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5.1 STARTUPS E ECOSSISTEMA DE SUPORTE

Startups não são apenas empresas nascentes, mas organizações que buscam a criação de novos produtos e serviços sob condições de extrema incerteza (RIES, 2012). São empreendimentos que possuem uma ideia de produto ou serviço inovador e de potencial de crescimento rápido, mas ainda estão definindo, geralmente por tentativa e erro, o melhor posicionamento de mercado, quais estratégias adotar, as características do produto e os segmentos de mercado prioritários. Ou seja, ainda buscam um modelo de negócio que possa ser repetido e escalado (BLANK & DORF, 2012; BLANK, 2013).

Em suma, uma startup é uma organização projetada para entregar novos produtos ou serviços e que, sob condições de extrema incerteza, encontra-se em busca de um modelo de negócio replicável e escalável.

Startups possuem uma importância econômica relevante para a economia, tanto em termos de geração de empregos e renda quanto em relação à promoção da inovação, da competitividade e do crescimento econômico. Por essa razão, várias organizações públicas e privadas foram concebidas e criadas para lhes prestar suporte -- econômico ou financeiro, dentre as quais se destacam incubadoras de empresas; aceleradoras de negócios; espaços de coworking; cursos; concursos e fundos de capital de risco. Esse conjunto de organizações é chamado de “ecossistema de suporte a startups” ou simplesmente “ecossistema de startups” (DEE et al., 2015).

Dentre as organizações que formam o ecossistema de startups, essa pesquisa faz referência direta a três delas: (i) incubadoras de empresas; (ii) aceleradoras de negócios; e (iii) fundos de capital de risco; e (iv) investidores-anjo.

5.1.1 Incubadoras de Empresas

Uma Incubadora (de empresas) é um ambiente de suporte para startups e empresas incipientes. Tipicamente, esse suporte se traduz em (i) escritórios flexíveis, com infraestrutura física, equipe e equipamentos compartilhados, com valor de aluguel subsidiado; (ii) pacote de serviços de apoio, tais como assessoria em marketing, formação de equipes, ou acesso a linhas de financiamento; (iii) indicação de serviços técnicos

especializados; (iv) sessões de aconselhamento profissional (“mentoria”); e (v) acesso a uma rede de relacionamentos internos e externos construídos pela incubadora (GRIMALDI & GRANDI, 2005; BERGEK & NORRMAN, 2008).

A ideia é que após um período de “incubação” ou “residência” num ambiente protegido e de custos reduzidos, as empresas “graduadas” tornem-se independentes e autossustentáveis (GRIMALDI & GRANDI, 2005; BERGEK & NORRMAN, 2008).

De fato, o índice de sobrevivência de startups é maior entre empresas incubadas do que fora delas, mas a causa, segundo Aerts, Matthyssens & Vandenbempt (2007), está muito mais relacionada à seleção de um bom portfólio de projetos do que propriamente ao apoio que as incubadoras provêm. Sobre esse apoio, pesquisa conduzida por Abduh et al (2007) revela que os empreendedores avaliam positivamente a infraestrutura disponibilizada pelas incubadoras, mas não atribuem efetividade aos serviços de suporte à geração de negócios, tais como mentoria, aconselhamento e apoio para criação de redes de relacionamento.

Em que pese existirem incubadoras privadas – quer sejam independentes ou vinculadas a grandes empresas, a maioria delas mantém vínculo com universidades, são mantidas com recursos públicos e não têm fins lucrativos (GRIMALDI & GRANDI, 2005).

5.1.2 Aceleradoras de Negócios

Aceleradoras de negócios, aceleradoras de startups ou simplesmente aceleradoras são um tipo distinto de incubação de empresas, geralmente mantidas com capital privado e que oferecem programas de suporte caracterizados por duração pré-definida, geralmente programas de curto prazo (a partir de 3 meses) e turmas fechadas (COHEN, 2013).

