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SOBRE PSICOMOTRICIDADE RELACIONAL E EDUCAÇÃO 11

Anselmo Barce Furini

O presente texto foi escrito a partir da transcrição de entrevista concedida ao professor Anselmo Furini pelo professor Dr. Airton Negrine, pesquisador da área da Psicomotricidade Relacional no Brasil. Agradece-se a gentileza do professor Negrine em concedê-la, e destaca-se que seu entusiasmo por uma educação renovada, seu profissionalismo e sua presença educadora contagiam a todos.

Entrevista

Anselmo - Conte-nos aspectos importantes de tua trajetória e formação em Psicomotricidade Relacional:

Negrine – Em primeiro lugar é importante dizer que a psicomotricidade como área de conhecimento surgiu no início do século XX. Inicialmente focada para a deficiência, no momento em que um médico começou a inferir que poderia haver algumas correlações entre as deficiências físicas e mentais e os processos do desenvolvimento psicomotor. A partir daí o doutor Dupré criou o termo psicomotricidade.

11 O professor Negrine concedeu esta entrevista ao professor Anselmo em 22/04/2008, em Porto Alegre. Seus livros estão listados no final da entrevista (não são citados artigos em revistas científicas e demais publicações).

Inicialmente vou contar como foi meu envolvimento com a psicomotricidade. Quando conclui minha graduação em Educação Física, em 1971, em Porto Alegre/RS, na Escola Superior de Educação Física da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (ESEF/UFRGS), não se falava sobre essa área do conhecimento, até porque naquela época o curso de Educação Física da UFGRS no Rio Grande do Sul era pioneiro e a Educação Física era predominantemente focada à vertente esportiva.

Aluno ainda da Escola de Educação Física, tive o privilégio de estudar na biblioteca particular do professor Jacinto Francisco Targa, que na época era o diretor da escola e tinha uma biblioteca particular na sua residência. A biblioteca, após sua morte, foi doada pela família à ESEF/UFRGS. Tinha um acervo diferenciado e muito atualizado para a época. O professor Targa tinha livros no seu acervo que não se encontrava inclusive na biblioteca da escola de Educação Física da UFRGS.

O referido professor era o presidente da Associação de Professores de Educação Física do Estado do Rio Grande do Sul e costumava viajar anualmente para congressos internacionais da Federação Internacional de Educação Física – FIEP.

No ano de 1970, quando seu aluno, recebi o convite para trabalhar na academia de ginástica que ele tinha em sua casa. Passei a atender um grupo de pessoas que iam fazer ginástica na academia e, posteriormente, também faziam sauna. Na sua residência o professor Targa havia construído uma sauna seca estilo finlandês.

Nos dias que tinha aula na academia do professor Targa, costumava ir uma hora antes e passei a visitar sua biblioteca, local onde costumava ler e preparar alguns trabalhos da faculdade.

Logo percebi que havia livros sobre psicomotricidade, publicações recentes geralmente editadas em francês e espanhol.

Passei a tomar conhecimento da psicomotricidade por meio das leituras dos livros que havia na biblioteca do professor Targa. As leituras das obras fizeram com que eu despertasse interesses pelo tema.

Então, logo que me formei em Educação Física (1971), começei a atuar como professor de Educação Física em escola pública do estado em Porto Alegre, concomitantemente era professor da Escola

Superior de Educação Física de Cachoeira do Sul. Lá fui professor de Recreação, de Didática da Educação Física, de Ginástica Geral e Orientador de Estágio, onde permaneci por dois anos. Na disciplina de Didática da Educação Física já informava aos alunos sobre a importância da psicomotricidade na Educação Infantil e nas Séries Iniciais do (antigo) primeiro grau.

Em 1974 fui convidado para lecionar Didática da Educação Física na Escola Superior de Educação Física do Instituto Porto Alegre – IPA, onde permaneci por mais de vinte anos.

No IPA tive a oportunidade de exercer influências nas reformas curriculares que se sucederam no curso de Educação Física. A ESEF/

IPA foi a primeira escola de Educação Física no estado do Rio Grande do Sul a incluir no currículo a disciplina de Psicomotricidade. Esse é um dado histórico importante, disciplina da qual passei também a ser professor titular.

