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A caracterização do grupo econômico na justiça do trabalho e a solidariedade decorrente da declaração de sua existência

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A CARACTERIZAÇÃO DO GRUPO ECONÔMICO NA JUSTIÇA DO TRABALHO E A SOLIDARIEDADE DECORRENTE DA DECLARAÇÃO DE

SUA EXISTÊNCIA

Palhoça 2010

(2)

THIAGO OSMAR DOS SANTOS

A CARACTERIZAÇÃO DO GRUPO ECONÔMICO NA JUSTIÇA DO TRABALHO E A SOLIDARIEDADE DECORRENTE DA DECLARAÇÃO DE

SUA EXISTÊNCIA

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de graduação em Direito da Universidade do Sul de Santa Catarina, como requisito parcial para obtenção do título de Bacharel em Direito.

Orientadora: Profª. Alessandra Ana Medeiros, Msc.

Palhoça 2010

(3)

THIAGO OSMAR DOS SANTOS

A CARACTERIZAÇÃO DO GRUPO ECONÔMICO NA JUSTIÇA DO TRABALHO E A SOLIDARIEDADE DECORRENTE DA DECLARAÇÃO DE

SUA EXISTÊNCIA

Este Trabalho de Conclusão de Curso foi julgado adequado à obtenção do título de Bacharel em Direito e aprovado em sua forma final pelo Curso de Direito, da Universidade do Sul de Santa Catarina.

Palhoça, ___ de junho de 2010.

__________________________________________________ Profª. e orientadora Alessandra Ana Medeiros, Msc.

Universidade do Sul de Santa Catarina

__________________________________________________

(4)

TERMO DE INSENÇÃO DE RESPONSABILIDADE

A CARACTERIZAÇÃO DO GRUPO ECONÔMICO NA JUSTIÇA DO TRABALHO E A SOLIDARIEDADE DECORRENTE DA DECLARAÇÃO DE

SUA EXISTÊNCIA

Declaro para todos os fins de direito e que se fizerem necessários, que assumo total responsabilidade pelo aporte ideológico e referencial conferido ao presente trabalho, isentando a Universidade do Sul de Santa Catarina, a Coordenação do Curso de Direito, a Banca Examinadora e a Orientadora de todo e qualquer reflexo acerca desta monografia.

Estou ciente de que poderei responder administrativamente, civil e criminalmente em caso de plágio comprovado do trabalho monográfico.

Palhoça, __ de junho de 2010.

________________________________________ Thiago Osmar dos Santos

(5)

Ao meu avô Osmar Vicente dos Santos (in memoriam), pelo exemplo de vida repassado, com amor e carinho.

(6)

AGRADECIMENTOS

Agradeço inicialmente a Deus, por me dar sabedoria para transpor os obstáculos que surgiram ao longo de todo o curso.

Agradeço também aos meus pais Nazira Inês Zimmermann e José Antônio dos Santos que, apesar das dificuldades, não mediram esforços para possibilitar a concretização deste sonho.

Aos meus irmãos Lidiane e Lucas, bem como, demais familiares e amigos pelo apoio e incentivo oferecidos.

À minha noiva Fernanda de Castro Rosa, pelo amor, carinho e compreensão compartilhados ao longo de todo o tempo que estamos juntos.

Aos Drs. Ricardo Diogo de Araújo e Ramon Souza de Faria, pela amizade e oportunidade de aprendizado disponibilizada.

Por fim, de forma muito especial, agradeço à professora, orientadora, amiga e chefe Alessandra Ana Medeiros, pela paciência, atenção e dedicação durante a realização deste trabalho e demais momentos.

(7)

RESUMO

O presente trabalho trata da caracterização do grupo econômico na esfera trabalhista e a solidariedade que emana da declaração de existência do grupo. O presente estudo, que adota o método dedutivo, foi feito através da pesquisa bibliográfica baseada em livros e artigos periódicos. O primeiro capítulo aborda o surgimento histórico do grupo econômico no Direito do Trabalho, além da conceituação do grupo, definição legal de empregador e as divergências doutrinárias que dela emergem, além da relação com as demais áreas do direito. Já o segundo capítulo trata da caracterização do grupo econômico trabalhista, através das formas de abrangência do grupo e o nexo de relação entre os entes que o compõem, bem como, a questão da prova de existência do grupo econômico e suas formas. O terceiro e último capítulo, destaca a solidariedade que decorre da declaração de existência do grupo econômico trabalhista, abordando, para tanto, o conceito legal e as formas solidariedade apontadas pela doutrina especializada, colacionando ainda julgamentos proferidos por Tribunais do Trabalho de várias partes do País, oportunizando-se, assim, melhor compreensão sobre a aplicação responsabilidade solidária aos componentes do grupo.

Palavras-chave: Caracterização. Grupo econômico. Direito do Trabalho. Solidariedade.

(8)

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO...09

2 GRUPO ECONÔMICO NA JUSTIÇA DO TRABALHO...10

2.1 SURGIMENTO HISTÓRICO...10

2.2 CONCEITO DE GRUPO ECONÔMICO...13

2.3 DEFINIÇÃO LEGAL DE EMPREGADOR...15

2.3.1 Posições favoráveis ao conceito legal...16

2.3.2 Posições contrárias ao conceito legal...19

2.4 DA RELAÇÃO COM AS DEMAIS ÁREAS DO DIREITO...20

2.4.1 Da abordagem no direito civil...20

2.4.2 Da abordagem no direito comercial...21

3 CARACTERIZAÇÃO DO GRUPO ECONÔMICO TRABALHISTA...22

3.1 ABRANGÊNCIA OBJETIVA DO GRUPO...22

3.2 ABRANGÊNCIA SUBJETIVA DO GRUPO...24

3.3 DO NEXO DE RELAÇÃO INTEREMPRESARIAL...26

3.3.1 Da forma de interpretação literal da norma...27

3.3.1.1 Do requisito da direção...28

3.3.1.2 Do requisito do controle...29

3.3.1.3 Do requisito da administração...30

3.3.2 Da forma de interpretação ampla da norma...31

3.4 DA PROVA DE EXISTÊNCIA DO GRUPO...35

3.4.1 Da presunção como forma de prova...36

3.4.1.1 Presunções legais...36

3.4.1.2 Presunções comuns...37

3.4.2 Dos indícios como forma de prova...38

4 A SOLIDARIEDADE DECORRENTE DA DECLARAÇÃO DE EXISTÊNCIA DO GRUPO ECONÔMICO TRABALHISTA...40

4.1 CONCEITO DE SOLIDARIEDADE...40

4.2 SOLIDARIEDADE DO GRUPO ECONÔMICO TRABALHISTA...42

4.2.1 Solidariedade passiva do grupo econômico trabalhista...43

4.2.2 Solidariedade passiva e ativa do grupo econômico trabalhista (empregador único)...46

(9)

4.3 ENTENDIMENTOS JURISPRUDENCIAIS ACERCA

DO GRUPO ECONÔMICO TRABALHISTA...49

4.3.1 Julgados do TRT da 2ª Região...49 4.3.2 Julgados do TRT da 3ª Região...51 4.3.3 Julgados do TRT da 4ª Região...52 4.3.4 Julgados do TRT da 9ª Região...53 4.3.5 Julgados do TRT da 10ª Região...54 4.3.6 Julgados do TRT da 12ª Região...56 5 CONCLUSÃO...57 REFERÊNCIAS...60

(10)

1 INTRODUÇÃO

O presente trabalho, requisito para conclus€o do curso de Direito da Universidade do Sul de Santa Catarina – UNISUL, trata da solidariedade decorrente da declara‚€o do grupo econƒmico na esfera trabalhista.

O tema abordado possui grande import„ncia na …rea jur†dica, pois o Direito do Trabalho contextualiza o grupo econƒmico ou grupo de empresas de forma diferente das demais …reas do direito, objetivando, principalmente, a garantia dos cr‡ditos auferidos pelos trabalhadores em decorrˆncia da rela‚€o de trabalho.

A presente pesquisa possui como objetivo geral trazer ao alcance dos operadores do direito, a solidariedade imposta aos entes que comp‰em o grupo econƒmico trabalhista, de acordo com o art. 2Š, ‹ 2Š da Consolida‚€o das Leis do Trabalho e o art. 3Š, ‹ 2Š da Lei 5.889/73.

Para que se alcance o objetivo proposto pelo estudo em ep†grafe, a estrutura do trabalho foi dividida em trˆs cap†tulos.

O primeiro cap†tulo engloba o surgimento do grupo econƒmico no Direito do Trabalho, sua conceitua‚€o, a defini‚€o legal de empregador adotada pelo legislador, bem como, a rela‚€o com as demais …reas do Direito.

Posteriormente, o segundo cap†tulo, ao tratar da caracteriza‚€o do grupo econƒmico trabalhista, abordar… as formas de abrangˆncia do grupo, o nexo relacional existente entre as empresas componentes do grupo, as formas de interpreta‚€o da norma legal, al‡m da prova e tipos de prova utilizados para caracteriza‚€o do grupo na Justi‚a do Trabalho.

