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Subsídios para a Implantação e o Desenvolvimento do Programa Mais

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llustração 2 – Gráfico: Brasil – Taxas de reprovação no Ensino Fundamental

1 OS CICLOS NO BRASIL: LIMITES, POSSIBILIDADES E SEUS

2.3 A REORGANIZAÇÃO E A NOVA PROPOSTA

2.3.1 Subsídios para a Implantação e o Desenvolvimento do Programa Mais

Como a abordagem deste estudo centra-se no Ensino Fundamental, a apresentação, neste momento, dos documentos e propostas do Programa

disponibilizados do ano de 2014 a meados de 2016, limita-se especialmente a este segmento.

Cinco cadernos foram elaborados e distribuídos às escolas para subsidiar a implantação nos anos de 2014 e 2015. O primeiro, intitulado como “Subsídios para implantação”, tem como objetivo esclarecer, ajudar a interpretar e operacionalizar as normas e diretrizes do Programa. Salienta-se, nesse caderno, a necessidade de planejar conforme o que já está estabelecido, no entanto, isso contraria a ideia de uma proposta inacabada e flexível, que também consta no documento.

O momento de planejar é também momento de compreender o alcance das ações da Rede Municipal de Ensino e de organizar esforços para o alcance dos objetivos que estão postos. Os passos do planejamento, com os quais se inicia este ano de 2014, supõem uma inovação profunda, não apenas inaugurada com um Decreto, mas baseada na construção de um novo currículo e de seu acompanhamento junto aos educandos. (SÃO PAULO, 2014a, p. 5, grifos meus)

Este caderno está dividido em dois eixos: Qualidade e Gestão. O primeiro trata dos princípios e ações para a qualidade de ensino relacionada ao currículo e à unidade educacional como polo de desenvolvimento cultural e centro de investigação cognitiva. O segundo eixo aborda os princípios e práticas da Gestão Pedagógica, Democrática e do Conhecimento. No final constam as vinte e uma notas técnicas ao Documento de Referência do Programa elaborado no ano anterior a implantação.

O segundo caderno, também elaborado em 2014, intitula-se “Subsídios 2: Sistema de Gestão Pedagógica – SGP e a Avaliação Para a Aprendizagem”. Este dá continuidade aos elementos relacionados à gestão discutidos no primeiro caderno, enfatiza as questões da avaliação, registro e planejamento e traz um manual para utilização do SGP. O documento esclarece as concepções de avaliação da reforma, vinculando a qualidade da educação à avaliação do processo educativo. Ressaltam-se as questões: Por que, para que e o que avaliar?

A finalidade ou objetivo da avaliação, que precisa estar claro para o professor, é determinante em sua ação. Ao decidir avaliar, é necessário definir qual fenômeno ou característica será avaliado. Ressalta-se que a finalidade básica da avaliação é orientar: a intervenção, para tomada de decisões educativas; a observação da evolução e do desenvolvimento dos educandos; o planejamento e intervenção; a modificação de determinadas situações, relações ou práticas educativas. (SÃO PAULO, 2014b, p.15)

É importante destacar que, na reorganização, os diários de papel foram substituídos pelo SGP, sistema on-line, no qual devem ser descritos pelo professor o planejamento, o diário de classe, a frequência, as atividades avaliativas, as fichas individuais e o boletim. No caderno 2 é explicitado que “O SGP foi concebido como um apoio tecnológico ao professor para que todo seu planejamento possa estar disponível a ele o tempo todo e ser revisto, reprogramado instantaneamente e on- line”. (SÃO PAULO, 2014b, p.10)

Ao planejar nesta ferramenta, o docente deve selecionar inicialmente as expectativas programadas para o bimestre e, posteriormente, marcar quais dos itens foram trabalhados e alcançados, como demonstra a Ilustração 4, a seguir.

Ilustração 4 – Planejamento Bimestral

Fonte: Caderno de formação Subsídios 2. Disponível em:

http://portal.sme.prefeitura.sp.gov.br/Portals/1/Files/10019.pdf. Acesso em 31 out 2016.

Nota-se que o termo utilizado no SGP como referência aos conteúdos a serem trabalhados, continua a ser “Expectativas de Aprendizagem”, contradizendo a concepção de currículo da nova proposta que substitui essa expressão por “Direitos de Aprendizagem”, a ser abordada com mais ênfase no item 2.3.2 desta pesquisa.

O processo do ensino e aprendizagem de cada turma é registrado no Diário de Classe (Ilustração 5), ferramenta na qual o professor pode lançar frequência, cadastrar atividades avaliativas, postar as notas, incluir ou excluir aulas, visualizar

e/ou alterar datas, realizar anotações, apontar o que foi trabalhado em cada aula etc. (SÃO PAULO, 2014b)

Ilustração 5 – Diário de Classe

Fonte: Caderno de formação Subsídios 2. Disponível em :

http://portal.sme.prefeitura.sp.gov.br/Portals/1/Files/10019.pdf. Acesso em 31 out 2016.

