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1 O CAMINHO DAS PEDRAS

1.5 SUJEITOS E MODOS DE MOVER AS PEDRAS DO CAMINHO

Nesse movimento envolvo professoras pedagogas, egressas do Curso de Pedagogia da UNOESC/Maravilha/SC, que atuam nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental formadas pela matriz curricular do curso de Pedagogia 2004 a 20082, referenciais teóricos, documentos e instrumentos de pesquisa. O objetivo é elencar e (re) elaborar ideias, refinar o pensamento e promover um olhar crítico e reflexivo sobre avaliação das aprendizagens.

As egressas pesquisadas foram formadas pela matriz do Projeto Pedagógico do Curso de Pedagogia da UNOESC, Campus de Maravilha – SC, amparado na Resolução N. 124/Consun/2004, de 17/12/2004 que vigorou por 04 anos, até a aprovação da Nova Matriz que ocorreu em 2008 pela Resolução N. 88/Consun/2008, de 06/08/2008. Essa matriz do Curso está fundamentada nas Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Graduação Parecer CNE/CP nº 5, de 13 de dezembro de 2005, determinada pela legislação em vigor. É proveniente de um longo processo de diálogo e reflexões, baseada em experiências e propostas diferenciadas, avaliações institucionais e de resultados acadêmicos da formação inicial e continuada dos professores, relacionadas às práticas.

Os resultados obtidos na pesquisa de campo são evidenciados a partir das questões relacionadas às experiências e vivências das egressas do curso de Pedagogia, professoras de sala de aula.

A pesquisa empírica buscou saber: concepção, sistema, práticas, estratégias, sentimento, vivências no decorrer da formação desde os Anos Iniciais até o Ensino Superior, metodologia adotada em sala de aula e seu parecer sobre a organização curricular do curso de Pedagogia (UNOESC/MH).

A investigação propiciou diálogo e reflexão entre professora pesquisadora e egressas que atuam na formação inicial e continuada de professores.

A grande maturidade da experiência de um adulto como educador o coloca na posição de poder avaliar cada experiência dos mais jovens de uma forma que os que têm menos experiência não o podem fazer. Sua tarefa como educador é, portanto, ver em que direção caminha uma experiência. [...] Toda experiência humana é fundamentalmente social. (DEWEY, 2011, p.38-39).

Falar de sua experiência remete o investigado a pensar e comunicar suas ideias, possibilitando ao mesmo tempo refletir e ressignificar suas vivências avaliativas de outro

2 Daqui para frente esta informação não será repisada e os sujeitos da pesquisa serão apenas identificados de

lugar, agora como professor que avalia e que por muito tempo foi avaliado. Essa oportunidade proporcionará amadurecimento pessoal e profissional, além da motivação para que seja sim um professor pesquisador (Lüdke, 1994). Como afirmam Moraes e Galiazzi (2011, p.21): “É preciso desestabilizar a ordem estabelecida, desorganizando o conhecimento existente”.

A investigação realizada classifica-se como qualitativa, pois usa a análise textual discursiva como metodologia (MORAES E GALIAZZI, 2011), facilitando descrever a complexidade do problema, bem como analisar a interação entre variáveis, compreendendo e classificando determinados processos sociais, oferecendo contribuições às mudanças, à criação ou à formação de opiniões de determinados grupos e à interpretação das particularidades dos comportamentos ou atitudes dos indivíduos.

Alguns aspectos foram quantificados e produziram gráficos e tabela síntese.

A pesquisa conta com análise teórica e empírica, numa perspectiva qualitativa, envolvendo a formação das professoras pedagogas e sua atuação nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental.