No IPA, ao final da década dos anos de 1970, também passei a atuar com coordenador pedagógico e coordenador da Educação Física da escola de 1º e 2º graus. Face ao vínculo que tinha com a psicomotricidade, em 1977 implantamos um projeto de psicomotricidade na Educação Infantil da instituição, também sob minha orientação.

Nesse momento histórico eu trabalhava como a psicomotricidade dentro de uma perspectiva funcionalista, abordagem dos livros publicados pelos primeiros formadores de opinião, como Jean Le Boulch, Pierre Vayer, André Lapierre e Bernard Aucouturier, fundamentalmente. Esses livros nos dias de hoje (2008) ainda estão no mercado e são lidos por grande contingente de profissionais de diferentes áreas da educação.

Falar em Psicomotricidade Funcional significa entender que ela nasce num marco biológico, o mesmo que deu origem à Educação Física como área de conhecimento. Costumo caracterizar essa visão da psicomotricidade como aquela que se desenvolve a partir das famílias de exercícios. Quer dizer, segue mais ou menos os princípios da ginástica clássica.

Também no final dos anos de 1970 passei a ministrar os primeiros cursos de especialização em psicomotricidade no Rio Grande do Sul. Os primeiros cursos foram organizados pela Faculdade Católica

de Medicina em conjunto com a Associação Médica do Rio Grande do Sul e eram coordenados inicialmente pelo professor Dr. Eduardo Henrique de Rose. Na ocasião, eu era responsável pela disciplina de Desenvolvimento Psicomotor. Nos anos subsequentes muitos cursos de psicomotricidade foram realizados em Porto Alegre e no interior tutelados pela Associação Médica do Rio Grande do Sul e coordenados pelo professor Dr. Francisco Camargo Neto.

Até 1998 foram muitos os cursos12 de Psicomotricidade Funcional que ministrei no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, fundamentalmente, mas também em outros estados da Federação, como Goiás, Alagoas e Minas Gerais.

Quando decidi fazer o curso de Doutorado em Filosofia e Ciências da Educação, o país escolhido foi a Espanha. Não foi uma escolha aleatória. Deu-se segundo alguns critérios. Primeiro porque eu dominava a língua espanhola. Segundo porque sabia que na Espanha pela situação geográfica próxima à França, país berço da psicomotricidade, havia muitas alternativas de formação em psicomotricidade, uma vez que até então eu me considerava um autodidata nessa área do conhecimento.

Chegando à Espanha, decidi conciliar a realização do curso de doutorado com um de especialização em psicomotricidade. Procurei aquele cuja linha era direcionada para a formação de psicomotricistas relacionais, vertente que até então desconhecia.

Em 1991 ingressei no curso de Psicomotricidade Relacional que era promovido pela Secretaria Municipal de Educação de Barcelona.

Para conseguir matricular-me no curso de especialização, tive que fazer um curso de nivelamento, como era chamado. Foi um intensivo de duas semanas de Formação Pessoal. Fiz o curso e fui me matricular no curso de especialização em Psicomotricidade Relacional, mas me deparei com outra exigência para poder efetivar a matrícula. Era exigido que o candidato estivesse atuando com crianças na Educação Infantil. Nesse caso, ofereci-me como voluntário para trabalhar numa escola em Torre Baró, próximo de Barcelona. Lá fiquei um ano letivo atuando com crianças de dois a seis anos, uma vez que era a escola de aplicação do curso de especialização. Os professores formadores ali atuavam coordenados pela professora Kati Omar, discípula de Bernard Aucouturier.

12 Refere-se aos cursos de especialização, de atualização e de extensão universitária.

O curso de especialização que realizei nos anos de 1991 e 1992 em Barcelona seguia a linha teórico-prática proposta por Bernard Aucouturier. Nesse momento histórico, o professor Aucouturier e seus seguidores faziam questão de destacar que ele havia se separado dialeticamente do professor André Lapierre, outro ícone da Psicomotricidade Relacional.

Aproveito a oportunidade para destacar que o professor Aucouturier até 1993 não havia escrito nenhum livro no qual estivesse expressa a sistematização da prática psicomotriz relacional que propunha nas palestras e que realizava no seu laboratório na cidade de Tour na França. Todavia, havia prefaciado o livro de Pillar Árnaiz intitulado: “A prática psicomotriz em Bernard Aucouturier”.