A Rede Municipal de Ensino de São Paulo – RMESP – propõe um exemplar padrão de boletim a ser impresso por meio do SGP no qual “A proposta apresentada [...] prevê um campo destinado ao registro de uma síntese e comentários da trajetória pedagógica do aluno, no bimestre, de seu processo e da avaliação realizada pelo Conselho de Classe” (SÃO PAULO, 2014b, p. 50). Ainda, para os alunos do Ciclo Interdisciplinar e Autoral, há um espaço para uma autoavaliação, na qual o discente reflete sobre o que tem feito e o que pretende fazer em relação ao seu compromisso com a escola e com sua aprendizagem. A Ilustração 6, a seguir, apresenta um modelo de boletim elaborado para o Ciclo Interdisciplinar.

Ilustração 6 – Boletim Ciclo Interdisciplinar

Fonte: Caderno de formação Subsídios 2. Disponível em

http://portal.sme.prefeitura.sp.gov.br/Portals/1/Files/10019.pdf. Acesso em 31 out 2016.

Além das instruções para o uso do SGP, no mesmo caderno de formação Subsídios 2 evidenciam-se dificuldades de diversas ordens para sua implantação e utilização. De ordem pessoal, destaca-se a resistência dos educadores para exporem seus registros e em relação à ferramenta tecnológica; de ordem pedagógica, salienta-se a necessidade de mais reflexões e estudos sobre a avaliação dos alunos da Educação Especial, além de rever práticas fragmentadas e distantes da família; de ordem formativa, compreende-se a importância de ampliar o processo de formação para docentes e gestores; e de ordem tecnológica, reconhece-se os problemas enfrentados em relação ao acesso à internet, à

oscilação da rede wi-fi, à insuficiência de equipamentos nas escolas e ao congestionamento do atendimento 0800 em alguns horários pela quantidade de ligações. Apesar das dificuldades, a SME, no referido caderno, se compromete a tratar dos problemas e melhorar o funcionamento do sistema. (SÃO PAULO, 2014b)

O terceiro caderno elaborado pela SME intitula-se “Subsídios 3: CEU-FOR Sistema de Formação dos Educadores da Rede Municipal de São Paulo”. Este inicia apresentando o quadro de formação de educadores no Brasil e no município de São Paulo. Logo após, discute os princípios para um currículo de formação de professores, para então explicitar as propostas que serão desenvolvidas neste sentido, no âmbito das diretrizes e concepções do Programa Mais Educação São Paulo.

É o objetivo principal do CEU-FOR constituir-se em um Sistema de Formação dos Educadores da Rede Municipal de Ensino de São Paulo, por meio da organização da oferta de ações formativas com foco em prioridades estratégicas, considerando as experiências dos educadores, assim como o fornecimento de condições de acesso e permanência, resultando em uma política orgânica que alie pesquisa acadêmica e investigação a partir da prática, com foco na melhoria da qualidade da educação municipal. (SÃO PAULO, 2014c, p. 28) A proposta é que as formações sejam oferecidas por três esferas organizacionais diferentes: ofertas diretas pela própria SME e Diretorias Regionais - DREs; Universidade Aberta do Brasil – UAB; e rede de parcerias como sindicatos, instituições públicas e privadas, organizações não governamentais, entre outras.

No ano de 2015, Gabriel Chalita assumiu a Secretaria Municipal de Educação no lugar de Cesar Callegari e deu continuidade às propostas do Programa, disponibilizando mais dois cadernos de subsídios.

O quarto caderno foi intitulado “Subsídios 4: avaliação para a aprendizagem externa e em larga escala”. Este aprofunda as discussões conceituais e metodológicas sobre o tema avaliação, com ênfase na externa e em larga escala.

As avaliações educacionais externas e em larga escala têm o objetivo de subsidiar as escolas, no que diz respeito ao aprimoramento de práticas pedagógicas e de gestão, e as secretarias de educação, no que se refere à formulação de políticas educacionais. Entretanto, gestores e educadores ainda demonstram dificuldades na compreensão dos resultados dessas avaliações para utilizá-los em prol da educação. (SÃO PAULO, 2015a, p. 12)

Os textos deste documento baseiam-se nas palestras da Professora Doutora Bernadete Gatti e da Professora Mestre Bruna Ribeiro, sendo que na segunda parte o enfoque ocorre sobre a avaliação na Educação Infantil. A terceira e quarta parte do arquivo, relata as análises e discussões sobre o tema do Grupo de Implementação Permanente (GIP) da SME.

O quinto caderno é intitulado “Subsídios 5: A Supervisão Escolar na Rede Municipal de Ensino de São Paulo – A Gestão Educacional em uma Perspectiva Sistêmica”. Este foi resultado de momentos de formações presenciais e a distância para os supervisores escolares da rede, com o apoio da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo.