A investigação apresenta enfoque qualitativo quando:

[...] pretende aprofundar a compreensão dos fenômenos que investiga a partir de uma análise rigorosa e criteriosa desse tipo de informação. Não pretende testar hipóteses para comprová-las ou refutá-las ao final da pesquisa; a intenção é a compreensão, reconstruir conhecimentos existentes sobre os temas investigados. (GALIAZZI E MORAES, 2011, p.11)

Nessa perspectiva alinhava-se a pesquisa ressaltando que:

As abordagens qualitativas facilitam descrever a complexidade de problemas e hipóteses, bem como analisar a interação entre variáveis, compreender e classificar determinados processos sociais, oferecer contribuições aos processos das mudanças, à criação ou à formação de opiniões de determinados grupos e à interpretação das particularidades dos comportamentos ou atitudes dos indivíduos. (SILVIO OLIVEIRA, 1999, p.117)

As abordagens qualitativas contribuíram na análise da realidade social, geração de opiniões e interpretação dos comportamentos e atitudes produzidos pelos sujeitos da pesquisa.

Essa característica está representada pela descrição de discursos orais e justificativas descritas, a partir dos diversos instrumentos de pesquisa que objetivaram explorar dados e informações que contribuíram com as discussões desta pesquisa. O caminho e a rota se lapidaram no processo, percurso muitas vezes sinuoso e incerto, mas cada pedra encontrada era um novo elemento que comparecia e contribuía.

Utilizei a pesquisa de campo por ser a “face empírica e fatual da realidade, produz e analisa dados, procedendo sempre pela via do controle empírico e fatual”. (DEMO, 2000, p. 21).

A relevância desse tipo de pesquisa expressa:

Possibilidade que oferece de maior concretude às argumentações, por mais tênue que possa ser a base fatual. O significado dos dados empíricos depende do referencial teórico, mas estes dados agregam impacto pertinente, sobretudo no sentido de facilitarem a aproximação prática (DEMO, 1994, p. 37).

Os sujeitos da pesquisa resumem-se em 28 professoras pedagogas² que participaram efetivamente, constituídos em quatro grupos diferentes, um para cada momento de obtenção dos dados: questionário semiestruturado, fórum online, grupo focal e recolha de instrumentos utilizados para avaliar as crianças dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental.

Os três primeiros instrumentos de pesquisa citados envolveram e foram orientados pelas seguintes questões, que permitiram as análises quanti-qualitativas.

Quadro 5 – Questões que orientaram a pesquisa de campo com as professoras pedagogas.

Nº Questões elencadas

01 Dados de identificação:

Idade: Escola: Série em que está atuando: Formação:

( ) Graduação em: ( ) Especialização em: ( ) Mestrado em: ( ) Outros:

Ano de formação na Graduação: Tempo de serviço na Educação:

( ) 1 a 3 anos ( ) 4 a 7 anos ( ) 8 a 11 anos ( ) 12 a 15 anos ( ) 16 a 20 anos ( ) outros:

02 O que você entende por avaliação?

03 Como você identifica o sistema de avaliação no contexto dos anos iniciais?Assinalar até três proposições. 1( ) Processo; 2 ( ) Produto final; 3 ( ) Seleção;

4 ( ) Mediação; 5 ( ) Classificação; 6 ( ) Diagnóstico; 7 ( ) Possibilidade de reflexão; 8 ( ) Possibilidade de pesquisa;

9 ( ) Outros: Justifique sua resposta: 04 Você avalia seus alunos através de:

1 ( ) Provas 2 ( )Trabalhos 3 ( ) Observação 4 ( ) Comportamento ( ) Outros: Continua....

05 O que está sendo feito com as crianças (com ritmos diferentes) para poder dar conta de atender os objetivos estabelecidos no plano de ensino?

1 ( ) recuperação paralela; 2 ( ) reprovação/repetição de série; 3 ( ) elaboração de novas estratégias de aprendizagem; 4 ( ) solicitado ajuda aos pais; 5 ( ) tema de casa; 6 ( ) solicitado ajuda para equipe pedagógica;

7 ( ) monitoria (ajuda dos que já sabem); 8 ( ) Outras: Justifique: 06 No momento de avaliar as crianças dos anos iniciais, como se sente:

( ) Tranquila ( ) Ansiosa ( ) Preparada ( ) Insegura ( ) Angustiada ( ) Outros: Justifique: 07 Quais foram suas vivências avaliativas (como aluna) no decorrer de sua formação?

