5.2 A dinâmica associada das atividades
5.2.1 Descrição e análise dos vídeos
5.2.1.1 Sobre o tempo gravado ser suficiente para explanar
O tempo estipulado para a duração do vídeo foi negociado com a professora da disciplina, na presença dos alunos, enquanto era apresentado as regras de sua construção.
Enquanto a priori estava estabelecido 3 minutos, a professora da disciplina considerou estipular um tempo mínimo e máximo. Dessa forma, ficou acordado mínimo de 1 minuto e máximo de 3 minutos. Esse tempo está de acordo com a pesquisa de Guo, Kim, Rubin (2014), na qual constou que quase 100% de um total de 6,9 milhões de alunos deram atenção ao vídeo no máximo até 6 minutos de duração.
O tempo de gravação aqui exposto, pode ter uma variação de até 3s, para mais ou para menos, haja vista que no Status não apresenta o tempo total. Além disso, para fins de backup, a gravação da tela foi sempre iniciada no feed dos Status e não propriamente no vídeo. Como também, nem sempre o fim da gravação foi exatamente no último segundo do vídeo, ultrapassando algumas vezes. A identificação do tempo atingido por cada grupo foi associada à possibilidade de ter alcançado uma explanação do conteúdo em um vídeo de curta duração;
bem como, com a identificação do tempo de cada integrante do grupo foi observado possíveis desigualdades no investimento da duração de seus discursos.
O vídeo do grupo B ficou com quase 1 minuto de folga para completar o tempo máximo; de forma semelhante aconteceu com o vídeo do grupo F, pois chegou a quase 2 minutos; com tempo parecido aos grupos B e F, o grupo I atingiu 2 minutos. O vídeo do grupo E e G quase atingiu o tempo máximo.
O vídeo do grupo C chegou em 1m20s oficialmente. Entretanto, foi insuficiente nos momentos de leitura, pois os textos desapareciam de forma muito rápida. Para tornar uma leitura mais compassada, ao compartilhar a captura do vídeo no grupo da disciplina, foram realizadas pausas simulando uma leitura, que resultou em mais 50 segundos, ultrapassando assim os 2 minutos.
O grupo A excedeu o tempo de apresentação em 1m30s, alegando que havia esquecido desse detalhe de duração. Mas os constantes momentos dialógicos trouxeram leveza ao vídeo, atenuando a impressão de vídeo longo. Já o grupo D e H não ultrapassaram tanto como o grupo A, seu excesso foi de 37s e 36s respectivamente. Entretanto, esse razoável excesso passou despercebido no feedback. Como o grupo D foi o primeiro a postar o vídeo isso pode ser a razão que pode justificar o esquecimento posterior do sétimo grupo a se apresentar, o A, mas não pelo grupo H que foi o penúltimo.
Em apenas 2 momentos houve feedback no grupo da disciplina sobre o tempo de apresentação com relação às postagens dos grupos C e A, sexto e sétimo a se apresentar respectivamente, de um total de 9. Dessa forma, o fato do feedback não ter sido realizado no início das apresentações, não é identificado nenhum padrão da duração dos vídeos influenciados por esse retorno. Destacou-se esses momentos em razão do grupo C ter se descuidado na edição do tempo disponível de cada tela de apresentação textual e o grupo A pelo mesmo motivo em relação aos mapas conceituais apresentados, mas também por ter ultrapassado de forma excessiva o tempo apresentado.
Desta forma, o grupo C foi o grupo que apresentou o vídeo em menor tempo, com pouco mais de 1 minuto (poderia ter chegado a 2m com as pausas necessárias); 3 grupos (B, F, I) apresentaram vídeos em torno de 2 minutos, 2 grupos (E e G) quase atingiram o tempo máximo, 3 grupos (A, D, H) ultrapassaram os 3 minutos. Isso significa que 4 grupos produziram o vídeo em torno de 2 minutos em diante, o que representa quase 50%, considerando que são 9 grupos no total. De qualquer forma, 4 grupos representam a minoria.
O Quadro 12 mostra a duração do vídeo de cada grupo e também por aluno. O tempo exposto de cada aluno considera apenas seus momentos de fala e não as anotações textuais referentes à introdução, andamento e conclusão. Ao menos que os textos sejam acompanhados de discurso do aluno de forma concomitante. Dessa forma, o tempo dos grupos que tiveram apenas 1 representante no vídeo apresentam-se superiores se comparado ao tempo do aluno desse grupo.
Quadro 14 A – Duração do vídeo x trechos x explanação do conteúdo (continua) Grupo Tempo
Total Aluno Tempo Qtd.
Trecho Aprofundou o conteúdo?
D 3m36s
A1 15s 1
Sim
Apresentou a PBL e a TBL de forma explicativa, sem explorar as etapas que já haviam sido apresentadas no MC. Como foi a escolha de 3 alunos, conseguiu aprofundar apenas a PBL:
conceituou, comparou-a com o método tradicional de ensino tanto na abordagem do professor como na do aluno, citou seu objetivo e os benefícios dos alunos ao usá-la.
A2 14s 1
A3 47s 2
A4 59s 3
A5 1m09s 3
B 2m03s A1 40s 3
Parcial Explorou o conceito de MA até estendê-los a uma das perguntas.
A2 1m13s 5
F 1m54s AU 2m07s 4 Não
Conceituou MA de forma breve e apresentou etapas como se estivesse citando tópicos das 3 MA sem se estender a explicá-los.
E 2m58s
A1 19s 1
Sim
O grupo se concentrou em explicar de forma completa 1 tipo de MA, a TBL: conceituou, justificou sua escolha, respondeu a questão e apresentou um exemplo com mini tutorial.
