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2 GRUPO ECONÔMICO NA JUSTIÇA DO TRABALHO

4.2 SOLIDARIEDADE DO GRUPO ECONÔMICO TRABALHISTA

4.2.2 Solidariedade passiva e ativa do grupo econômico

Em posi‚€o contr…ria a aplica‚€o exclusiva da solidariedade passiva ao grupo econƒmico, parte da doutrina defende a aplica‚€o da solidariedade passiva aliada a solidariedade ativa, ou seja, defendem a aplica‚€o de uma solidariedade dualista (passiva e ativa)136, a qual passaremos a abordar.

A solidariedade passiva e ativa destaca-se pela pluralidade de credores e devedores, ou seja, tanto o empregado, quanto as empresas componentes do grupo s€o dotados de obriga‚‰es:

A solidariedade das empresas componentes do grupo n€o existe apenas perante as obriga‚‰es trabalhistas que lhes decorrem dos contratos empregat†cios (solidariedade passiva), mas tamb‡m perante os direitos e prerrogativas laborais que lhes favorecem em fun‚€o dos mesmos contratos (solidariedade ativa).137

Nesse sentido, “Todos os membros do grupo seriam, pois, ao mesmo tempo, empregadores e n€o somente garantidores de cr‡ditos derivados de um contrato de emprego.” 138

Essa linha de racioc†nio surge atrav‡s da interpreta‚€o de forma ampla do art. 2Š, ‹ 2Š da CLT139, especificamente • parte do texto legal que disserta sobre a solidariedade “para efeitos da rela‚€o de emprego”.140

136

MEIRELES, Edilton. Grupo econômico trabalhista. S€o Paulo: LTr, 2002, p. 200.

137

DELGADO, Maur†cio Godinho. Curso de direito do trabalho. S€o Paulo: Ltr, 4“ ed., 2005, p. 403.

138

DELGADO, Maur†cio Godinho. Curso de direito do trabalho. S€o Paulo: Ltr, 4“ ed., 2005, p. 403.

139

SAAD, Eduardo Gabriel; SAAD, Jos‡ Eduardo Duarte; CASTELLO BRANCO, Ana Maria Saad. Consolidação das leis do trabalho comentada. S€o Paulo: LTr, 2004, p. 27. Art. 2Š, ‹ 2Š: Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jur†dica pr•pria, estiverem sob a dire‚€o, controle, ou administra‚€o de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econƒmica, ser€o, para os efeitos da rela‚€o de emprego, solidariamente respons…veis a empresa principal e a cada uma das subordinadas.

140

SAAD, Eduardo Gabriel; SAAD, Jos‡ Eduardo Duarte; CASTELLO BRANCO, Ana Maria Saad. Consolidação das leis do trabalho comentada. S€o Paulo: LTr, 2004, p. 27.

Para os defensores desta corrente, a frase “para efeitos da rela‚€o de emprego” disposta no referido diploma legal declara de forma expl†cita que a solidariedade dever… ocorrer n€o somente sobre as obriga‚‰es do grupo, mas tamb‡m sobre os deveres do empregado.141

Na mesma dire‚€o: “[...] a pr•pria no‚€o unit…ria de grupo empres…rio implica na existˆncia de solidariedade integral, instituto bilateral [...] a lei, ao utilizar a express€o para efeitos da rela‚€o de emprego n€o permite entendimento diverso”.142

Contextualiza de forma idˆntica, o seguinte entendimento:

Pois bem. O legislador responsabiliza cada uma das empresas para os efeitos da rela‚€o de emprego. O que significa isso? Na verdade, o significado ‡ duplo. De um lado, a norma indica que, se o grupo n€o estiver formalizado, n€o existir… para efeitos outros que n€o os trabalhistas. De outro, mostra que, em sede de direito do trabalho, a solidariedade ‡ passiva e ativa. Vale dizer: se, de um lado, cada uma das empresas pode ser responsabilizada pelos cr‡ditos do empregado, todas elas, em contrapartida, podem exigir os seus servi‚os, a menos que o contrato de trabalho, em disposi‚€o mais ben‡fica, o pro†ba.143

Verifica-se, portanto, que de acordo com a tese de responsabilidade passiva e ativa, o empregado seria devedor frente •s empresas que comp‰em o grupo, especialmente no que tange a obriga‚€o de prestar servi‚os.144

Nesse sentido, o empregador ‡ Œnico, ou seja, o empregador ser… o grupo de empresas, pois o empregado que trabalha para uma empresa integrante do grupo presta servi‚os ao grupo todo, o grupo ‡ o credor do trabalho do empregado.145

No mesmo diapas€o “[...] configurado o grupo econƒmico, seus componentes consubstanciam empregador Œnico em face dos contratos de trabalho subscritos pelas empresas integrantes do mesmo grupo.146

141

NAGEM, Carine Murta. Caracterização do grupo econômico trabalhista. S€o Paulo: Revista LTr, vol. 66, n. 5, p. 556.