a) Nos Anos Iniciais: ( ) Positiva ( ) Negativa ( ) Outras: Justifique: b) No Ensino Fundamental (Anos finais): ( ) Positiva ( ) Negativa ( ) Outras: Justifique:

c) No Ensino Médio: ( ) Positiva ( ) Negativa ( ) Outras: Justifique:

d) Na Graduação em Pedagogia: ( ) Positiva ( ) Negativa ( ) Outras: Justifique:

08 Você pensa que a metodologia utilizada para avaliar as crianças fundamenta-se nas suas vivências de formação?

Sim ( ) Não ( ) Outros: Justifique

09 Quais as disciplinas da sua Graduação em Pedagogia que contribuíram para sua prática avaliativa no contexto da sala de aula?

10 A partir do olhar da sua sala de aula, como pensa que a Graduação em Pedagogia poderia oferecer subsídios para que o acadêmico (a) esteja mais preparado (a) para avaliar as crianças na sala de aula? Aponte até três sugestões:

11 Será possível utilizar o processo avaliativo como momento privilegiado de aprendizagem, que possibilite ao professor momentos de pesquisa e reflexão?

( ) Sim ( ) Não ( ) Outros Justifique:

12 Você gostaria de dizer algo referente ao processo de avaliação e que não foi contemplado nas questões apresentadas?

( ) Sim ( ) Não Justifique: Fonte: Elaborado pela pesquisadora Dilva B. Benvenutti

O questionário semiestruturado foi entregue para doze professoras pedagogas² que atuavam nos Anos Iniciais nas cinco escolas das rede Municipal e Estadual de Maravilha no 2º semestre de 2014, sendo devidamente autorizadas pela Gerência de Educação e Secretaria Municipal de Educação de Maravilha/SC (Anexo 6). Foi efetuado contato pessoal e entrega do instrumento impresso, explicando o objetivo e importância da participação na pesquisa. Após trinta dias retornei às escolas, onde recebi oito questionários respondidos, em envelopes lacrados, (entregues pela própria pesquisadora no encaminhamento da pesquisa de campo).

O questionário, segundo Gil (1999, p.128), é definido como “a técnica de investigação composta por um número mais ou menos elevado de questões apresentadas por escrito às pessoas, tendo por objetivo o conhecimento de opiniões, crenças, sentimentos, interesses, expectativas, situações vivenciadas etc.” Esse instrumento oportuniza maior liberdade de comunicação escrita, pois as pesquisadas têm um tempo maior para pensar, refletir, escrever e reescrever suas respostas, pois sabem que não serão identificadas e nem expostas.

O quadro caracteriza as oito professoras pedagogas que responderam ao questionário. Quadro 6 - Características das professoras pedagogas respondentes ao questionário

Professor Idade Atuação Formação Tempo de serviço Conclusão da graduação

PQ1 54 3º ano Especialista 12 a 15 anos 2007

PQ2 23 4º ano Graduação 1 a 3 anos 2012

PQ3 33 3º e 5º ano Especialista 8 a 11 anos 2010

PQ4 46 1º ano Especialista 25 anos 2007

PQ5 48 4º ano Especialista 4 a 7 anos 2009

PQ6 28 4º ano Especialista 4 a 7 anos 2012

PQ7 26 4º ano Especialista 1 a 3 anos 2011

PQ8 56 3º ano Especialista 35 anos 2007

Fonte: Dados da pesquisa

Não satisfeita com a representatividade de somente oito professoras, dei continuidade à investigação, organizando um fórum online para o qual foram convidadas oitenta professoras (es) pedagogas (os) egressas (os) do curso de Pedagogia², informando que poderiam participar somente quem estivesse atuando nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental e que não haviam preenchido o questionário. Identifiquei as pedagogas² pelo portal de ensino, tendo como regra que tivessem sido formadas pela matriz 2004-2008.