A oferta de apoio de uma aceleradora às startups inclui uma pequena quantia de recursos financeiros (“capital semente”) e uma ampla gama de oportunidades de capacitação, mentoria e construção de redes de relacionamento, inclusive junto a potenciais investidores (COHEN, 2013). O programa ajuda os empreendedores a amadurecerem o modelo de negócio e geralmente termina com um evento chamado demo day, com a apresentação dos projetos a uma grande audiência composta por investidores qualificados (COHEN & HOCHBERG, 2014).

Em comparação aos programas de incubação, além das diferenças relacionadas à duração e intensidade dos programas; aceleradoras oferecem um pequeno investimento – em troca de participação acionária; são baseadas em turmas e bem mais seletivas na escolha dos participantes; além de claro objetivo de buscar investidores para os projetos apoiados, inclusive adotando a ocorrência de investimento nas startups como uma de suas principais métricas de sucesso (COHEN & HOCHBERG, 2014).

5.1.3 Fundos de Capital de Risco

Fundos de Capital de Risco, ou fundos de Venture Capital (VC) são organizações especializadas em realizar investimentos em empresas de alto risco e alto potencial de crescimento -- geralmente empresas nascentes de alta tecnologia que precisam de recursos para financiar o desenvolvimento de seus produtos ou o crescimento da empresa. Em distinção ao financiamento bancário, os recursos de VC não geram dívidas à startup. Em contrapartida aos recursos aportados no negócio, a startup oferece participação acionária ao fundo investidor (BLACK& GILSON, 1998).

A presença de VC é de grande importância para o ecossistema de suporte, uma vez que startups são empreendimentos de alto risco, com baixos índices de sobrevivência, fazendo com que o financiamento de suas operações seja dependente de oferta de capital privado de maior apetite a riscos (DAMODARAN, 2012).

Hellmann & Puri (2002) pontuam, todavia, que a relevância do VC para o desenvolvimento de startups vai muito além dos aspectos financeiros, uma vez que vinculado aos investimentos que um VC realiza num empreendimento estão uma variedade de medidas profissionalizantes e adoção de boas práticas de gestão.

5.1.4 Investidores-anjo

O termo “investidor-anjo” geralmente refere-se a um indivíduo afortunado que tipicamente investe em startups por conta própria. Por apoiarem empreendimentos em estágios de vida mais iniciais, são vistos como complementares ao VC no contexto de financiamento de novos empreendimentos (WONG, BHATIA, FREEMAN, 2009). Outras características que distinguem esse tipo de investimento daquele realizado por VC é o fato de investidores-anjo geralmente exigirem das startups investidas mecanismos menos formais de governança (WONG,

BHATIA, FREEMAN, 2009); e o montante de capital investido por anjos ser em média 11 vezes menor que o de VC (MORRISSETTE, 2007).

O investimento médio em cada startup é bem menor que o de fundos de capital de risco, mas essa fonte de financiamento é mais acessível. Estima-se que 70% de todo o valor investido em startups seja proveniente de investidores-anjo (MORRISSETTE, 2007).

Assim como VC, investidores-anjo geralmente não aportam apenas dinheiro. Contribuem com negócios incipientes através de aconselhamento; conexões; participam de conselhos consultivos ou de administração; provêm assistência e inteligência empresarial (ARDICHVILI et al, 2002; MADILL, HAINES & RIDING, 2005). Além disso, anjos desempenham um importante papel de fornecer credibilidade ao negócio e facilitar o acesso a novas rodadas de investimento. A presença de investidores-anjo aumenta substancialmente a atratividade de um empreendimento junto a capitalistas de risco (MADILL, HAINES & RIDING, 2005).

Essas características fazem com que investidores-anjo sejam apontados como a mais importante fonte de financiamento para startups (MORRISSETTE, 2007).

5.2 CORPORAÇÕES E STARTUPS: A UNIÃO QUE FAZ A