O terceiro e Œltimo cap†tulo do presente trabalho monogr…fico, enfocar… a solidariedade que decorre da declara‚€o de existˆncia do grupo econƒmico trabalhista, os tipos de solidariedade elencados pela doutrina, e, ainda, colacionando alguns entendimentos jurisprudenciais emanados dos Tribunais Regionais do Trabalho de diversas regi‰es do pa†s.

A pesquisa em ep†grafe foi realizada pelo m‡todo dedutivo, atrav‡s do exame bibliogr…fico de livros, artigos peri•dicos e entendimentos jurisprudenciais referentes ao tema, a fim de propiciar o entendimento dos principais posicionamentos que tratam do assunto.

(11)

2 GRUPO ECONÔMICO NA JUSTIÇA DO TRABALHO

2.1 SURGIMENTO HISTŽRICO

Antes de adentrar-se com maior afinco no instituto do grupo econƒmico trabalhista, necess…ria ‡ a feitura de um apanhado hist•rico acerca de seu surgimento, ou seja, entender a sua origem para que se possa compreender tamb‡m o presente.

A figura do grupo econƒmico, ou grupo de empresas, teve surgimento ao longo do s‡culo XX, configurando-se em uma das v…rias conquistas da economia moderna em decorrˆncia das transforma‚‰es sofridas pelo sistema capitalista1.

A import„ncia destes grupos teve seu crescimento aliado • expans€o que alcan‚aram, haja vista a altera‚€o das realidades econƒmicas propiciadas pela globaliza‚€o2mundial.

Diante desta elevada transforma‚€o econƒmica, as grandes empresas passaram a se descentralizar, fazendo com que surgissem pequenos e m‡dios empreendimentos que atuavam “[...] de forma interligada e interdependente, submetendo-se ao controle da empresa gestora, pelo conhecido sistema de empresas-rede, o que facilitou, ainda mais, a crescente cumula‚€o de capital”.3

Neste liame, a necessidade de cria‚€o de mecanismos de regula‚€o dos grupos empresariais, neste caso espec†fico suas atua‚‰es nas rela‚‰es de trabalho, foi se tornando essencial, ante o aumento exacerbado das formas de concentra‚€o de capital decorrentes do expansionismo do sistema capitalista.

1

CAN’ADO, Andr‡a Aparecida Lopes. Grupo econômico trabalhista: um novo olhar. Porto Alegre: Revista Magister de Direito Trabalhista e Previdenci…rio, nŠ 16, Jan-Fev/2007, p. 46.

2

De acordo com Maur†cio Godinho Delgado, a globaliza‚€o revela-se “n€o somente como uma fase do capitalismo, mas, tamb‡m, como processo, • medida que tende a afetar, hoje, de maneira direta ou indireta, as realidades econƒmicas nos diversos seguimentos da terra”. DELGADO, Maur†cio Godinho. Capitalismo, trabalho e emprego: entre o paradigma da

destruição e os caminhos da reconstrução. S€o Paulo: LTr, 2005, p. 12.

3

DELGADO, Gabriela Neves. Direito fundamental ao trabalho digno. S€o Paulo, 2006, p. 144.

(12)

Nesta esteira, preocupado em resguardar os direitos dos trabalhadores perante os empregadores que come‚avam a atuar de forma conglomerada, o legislador trabalhista passou a criar dispositivos legais mais abrangentes.

O primeiro dispositivo legal criado no Pa†s para regular os grupos econƒmicos ou grupo de empresas na esfera trabalhista foi a Lei nŠ. 435 de 17 de maio de 1937, de autoria do Deputado Antƒnio Carvalhal e sancionada pelo ent€o presidente GetŒlio Vargas:

Art. 1Š da Lei 435/37: Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas personalidade jur†dica pr•pria, estiverem sob a mesma dire‚€o, controle, ou administra‚€o de outra, constituindo grupo industrial ou comercial, para efeitos da legisla‚€o trabalhista ser€o solidariamente respons…veis a empresa principal e cada uma das subordinadas.

Par…grafo Œnico: Essa solidariedade n€o se dar… entre as empresas subordinadas, nem diretamente, nem, por interm‡dio da empresa principal, a n€o ser para o fim Œnico de se considerarem todas como um mesmo empregador.4

O objetivo da referida lei consistia em “[...] resguardar os empregados de grupos industriais de poss†veis perdas de direitos ou vantagens que a legisla‚€o social lhes confere, tais como f‡rias, contagem de tempo, etc.”.5

Decorridos aproximadamente 06 (seis) anos, com a elabora‚€o e a aprova‚€o da Consolida‚€o das Leis do Trabalho pelo Decreto Lei nŠ. 5.452, de 1Š de maio de 1943, o legislador trabalhista voltou a abordar o tema.

O ‹ 2Š do art. 2Š da CLT prescreve que:

Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jur†dica pr•pria, estiverem sob a dire‚€o, controle, ou administra‚€o de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econƒmica, ser€o, para os efeitos da rela‚€o de emprego, solidariamente respons…veis a empresa principal e a cada uma das subordinadas.6

4

DA COSTA, Marcus Vin†cius Americano. Grupo empresário no direito do trabalho. S€o Paulo: LTr, 1986, p. 66.

5

MAGANO, Oct…vio Bueno. Os grupos de empresas no direito do trabalho. S€o Paulo: Revista dos Tribunais, 1979, p. 236.

6

SAAD, Eduardo Gabriel; SAAD, Jos‡ Eduardo Duarte; CASTELLO BRANCO, Ana Maria Saad. Consolidação das leis do trabalho comentada. S€o Paulo: LTr, 2004, p. 27.

(13)

Novamente, verifica-se a preocupa‚€o do legislador em propiciar maiores garantias sobre os direitos dos trabalhadores, j… que o objetivo principal do Direito do Trabalho, ao constituir a figura do grupo econƒmico era:

“[...] assegurar maior garantia aos cr‡ditos trabalhistas em contexto socioeconƒmico de crescente despersonaliza‚€o do empregador e pulveriza‚€o dos empreendimentos empresariais em numerosas organiza‚‰es juridicamente autƒnomas”.7

Outro entendimento descreve que a finalidade do art. 2Š, ‹ 2Š da CLT era a de:

Oferecer ao empregado de um estabelecimento coligado a garantia dos seus direitos oriundos da rela‚€o de emprego contra manobras fraudulentas ou outros atos prejudiciais, aos quais se prestariam com relativa facilidade as interliga‚‰es grupais entre as administra‚‰es das empresas associadas.8

Com o passar do tempo, novos dispositivos legais foram criados pelo legislador a fim de regular o grupo econƒmico na esfera trabalhista.

Em 1973, ap•s 30 (trinta) anos da elabora‚€o da Consolida‚€o das Leis do Trabalho, o legislador trabalhista voltou a fazer alus€o ao grupo econƒmico, desta vez atrav‡s da Lei 5.889/73 (Lei do Trabalho Rural).

O art. 3Š, ‹ 2Š, do referido dispositivo legal disp‰e do seguinte texto:

Art. 3Š, ‹ 2Š: Sempre que uma ou mais empresas, embora tendo cada uma delas personalidade jur†dica pr•pria, estiverem sob dire‚€o, controle ou administra‚€o, ou ainda, mesmo guardando cada uma sua autonomia, integrem grupo econƒmico ou financeiro rural, ser€o respons…veis solidariamente nas obriga‚‰es decorrentes da rela‚€o de emprego.9

7

DELGADO, Maur†cio Godinho. Introdução ao direito do trabalho. S€o Paulo: LTr, 1999, 2“. Ed, p. 340.

8

GOTTSCHALK, Ergon Felix apud MEIRELLES, Edilton. Grupo econômico trabalhista. S€o Paulo: Ltr, 2002, p. 5.

9

CAN’ADO, Andr‡a Aparecida Lopes. Grupo econômico trabalhista: um novo olhar. Porto Alegre: Revista Magister de Direito Trabalhista e Previdenci…rio, nŠ 16, Jan-Fev/2007, p. 48.

(14)

Posteriormente, ao regulamentar a profissão de radialista, nova referência ao grupo econômico é feita pelo legislador através da Lei nº. 6.615/78, em seu art. 9º:

No caso de se tratar de rede de radiodifusão, de propriedade ou controle de um mesmo grupo, deverá ser mencionado na Carteira de Trabalho e Previdência Social o nome da emissora na qual será prestado o serviço.

Parágrafo único: Quando se tratar de emissora de Onda Tropical pertencente à mesma concessionária e que transmita simultânea, integral e permanentemente a programação de emissora de Onda Média, serão mencionados os nomes das duas emissoras.10

Como pôde ser visto, a preocupação do legislador ao regular a atuação dos grupos econômicos na esfera trabalhista, foi resguardar os direitos obtidos pelos trabalhadores frente ao grupo, em decorrência da relação de trabalho.

2.2 CONCEITO DE GRUPO ECONÔMICO

Após delineado um esboço histórico acerca do surgimento do grupo econômico ou grupo de empresas no direito do trabalho, mister se faz visualizar-se a conceituação deste instituto.

A conceituação do grupo econômico no Direito do Trabalho tem por base legal o art. 2º, § 2º da CLT:

Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle, ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e a cada uma das subordinadas.11

Da análise do referido dispositivo legal, surgem às conceituações atribuídas pelos doutrinadores da área trabalhista.