A2 14s 1
A3 1m 2
A4 1m11s 6
Quadro 15 B – Duração do vídeo x trechos x explanação do conteúdo (conclusão) Grupo Tempo
Total Aluno Tempo Qtd.
Trecho Aprofundou o conteúdo?
G 2m59s AU 2m38s 7 Sim
Explanou de forma detalhada a ABP (PBL), e explicou como aplicar esse método, atendendo a pergunta de forma clara.
C 1m20s
A1 3s 1
Sim
Apesar do tempo mínimo de fala de cada integrante, houve consistência no conteúdo por meio de textos agregados ao vídeo:
conceituou MA, apresentou e fez uma breve reflexão sobre a Pirâmide de Aprendizagem, para contextualizar sua resposta curta.
A2 4s 1
A3 6s 1
A 4m30s AU 4m03s 10 Sim
Conceituou MA trazendo os novos papeis do aluno e professor e detalhou a PBL com seu objetivo, aplicação, explicação de 2 exemplos e questionário com link externo.
Além disso, alternou conceitos com reflexões.
H 3m37s
A1 34s 2
Parcial
Conceituou de forma breve MA, apresenta a TBL por meio de suas etapas, mas explica rapidamente a ABP, mais do que a PBL. O conteúdo foi mais explorado ao responder a questão escolhida.
A2 2m57s 6
I 2m AU 1m43s 4 Sim
Conceitua MA. Aborda a origem da TBL, cita e explana suas etapas e conclui fazendo uma explanação dessa MA.
Fonte: Autora (2022).
Para analisar a possibilidade de produzir um conteúdo que se distancie da superficialidade cogitada em vídeo de curta duração, o Quadro 12 também faz uma associação do que cada grupo conseguiu desenvolver com o tempo despendido. Nesse caso 2 terços (6 grupos) conseguiram explanar o conteúdo, além de 2 de forma parcial e apenas 1 não conseguiu. Contudo, não é porque o grupo explanou o conteúdo, que signifique que a questão do questionamento foi respondida de forma completa. O Quadro 12 mostra que entre os grupos, apenas o F não foi além da citação das etapas das Aprendizagens das Metodologias Ativas de nenhuma forma, faltou um melhor desenvolvimento do tema.
Os tempos individuais dos grupos que se apresentaram de forma colaborativa, ou seja, com outros integrantes, mostram quem mais contribuiu para a explanação do conteúdo do vídeo, bem como mostra que nem sempre o tempo distribuído de fala entre seus integrantes foi equilibrado. Por exemplo, no grupo D as duas primeiras participações (A1 e A2) foram de até 15s cada, muito curta; já as 3 últimas se prolongaram, variando entre 47s (A3) e 1m09s (A5), com uma diferença equilibrada de 22s. De forma semelhante aconteceu com o grupo E, no qual as 2 primeiras participações (A1 e A2) foram de até 19s, enquanto que os discursos de
A3 e A4 foram de pelo menos 1 minuto, mas a diferença entre eles não foi equilibrada. Já a diferença do tempo de gravação entre a dupla que representou o grupo B não foi muito ampla, resultando em 33s de diferença. Por fim, A1 do grupo H discursou durante 34s, enquanto sua dupla discursou quase 3 minutos sozinha.
Dessa forma, embora a turma tenha tido a oportunidade de produzir seus vídeos em grupo, nem sempre a colaboração é justa entre eles, pois uns desenvolveram mais o conteúdo do que outros. Isso pode ser em razão da assimetria de conhecimento explicada por Dillenbourg (1999), pois os sujeitos não possuem as mesmas habilidades. Em outras palavras, o baixo nível de habilidade quanto a inteligência linguística e verbal (GARDNER, 1994) pode ser a razão do encurtamento da duração da apresentação de alguns integrantes, causando assim uma falta de equilíbrio nos tempos distribuídos para cada integrante do vídeo. Por exemplo, uma aluna do grupo H por acaso afirmou em áudio “É porque uma colega gravou uma parte, e eu gravei mais 3 partes” (A2H), ao introduzir a justificativa de outro assunto.
Mas também, isso pode indicar uma falta de organização e planejamento da divisão do conteúdo e do tempo despendido a cada um. Entretanto, o ritmo de fala de cada indivíduo pode variar e assim influenciar na duração do tempo necessário para apresentar o conteúdo previsto. Ou seja, o mesmo tempo estipulado para diferentes alunos, pode ou não ser adequado, a depender do ritmo de fala deles. Contudo, essa pesquisa não analisa essa questão rítmica.
À medida que surge cada integrante na apresentação do vídeo, percebe-se, no Quadro 12, uma tendência em ordem crescente da quantidade de trechos de todos os grupos que se apresentaram de forma colaborativa: D, B, C, H (totalmente) e E (parcialmente). Ou seja, os primeiros integrantes possuem mínimas participações, tanto indicada pela quantidade de trechos de cada integrante, como por seu correspondente tempo falado. Nesse sentido, a primeira integrante do grupo D e E, ambas imigrantes digitais, tiveram um tempo mínimo de apresentação e ficaram incumbidas de apenas introduzir o assunto de forma breve. Isso pode ter sido um acordo entre os integrantes do grupo, em um esforço conjunto para que o maior número de integrantes participasse do vídeo dentro de suas limitações, considerando que nem todos têm facilidade de se expor. Esse esforço conjunto, no qual os integrantes se mobilizam para a finalização de uma mesma tarefa, ou seja do vídeo, é considerado por Dillenbourg (1999) como uma colaboração.
Portanto, ainda que nem sempre o tempo de gravação de cada integrante do vídeo foi bem distribuído, mostrando que as contribuições colaborativas foram desniveladas, mas
juntos, maior parte deles conseguiram explanar o conteúdo dentro das condições de um vídeo curto.