Dessa etapa participaram vinte e duas professoras pedagogas, das quais selecionei somente oito egressas, por considerá-las participantes assíduas, apresentando contribuições para todas as questões elencadas (Quadro 5), evitando a fragmentação dos temas em questão. Esse fórum foi realizado no 1º semestre de 2015. O fórum de discussão é entendido como um espaço de argumentação que visa à leitura da realidade de forma crítica pelos seus participantes (LOPES, 2007). A decisão de utilizar fórum online justifica-se por estar

vinculado ao Facebook, ferramenta tecnológica que motiva as pessoas participarem a qualquer hora, sendo estimuladas pelo próprio grupo e pela coordenadora a se envolverem.

O quadro 7 mostra as características das professoras pedagogas participantes do fórum online no Facebook.

Quadro 7 - Características das professoras pedagogas participantes do fórum online

Professora Idade Atuação Formação Tempo de serviço Conclusão da graduação

PF1 34 1º ano Especialista 8 a 11 anos 2007

PF2 33 2º ano Especialista 4 a 7 anos 2010

PF3 34 3º e 5º ano Especialista 8 a 11 anos 2010

PF4 39 1º ano Especialista 4 a 7 anos 2008

PF5 28 5º ano Especialista 4 a 7 anos 2009

PF6 28 2º ano Especialista 4 a 7 anos 2012

PF7 27 4º ano Especialista 1 a 3 anos 2009

PF8 39 5º ano Especialista 4 a 7 anos 2009

Fonte: Dados da pesquisa

Ainda não satisfeita pela representatividade de dezesseis participantes e instigada em saber mais sobre o problema proposto, surgiu a ideia de organizar um Grupo Focal. Destarte, estendi o convite por telefone e e-mail, para outras vinte professoras pedagogas², utilizando como preceito que não tivessem participado do preenchimento do questionário nem do fórum online e que estivessem atuando nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental. Segundo Caplan (1990), é um pequeno grupo de pessoas reunido para avaliar conceitos ou identificar problemas, por ser esta uma técnica de coleta de dados utilizada em pesquisas qualitativas.

O grupo focal ocorreu nas dependências da UNOESC, Maravilha/SC no dia 01 de julho de 2015 e contou com a participação de oito professoras pedagogas². Nesse momento já contava com 24 sujeitos da pesquisa.

Para ouvi-las coletivamente, aliei a ideia do grupo focal à técnica de coleta de dados, chamada de Discurso do Sujeito Coletivo (DSC) “que contribui na organização, tabulação e

análise de dados qualitativos de natureza verbal [...], extraindo de cada um as ideias centrais, as ancoragens e suas correspondentes expressões-chave”. (LEFÈVRE F, LEFÈVRE AMC, 2005, p. 10).

Segundo os autores, as expressões-chave (ECH) são pedaços, trechos ou transcrições literais do discurso, que devem ser destacadas pelo pesquisador e que revelam a essência do depoimento ou, mais precisamente, do conteúdo discursivo dos segmentos em que ele se divide. Geralmente tais fragmentos correspondem às questões de pesquisa. “As expressões- chave são uma espécie de prova discursiva-empírica da verdade das ideias centrais e das ancoragens e vice-versa” (LEFÈVRE F, LEFÈVRE AMC, 2005, p. 17).

Essa estratégia de coleta de dados respeita a individualidade do sujeito numa perspectiva coletiva, propiciando oportunidade de reflexão e transformando esse momento em espaço educativo onde todos os envolvidos aprendem. Uma ideia puxa a outra e entrelaçadas, o pesquisador configura o singular e verifica as intervenções do coletivo. Já eram muitas pedras no caminho.

Foi apenas um encontro, mas se estendeu por três horas, e as discussões foram coordenadas pela pesquisadora, que motivava o diálogo e não perdia de vista o foco de estudo (Quadro 5). O registro das discussões foi feito em áudio-gravação e posteriormente transcritas para análise.

O quadro 8 expressa as características das professoras pedagogas participantes do grupo focal coletivo.