10

CANÇADO, Andréa Aparecida Lopes. Grupo econômico trabalhista: um novo olhar. Porto Alegre: Revista Magister de Direito Trabalhista e Previdenciário, nº 16, Jan-Fev/2007, p. 49.

11

SAAD, Eduardo Gabriel; SAAD, José Eduardo Duarte; CASTELLO BRANCO, Ana Maria Saad. Consolidação das leis do trabalho comentada. São Paulo: LTr, 2004, p. 27.

(15)

Uma das defini‚‰es doutrin…rias revela que:

O grupo econƒmico aventado pelo Direito do Trabalho define-se como a figura resultante da vincula‚€o justrabalhista que se forma entre dois ou mais entes favorecidos direta ou indiretamente pelo mesmo contrato de trabalho, em decorrˆncia de existir entre esses entes la‚os de dire‚€o ou coordena‚€o em face de atividades industriais, comerciais, financeiras, agroindustriais ou de qualquer outra natureza econƒmica.12

Outro entendimento ressalta que “[...] os grupos econƒmicos devem ser considerados aqui como fenƒmenos de concentra‚€o na pluralidade, ou seja, forma‚€o de um conjunto de unidades autƒnomas, sujeitas a unidade de dire‚€o ou controle [...]”.13

Conceitua-se ainda, o grupo econƒmico como sendo “[...] um conjunto de empresas no qual uma das integrantes pode exercer o dom†nio sobre as demais”.14

Na mesma esteira, entende-se por grupo econƒmico:

[...] a unidade empresarial de grande porte que est… subordinada a um centro Œnico de poder, de controle e de decis€o estrat‡gica, embora atue, em geral, em diversos mercados e diversas empresas, com uma organiza‚€o institucional descentralizada e com diferentes graus de autonomia nas decis‰es de gest€o.15

Observa-se que, a caracteriza‚€o de um grupo econƒmico ou de empresas, para fins trabalhistas, decorre da necess…ria verifica‚€o de concentra‚€o de duas ou mais empresas, ambas dotadas de personalidade jur†dica pr•pria, com exerc†cio de atividade econƒmica, estando todas sob a dire‚€o, controle e administra‚€o de uma delas.16

Verificados os conceitos de grupo econƒmico formulados pela doutrina trabalhista, nos cabe agora observar a defini‚€o legal de empregador.

12

DELGADO, Maur†cio Godinho. Curso de direito do trabalho. S€o Paulo: Ltr, 4“ ed., 2005, p. 397.

13

DA COSTA, Marcus Vin†cius Americano. Grupo empresário no direito do trabalho. 2“ ed. rev., ampl. E atual. S€o Paulo: LTr, 2000, p. 93.

14

MEIRELES, Edilton. Grupo econômico trabalhista. S€oPaulo: LTr, 2002, p. 80.

15

MIGUENS, Hector Jos‡ apud MEIRELES, Edilton. Grupo econômico trabalhista. S€o Paulo: LTr, 2002, p. 79.

16

FILHO, Rodolfo Pamplona; PINTO, Jos‡ Augusto Rodrigues apud DA COSTA, Marcus Vin†cius Americano. Grupo empresário no direito do trabalho. 2“ ed. rev., ampl. E atual. S€o Paulo: LTr, 2000, p. 93.

(16)

2.3 DEFINIÇÃO LEGAL DE EMPREGADOR

Para que se possa verificar a caracterização do grupo econômico trabalhista, imperioso saber, a quem a legislação atribui características de empregador, ou seja, aqueles que estarão aptos a compor o grupo econômico.

A definição legal de empregador está estampada no art. 2º caput e § 1º, da Consolidação das Leis do Trabalho:

Art. 2º: Considera-se empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviços.

§1º: Equiparam-se ao empregador, para os efeitos exclusivos da relação de emprego, os profissionais liberais, as instituições de beneficência, as associações recreativas ou outras instituições sem fins lucrativos que admitirem trabalhadores como empregados.17

Essa definição firmada no caput do art. 2º, definindo que empregador é a empresa individual ou coletiva, gerou grande divergência entre os doutrinadores trabalhistas, o que acabou por criar duas correntes constituídas de posicionamentos divergentes.18

A primeira corrente19 posiciona-se favoravelmente à definição legal utilizada pelo legislador quando da edição da norma trabalhista, já a segunda corrente20, é contrária à definição adotada na CLT.

17

SAAD, Eduardo Gabriel; SAAD, José Eduardo Duarte; CASTELLO BRANCO, Ana Maria Saad. Consolidação das leis do trabalho comentada. São Paulo: LTr, 2004, p. 27.

18

NAGEM, Carine Murta. Caracterização do grupo econômico trabalhista. São Paulo: Revista LTr, vol. 66, n. 5, p. 548.

19

Integram esta corrente doutrinária os seguintes autores: MARANHÃO, Délio. In:

MARANHÃO, Délio; SÜSSEKIND, Arnaldo et. alli. Instituições de direito do trabalho. 18. ed. atual. São Paulo: LTr, 1999, p. 292; DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do

trabalho. São Paulo: LTr, 2002, p. 379, DA COSTA, Marcus Vinícius Americano. Grupo empresário no direito do trabalho. 2. ed. rev., ampl. e atual. São Paulo: LTr, 2000, p.69.

20

Integram esta corrente doutrinária os seguintes autores: MAGANO, Octavio Bueno. Manual

de direito do trabalho. 2.ed., v.2, São Paulo: LTr, 1988; MANUS, Pedro Paulo Teixeira. Direito do trabalho. São Paulo: Atlas, 1995.

(17)

Tal divergˆncia revela-se ter in†cio na discuss€o acerca da natureza jur†dica da empresa, j… que os doutrinadores que comp‰em a primeira corrente21 de pensamento caracterizam a empresa como sendo um sujeito de direitos, com capacidade pra contratar, cabendo, portanto, sua defini‚€o como empregador nos moldes da defini‚€o legal adotada.

Em sentido oposto, a segunda corrente de doutrinadores22 n€o compactua com a defini‚€o utilizada pelo legislador, j… que definem a “empresa” como sendo apenas um objeto ou conjunto de bens, n€o podendo, desta forma, ser denominada de empregador.

Sobre a divergˆncia de posicionamento doutrin…rio acerca da defini‚€o legal de empregador, tem-se que:

Para aqueles que sustentam que a empresa n€o ‡ o sujeito, mas objeto, a defini‚€o de empregador deveria ser outra: empregador ‡ pessoa f†sica ou jur†dica. Para aqueles que entendem que a empresa deve ser atribu†da personalidade de direito, [...] nada impede os termos da defini‚€o.23

Para melhor compreens€o da divergˆncia doutrin…ria suso referida, adentrar-se-… de forma mais espec†fica na quest€o suscitada.

2.3.1 Posições favoráveis ao conceito legal

Como j… salientado, apenas parte da doutrina enquadra-se a favor do conceito atribu†do ao empregador, pelo legislador trabalhista.

Nesse sentido, destaca-se o seguinte entendimento:

Tendo em vista a apontada tendˆncia da empresa no sentido de se institucionalizar e considerando, de outro lado, a crise do conceito de pessoa jur†dica, o que tem levado os autores • conclus€o de que a sua autonomia deve ficar sujeita a limita‚‰es, para, em certos casos,

21

MARANH”O, D‡lio. In: MARANH”O, D‡lio; S•SSEKIND, Arnaldo et. alli. Instituições de

direito do trabalho. 18. ed. atual. S€o Paulo: LTr, 1999, p. 292; DELGADO, Mauricio Godinho.

Curso de direito do trabalho. S€o Paulo: LTr, 2002, p. 379, DA COSTA, Marcus Vin†cius Americano. Grupo empresário no direito do trabalho. 2. ed. rev., ampl. e atual. S€o Paulo: LTr, 2000, p.69.

22

MAGANO, Octavio Bueno. Manual de direito do trabalho. 2.ed., v.2, S€o Paulo: LTr, 1988; MANUS, Pedro Paulo Teixeira. Direito do trabalho. S€o Paulo: Atlas, 1995.

23

NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Iniciação ao direito do trabalho. 27. ed. ver. atual. S€o Paulo: LTr, 2001, p. 194.

(18)

deixar transparecer a realidade que lhe ‡ subjacente [...], n€o ‡ dif†cil concluir que a empresa, configurados os mesmos casos, pode e deve surgir como o verdadeiro sujeito da rela‚€o empregat†cia.24

Corroborando com este posicionamento, tem-se que “[...] a elei‚€o do termo empresa tem o sentido funcional, pr…tico, de acentuar a import„ncia do fenƒmeno da despersonaliza‚€o da figura do empregador”.25

Para essa corrente doutrin…ria, o sentido funcional atribu†do ao termo “empresa” como sendo o empregador, interage com as hip•teses de sucess€o de empresas descritas nos artigos 1026e 44827da CLT.