Dos professores que atuavam como formadores no curso de especialização, apenas um tinha formação em Educação Física. Os demais eram pedagogos, psicólogos, psicopedagogos. Todos eram seguidores de Aucouturier, ao ponto de promoverem congressos anuais de psicomotricidade em Barcelona e não convidarem nenhum professor que fosse seguidor das ideias de André Lapierre, tal era a rivalidade que se estabeleceu entre os dois ícones da Psicomotricidade Relacional nos países europeus.

O curso Psicomotricidade Relacional que realizei em Barcelona estava formatado em três vertentes de formação: a teórica, a pedagógica e a pessoal. Para mim, as inovações estavam nas vertentes pedagógica e fundamentalmente na pessoal. Como havia me proposto atuar como voluntário numa escola infantil, e por coincidência essa escola era de aplicação da formação pedagógica do curso, acompanhei durante um ano letivo o trabalho dos professores formadores, isto é, tive o privilégio de ver aqueles que ministravam o curso atuarem como psicomotricistas relacionais.

Devo registrar que, quando fui para a Espanha fazer o doutorado e a especialização em Psicomotricidade Relacional, já tinha uma longa experiência como professor universitário, logo com um poder crítico diferenciado em relação aos demais cursistas que eram jovens recém-formados em Educação Física, Pedagogia, Psicologia, fundamentalmente.

Ao observar as aulas de Psicomotricidade Relacional que os formadores dirigiam dentro das concepções teórico-prática do

professor Aucouturier, percebi que as sessões iniciavam com um circuito13, pelo qual todas as crianças tinham de passar. Ou seja, no início a sessão era totalmente diretiva, como um “Treinamento em Circuito”.

Via aquele procedimento metodológico contraditório com o que apregoavam na teoria. Somente depois que as crianças passassem pelo menos três vezes pelo circuito montado o jogo se tornava livre.

Eu não concordava com o método que eles propunham, porque o trabalho em circuito de nada se diferenciava da Psicomotricidade Funcional, mas durante a minha formação tive que realizar as sessões tal qual eram ensinadas. Bem, já escrevi e critiquei tais procedimentos.

O fato realmente inovador da formação que recebi na Escola de Expressão e Psicomotricidade da Prefeitura de Barcelona se refere à Formação Pessoal, que era a formação corporal do Psicomotricista Relacional. Ali encontrei o que faltava na minha formação como psicomotricista. Aprendi, inovei e fui formando convicções significativas de como trabalhar corporalmente professores em formação. Digo professores, independente da área de atuação. Esse trabalho venho desenvolvendo ainda no momento atual e tem me proporcionado aprendizagens significativas sobre conhecimento do comportamento humano.

Também no momento da minha formação como Psicomotricista Relacional na Escola de Expressão e Psicomotricidade, percebi que, embora os formadores não admitissem, seguiam a concepção teórica de desenvolvimento proposta por Jean Piaget.

Aucouturier e Lapierre nos livros que escreveram em conjunto também referiam que não tinham comprometimento com nenhuma concepção teórica do ponto do desenvolvimento psíquico e cognitivo, todavia enalteciam as concepções propostas por Piaget.

Nos seus livros nunca fizeram nenhuma referência aos estudos de Vygotski.

Naquele momento, no curso de doutorado que vinha realizando na universidade de Barcelona, estudava as concepções teóricas de Vygotski. De pronto percebi que a metodologia da Prática Psicomotriz

13 A palavra circuito significa que previamente era organizada uma série de exercícios que todas as crianças realizavam um de cada vez. A explicação dada pelos facilitadores era que o jogo sensório-motor constituía o núcleo básico da teoria de Aucouturier.

Relacional se ajustava muito ao que propunha Vygotski, seja na forma de entender o desenvolvimento humano, que é o oposto da que pensava Piaget, seja na forma de entender o surgimento do jogo no comportamento infantil.

É sabido que, quando nos falta base teórica é impossível fazer a leitura do que ocorre com o comportamento humano. Com o passar das aulas de formação pedagógica percebi que os meus formadores da Escola de Expressão e Psicomotricidade sabiam como intervir no jogo simbólico e interpreta-lo, esta era a minha análise crítica naquele momento. Mas para mim foi um momento muito rico de novas aprendizagens, inclusive para pensar nos projetos que posteriormente desenvolvi no Brasil, após o retorno do doutorado.