Quadro 8- Características das professoras pedagogas participantes do Grupo Focal

Professor Idade Atuação Formação Tempo de serviço Conclusão da graduação

PGF1 34 4º ano Especialista 4 a 7 anos 2008

PGF2 33 2º ano Especialista 4 a 7 anos 2010

PGF3 34 2º ano Especialista 8 a 11 anos 2010

PGF4 39 1º ano Especialista 4 a 7 anos 2008

PGF5 28 5º ano Especialista 4 a 7 anos 2009

PGF6 28 4º ano Especialista 4 a 7 anos 2012

PGF7 27 4º ano Especialista 4 a 7 anos 2009

GF8 39 5º ano Especialista 4 a 7 anos 2010

Fonte: Dados da pesquisa

Tendo na mão informações relacionadas aos vinte e quatro sujeitos da pesquisa, vinculados ao questionário, fórum online e grupo focal, doravante era o momento de iniciar a organização e análise dos dados. Então, decidi efetuar a organização de descritores, a partir das contribuições, conceitos e reflexões semelhantes que foram identificados e agrupados em ideias centrais, e propiciaram um novo sentido à análise dos dados, reunindo informações dos diversos instrumentos aplicados. O descritor extraído é o que estava associado diretamente ao foco da questão, sem perder de vista o que estava proposto (Quadro 5).

Dessa forma, a partir dos dados provenientes da pesquisa, fui destacando a ideia central das respostas obtidas e organizando em planilha Excel. Logo, destacados os descritores foi possível olhar para o todo e representar o resultado da pesquisa em forma de gráficos, facilitando assim a visualização e análise dos dados (Apêndice 1). As transcrições dos dados foram utilizadas algumas vezes por completo, outras em parte, no decorrer das análises, procurando jamais ignorar informações relevantes oferecidas pelos sujeitos da pesquisa.

A metodologia de uma pesquisa representa um caminhar próprio, que identifica o sujeito, a partir de sua realidade, e além de traçar metas e propósito, delineiam-se estratégias para dar conta do problema e dos objetivos propostos. No decorrer desta “itinerância”, constatei que estava envolvida numa “pedreira”, que exigia novo movimento, novos ares e outros contrapontos que pudessem clarear esse percurso, abrindo outros caminhos para realocar as pedras.

De janeiro a março de 2015, pude realizar intercâmbio, pelo Programa de Doutorado em Educação nas Ciências da UNIJUI/RS e com apoio da CAPES, na Universidade do Minho, Braga, Portugal. Esse tempo permitiu, além do conhecimento cultural de outro país, conhecimento quanto à organização pedagógica de uma universidade na Europa e o aperfeiçoamento do projeto de tese, a partir de contato com diferentes pesquisadores que possibilitaram reflexões e aprofundamento teórico do tema pesquisado.

Ao retornar deste estudo e enfrentar a banca de qualificação, foi necessário ampliar informações a respeito do tema, buscando verificar como estas egressas da Pedagogia

avaliam, no seu contexto da sala de aula, constituindo assim o quarto instrumento de coleta de dados em novembro de 2015. Nessa direção, retornei às cinco escolas de Maravilha/SC, já envolvidas em outras etapas da pesquisa, objetivando requisitar instrumentos utilizados pelas professoras para avaliar os (as) seus (as) alunos (as) dos Anos Iniciais, nos últimos dois anos (2014/2015). Contatei com quatorze professoras pedagogas², sendo que cinco delas já haviam colaborado em outras etapas. Então expliquei minuciosamente a importância da participação e a liberação do material utilizado para avaliar as crianças no contexto da sala de aula, visando complementar os estudos propostos.

No primeiro prazo acordado (trinta dias), não recebi material. Diante dessa constatação retornei o contato via e-mail, telefone e Facebook sensibilizando-as sobre a importância de contribuírem com a pesquisa. Não obtendo sucesso fiz contato com as direções de escolas e coordenadoras pedagógicas, enfatizando sobre a importância e o objetivo deste trabalho.