Assim, subentende-se que:

Ao enfatizar a empresa como empregador, a lei j… indica que a altera‚€o do titular da empresa n€o ter… grande relev„ncia na continuidade do contrato, dado que • ordem justrabalhista interessaria mais a continuidade da situa‚€o objetiva da presta‚€o de trabalho empregat†cio ao empreendimento enfocado, independentemente da altera‚€o de seu titular.28

Nesse contexto, aufere-se que para os seguidores deste posicionamento doutrin…rio, a conceitua‚€o legal que atribuiu • empresa a condi‚€o de empregador revela-se correta, na medida em que vincula o empregado • empresa e n€o a pessoa do empregador, resguardando os direitos adquiridos com a n€o afeta‚€o dos contratos de trabalho em casos onde ocorra modifica‚€o na estrutura jur†dica da empresa.

24

MAGANO, Octavio Bueno. Manual de direito do trabalho. 2.ed., v.2, S€o Paulo: LTr, 1988 apud MACHADO J–NIOR, C‡sar Pereira da Silva. Direito do trabalho. S€o Paulo: LTr, 1999, p. 149.

25

DELGADO, Maur†cio Godinho. Curso de direito do trabalho. 4. ed. S€o Paulo: LTr, 2005, p. 390.

26

PINTO, Antonio Luiz de Toledo; WINDT, M…rcia Cristina Vaz dos Santos e C—SPEDES, Livia.. Consolida€•o das Leis do Trabalho – CLT. 33 ed. rev. atual. S€o Paulo: Saraiva, 2006, p. 5. Art. 10 – Qualquer altera‚€o na estrutura jur†dica da empresa n€o afetar… os direitos adquiridos por seus empregados.

27

PINTO, Antonio Luiz de Toledo; WINDT, M…rcia Cristina Vaz dos Santos e C—SPEDES, Livia.. Consolida€•o das Leis do Trabalho – CLT. 33 ed. rev. atual. S€o Paulo: Saraiva, 2006, p. 57. Art. 448 – A mudan‚a na propriedade ou na estrutura jur†dica da empresa n€o afetar… os contratos de trabalho dos respectivos empres…rios.

28

DELGADO, Maur†cio Godinho. Curso de direito do trabalho. 4. ed. S€o Paulo: LTr, 2005, p. 390.

(19)

2.3.2 Posições contrárias ao conceito legal

Contr…rios a defini‚€o de empresa como o “empregador”, parte da doutrina trabalhista brasileira contesta veementemente o conceito legal.

Nesse sentido, uma das posi‚‰es contr…rias a referida conceitua‚€o adotada pelo legislador trabalhista afirma que:

[...] os termos em quest€o, empregador e empresa, n€o s€o sinƒnimos, na medida em que empregador ‡ um dos sujeitos do contrato de trabalho e somente a pessoa f†sica ou jur†dica pode contratar, enquanto empresa significa atividade, que ‡ o objeto de direito e, sendo assim, n€o pode ser empregador.29

Outro entendimento, divergente do dispositivo legal, define que: “Empregador, portanto, n€o ‡ a empresa, pois esta, na realidade jur†dica brasileira, n€o ‡ sujeito de direitos, e sim a pessoa f†sica ou ente despersonificado, titular da empresa ou estabelecimento”.30

Posi‚€o idˆntica revela que:

[...] somente as pessoas s€o titulares de direitos e obriga‚‰es e, como tais, apenas a elas estaria facultado celebrar contratos de emprego, nunca a “empresa”, empreendimento econƒmico destinado a produzir bens e servi‚os para o mercado consumidor, por ser, pois, despersonalizada.31

Verifica-se, portanto, que o principal argumento utilizado por esta corrente doutrin…ria ‡ o de que a empresa n€o disp‰e de capacidade para contratar, haja vista n€o ser sujeito de direitos e obriga‚‰es, n€o se revestindo ent€o da qualidade de empregador.

Outro questionamento adotado pelos doutrinadores contr…rios • defini‚€o legal, onde o empregador ‡ caracterizado como sendo a empresa, consiste na equipara‚€o disposta no ‹1Š, do art. 2Š da CLT:

Equiparam-se ao empregador, para os efeitos exclusivos da rela‚€o de emprego, os profissionais liberais, as institui‚‰es de beneficˆncia,

29

MARANH”O, D‡lio. In: MARANH”O, D‡lio; S•SSEKIND, Arnaldo et. alli. Instituições de

direito do trabalho. 18. ed. atual. S€o Paulo: LTr, 1999, p. 292.

30

DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho. S€o Paulo: LTr, 2002, p. 379.

31

DA COSTA, Marcus Vin†cius Americano. Grupo empresário no direito do trabalho. 2. ed. rev., ampl. e atual. S€o Paulo: LTr, 2000, p.69.

(20)

as associa‚‰es recreativas ou outras institui‚‰es sem fins lucrativos que admitirem trabalhadores como empregados.32

Para os cr†ticos da defini‚€o legal, “[...] as entidades especificadas no referido ‹1Š configuram-se como empregadores t†picos e n€o empregadores por equipara‚€o ou extens€o legal [...]”.33

Na mesma dire‚€o:

O legislador, partindo da falsa premissa que o empregador ‡ a empresa, resolveu ‘equiparar’ tais entes jur†dicos ao empregador. N€o se trata disso. Se um profissional liberal ou uma associa‚€o recreativa admitem empregados, n€o se equiparam ao empregador; s€o empregadores [...].34

Observa-se que, de acordo com o entendimento adotado pelos doutrinadores contr…rios a defini‚€o legal, o preceito celetista n€o traduz o correto conceito jur†dico do sujeito passivo da rela‚€o empregat†cia (empregador).

Desta feita, pƒde-se verificar de forma mais detalhada a defini‚€o legal de empregador e as divergˆncias doutrin…rias a seu respeito.

2.4 DA RELA’”O COM AS DEMAIS šREAS DO DIREITO

Para melhor compreens€o da caracteriza‚€o do grupo econƒmico no Direito do Trabalho (um dos objetivos da presente pesquisa), interessante relacion…-lo com as demais …reas do Direito, principalmente com tratamento dispensado pelo Direito Civil e pelo Direito Comercial.

32

PINTO, Antonio Luiz de Toledo; WINDT, M…rcia Cristina Vaz dos Santos e C—SPEDES, Livia.Consolida€•o das Leis do Trabalho – CLT. 33 ed. rev. atual. S€o Paulo: Saraiva, 2006, p. 3.

33

DELGADO, Maur†cio Godinho. Introdu€•o ao Direito do Trabalho. 2. ed. S€o Paulo: LTr, 1999, p. 328.

34

MARANH”O, D‡lio. Institui€ƒes de direito do trabalho. 18. ed. atual. S€oPaulo: LTr, 1999, v. I, p. 303.

(21)

2.4.1 Da abordagem no direito civil

O C•digo Civil de 200235, ao tratar das sociedades empresariais, divide-as em sociedades coligadas, sociedades controladas e sociedades filiadas ou de simples participa‚€o.

As sociedades coligadas est€o disciplinadas no art. 1.097: “Consideram-se coligadas as sociedades que, em suas rela‚‰es de capital, s€o controladas, filiadas, ou de simples participa‚€o, na forma dos artigos seguintes”.

J… a defini‚€o de sociedades controladas est… disposta no art. 1.098, incisos I e II:

I – a sociedade de cujo capital outra sociedade possua a maioria dos votos nas delibera‚‰es dos quotistas ou da assembl‡ia geral e o poder de eleger a maioria dos administradores;

II – a sociedade cujo controle, referido no inciso antecedente, esteja em poder de outra, mediante a‚‰es ou quotas possu†das por sociedades ou sociedades por esta j… controladas.

Quanto •s sociedades filiadas, estas est€o dispostas no art. 1.099: “Diz-se coligada ou filiada a sociedade cujo capital outra sociedade participa com dez por cento ou mais, do capital da outra, sem control…-la”.

Por fim, no que tange as sociedades de simples participa‚€o, disp‰e o art. 1.100: “— de simples participa‚€o a sociedade de cujo capital outra sociedade possua menos de dez por cento do capital com direito de voto”.

A leitura dos dispositivos citados demonstra que o tratamento destinado pelo legislador civilista aos grupos de empresas ‡ bastante detalhado.

Por‡m, sua aplica‚€o na seara trabalhista se dar… apenas de forma complementar, haja vista a CLT, norma espec†fica, disciplinar o tema.36

35

BRASIL. Código civil (Lei nº. 10.406 de 10/01/2002). <http: //www.planalto.gov.br>. Acesso em 17 de maio de 2010.

36

NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Curso de direito do trabalho. 21. ed. rev. e atual. S€o Paulo: Saraiva, 2006, p. 654, 655.

(22)

2.4.2 Da abordagem no direito comercial

Na …rea comercial, o grupo de empresas recebe tratamento espec†fico na Lei das Sociedades por A‚‰es37, que apesar de n€o definir diretamente o grupo de sociedades, menciona suas caracter†sticas atrav‡s do art. 265:

[...] estabelecendo que a sociedade controladora e suas controladas podem constituir grupo de sociedades, mediante conven‚€o pela qual se obriguem a combinar recursos ou esfor‚os para a realiza‚€o dos respectivos objetos, ou a participar de atividades ou empreendimentos comuns.38

Posteriormente, declara o art. 266 do referido dispositivo legal:

[...] as rela‚‰es entre as sociedades, a estrutura administrativa do grupo e a coordena‚€o ou subordina‚€o dos administradores das sociedades filiadas ser€o estabelecidas na conven‚€o do grupo. Deixa, por‡m, bem claro que “cada sociedade conservar… personalidade e patrimƒnio distintos”.39

A defini‚€o do grupo, de acordo com o art. 267, ser… feita pela express€o: “grupo de sociedades ou grupo”.

