O Storify14 foi inicialmente elaborado para ajudar jornalistas e blogueiros a filtrarem o conteúdo (depoimentos, links, vídeos, imagens etc.) de redes sociais diversas, como Facebook, Twitter, sites de compartilhamento de vídeos, como o
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Ver Tabela1.
14 Grande parte das informações sobre o pequeno histórico da plataforma foram obtidas por meio da
reportagem “Storify permite a criação de histórias por meio da colagem de informações extraídas das redes sociais”, publicada no site O GLOBO em 28/04/2011.
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YouTube, ou de compartilhamento de fotografias, como o Instagram, a fim de que escrevessem “matérias” de teor mais rico, incorporando vozes e impressões relevantes à produção textual denominada story, criada por eles por meio da plataforma. A ferramenta esteve em versão beta, com possibilidade de acesso somente mediante convite, no período entre setembro de 2010 e abril de 2011, quando foi finalmente liberada para o público geral15.
Durante o período de testes, em que grandes veículos jornalísticos como Washington Post, Al Jazeera, New York Times e National Public Radio foram convidados a participar do processo, foram 21 mil stories criadas e acessadas mais de 13 milhões de vezes. Um de seus co-fundadores, Burt Herman, já afirmou em entrevista16 que
hoje em dia, há por aí tanta informação publicada em tempo real que esse conteúdo acaba se perdendo. Mas esses elementos, tweets, fotos, vídeos, são essenciais para contar as histórias que estão acontecendo. Então nós criamos uma plataforma que torna isso mais fácil.
A fala do co-fundador claramente aponta para a necessidade de se curatoriar informação dispersa pela internet e indexá-la textualmente, o que levou à criação de uma interface e de um processo bastante simples de construção dessas produções textuais. Consequentemente, desde sua criação no final de 2010, o tráfego pela plataforma tem aumentado e se popularizado em alguns países. Segundo o site Alexa17 (ver Tabela 1), uma página que gera dados automáticos de outros websites, os cinco primeiros países onde há maior concentração de visitantes no Storify são Estados Unidos, Índia, Reino Unido, Canadá e Alemanha, respectivamente.
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Atualmente, a ferramenta possui cerca de 850 mil utilizadores. Fonte: Site português Público. Disponível em: http://www.publico.pt/tecnologia/noticia/livefyre-adquire-storify-para-fazer-crescer- curadoria-de-informacao-on-line-1605413. Acesso em: 20 dez. 2013.
16 Entrevista ao site especializado GigaOM, mencionada na matéria de O GLOBO de 28/04/11. 17
Disponível em:< http://www.alexa.com/siteinfo/storify.com%20retrieved> Acesso em 21 dez. 2013. O site Alexa fornece dados estatísticos de diferentes websites globais, tais como a demografia dos usuários, frequências de clicks, ranking do tráfego pelo site, dentre outros. Desse modo, dá uma visão geral de como um site se posiciona em seu nicho, por exemplo, quanto à sua popularidade, perfil dos visitantes.
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Tabela 1 – Países com maior número de visitantes. Fonte: Alexa (21/12/2013)
O processo de elaboração das stories é bastante simples para o usuário. A tela se divide em duas colunas (Figura 1): do lado esquerdo fica um boxe para onde o usuário arrasta os itens das mídias sociais que servirão como fonte para o texto (Figura 2); acima ficam as ferramentas de edição da story18 que se está elaborando, com espaço para inclusão de título, descrição, foto de exibição e textos para encadear e intercalar com o conteúdo trazido de diferentes fontes. O resultado final é um mosaico visualmente coeso de fragmentos de postagens, vídeos e fotos sobre um mesmo assunto que contam uma story19. A story pronta pode, por sua vez, ser instantaneamente republicada nas mesmas redes sociais de onde vieram as postagens utilizadas em sua construção e também ter seu endereço (URL) incluído, na forma de insert, em qualquer outro site.
18 Manterei, até o capítulo 4, que explica o estudo empírico, a flexibilidade de referenciações em relação aos objetos textuais produzidos na plataforma, com a nomenclatura do inglês “story/stories”, devido ao caráter instável de sua caracterização, e também porque faz parte do problema de pesquisa desvendar e evidenciar as características de tais produções do serviço.
19 Story (literalmente história, em português) é um termo utilizado, em inglês, para fazer referência a
reportagens ou coberturas jornalísticas. Não se trata, portanto, neste caso, necessariamente, de narrativas no sentido tradicional, mas de sequências de informações organizadas que podem ser retextualizadas e reapropriadas na forma dos mais diversos tipos de gêneros narrativos, especialmente jornalísticos, como crônicas, reportagens e retrospectivas.
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Figura 1 – Reprodução da página de criação de stories para o usuário
Figura 2 – Fontes disponíveis na interface do usuário para a seleção do conteúdo de composição da
story
Pode-se dizer que a web 2.020 facilitou o uso de sistemas operacionais por parte dos usuários. Essa facilidade permitiu qualificar os seus programas e interfaces como
20 Para Jarrett (2008), a característica chave da web 2.0 é o desenvolvimento de softwares que permitem a participação massiva e a interação dos usuários em atividades sociais.
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“amigáveis” (user-friendly), segundo critérios21 básicos, como a simplicidade em sua instalação, bem como em sua desinstalação, a facilidade na atualização, a intuição e eficiência em seu uso, e também o fato de a interface ser prazerosa e de simples navegação (GUI – Graphical User Interface) 22, entre outros critérios gerais, que tornam o relacionamento usuário-software o mais elementar possível.
O Storify, por exemplo, emprega uma tela em que a agregação de conteúdo é bastante facilitada, além de demonstrar qual é a função de cada um dos botões quando se passa o mouse por eles. Dessa forma, torna acessível a agregação de conteúdo por qualquer usuário, que tenha uma conta no Facebook ou Twitter – redes sociais que dão acesso direto ao login da plataforma –, ou que queira utilizar-se da plataforma sem a intermediação de outras redes; “conte” e escolha a representação que quer realizar sobre um determinado fato ou assunto.
Essa amistosidade para com o usuário demonstra que, embora tenha sido idealizada a princípio para jornalistas e blogueiros, a plataforma poderia em tese ser apropriada por usuários comuns, uma vez que o conhecimento técnico para a criação de stories não seria uma premissa indispensável. O essencial é o conteúdo informacional a ser veiculado pelas stories, assim como as escolhas verbo-visuais (imagens do Flickr, tweets do Twitter, posts do Facebook etc.), que permitem ao storifier dar forma ao seu projeto discursivo, ainda que com falas importadas de outros softwares sociais.