Grafo 6.21 – QE 2, Bloco F (planta modificada)
3.2 Conhecendo as áreas de estudo
3.2.5 Sudoeste, Sudoeste Econômico e Octogonal
A Região Administrativa do Sudoeste e Octogonal é uma das mais recentes do Distrito Federal143. Composta pelos setores Sudoeste, Sudoeste Econômico e Octogonal, a região está localizada em área privilegiada, próxima ao eixo monumental e ao Parque da Cidade144. Assim como o Cruzeiro Novo, esta região administrativa está inserida na área tombada pelo Patrimônio Histórico da Humanidade. O mapa (Figura 3.22) mostra os setores Sudoeste, Sudoeste Econômico, Octogonal e o Cruzeiro Novo.
O Setor Sudoeste foi criado em julho de 1989, como parte do plano de expansão do Plano Piloto de Brasília, definido por Lucio Costa no documento Brasília Revisitada 85-87. Neste documento, Lucio Costa propôs a criação de seis novas áreas, dentre elas o Bairro Oeste Sul (SHCSW), e definiu as normas de ocupação para os novos assentamentos de forma a preservar 143 A RA XXII foi criada pela Lei nº 3.153 de 06/05/2003, até essa data fazia parte da Região Administrativa do Cruzeiro. A Região Administrativa é constituída dos setores: Áreas Octogonais, Sudoeste e Hospital das Forças Armadas. O Sudoeste é composto por Superquadras e Sudoeste Econômico.
144 A RA XXII é limitada ao Norte pelo eixo monumental e o Setor Militar Urbano; ao Sul com a área do Campo da Esperança; a Leste com o Setor de Indústrias Gráficas (SIG) e o Parque da Cidade e a Oeste com o Cruzeiro, Setor de Indústria e Abastecimento (SIA), Ceasa e Estação Rodoferroviária.
Figura 3.22 - RA XI e XXII
Fonte: Mapa gentilmente cedido pela Administração Regional do Cruzeiro - 2005
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características do Plano Piloto: “[...] a ocupação deve ser conduzida para integrar-se ao que já existe, na forma e no espírito, ratificando a caracterização de cidade parque ´derramada e concisa´ - sugerida como traço urbano diferenciador da capital.” (COSTA, 1987).Lucio Costa assim definiu a implantação do bairro Oeste Sul:
Oeste Sul e Oeste Norte — foram previstas Quadras Econômicas (pilotis e três pavimentos) para responder à demanda habitacional popular e Superquadras (pilotis e seis pavimentos) para classe média, articuladas entre si por pequenos centros de bairro, com ocupação mais densa, gabaritos mais baixos (dois pavimentos sem pilotis) e uso misto (1987).
Projetado pelos técnicos do Governo do Distrito Federal, o bairro foi pensado para abrigar 50 mil habitantes e está dividido em Sudoeste, conhecido como área “nobre”, e Sudoeste Econômico145. Os prédios considerados “nobres” – destinados à população das classes média e
média alta – seguem o padrão dos edifícios do Plano Piloto: dispostos em superquadras (numeradas pelas centenas 100, 300 e 500) e blocos de seis pavimentos mais pilotis (Figuras 3.22 e 3.23)146.
Apesar da clara referência ao Plano Piloto, a concepção de superquadras no Sudoeste mudou significativamente após a NGB 38, de 1999. Nesta Norma de Gabarito, a área de uso residencial é tratada sob a forma de condomínio edilício, onde o edifício configura uma “nova 145 Em 19 de dezembro de 1988, o Conselho de Arquitetura, Urbanismo e Meio Ambiente – CAUMA, na 210ª Reunião Ordinária aprovou o Projeto de Urbanismo – URB 147/88 com a denominação de Setor de Habitações Coletivas Sudoeste, homologado pelo Decreto 11.433 de 30 de janeiro de 1989 (Site da Região Administrativa). 146 De acordo com o Decreto 11.433/1989, foram previstas nove (09) Superquadras, SQSW 101 a 104, SQSW 301 a 304, dispostas ao longo da Avenida Comercial e a SQSW 504, acima da SQSW 304, contendo de dez a onze projeções residenciais cada uma, e lotes destinados a equipamentos públicos comunitários destinados às atividades de educação. Em 1996, foram criadas as quadras 105, em 1999 foram criadas a SQSW 300 e no ano 2000 a SQSW 305. Para as Quadras Residenciais, QRSW totalizam oito (08), dispostas ao longo da Estrada Contorno do Bosque e permeadas por lotes destinados ao uso comercial de bens e de serviços e institucionais, foram previstas cento e sessenta e sete (167) projeções (VASCONCELLOS, 2007).