A lei nŠ. 6.404/76 disciplina, ainda, a modalidade de cons•rcio de empresas, atrav‡s dos arts. 278 e 279.

O art. 278 esclarece que apesar de as companhias ou quaisquer outras sociedades, que estejam sobre o mesmo comando ou n€o, poder€o constituir cons•rcio para executar determinado empreendimento; contudo, n€o disp‰e de personalidade jur†dica e as consorciadas obrigar-se-€o somente nas cl…usulas previstas em contrato, respondendo cada uma delas por suas obriga‚‰es, inexistindo presun‚€o de solidariedade.40

37

BRASIL. Lei nº. 6.404 de 1976. Dispon†vel em HTTP: //www.planalto.gov.br. Acesso em 17 de maio de 2010.

38

MARTINS, S‡rgio Pinto. Direito do Trabalho. 25. ed. S€o Paulo: Atlas, 2009, p. 185.

39

MARTINS, S‡rgio Pinto. Direito do Trabalho. 25. ed. S€o Paulo: Atlas, 2009, p. 185.

40

(23)

Apesar de a legislação comercial reportar-se também ao grupo de empresas, o enfoque utilizado diverge do avocado pela legislação trabalhista, o qual verificará o grupo como empregador, pouco importando a natureza das sociedades que compõem o grupo, o que torna a legislação comercial inaplicável nas questões justrabalhistas.

Depois de observados a origem histórica do grupo, seu conceito, definição legal de empregador e suas divergências no campo doutrinário, bem como, a relação do grupo econômico trabalhista com as demais áreas do direito, nos cabe agora adentrar ao capítulo seguinte, o qual tratará da caracterização do grupo econômico trabalhista.

3 CARACTERIZAÇÃO DO GRUPO ECONÔMICO TRABALHISTA

O presente capítulo revela-se como um dos mais importantes do presente trabalho, já que, a partir da caracterização do grupo econômico, várias são as conseqüências na esfera trabalhista.

Contudo, para que se evidencie ou se caracterize a figura do grupo empregador na esfera trabalhista, importante se faz a verificação, da abrangência objetiva do grupo, a abrangência subjetiva, e, ainda, o nexo relacional entre as empresas que o integram.

3.1 ABRAGÊNCIA OBJETIVA DO GRUPO

O foco utilizado para a caracterização da figura do grupo econômico, com base na abrangência objetiva do grupo, revela-se estritamente justrabalhista, na medida em que se vincula apenas ao Direito do Trabalho, não coadunando com as formas legais exigidas no Direito Civil e Direito Comercial.

(24)

Assim, de acordo com a doutrina:

[...] o grupo econƒmico para fins justrabalhistas n€o necessita se revestir das modalidades jur†dicas t†picas ao Direito Econƒmico ou Direito Comercial [...] pode-se acolher a existˆncia do grupo desde que emerjam evidˆncias probat•rias de que est€o presentes os elementos de integra‚€o interempresarial de que falam os mencionados preceitos da CLT e Lei do Trabalho Rural.41

Dessa forma, para a caracteriza‚€o do grupo com base na abrangˆncia objetiva, n€o h… necessidade sequer de formaliza‚€o cartorial do grupo para que se verifique sua existˆncia, basta apenas • constata‚€o do relacionamento interempresarial, nos moldes aventados pelo art. 2Š, ‹ 2Š da CLT42, como pelo art. 3Š, ‹ 2Š da Lei do Trabalho Rural43’.44

Na mesma linha de dire‚€o:

A lei trabalhista n€o indica formas ou tipos de grupos, fazendo apenas a exigˆncia de que o grupo seja industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econƒmica, sem outras especifica‚‰es, com o que, para os seus fins, n€o como limitar formas de grupos, desde que se enquadrem nos seus conceitos fundamentais, mais flex†veis que os do direito comercial.45

Portanto, de acordo com a abrangˆncia objetiva, a caracteriza‚€o do grupo econƒmico na esfera trabalhista ocorre de forma mais informal, bastando para tanto, sua existˆncia de fato46, ou seja, independentemente de constitui‚€o jur†dica.

41

DELGADO, Maur†cio Godinho. Curso de direito do trabalho. S€o Paulo: Ltr, 4“ ed., 2005, p. 399.

42

SAAD, Eduardo Gabriel; SAAD, Jos‡ Eduardo Duarte; CASTELLO BRANCO, Ana Maria Saad. Consolidação das leis do trabalho comentada. S€o Paulo: LTr, 2004, p. 27. Art. 2Š, ‹ 2Š: Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jur†dica pr•pria, estiverem sob a dire‚€o, controle, ou administra‚€o de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econƒmica, ser€o, para os efeitos da rela‚€o de emprego, solidariamente respons…veis a empresa principal e a cada uma das subordinadas.

43

CAN’ADO, Andr‡a Aparecida Lopes. Grupo econômico trabalhista: um novo olhar. Porto Alegre: Revista Magister de Direito Trabalhista e Previdenci…rio, nŠ 16, Jan-Fev/2007, p. 48. Art. 3Š, ‹ 2Š: Art. 3Š, ‹ 2Š: Sempre que uma ou mais empresas, embora tendo cada uma delas personalidade jur†dica pr•pria, estiverem sob dire‚€o, controle ou administra‚€o, ou ainda, mesmo guardando cada uma sua autonomia, integrem grupo econƒmico ou financeiro rural, ser€o respons…veis solidariamente nas obriga‚‰es decorrentes da rela‚€o de emprego.

44

DELGADO, Maur†cio Godinho apud NAGEM, Carine Murta. Caracterização do grupo

econômico trabalhista. S€o Paulo: Revista LTr, vol. 66, n. 5, p. 555.

45

NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Iniciação ao direito do trabalho. 27. ed. rev. e atual. S€o Paulo: LTr: 2001, p. 199.

46

Fato significa realidade, acontecimento, ocorrˆncia, o que ‡ real. Dicion…rio web. Dispon†vel em http://www.dicionarioweb.com.br/fato.html. Acesso em 02/06/2010. Portanto, verificando-se

(25)

Verificada a forma de abrangência objetiva do grupo econômico para fins trabalhistas, passemos então a observar a outra forma de abrangência, a subjetiva.

3.2 ABRANGÊNCIA SUBJETIVA DO GRUPO

A forma de abrangência subjetiva possui enfoque sobre os componentes do grupo econômico trabalhista, ou seja, os sujeitos de direito capazes de compor ou integrar o grupo.

Posicionamento doutrinário ressalta que:

A ordem justrabalhista delimita claramente o tipo de sujeito de direito que pode compor a figura do grupo econômico aventado pela CLT e Lei nº. 5.889/73. O componente do grupo não pode ser qualquer pessoa física, jurídica ou ente despersonificado; não se trata, portanto, de qualquer empregador, mas somente certo tipo de empregador, diferenciado dos demais em função de sua atividade econômica.47

E continua:

O que quer a lei é que o sujeito jurídico componente do grupo econômico para fins justrabalhistas consubstancie essencialmente um ser econômico, uma empresa, [...] o caráter e os fins econômicos dos componentes do grupo surgem, assim, como elementos qualificadores indispensáveis à emergência da figura aventada pela ordem jurídica trabalhista.48

Nesta senda, de acordo com os entendimentos doutrinários supracitados, irão dispor de capacidade para integrar o grupo econômico na esfera trabalhista os entes caracterizados por sua atuação econômica, devendo esta ser exercida com dinâmica e fins econômicos e, ainda, consubstanciados como empresas.49

a ocorrência do grupo, independentemente da forma, documentada ou não, ter-se-á a existência do grupo de fato.

47

DELGADO, Maurício Godinho. Curso de direito do trabalho. São Paulo: Ltr, 4ª ed., 2005, p. 399.

48DELGADO, Maurício Godinho. Curso de direito do trabalho. São Paulo: Ltr, 4ª ed., 2005, p.

399.

49

CANÇADO, Andréa Aparecida Lopes. Grupo econômico trabalhista: um novo olhar. Porto Alegre: Revista Magister de Direito Trabalhista e Previdenciário, nº 16, Jan-Fev/2007, p. 50/51.

