são considerados dois aspectos do corpo docente: titulação (a proporção de mestres e doutores) e o regime de trabalho. Para cálculo destes, utiliza-se uma média aritmética simples e divide-se o número de docentes com a titulação requisitada, ou com o regime de trabalho parcial ou integral, pelo total de docentes da área sob análise. São mais valiosos os cursos que possuem doutores e cujo regime é de dedicação exclusiva. A segunda dimensão do CPC representa 30% de seu valor, dos quais a metade (15%) representa a proporção de doutores. A outra metade é dividida em dois, ou seja, 7,5% indica a proporção de mestres e 7,5% o regime de trabalho (INEP, 2015).

A terceira etapa da avaliação dos cursos é a percepção do discente sobre as condições do processo formativo através de questionário socioeconômico19. O conjunto de 68 questões deve ser respondido pelo aluno concluinte como etapa que antecede a prestação do ENADE. Lembrando que o exame acontece a cada três anos e submetem-se a ele os alunos concluintes no ano de realização da prova.

Há três aspectos a serem levados em consideração no questionário: “Nota referente à organização didático-pedagógica (NOj), Nota referente à infraestrutura e instalações Físicas (NFj) e Nota referente às oportunidades de ampliação da formação acadêmica e profissional (NAj)” (INEP, 2015b, p. 16). Em relação ao questionário as questões estão distribuídas entre 27ª a 68ª e possuem um padrão de resposta proposto pela escala likert possuindo seis níveis variando de discordo a concordo totalmente20 (INEP, 2015b). No total são 41 questões

19 Ver anexo III 20

represando 15% do CPC, distribuídos da seguinte forma: 7,5% correspondem à organização didático-pedagógica; 5% representam as instalações do curso; 2,5% as ampliações possíveis.

O valor proporcional de cada uma das três dimensões avaliativas pode ser visualizado no quadro abaixo retirado da nota técnica 58/2015 emitida pelo INEP.

Quadro 2– Composição do CPC e pesos das suas dimensões e componentes

DIMENSÃO COMPONENTES PESOS

Desempenho dos Estudantes

Nota dos Concluintes no Enade

(NC) 20,00%

55,00% Nota do Indicador da Diferença

entre os Desempenhos Observado e Esperado (NIDD)

35,00%

Corpo Docente

Nota de Proporção de Mestres

(NM) 7,50%

30,00% Nota de Proporção de Doutores

(ND) 15,00%

Nota de Regime de Trabalho

(NR) 7,50%

Percepção Discente sobre as Condições

do Processo Formativo

Nota referente à organização

didático-pedagógica (NO) 7,50%

15,00% Nota referente à infraestrutura e

instalações Físicas (NF) 5,00% Nota referente às oportunidades

de ampliação da formação acadêmica e profissional (NA)

2,50%

Fonte: INEP (2015b)

A determinação da nota de cada um dos oito componentes obedece o mesmo procedimento: 1. Calcula-se a média aritmética de cada item; 2. Calcula-se o desvio padrão; 3. Calcula-se o afastamento padronizado; 4. Utiliza-se a interpolação linear para cada um os afastamentos. Após todos os dados em mãos torna-se possível calcular o conceito de um curso, conforme fórmula abaixo:

Onde:

é a Nota contínua do Conceito Preliminar de Curso da unidade de observação j; é a Nota dos Concluintes no Enade da unidade de observação j;

é a Nota do Indicador da Diferença entre os Desempenhos Observado e Esperado da unidade de observação j;

é a Nota de Proporção de Mestres da unidade de observação j; é a Nota de Proporção de Doutores da unidade de observação j; é a Nota de Regime de Trabalho da unidade de observação j;

é a Nota referente à organização didático-pedagógica da unidade de observação j; é a Nota referente à infraestrutura e instalações Físicas da unidade de observação j; é a Nota referente às oportunidades de ampliação da formação acadêmica e profissional unidade de observação j (INEP, 2015b, p. 21).

A nota encontrada possui um valor contínuo, atribui-se o nome CPC contínuo do curso e seu valor é escalonado entre 1 e 5 conforme tabela abaixo.

Tabela 1 – Parâmetros de conversão do NCPCj em CPC

CPC (Faixa) NCPCj (Valor Contínuo) 1 0 ≤ NCj < 0,945 2 0,945 ≤ NCj < 1,945 3 1,945 ≤ NCj < 2,945 4 2,945 ≤ NCj < 3,945 5 3,945 ≤ NCj ≤ 5 Fonte: Inep/Daes

Como dissemos a avaliação dos cursos universitários é o mecanismo utilizado pelo MEC para o exercício das funções de supervisão e renovação desses cursos. A portaria normativa nº 4 de 2008 esclarece que de acordo com o conceito o processo de renovação de reconhecimento poderá ser suspenso. Os cursos que atingirem conceito preliminar insatisfatório (CPC < 3) devem obrigatoriamente receber avaliadores do INEP na instituição. Após a avaliação in loco o conceito poderá subir ou cair, caso continue inferior a 3 o curso será considerado em situação irregular (MEC, 2008).

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