Durante o desenvolvimento das propostas, além dos cadernos de subsídios, foram enviados às escolas mais três livros: um voltado para o segmento da EJA, outro relacionado à questão do uso da tecnologia e linguagem midiática na Educação Infantil e outro que discute as concepções para um currículo integrador da infância, com o intuito de “promover reflexões sobre as práticas pedagógicas com vistas a um processo de transição da Educação Infantil para o Ensino Fundamental que articule os trabalhos desenvolvidos nas duas etapas”. (SÃO PAULO, 2015b, p.5) O secretário municipal e sua equipe realizaram encontros com a comunidade escolar das treze Diretorias Regionais de Educação – DREs – de São Paulo, no período de 10 de fevereiro a 25 de março de 2015. Dessas visitas surgiu o documento “Diálogos com a rede” (SÃO PAULO, 2015c), que expõe a devolutiva em relação às ações tomadas a partir dos questionamentos que apareceram nas reuniões. A primeira parte do arquivo discute as questões pedagógicas, estruturais, funcionais e os desafios ainda presentes na reorganização; na segunda parte há a caracterização das DREs de São Paulo e as propostas de ações que vêm sendo realizadas em cada uma delas.

Vale destacar alguns dos desafios apontados no documento sobre os quais a rede municipal de ensino avançou, mas que ainda não conseguiu solucioná-los. Reconhece-se a falta de equipamentos escolares, a demora na realização da manutenção das impressoras das escolas e a impossibilidade da liberação do wi-fi para uso de equipamento próprio.

Ainda em 2015, no segundo semestre, as equipes pedagógicas da SME e das DREs disponibilizaram o primeiro documento “AGIR”, no intuito da avaliação e reelaboração dos Projetos Políticos Pedagógicos – PPPs – das unidades escolares,

que deveriam ser repensados a partir de alguns conceitos, aspectos, problematizações e propostas de reflexão com a comunidade educativa ponderados neste documento sobre a qualidade social da educação e gestão democrática (SÃO PAULO, 2015e).

No início de 2016, foi divulgado o segundo documento AGIR, com o objetivo de dar continuidade às discussões e contribuir para o percurso formativo da RME ao longo do ano. Neste destacam-se as metas e prioridades da política educacional aprovadas no Plano Municipal de Educação – PME – no ano anterior, enfatizando que estas devem ser consideradas na revisão dos PPPs das escolas. As metas apontadas são:

- A priorização do avanço na melhoria da qualidade da educação ao destinar 33% do total de impostos e repasses para a Educação, um aumento de dois pontos em relação à porcentagem atual, de 31%. - A garantia do atendimento de 75% das crianças de zero a 3 anos e 11 meses ou 100% da demanda registrada, o que for maior, até o final da década.

- A diminuição significativa na relação entre o número de alunos por educador, colocando limites e estabelecendo que o mesmo aconteça nos Centros de Educação Infantil assim que a meta de universalizar o atendimento a essa demanda seja alcançada.

- O fortalecimento da gestão democrática da Educação, instituindo os Conselhos Regionais de Representantes dos Conselhos de Escola (CRECE), em cada Diretoria Regional de Educação, que, entre outros agentes, também construirão os Planos Regionais de Educação, instrumentos de qualificação da educação municipal que necessariamente devem reconhecer e considerar as diferenças entre as regiões do município.

- A valorização do profissional do magistério público ao estabelecer um conjunto de estratégias voltadas a jornadas de trabalho dos professores que respeite 1/3 de seu total para formação e planejamento, instituindo a meta de formação inicial e a regulamentação de participação dos profissionais em cursos de pós- graduação lato e stricto sensu, garantindo o respeito aos direitos já adquiridos pelos profissionais e buscando ainda mais avanços. (SÃO PAULO, 2016, p. 4)

O documento está organizado de forma a trazer reflexões e questionamentos sobre os temas avaliação, formação e currículo, considerando cada segmento e anuncia que em junho do mesmo ano haverá um encontro formativo para a discussão das práticas dos educadores no Congresso Municipal de Educação.

Outro ponto a ser considerado no AGIR é a ênfase em relação à implantação da escola integral na RME, a partir do Programa “São Paulo Integral – ampliando e construindo novos caminhos pedagógicos”, possibilitando, assim, que os educandos tenham maior tempo de permanência na escola, ampliando de cinco para sete horas

de aulas diárias. As escolas que tiveram interesse em aderir ao Programa, já iniciaram o ano de 2016 neste novo formato de tempo.

O Programa prevê a expansão de tempos, espaços e oportunidades educativas, cujo ponto central marca uma aprendizagem conectada à vida e aos interesses e possibilidades dos educandos, [...] reconhecendo as múltiplas dimensões do ser humano e a peculiaridade do desenvolvimento das crianças e dos adolescentes, o estabelecimento de vínculos entre os educandos e a cidade, visando potencializar a qualidade social da educação. Assim sendo, às escolas que aderiram ao programa surge um novo desafio, o planejamento deve atentar para o desenvolvimento do programa, cujo processo de elaboração deve ser considerado pela ação supervisora das DREs. (SÃO PAULO, 2016, p. 5)

Neste primeiro ano de implantação do São Paulo Integral, 110 das 3.351 escolas da RME aderiram ao Programa, sendo 37 de Educação Infantil e 73 de Ensino Fundamental. Vale mencionar que a iniciativa teve início no ciclo de Alfabetização.

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