(26)

Na mesma tangente: “[...] Somente entes com din„mica e finalidade econƒmicas est€o aptos a configurar o grupo econƒmico na …rea trabalhista, n€o tendo relev„ncia para este fim, figuras como as especificadas no ‹ 1Š do art. 2Š da CLT”.50

E ratifica:

Quando o texto legal se utiliza das express‰es grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econƒmica, est… delimitando a possibilidade de existˆncia do grupo somente •queles empregadores constitu†dos sob a forma de empresa, excluindo os profissionais liberais, as institui‚‰es de beneficˆncia, etc.51

Desta feita, com base nos referidos entendimentos doutrin…rios, n€o possuir€o aptid€o para compor a figura do grupo econƒmico, os entes que n€o se consubstanciarem como empresas, excluindo-se da composi‚€o do grupo econƒmico para fins trabalhistas, por n€o possu†rem as caracter†sticas suscitadas, o Estado, o empregador dom‡stico e os demais entes sem fins lucrativos descritos no art. 2Š, ‹ 1Š da CLT52, intitulados pelo legislador como empregadores por equipara‚€o.53

No que tange • incapacidade do Estado em compor o grupo econƒmico, exp‰e a doutrina que:

[...] sua exclus€o decorre do car…ter pŒblico, social e comunit…rio de suas atividades, sendo que, mesmo ao praticar atividade notoriamente econƒmica, o faz como instrumento inerente a realiza‚€o de seus fins, fazendo prevalecer o interesse pŒblico de suas a‚‰es sobre o interesse individual trabalhista. 54

Por‡m, apesar de seu car…ter pŒblico e dos interesses sociais, ocorrem situa‚‰es onde se verificam exce‚‰es a esta regra, podendo o Estado compor o grupo econƒmico, inclusive para fins trabalhistas.

50NAGEM, Carine Murta. Caracteriza€•o do grupo econ„mico trabalhista. S€o Paulo:

Revista LTr, vol. 66, n. 5, p. 555.

51

NAGEM, Carine Murta. Caracteriza€•o do grupo econ„mico trabalhista. S€o Paulo: Revista LTr, vol. 66, n. 5, p. 555.

52

PINTO, Antonio Luiz de Toledo; WINDT, M…rcia Cristina Vaz dos Santos e C—SPEDES, Livia. Consolida€•o das Leis do Trabalho – CLT. 33 ed. rev. atual. S€o Paulo: Saraiva, 2006, p. 3. Art. 2Š, ‹ 1Š: Equiparam-se ao empregador, para os efeitos exclusivos da rela‚€o de emprego, os profissionais liberais, as institui‚‰es de beneficˆncia, as associa‚‰es recreativas ou outras institui‚‰es sem fins lucrativos que admitirem trabalhadores como empregados.

53DELGADO, Maur†cio Godinho. Curso de direito do trabalho. S€o Paulo: Ltr, 4“ ed., 2005, p.

399.

54

DELGADO, Maur†cio Godinho. Curso de direito do trabalho. S€o Paulo: Ltr, 4“ ed., 2005, p. 400.

(27)

Nesse sentido, o Estado compor… o grupo econƒmico trabalhista quando:

[...] as pr•prias entidades estatais, organizadas em moldes privados, passam a se reconhecer e classificar, em seus estatutos, como grupo econƒmico pra os fins inerentes ao Direito Civil e Direito Comercial [...], elas ir€o, automaticamente, sujeitar-se aos efeitos trabalhistas de sua situa‚€o f…tico-jur†dica de grupo, isto ‡, aos efeitos do art. 2Š, ‹ 2Š da CLT.55

Consoante se extrai do entendimento doutrin…rio, verifica-se que a atua‚€o do Estado como entidade privada e o reconhecimento, atrav‡s de seu estatuto, da configura‚€o de grupo nos moldes da legisla‚€o civilista ou comercial, ensejar… tamb‡m sua caracteriza‚€o como grupo econƒmico trabalhista, sujeitando-se a todos os efeitos da† decorrentes.

Auferida a forma de abrangˆncia subjetiva, nos cabe agora adentrar em outro componente necess…rio a caracteriza‚€o do grupo, qual seja o nexo de rela‚€o entre as empresas integrantes do grupo.

3.3 DO NEXO DE RELA’”O INTEREMPRESARIAL

A caracteriza‚€o de grupo econƒmico na seara trabalhista pode ocorrer de duas formas distintas56, dependendo da interpreta‚€o da norma disposta no art. 2Š, ‹ 2Š da CLT57.

Nesse sentido, observa-se que “se a interpreta‚€o for literal, restrita ao texto legal, caber… uma conclus€o; se a interpreta‚€o for ampla, amparada no contexto atual, chegar-se-… a uma conclus€o diversa da anterior”.58

55

DELGADO, Maur†cio Godinho. Curso de direito do trabalho. S€o Paulo: Ltr, 4“ ed., 2005, p. 400.

56

NAGEM, Carine Murta. Caracteriza€•o do grupo econ„mico trabalhista. S€o Paulo: Revista LTr, vol. 66, n. 5, p. 553.

57

PINTO, Antonio Luiz de Toledo; WINDT, M…rcia Cristina Vaz dos Santos e C—SPEDES, Livia. Consolida€•o das Leis do Trabalho – CLT. 33 ed. rev. atual. S€o Paulo: Saraiva, 2006, p. 3. Art. 2Š, ‹ 2Š: Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jur†dica pr•pria, estiverem sob a dire‚€o, controle, ou administra‚€o de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econƒmica, ser€o, para os efeitos da rela‚€o de emprego, solidariamente respons…veis a empresa principal e a cada uma das subordinadas.

58

VIANA, M…rcio TŒlio. Grupo econ„mico e trabalho subordinado (repert…rio IOB de

(28)

Ainda sobre as formas de interpreta‚€o da norma legal, posicionamento semelhante disserta que:

“Se a interpretarmos mecanicamente, sem atentar para os seus fins, ser… uma conclus€o. Se a entendermos dinamicamente, olhos voltados para a vida, a solu‚€o pode ser outra. Assim, ‡ poss†vel, de um lado, restringir o seu alcance; de outro, elastecˆ-lo”.59

Contudo, para melhor compreens€o das formas interpretativas da norma legal, necess…rio se torna uma compreens€o mais especifica das caracter†sticas que diferenciam de cada uma delas.

3.3.1 Da forma de interpretaۥo literal da norma

A forma de interpreta‚€o literal ou restritiva da norma insculpida no art. 2Š, ‹ 2Š da CLT60, decorre da id‡ia de que o grupo deve sempre pressupor a reuni€o de empresas, todas com personalidade jur†dica pr•pria, por‡m submetidas ao comando de uma empresa principal, com dire‚€o hier…rquica entre elas.61

Posi‚€o doutrin…ria favor…vel a utiliza‚€o da forma de interpreta‚€o literal da norma para a caracteriza‚€o do grupo, revela que:

Bem ou mal redigido, o fato ‡ que o sentido da lei ‡ restritivo. Refere-se a empresas, com personalidade jur†dica pr•pria, que estejam sob a dire‚€o, controle ou administra‚€o de outra. Distingue-se, assim, entre empresa principal e cada uma de suas subordinadas. Isto est… na lei, com todas as letras.62

59

VIANA, M…rcio TŒlio. Grupo econ„mico e trabalho subordinado (repert…rio IOB de

jurisprud†ncia). S€o Paulo: out. 1996, p. 331.

60

PINTO, Antonio Luiz de Toledo; WINDT, M…rcia Cristina Vaz dos Santos e C—SPEDES, Livia. Consolida€•o das Leis do Trabalho – CLT. 33 ed. rev. atual. S€o Paulo: Saraiva, 2006, p. 3. Art. 2Š, ‹ 2Š: Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas,

personalidade jur†dica pr•pria, estiverem sob a dire‚€o, controle, ou administra‚€o de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econƒmica, ser€o, para os efeitos da rela‚€o de emprego, solidariamente respons…veis a empresa principal e a cada uma das subordinadas.

61

DELGADO, Maur†cio Godinho. Curso de direito do trabalho. S€o Paulo: Ltr, 4“ ed., 2005, p. 400.

62

FILHO, Evaristo de Moraes; DE MORAES, Antƒnio Carlos Flores. Introdu€•o ao direito do

(29)

Esse tipo de interpreta‚€o refor‚a a tese de que as empresas al‡m de possuir personalidade jur†dica pr•pria, devam necessariamente estar sob a dire‚€o, controle ou administra‚€o de outra, sob a forma hierarquizada.

Corroborando com tal posicionamento, tem-se que:

A rela‚€o que deve haver entre as empresas do grupo econƒmico ‡ de domina‚€o, mostrando a existˆncia de uma empresa principal, que ‡ a controladora, e as empresas controladas. A domina‚€o exterioriza-se pela dire‚€o, controle ou administra‚€o.63

Posicionamento idˆntico destaca que: “[...] deve haver uma rela‚€o de domina‚€o interempresarial, atrav‡s da dire‚€o, controle ou administra‚€o da empresa principal sobre as filiadas”.64

Portanto, para esta corrente doutrin…ria, a configura‚€o do grupo econƒmico ‡ restrita a ocorrˆncia da rela‚€o de domina‚€o de uma empresa sobre as demais, domina‚€o esta averiguada atrav‡s de trˆs requisitos essenciais e indispens…veis, a dire‚€o, o controle e a administra‚€o.

