ESTRUTURAS DE ORGULHO Antes, ele dá maior graça Portanto diz: Deus resiste aos soberbos,
SUJEITANDO-SE A DEUS
Humilhai-vos perante o Senhor, e ele vos exaltará. (Tg 4:10).
Vamos analisar o doloroso processo de libertação ao qual essa mulher foi submetida. O que realmente significa isso que Tiago disse – sujeitai-vos a Deus? Como reagir diante de situações humilhantes? O que fazer quando Deus começa a agir de maneira terrivelmente estranha conosco? Na atitude dessa mulher estão as respostas.
1. Silêncio e desprezo
E eis que uma mulher cananéia, que saíra daquelas cercanias, clamou, dizendo: Senhor, Filho de Davi, tem misericórdia de mim, que minha filha está miseravelmente endemoninhada. Mas ele não lhe respondeu palavra.
Aquela mulher veio gritando por socorro e simplesmente Jesus a ignorou. Ele não lhe respondeu palavra. Ele a despreza num momento de angústia e perplexidade. Quando o silêncio de Deus confronta o nosso desespero, Deus se cala. Aquela sensação de vazio e de dor atravessa nosso coração. A única resposta que temos diante do nosso clamor é a solidão. Você ora, faz campanhas, chora, consagra-se mais e nada acontece!
O sentimento é claro: Deus virando as suas costas e se distanciando no mesmo passo que o abandono se aproxima. Nossos sentimentos se afloram e se tornam vulneráveis. O espírito de orgulho imediatamente se achega e dói,
ou melhor, fala: “Ele não ama você, Ele não se importa com você! Deus se esqueceu de você! Ele te abandonou na hora em que mais precisava dEle”. O
pior é que isso parece faze sentido. Não acreditar numa mentira como essa num momento como esse é só para pessoas humildes e perseverantes.
Jesus de fato criou um clima muito constrangedor. Ele desprezou aquela mulher. Tamanho foi o constrangimento que os discípulos tentaram melhorar a situação. Por um momento eles estavam sendo mais espirituais que o próprio mestre: ...Despede-a que vem gritando atrás de nós... Pedro, talvez, tenha
repreendido: “Senhor, olha o escândalo, cuidado com o mau testemunho,
Mestre! Ela vem gritando e o Senhor a ignorou! Pelo menos seja educado e fale que o Senhor não pode atende-la agora!”
2. Discriminação
Respondeu-lhes ele: Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel.
Quando os discípulos tentam amenizar o constrangimento inicial da situação, vem uma resposta ainda mais agressiva. Jesus impetra um outro golpe fortíssimo contra a insistência daquela mulher. Ele a discrimina racialmente. Ele se omite em relação a ela por causa da sua nacionalidade. Ele a inferioriza em relação aos judeus, provocando especificamente o seu orgulho, que precisava ser vencido.
Essa resposta de Jesus é uma provocação racial e no nosso contexto poderia
ser uma provocação denominacional. Apenas imagine se você com um “bom batista” estivesse clamando a Jesus e ele falasse com você: “Agora só estou abençoando os presbiterianos, não tenho tempo para você!”
Você ora pelo avivamento na sua igreja e o avivamento acontece na igreja
vizinha que você tem como concorrente. “Senhor, eles não são tão espirituais quanto nós! Porque isto Senhor?”
O orgulho denominacional é uma das maiores brechas no Corpo de Cristo, onde Satanás e seus demônios têm infiltrado com todo tipo de perturbação, inveja, inimizades, etc. Jesus deixou muito claro que uma casa dividida será devastada. Orgulho precede a divisão que compromete a autoridade e traz destruição.
Essa foi a síndrome de Jonas. Jonas não podia suportar o fato de Deus abençoar os ninivitas. Ele não gostava dos ninivitas. Eram inimigos de Israel. Jonas não queria um avivamento em Nínive. Ele queria esse avivamento em Jerusalém. Ficou chateado com Deus. Mas foi exatamente dessa forma que Deus confrontou seu orgulho nacionalista.