Figura 3.23 – Sudoeste (1999)
Fonte: site da Administração Regional Figura 3.24 – Setor Sudoeste - 2006Foto – Franciney França
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forma de domínio, em que a propriedade do solo converte-se em quota-parte de um espaço necessário a certa aglomeração” (VASCONCELLOS, 2007:54). Segundo Vasconcellos, este é um dos maiores desvirtuamentos da intenção original do projeto do Sudoeste, pois o pilotis deixa de ser aberto e de uso público como nas superquadras das Asas Sul e Norte. Segundo ela,Ao serem os lotes encarados como condomínio edilício, comportaram a existência de muros entre os prédios residenciais de 6 (seis) pavimentos, e o pilotis, exigido pela legislação urbanística, passou a ter uma conotação diferenciada daquele criado nas Superquadras de Brasília como espaço livre de uso público, pois não mais permite o trânsito de pessoas estranhas ao edifício (2007:54)
Para esta pesquisa, o mapeamento feito em 2006, a partir da lista telefônica e da carta de habite-se (Arquivo da Administração Regional) considerou somente os blocos de uso estritamente residencial; o total apurado é de 8.129 unidades. Atualmente, a região é considerada uma das áreas residenciais mais caras do Distrito Federal, o metro quadrado pode chegar a R$ 6.000,00, segundo as últimas estimativas.
O Sudoeste Econômico foi pensando, segundo Costa (1987), para atender a demanda habitacional popular. Nos moldes das quadras “400” do Plano Piloto, é composta por prédios de três pavimentos mais pilotis, sem garagem (Figura 3.25). Ao todo são 149 blocos, distribuídos em oito quadras com apartamentos de um e dois quartos. O desenho urbano segue a proposta para as QELC, com blocos dispostos de maneira a formar losangos, desenho que configura as quadras residenciais (Figura 3.26). O Sudoeste e o Sudoeste Econômico somam mais de 10.000 apartamentos (dados de 2006).
Figura 3.25 - Sudoeste Econômico
Foto: Franciney França - 2006 Figura 3.26 - Mapa 04 – Sudoeste Econômico – detalhe das quadrasFonte: Administração do Cruzeiro - 2005
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O Setor Octogonal é o bairro mais antigo desta região administrativa147. Inaugurado nadécada de 1980, ele está localizado entre o Sudoeste e o Cruzeiro (Figura 3.27). Na época, a proposta foi uma inovação para os padrões do Distrito Federal porque propunha o conceito de condomínio fechado, com guaritas de identificação e centro de atividades diversas, como quadras poliesportivas, área de lazer com piscina, bancas de jornal e revista, parques infantis. O projeto original previa a construção de oito (08) quadras, denominadas de AOS 1 a AOS 8, mas apenas sete (07) foram concluídas.
As quadras residenciais são compostas, cada uma delas, por seis blocos com gabarito de seis pavimentos (Figura 3.27). São apartamentos de 2, 3 e 4 quartos, com certa homogeneidade das plantas baixas. Na AOS 1, por exemplo, os blocos C, D, E e F têm a mesma planta para os apartamentos de dois dormitórios; As AOS 5 e AOS 6 têm em comum as plantas dos apartamentos de três (03) e quatro (04) quartos. Os blocos A e B da AOS 7 têm a mesma planta para apartamento de dois (02) dormitórios. Os blocos A, B, D e E da AOS 8 também repetem o projeto para os apartamentos de três (03) dormitórios. Ao todo são 3.264 apartamentos, segundo mapeamento feito para esta pesquisa. De acordo com dados do IBGE, sua população é em torno de 12 mil habitantes (Censo 2000).
Os Setores Sudoeste, Octogonal e Sudoeste Econômico, juntos, possuem uma população de mais de 46 mil habitantes. A região é uma das mais ricas do Distrito Federal, a 147 As Áreas Octogonais foram criadas pelo Decreto nº 2.705 de 12 de setembro de 1974 (site da Administração Regional).
Figura 3.27 – Octogonal (1997) Fonte: www.geocities.com
Foto: Augusto Areal
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