3.3.1.1 Do requisito da dire‚€o

O requisito da dire‚€o revela-se como sendo a domina‚€o exercida de fato, ou seja, o ato de fazer prevalecer uma vontade.65

De acordo com a doutrina, as formas do exerc†cio da dire‚€o podem ocorrer:

Atrav‡s da indica‚€o de pessoas para a gerˆncia da empresa controlada por parte da controladora, que assim tem o dom†nio completo sobre as a‚‰es daquela, como tamb‡m atrav‡s de simples instru‚‰es, orienta‚‰es, diretivas ou planos de a‚‰es a serem observados pela empresa dominada, dirigida.66

63

MARTINS, S‡rgio Pinto. Direito do Trabalho. 25. ed. S€o Paulo: Atlas, 2009, p. 186.

64

MAGANO, Octavio Bueno apud DELGADO, Maur†cio Godinho. Curso de direito do

trabalho. S€o Paulo: Ltr, 4“ ed., 2005, p. 401.

65

MAGANO, Octavio Bueno apud MEIRELES, Edilton. Grupo econômico trabalhista. S€o Paulo: LTr, 2002, p. 147.

66

(30)

Ainda sobre a dire‚€o, outro entendimento exp‰e que: [...] a dire‚€o decorre dos •rg€os que controlam a empresa.67

Por fim, cumpre salientar que a dire‚€o decorre do controle, na medida em que este se mostra como a possibilidade de fazer prevalecer uma vontade, e aquela como a materializa‚€o da vontade, ou seja, ‡ o controle se tornando real, exercitado de forma efetiva.68

3.3.1.2 Do requisito do controle

Uma das v…rias defini‚‰es doutrin…rias disp‰e que “o controle ‡ o direito de dispor dos bens de outrem como um propriet…rio”.69

Trilhando o mesmo caminho, outro entendimento ressalta que:

Controlar uma empresa ‡ deter o controle dos bens que lhe foram destinados (direito de dispor deles como um propriet…rio) de modo a ser senhor da dire‚€o de sua atividade econƒmica. Controlar uma sociedade ‡ deter o controle dos bens sociais (direito de dispor deles como um propriet…rio) de modo a ser senhor da atividade econƒmica da empresa social.70

Em suma, denota-se que o controle restar… consubstanciado pelo fato de uma sociedade reunir todas as condi‚‰es necess…rias • condu‚€o das atividades de outra sociedade, conforme sua vontade.

No que tange a caracteriza‚€o do controle, restar… evidenciada, de acordo com a doutrina:

[...] pelo fato de haver empregados comuns entre uma ou mais empresas, assim como acionistas comuns, mesmo que sejam de uma mesma fam†lia, e administradores ou diretores comuns, quando as empresas possuem o mesmo local ou a mesma finalidade.71

67

MARTINS, S‡rgio Pinto. Direito do Trabalho. 25. ed. S€o Paulo: Atlas, 2009, p. 186.

68

MEIRELES, Edilton. Grupo econômico trabalhista. S€o Paulo: LTr, 2002, p. 147.

69

CHAMPAUD, Claude apud MEIRELES, Edilton. Grupo econômico trabalhista. S€o Paulo: LTr, 2002, p. 140.

70

MEIRELES, Edilton. Grupo econômico trabalhista. S€o Paulo: LTr, 2002, p. 140.

71

(31)

Salienta-se, ainda, que o exerc†cio do controle n€o ‡ prerrogativa de uma sociedade, podendo ser exercido por qualquer esp‡cie de pessoa jur†dica ou f†sica.

Desta forma, findando a defini‚€o de controle, destaca-se o seguinte entendimento: [...] controle, para fins de configura‚€o do grupo econƒmico trabalhista, decorre da possibilidade de uma pessoa, f†sica ou jur†dica, societ…ria ou n€o, poder fazer prevalecer, direta ou indiretamente, sua vontade sobre a outra”.72

3.3.1.3 Do requisito da administra‚€o

Outro requisito mencionado pelo art. 2Š, ‹ 2Š da CLT73, para a configura‚€o do grupo econƒmico, ‡ a administra‚€o de uma empresa por outra.

Neste sentido, observamos o seguinte entendimento: “[...] dizer que uma empresa se encontra sob administra‚€o de outra ‡, portanto, admitir que se submete • sua orienta‚€o e • interferˆncia de seus •rg€os administrativos”.74

Posicionamento similar disserta que:

A administra‚€o decorre da organiza‚€o do grupo, do poder de que uma empresa se investe em rela‚€o a outra, quanto • orienta‚€o e ingerˆncia de seus •rg€os. Dentro dessa concep‚€o, se uma empresa ‡ arrendada a outra, h… possibilidade de se admitir a existˆncia do grupo, pois ambas s€o administradas por uma s• pessoa.75

72

MARTINS, S‡rgio Pinto. Direito do Trabalho. 25. ed. S€o Paulo: Atlas, 2009, p. 186.

73

PINTO, Antonio Luiz de Toledo; WINDT, M…rcia Cristina Vaz dos Santos e C—SPEDES, Livia. Consolida€•o das Leis do Trabalho – CLT. 33 ed. rev. atual. S€o Paulo: Saraiva, 2006, p. 3. Art. 2Š, ‹ 2Š: Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jur†dica pr•pria, estiverem sob a dire‚€o, controle, ou administra‚€o de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econƒmica, ser€o, para os efeitos da rela‚€o de emprego, solidariamente respons…veis a empresa principal e a cada uma das subordinadas.

74

MAGANO, Octavio Bueno apud MEIRELES, Edilton. Grupo econ„mico trabalhista. S€o Paulo: LTr, 2002, p. 147.

75

(32)

Contudo, há que se atentar para a similitude entre o conceito de administração e o de direção, já que ambos se confundem facilmente.

Desta forma, imperioso se faz a distinção de ambos os conceitos:

[...] tem-se sob direção a empresa que está sob controle orgânico de outra, obedecendo às suas orientações, diretivas, etc.; já sob a administração está a empresa que apenas tem como gerida sua atividade (seu objeto), mantendo, porém, sua autonomia social, conquanto contratualmente esteja sob controle da empresa administradora.76

Por fim, observa-se que a administração, diferentemente da direção, não interfere na autonomia social da empresa administrada, ou seja, não interfere na autonomia de seu patrimônio, é uma simples outorga para que outra gerencie sua atividade econômica.

Desta feita, restou verificada a forma de interpretação restritiva da norma através das definições apontadas pela doutrina.

3.3.2 Da forma de interpretação ampla da norma

Essa forma de interpretar a norma trabalhista, de maneira mais ampla, revela que o nexo de relação entre as empresas que compõem o grupo econômico se dá pela simples relação de coordenação entre elas.77

Os autores que coadunam com este tipo de interpretação do dispositivo legal, enfatizam a existência do grupo econômico não apenas quando evidenciados a direção, controle ou administração entre as empresas, mas também quando verificada simples relação de cooperação entre elas.

Nesse sentido, temos que:

[...] a figura resultante da vinculação justrabalhista que se forma entre dois ou mais entes favorecidos direta ou indiretamente pelo mesmo contrato de trabalho em decorrência de existir entre esses laços de direção ou coordenação em face de atividades industriais, comerciais,

76

MEIRELES, Edilton. Grupo econômico trabalhista. São Paulo: LTr, 2002, p. 148.

77

DELGADO, Maurício Godinho. Introdução ao direito do trabalho. 2. ed. São Paulo: LTr, 1999, p. 400.

(33)

financeiras, agroindustriais ou de qualquer outra natureza econƒmica.78

A rela‚€o de coopera‚€o foi introduzida pelo legislador trabalhista no art. 3Š, ‹ 2Š da Lei 5.889/7379, onde ao normatizar o trabalho rural, atribuiu a responsabilidade solid…ria do grupo de empresas sem a necessidade do liame hier…rquico de comando entre elas.

O texto do art. 3Š, ‹ 2Š da Lei de Trabalho Rural prescreve que:

Art. 3Š, ‹ 2Š: Sempre que uma ou mais empresas, embora tendo cada uma delas personalidade jur†dica pr•pria, estiverem sob dire‚€o, controle ou administra‚€o de outra, ou ainda, quando, mesmo guardando cada uma sua autonomia, integrem grupo econƒmico ou financeiro rural, ser€o respons…veis solidariamente nas obriga‚‰es decorrentes da rela‚€o de emprego.

Verifica-se, que o texto do referido dispositivo legal ‡ basicamente o mesmo utilizado anteriormente pelo legislador quando da confec‚€o do ‹ 2Š do art. 2Š da CLT80, apenas acrescentando a express€o “ou ainda, quando, mesmo guardando cada uma sua autonomia”.

Contudo, para esta corrente doutrin…ria, a ado‚€o da rela‚€o de coordena‚€o pelo legislador ao regular o art. 3Š, ‹ 2Š da Lei 5.889/7381ampliou significativamente o conceito de grupo econƒmico, atribuindo a responsabilidade solid…ria do grupo ainda que ausentes os la‚os hier…rquicos de comando entre os componentes.

78

DELGADO, Maur†cio Godinho. Introdu€•o ao direito do trabalho. 2. ed. S€o Paulo: LTr, 1999, p. 334.