142

CATHARINO, Jos‡ Martins apud NAGEM, Carine Murta. Caracterização do grupo

econômico trabalhista. S€o Paulo: Revista LTr, vol. 66, n. 5, p. 557.

143

VIANA, M…rcio TŒlio apud NAGEM, Carine Murta. Caracterização do grupo econômico

trabalhista.S€o Paulo: Revista LTr, vol. 66, n. 5, p. 557.

144

MEIRELES, Edilton. Grupo econômico trabalhista. S€o Paulo: LTr, 2002, p. 199.

145

MARTINS, S‡rgio Pinto. Direito do Trabalho. 25. ed. S€o Paulo: Atlas, 2009, p. 186.

146

DELGADO, Maur†cio Godinho. Curso de direito do trabalho. S€o Paulo: Ltr, 4“ ed., 2005, p. 403

Na mesma linha, entende-se que:

Uma vez caracterizado inequivocadamente o grupo consorcial, como empregador único pra todos os efeitos trabalhistas, a solidariedade não é somente passiva como também ativa. As diversas empresas como que passam a ser meros departamentos do conjunto, dentro do qual circulam livremente os empregados, com todos os direitos adquiridos, como se fora igualmente um só contrato de trabalho. Cabe-lhes, nesse sentido, cumprir as ordens lícitas, legais e contratuais do próprio grupo (empregador único) [...].147

Aliado a tese do empregador único encontra-se ainda o seguinte entendimento:

[...] seria ilógico se o legislador estabelecesse o direito do empregado responsabilizar, indistintamente, qualquer empresa integrante do grupo e impedisse, por outro lado, que as empresas utilizassem os serviços dos empregados contratados.148

Observa-se, então, que a partir do momento em que é atribuída ao grupo a responsabilidade solidária passiva e ativa para os efeitos da relação de emprego, o grupo necessariamente consistirá como empregador único.149

Sobre a aplicação da solidariedade passiva e ativa (empregador único), ressalta-se, ainda, o Enunciado da Súmula 129 do Superior Tribunal do Trabalho:

Súmula 129: Contrato de trabalho. Grupo econômico:

A prestação de serviços a mais de uma empresa do mesmo grupo econômico, durante a mesma jornada de trabalho, não caracteriza a coexistência de mais de um contrato de trabalho, salvo juste em contrário.150

Aufere-se, da citada Súmula, que as empresas integrantes do grupo poderão exigir do empregado a prestação de serviços, desde que mantida a mesma jornada de trabalho, mantendo-se a tese de empregador único, haja vista a não caracterização de mais de um contrato de trabalho.

Desta forma, foi observada a solidariedade dual (passiva e ativa) do grupo econômico trabalhista.

147

FILHO, Evaristo de Moraes apud NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Curso de direito do trabalho. 21. ed. ver. e atual. São Paulo: LTr, 2006, p. 657.

148

RUSSOMANO, Mozart Victor apud Carine Murta. Caracteriza€•o do grupo econ„mico trabalhista. São Paulo: Revista LTr, vol. 66, n. 5, p. 557.

149

MARTINS, Sérgio Pinto. Direito do Trabalho. 25. ed. São Paulo: Atlas, 2009, p. 188.

150

PINTO, Antonio Luiz de Toledo; WINDT, Márcia Cristina Vaz dos Santos e CÉSPEDES, Lívia. Consolida€•o das Leis do Trabalho – CLT. 33 ed. rev. atual. São Paulo: Saraiva, 2006,

Para melhor compreensão da aplicação das formas de solidariedade impostas ao grupo econômico na seara trabalhista, serão destacados a seguir alguns entendimentos jurisprudenciais acerca do tema.

4.3 ENTENDIMENTOS JURISPRUDENCIAIS ACERCA DO GRUPO

ECONÔMICO TRABALHISTA

Após a verificação de todos os elementos que compõem a existência do grupo econômico para fins trabalhistas, iniciada pela origem histórica, posteriormente por sua caracterização, findando pelas formas de solidariedade oriundas da existência do grupo econômico, importante agora destacar o posicionamento atual da jurisprudência.

Serão observados julgados proferidos por importantes Tribunais Regionais do Trabalho espalhados pelo país, demonstrando-se assim, os diversos entendimentos jurisprudenciais acerca do grupo econômico trabalhista.

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