Em Lucas, a Bíblia explica melhor a nacionalidade dessa mulher. Era
grega, siro-fenícia de nação. Naquele momento a prova se tornou mais
específica. Sua nacionalidade tinha fortes ligações com estruturas de orgulho. Orgulho nacional pode ser claramente discernido como o ponto no qual aquele demônio que possuía sua filha se apoiava. Ela era grega,ou seja, da elite cultural vigente. Muito culta, talvez também rica, bem posicionada na sociedade, mas com um problema literalmente demoníaco.
É importante mencionar que apesar de os romanos terem dominado o mundo pela força, os gregos o conquistaram filosoficamente, inclusive o Império Romano. A cidadania grega era símbolo do orgulho intelectual,
cultural e espiritual. Até hoje a Grécia é tida como o “berço da civilização”. As
pessoas mais sábias, cultas e civilizadas estavam lá. Todo conceito de superioridade e moda, o padrão de beleza, fora ditado pela filosofia grega.
Jesus precisou tocar nesse ponto. Aquela mulher era grega em cultura e língua. Algo havia em relação a isto que precisava de um ajuste. Nesse ponto se alojava a raiz de orgulho e superioridade que desencadeou o quadro de miséria que ela enfrentava. Certas informações são chaves tremendas que explicam a situação espiritual que a pessoa vive.
Esse foi, talvez, o principal aspecto no qual o discernimento de Jesus se embasava. A partir disso fica fácil delinear um procedimento que vai provocar a libertação necessária. Todo preconceito revela uma idolatria em relação à nossa reputação. Isso precisa ser tratado. Ao tratar preconceituosamente aquela mulher, Jesus estava confrontando o complexo de superioridade que os gregos tinham em relação ao resto do mundo.
Mas, mesmo assim, aquela mulher ainda numa posição de intercessão o adora dizendo: “Senhor, socorre-me!” Ela derrota o preconceito grego e seu orgulho nacionalista.
3. Ofensa
Vem então a terceira resposta de Jesus:
Ele, porém, respondendo, disse: Não é bom pegar no pão dos filhos e deitá-lo aos cachorrinhos. E ela disse: Sim, SENHOR, mas também os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus senhores.
Jesus estava agora tocando na dignidade humana daquela mulher. Jesus desceu o nível, ofendendo-a publicamente. Foi uma coisa muito forte. Não
havia como provocar mais a carnalidade de uma pessoa de “alta estirpe”.
Aquela mulher foi ignorada, discriminada e, agora, ofendida pelo próprio Jesus!
Jesus agrediu aquela mulher em relação à filiação. Ele não só a desconsiderou como filha, mas a considerou como um animal imundo. Chamou-a de cadela! Naquele momento, os discípulos já estavam suando frio! Não era possível uma atitude tão baixa. Jesus tinha perdido a cabeça!
Os traumas em relação à sua família estavam sendo provocados. Mas ela superou a prova da rejeição familiar também.
Surpreendentemente, ela respondeu: os cachorrinhos comem das
migalhas! Ela se humilhou tanto que, naquele momento, todo o seu orgulho
deu seu último suspiro de vida! Aquilo foi como uma bomba no inferno. Palavras insuportáveis por qualquer demônio. Ela deixou bem claro que Jesus não era apenas seu Salvador, mas seu Dono, seu Senhor!
A trezentos mil quilômetros por segundo, na velocidade da luz, ou melhor, na velocidade das trevas, aqueles demônios que afligiam sua família fugiram!
Com certeza, naquele momento Jesus suspirou aliviado e ao mesmo tempo, surpreendido por ouvir tamanha declaração de humildade. Ele havia conseguido levá-la a ponto da libertação absoluta. O poder de Deus fluía com tanta autoridade que Jesus explicou imediatamente o que havia acontecido.
Aqui entendemos que a fé é dimensionada pela humildade.
Percebemos que Jesus não tinha perdido a cabeça,mas todo esse processo fazia parte de um mapeamento espiritual preciso que produziu uma das libertações mais espetaculares da Bíblia!
4. Exaltação
Então respondeu Jesus, e disse-lhe: Ó mulher, grande é a tua fé! Seja isso feito para contigo como tu desejas. E desde aquela hora a sua filha ficou sã.
Através da humilhação, uma prova de fogo, todas as cadeias demoníacas romperam-se, toda maldição se foi.
Fé tem tudo a ver com capacidade de humilhação. Onde existe humildade, existe fé. Onde existe orgulho, muitas fortalezas demoníacas serão levantadas.