79

DA COSTA, Marcus Vin†cius Americano. Grupo empres‡rio no direito do trabalho. S€o Paulo: LTr, 1986, p. 66. Art. 3Š, ‹ 2Š: Sempre que uma ou mais empresas, embora tendo cada uma delas personalidade jur†dica pr•pria, estiverem sob dire‚€o, controle ou administra‚€o, ou ainda, mesmo guardando cada uma sua autonomia, integrem grupo econƒmico ou financeiro rural, ser€o respons…veis solidariamente nas obriga‚‰es decorrentes da rela‚€o de emprego.

80

PINTO, Antonio Luiz de Toledo; WINDT, M…rcia Cristina Vaz dos Santos e C—SPEDES, Livia. Consolida€•o das Leis do Trabalho – CLT. 33 ed. rev. atual. S€o Paulo: Saraiva, 2006, p. 3. Art. 2Š, ‹ 2Š: Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jur†dica pr•pria, estiverem sob a dire‚€o, controle, ou administra‚€o de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econƒmica, ser€o, para os efeitos da rela‚€o de emprego, solidariamente respons…veis a empresa principal e a cada uma das subordinadas.

81

CAN’ADO, Andr‡a Aparecida Lopes. Grupo econ„mico trabalhista: um novo olhar. Porto Alegre: Revista Magister de Direito Trabalhista e Previdenci…rio, nŠ 16, Jan-Fev/2007, p. 48. Art. 3Š, ‹ 2Š: Sempre que uma ou mais empresas, embora tendo cada uma delas personalidade jur†dica pr•pria, estiverem sob dire‚€o, controle ou administra‚€o de outra, ou ainda, quando, mesmo guardando cada uma sua autonomia, integrem grupo econƒmico ou financeiro rural, ser€o respons…veis solidariamente nas obriga‚‰es decorrentes da rela‚€o de emprego.

(34)

Com referˆncia a inova‚€o trazida pelo legislador, o posicionamento doutrin…rio revela que:

[...] o texto literal da lei n. 5.889/73 claramente favorece a tese do nexo relacional de simples coordena‚€o. — que a lei rur†cola fala em empresas que “... estiverem sob dire‚€o, controle ou administra‚€o de outra, ou ainda quando, mesmo guardando cada uma sua autonomia...” (art. 3Š, ‹ 2Š; grifos acrescidos).82

Portanto, de acordo com esta vertente doutrin…ria, o referido dispositivo tinha como objetivo a maior prote‚€o dos trabalhadores, devendo a sua interpreta‚€o e sua aplica‚€o embasarem-se de acordo com os fins sociais a que se dirige.

Neste sentido:

[...] n€o se pode afastar a possibilidade de configura‚€o do grupo econƒmico trabalhista quando as empresas se agrupam de forma horizontal, sem rela‚€o de dom†nio e controle entre elas. “Seria uma injusti‚a negar-se a existˆncia do grupo, para fins de fixa‚€o de responsabilidade pecuni…ria de todas as empresas em face dos direitos dos empregados de uma ou algumas delas”.83

E acrescenta:

N€o nos parece que, sempre, se deva pressupor uma organiza‚€o piramidal de empresas, no v‡rtice delas atuando, na plenitude do seu poder de controle, a empresa l†der. — preciso pensar-se em outras possibilidades, que a pr…tica pode criar e que, resultando das variadas formas de aglutina‚€o de empresas, nem por isso desfiguram a existˆncia do grupo e, portanto, a co-responsabilidade econƒmica de todas as empresas que o integrarem, em face dos direitos do trabalhador. — o caso de um grupo de empresas constitu†das horizontalmente, isto ‡, sem a existˆncia da empresa l†der ou controladora, mas todas elas sujeitas a um controle de fato exercido atrav‡s da deten‚€o, por determinadas pessoas, do capital investido.84

82

DA COSTA, Marcus Vin†cius Americano. Grupo empresário no direito do trabalho. S€o Paulo: LTr, 1986, p. 66.

83

RUSSOMANO, Mozart Victor apud MEIRELES, Edilton. Grupo econômico trabalhista. S€o Paulo: LTr, 2002, p. 152.

84

RUSSOMANO, Mozart Victor apud MEIRELES, Edilton. Grupo econômico trabalhista. S€o Paulo: LTr, 2002, p. 152.

(35)

Verifica-se, cristalinamente, que a referida corrente doutrinária defende a observância do grupo econômico independentemente da existência de uma empresa que atue como líder ou que seja a controladora das demais, pois a simples cooperação entre as empresas, atuando na forma horizontal, lado a lado, conjuntamente, também deverá dar ensejo a existência do grupo e, conseqüentemente, atribuir responsabilidade a todas as empresas que o integram.

Nesse viés, defende-se que:

[...] se a intenção principal do ramo justrabalhista foi ampliar a garantia incidente sobre os créditos obreiros, não há porque se restringir a figura do grupo econômico em função de um aspecto que é, em substância, irrelevante do ponto de vista dos contratos empregatícios firmados.85

Assim, de acordo com essa veia interpretativa, para se ter o alcance do grupo trabalhista, atualmente, seria necessário realizar a leitura conjugada dos artigos 2º, § 2º da CLT86e art. 3º, § 2º da Lei nº. 5.889/7387.

Isso porque, de acordo com tal corrente, a Lei 5.889/73 aperfeiçoou o texto da CLT ao referir-se ao grupo de coordenação, cabendo a regra da contida no art. 2º, § 2º da CLT ser interpretada de forma ampliativa (extensiva), de modo que, com base no princípio da igualdade, possa assegurar aos trabalhadores urbanos as mesmas garantias oferecidas ao trabalhador rural.88

Desta forma, pôde-se compreender a forma ampliativa de interpretação da norma com vistas à caracterização do grupo econômico.

85

DELGADO, Maurício Godinho. Curso de direito do trabalho. São Paulo: Ltr, 4ª ed., 2005, p. 401.

86

SAAD, Eduardo Gabriel; SAAD, José Eduardo Duarte; CASTELLO BRANCO, Ana Maria Saad. Consolidação das leis do trabalho comentada. São Paulo: LTr, 2004, p. 27. Art. 2º, § 2º: Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle, ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e a cada uma das subordinadas.

87

CANÇADO, Andréa Aparecida Lopes. Grupo econômico trabalhista: um novo olhar. Porto Alegre: Revista Magister de Direito Trabalhista e Previdenciário, nº 16, Jan-Fev/2007, p. 48. Art. 3º, § 2º: Sempre que uma ou mais empresas, embora tendo cada uma delas personalidade jurídica própria, estiverem sob direção, controle ou administração de outra, ou ainda, quando, mesmo guardando cada uma sua autonomia, integrem grupo econômico ou financeiro rural, serão responsáveis solidariamente nas obrigações decorrentes da relação de emprego.

88

(36)

3.4 DA PROVA DE EXIST›NCIA DO GRUPO

Observadas •s formas de interpreta‚€o da norma trabalhista, importante que se verifique outro fator imprescind†vel • caracteriza‚€o do grupo econƒmico trabalhista, a necessidade de se provar a existˆncia do grupo.

Sabe-se, que, as forma‚‰es dos grupos de empresas ocorrem longe das …reas de produ‚€o, ou seja, distantes dos olhos dos empregados.

Dessa forma, “[...] a principal dificuldade de quem se depara com o grupo ‡ provar a sua existˆncia, ou seja, demonstrar que as empresas componentes do grupo realmente vinculam-se umas •s outras, formando uma unidade empresarial”.89

Essa dificuldade ocorre, principalmente, quando as empresas que comp‰em os grupos, possuem a finalidade de mascarar essa rela‚€o de vincula‚€o, com objetivo de obter vantagens ou at‡ mesmo burlar a lei.

Nesse sentido, observa-se o seguinte entendimento:

[...] ‡ preciso, sem dŒvida, um exame meticuloso da situa‚€o das empresas, porque, n€o raro, exatamente para que a aparˆncia esconda a realidade, tais empresas atuam desvinculadas, no que possuem de ostensivo em seu funcionamento, mas, em um plano oculto, invis†vel aos olhos do grande pŒblico, est€o de tal maneira interpenetradas que ficam submetidas a um controle geral, como diz a lei p…tria.90

A ocorrˆncia do grupo de fato, que se constitui apenas pela realidade das rela‚‰es mantidas entre as empresas, inexistindo qualquer instrumento formal capaz de identific…-lo, exemplifica claramente o grau de dificuldades impostas para provar a sua existˆncia.

Contudo, quando se depara com um grupo legalmente constitu†do, devidamente registrado, a prova revela-se de f…cil alcance.

Na seara trabalhista, para que se possa provar a existˆncia do grupo, admitem-se todos os meios l†citos probat•rios, inclusive pela presun‚€o e por ind†cios.91

89

MEIRELES, Edilton. Grupo econômico trabalhista. S€o Paulo: LTr, 2002, p. 165.

90

RUSSOMANO, Mozart Victor apud MEIRELES, Edilton. Grupo econômico trabalhista. S€o Paulo: LTr, 2002, p. 166.

91

CAN’ADO, Andr‡a Aparecida Lopes. Grupo econômico trabalhista: um novo olhar. Porto Alegre: Revista Magister de Direito Trabalhista e Previdenci…rio, nŠ 16, Jan-Fev/2007, p. 50.

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