A partir dessa formação, formei a convicção de que a ferramenta pedagógica fundamental da Psicomotricidade Relacional seria o jogo entendido como o ato de brincar, e que o jogo simbólico era o que deveria ser potenciado considerando os ingredientes evolutivos que ele engendra.

A tese de doutorado que apresentei no ano de 1993 na Universidade de Barcelona levou como título “Psicomotricidade e Jogo”. O projeto inicial, quando decidi ir para a Espanha, havia sido realizado. Ao estudar a psicomotricidade e o jogo ficou transparente para mim que o jogo no sentido do brincar foi a inovação da Psicomotricidade Relacional não assumida e nunca dita, nem por Lapierre nem por Aucouturier.

Sobre a relevância do brincar como elemento fundamental do processo evolutivo já havia muitas publicações, seja de psicólogos, psicanalistas, antropólogos e pedagogos. Talvez por isso Lapierre e Aucouturier, precursores da Psicomotricidade Relacional, nunca fizeram referência a esse componente pedagógico de singular importância nos processos de desenvolvimento e aprendizagem infantil.

Em 1993 retornei ao Brasil após a conclusão do doutorado, e em 1994 apresentei pela primeira vez para a FEEVALE/Novo Hamburgo/RS nova versão do curso de Pós-Graduação em Psicomotricidade Relacional. Nessa instituição nos anos de 1994 e 1995, formei dois grupos de psicomotricistas relacional com um formato de curso de especialização com três vertentes de formação:

teórica, pedagógica e pessoal.

A inovação do projeto pedagógico apresentado e desenvolvido na FEEVALE foi tão bem aceita que, em 1995, no Centro Universitário La Salle/Canoas/RS, comecei a formar psicomotricistas relacionais.

Até 2007 foram treze grupos formados. (informação verbal).

Anselmo – Professor Negrine, atualmente qual é o seu envolvimento com a Psicomotricidade Relacional?

Negrine - Meu envolvimento continua sendo por meio dos cursos de especialização que coordeno e atuo como professor de três a quatro disciplinas. Acrescento que em 2001/2002 e 2006/2007 realizei o mesmo projeto na Universidade de Caxias do Sul. Duas turmas de professores realizaram o curso sob nossa orientação. Para o segundo semestre letivo de 2008 está previsto iniciar a terceira edição naquela instituição de ensino, local na qual estamos atuando atualmente como professor.

Nos últimos anos fiz algumas alterações no projeto do curso decorrentes da grande demanda de crianças que acedem ao programa de extensão que ocorre paralelamente ao curso de especialização.

Viemos tendo uma grande demanda de crianças portadoras das mais variadas deficiência; portanto, além do enfoque educativo, passamos a trabalhar também com um enfoque terapêutico.

Na realidade, a psicomotricidade, seja ela funcional ou relacional, apresenta segundo nossa forma de pensar duas abordagens: educação psicomotora e terapia psicomotora, embora os autores clássicos falem de três - educação, terapia e reeducação. Vejo a reeducação psicomotriz como tarefa dos fisioterapeutas. O termo reeducação significa educar novamente. Ela está direcionada às pessoas que perdem mobilidade de determinado segmento em função de traumatismo, por exemplo.

A terapia psicomotriz desde uma perspectiva relacional promove resultados fantásticos, sejam com portadores da síndrome de autismo, portadores de paralisia cerebral, diferentes casos de deficiências mentais, e outras tantas patologias e síndromes.

(informação verbal).

Anselmo – Considerando a vertente educativa, de que maneira a Psicomotricidade Relacional pode se inserir na escola?

Negrine – Em primeiro lugar, quero destacar que a partir da vertente educativa, na minha forma de pensar, a Psicomotricidade Relacional é uma ferramenta pedagógica voltada à Educação Infantil e Séries Iniciais do Ensino Fundamental. Ela deve ser uma metodologia para se trabalhar a expressão e a comunicação corporal das crianças tendo como objetivo precípuo a exteriorização corporal.

(informação verbal).

Anselmo - Mas como disciplina?

Negrine - Eu já escrevi sobre isso no livro O corpo na educação infantil, publicado pela editora da Universidade de Caxias do Sul.

