4. UMA PESQUISA COM ALUNOS SURDOS
4.1 PROCEDIMENTOS DE COLETA DOS DADOS
4.1.3 Sujeitos da pesquisa
Os sujeitos da pesquisa são três alunos surdos inclusos na escola S: uma aluna no 9ª ano e dois alunos no 6º ano do Ensino Fundamental Maior.
A escolha desses sujeitos seguiu alguns critérios como: terem nascidos surdos, estudarem em escola pública e municipal desde o início da escolarização, estarem matriculados no ensino fundamental maior. Todos os participantes são moradores de agrovilas, por isso o acesso à informação, ao atendimento adequado no início da escolarização do surdo e à língua de sinais foi ainda mais difícil para eles do que para os moradores da cidade.
Nesse estudo, esses alunos serão identificados com o próprio nome, pois, solicitamos através de um ―Termo de consentimento livre e esclarecido‖ apresentado aos responsáveis a autorização para fazer uso de imagens, nomes, vídeos e material escritos de seus filhos (ver Apêndice 1). Todos os responsáveis assinaram concordando com o uso, inclusive com o uso do nome real.
No QUADRO 1, na próxima página, sintetizamos as informações relativas a cada um dos três sujeitos.
A primeira – Raniele – iniciou sua vida escolar em outra localidade e no ato de matrícula não apresentou exame de audiometria. Quando questionada a respeito do modo como sua família descobriu sua surdez, ela informou ter sido levada ao médico ainda pequena e o mesmo pediu exames e detectou a surdez. Em sua pasta não há ficha de acompanhamento de aprendizagem. No ano de 2011 não há médias vermelhas em suas avaliações. Foi alfabetizada primeiramente em português em uma sala de alfabetização com ouvintes, seu contato com a LIBRAS tendo iniciado apenas na escola inclusiva na qual estuda.
O segundo sujeito da pesquisa chama-se Daniel. De 2007 a 2010 estudou em uma mesma escola não inclusiva, na comunidade em que residia. Não adquiriu nenhuma nota vermelha, sendo aprovado em todas as disciplinas. Em sua pasta não há ficha de acompanhamento de aprendizagem. No momento de matrícula na Escola S apresentou os
resultados do exame de audiometria tonal realizado em outubro de 2007. Este aluno se destaca entre os colegas pelo nível de atenção que alcança em sala de aula. Gosta de pintura e realiza suas atividades com muito prazer e determinação em sala de aula com ajuda da intérprete. Relaciona-se bem com os colegas e participa de atividades escolares como jogos, embora seja um pouco tímido.
A aprendizagem da língua de sinais se deu de forma tardia para ele. Seu contato com a LIBRAS ocorre com mais frequência no ambiente escolar por ter em sala uma colega surda, a intérprete e uma professora de Libras que frequenta a sala de aula uma vez por semana. A língua de sinais brasileira é uma disciplina do quadro regular de ensino das escolas municipais, sendo ensinada em todas as séries, tanto na zona rural quanto na zona urbana desde o ano de 2008.
QUADRO 1 - Características Gerais dos Participantes
D
ados
pess
oa
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Nome Raniele Daniel Regiane
Idade 16 anos 13 anos 16 anos
Série 6º ano 6º ano 9ª ano
Grau de
surdez Surdez profunda Surdez profunda Surdez profunda
A lf abe ti zaç ão Inicio da vida
escolar 2007 aos 11 anos 2007 aos 9 anos 2004 aos 8 anos
Língua de
alfabetização Realizada em LP Realizada em LP
Realizada em LP e posterior LIBRAS Escola - Rede municipal de Cametá (PA) - Agrovila de Cupiúba (Castanhal) - Rede municipal de Cametá (PA)
Em Cametá Na comunidade Calúcia, próximo a Castanhal (PA).
Característi-
ca da escola Escola não inclusiva Sem acesso à LIBRAS Sem acesso à LIBRAS
A prendiz age m da L IBR A
S Ano/idade Em 2011 aos 15 anos. Em 2009 com 11 anos. Em 2004 aos 8 anos.
Local Na escola inclusiva Na escola inclusiva.
Em casa com uma professora amiga e posteriormente na escola inclusiva.
Domínio Utiliza-a com dificuldades Utiliza-a com dificuldades Bom domínio
E sc ol ari zação na es co la i ncl usi va
S Série de ingresso 6º ano 4ª ano 6º ano
Duração 3 anos 3 anos 4 anos
Resultados obtidos em avaliações escolares
Não foi reprovada desde que entrou na escola e suas médias são todas consideradas
Não foi reprovado desde que entrou na escola e suas médias são todas consideradas
Não foi reprovada no período de 1ª à 6ª série e suas médias são todas consideradas de nível
de nível satisfatório. de nível satisfatório. satisfatório.
Ficou em dependência na 7ª série (8º ano) em Ciências e na 8ª série (9º ano) em Matemática. Ficou retida na 8ª série não podendo cursar o 1ª ano do Ensino Médio.
O terceiro sujeito é a aluna Regiane. Na sua pasta constam os dados pessoais e escolares entre os quais há um relatório de acompanhamento de aprendizagem feito no ano de 2009 pelos professores de Língua Portuguesa e Matemática e pela coordenadora pedagógica e intérprete de Libras com o objetivo de avaliar seu desempenho. Há também, uma ficha de matrícula que informa o tipo de deficiência. A aluna nunca frequentou escola bilíngue, assim como os demais participantes, somente escola inclusiva.
Sua alfabetização primeiramente foi em língua portuguesa: teve contato com a língua de sinais através de uma professora que fez curso básico em LIBRAS e começou a lhe ensinar alguns sinais. Em casa há dois irmãos menores que sabem a língua de sinais que aprenderam na escola e que facilitam a comunicação no ambiente familiar, uma vez que a comunicação com os outros membros da família acontece através de gestos e sinais caseiros, que são sinais criados pelas pessoas para tentarem se comunicar com a pessoa surda. Em seus dados pessoais apresentou exame de audiometria total realizado em maio de 2008.
A aluna estava matriculada desde o 6º ano nessa escola. Em 2011 estava cursando o 9º ano com nota vermelha em matemática. Apresentava dificuldades de relacionamento com alguns professores, mas se entendia bem com os colegas da sala. Costumava participar de atividades escolares que envolvem danças e teatros.