A Psicomotricidade Relacional não veio para ocupar o espaço da Educação Física. Ela veio para instrumentalizar o professor de Educação Física e pedagogos em geral para trabalhar corporalmente com as crianças.

A Psicomotricidade Relacional é uma ação pedagógica que tem como objetivo promover todas as formas possíveis de exteriorização corporal da criança pequena. Por isso, na nossa forma de pensar, ela está estruturada para a Educação Infantil. A partir da Educação Infantil a Educação Física pode perfeitamente oferecer às crianças e aos jovens uma série de aprendizagens corporais significativas ao processo de socialização e ampliação do vocabulário psicomotriz.

Todavia, em todas as faixas etárias o professor de Educação Física pode se servir de uma série de pressupostos pedagógicos utilizados na Psicomotricidade Relacional, como a rotina, os rituais, as estratégias de intervenção pedagógica, etc. (informação verbal).

Anselmo - E por que na Educação Infantil?

Negrine – Por dois motivos. Primeiro para quebrar um pouco a predominância da unidocência. Ela não se sustenta mais teoricamente. Hoje temos conhecimento científico suficiente para

discernir o que é fundamental para o processo de desenvolvimento humano. Isso significa que, quanto mais modelos uma criança tiver, maiores as possibilidades de criatividade e de comparação.

Unidocência pode ser comparado com uma mãe má e uma mãe boa. Se o professor tiver empatia com a criança, o ano será feliz;

caso contrário, a criança terá que se adequar às condições adversas.

Se a escola infantil tivesse mais especialistas atuando, os modelos e a riqueza de experiências se multiplicariam. As crianças seriam de fato as beneficiadas, como seriam também os professores. É claro que isso não se quer discutir porque envolve aumento de custos com professores. Mas enquanto o modelo da unidocência predominar na Educação Infantil e nas séries iniciais, estaremos estagnando as possibilidades de desenvolvimento e de aprendizagens da criança.

O segundo motivo é porque, quanto menor for a criança, menos contaminada está. Isso significa que maiores são as possibilidades de esta perspectiva pedagógica proporcionar a exteriorização corporal por meio do jogo simbólico, das experimentações corporais múltiplas e variadas. A perspectiva pedagógica da Psicomotricidade Relacional de provocar a criança a verbalizar, a falar de suas produções, de respeitar o espaço do outro, de não julgar o mérito das ações, da permissividade na realização de seus jogos elevam de forma considerável a autoestima. Esse é um fator balizador das aprendizagens significativas. (informação verbal).

Anselmo - Que tipo de envolvimento podem ter os pais das crianças que participam das sessões de Psicomotricidade Relacional na escola?

Negrine – Quando se trata de Educação Infantil, a participação dos pais é de fundamental importância. Em primeiro lugar, porque nem sempre os processos evolutivos da criança ocorrem à “luz dos nossos olhos”. Há uma série de aprendizagens que a criança pode estar adquirindo, mas que ainda ela não apresenta na escola. Se não apresenta na escola, os professores não percebem. Nesse caso, a família sempre é capaz de dar informações preciosas. Em segundo lugar, penso que os pais devem saber quais as premissas pedagógicas fundamentais que a escola trabalha. O que é valorizado e priorizado

no comportamento entre iguais. Se os pais não sabem disso, como vão coibir comportamentos dos filhos que não se coadunam com aqueles que a escola pensa em incutir no aluno? Penso que os pais devem saber das regras e normas que adotamos nas sessões de Psicomotricidade Relacional, e por que os adotamos. Isso eu costumo fazer com eles antes de iniciar qualquer programa no qual trabalho com crianças voluntárias. Antes de iniciar o projeto, reúno os pais para expôr os princípios pedagógicos que serão percorridos, a fim de que não haja mal entendidos.

Penso também que é fundamental que os pais sempre mantenham um canal de comunicação com a escola, seja para informar novos comportamentos observados nos seus filhos, seja para saberem como seus filhos se comportam na escola. Afinal, a função de educar as crianças não é somente da escola.

Vou aproveitar, todavia, a pergunta que você me faz para destacar um aspecto que penso ser de singular relevância. Os

Vou aproveitar, todavia, a pergunta que você me faz para destacar um aspecto que penso ser de singular relevância. Os