Realço que mesmo tendo efetuado vários contatos, a adesão ocorreu de forma voluntária, resultando na colaboração de quatro professoras pedagogas² que ainda não haviam participado da pesquisa (questionário, fórum online e grupo focal), porém tinham sido convidadas, mas não aderiram ao chamado. Ressalto que encontrei dificuldade e precisei instar. Quatro professoras pedagogas² concordaram em disponibilizar os instrumentos, entregando em sua totalidade provas (Anexo 4). Acredito que a demora na liberação do material já é uma informação relevante para pesquisa. Os instrumentos foram analisados, sistematizados, organizados e apresentados em gráficos, quadros e tabelas, facilitando a triangulação e análise das informações constatadas.

Recebido os instrumentos via e-mail de quatro professoras pedagogas², organizei um quadro que demonstra as características dos sujeitos deste ciclo da pesquisa.

Quadro 9 - Características das professoras pedagogas fornecedoras dos instrumentos de avaliação

Professor Idade Atuação Formação Tempo de serviço Conclusão da graduação

PIA1 31 4º ano Especialista 4 a 7 anos 2008

PIA2 30 3º ano Especialista 4 a 7 anos 2010

PIA3 29 3ª ano Especialista 4 a 7 anos 2009

PIA4 35 5º ano Especialista 4 a 7 anos 2011

A partir do recebimento dos instrumentos avaliativos, que foram em unanimidade provas, efetuei a contagem do número de questões de múltipla escolha (questões que os alunos devem optar pela alternativa correta) e discursivas. Em seguida analisei brevemente o formato das questões para entender se as provas ofereciam oportunidade de elaboração de questionamentos por parte dos alunos ou de respostas, que possibilitassem o aluno escrever, a partir do seu ponto de vista.

Nessa ocasião, já com vinte e oito sujeitos da pesquisa foi possível prosseguir com informações que permitiram analisar, refletir e organizar um olhar profícuo sobre o tema em questão.

Dessa maneira, a investigação incluiu desde a concepção de avaliação, práticas realizadas no contexto da sala de aula e experiências vividas no decorrer de sua formação. Como afirmam Moraes e Galiazzi (2011, p.53), “Estacionar nas próprias teorias não tem sentido na pesquisa científica. É a voz do outro[...] que nos desafia e possibilita avançar em nossas compreensões dos fenômenos investigados”.

O estudo foi subsidiado pelos princípios da Análise Textual Discursiva que:

Constitui-se em um processo em espiral. Nisto se inclui a unitarização, também de caráter cíclico, de retomada periódica dos mesmos elementos, em um continuo refinamento. A reflexão constante sobre o processo e os resultados parciais atingidos possibilitam um constante aperfeiçoamento do já feito, movimento reiterativo capaz de possibilitar cada vez maior clareza e validade aos produtos. A análise textual não e um movimento linear e continuado; e antes um movimento em espiral em que, a cada avanço, se exigem retornos reflexivos e de aperfeiçoamento do já feito, movimento reiterativo capaz de possibilitar cada vez maior clareza e validade aos produtos. Sintetizando, podemos afirmar que a unitarização constitui um exercício de leitura intensa e rigorosa, capaz de fazer emergir múltiplos significados a partir de uma reunião de textos, um exercício de desordenação na procura de uma nova ordem. (MORAES E GALIAZZI, 2011, p. 71).

Procurei garantir e preservar sigilo, anonimato e autoria na construção dos dados, pelo uso de letras e números: PQ1 a PQ8, para as professoras pedagogas que responderam ao questionário; PF1 a PF8, participantes do Fórum online; PGF1 a PGF8 do grupo focal. Suas manifestações foram analisadas pela análise textual discursiva (MORAES E GALIAZZI, 2011), em que foram constituídos descritores, sintetizados em gráficos, tabelas e quadros. Para comunicar e esclarecer o resultado da pesquisa foram analisadas as transcrições de falas e escritas, cujos excertos representativos foram trazidos em destaque itálico entre aspas, acompanhado da identificação autoral.

Os modelos de avaliação coletados foram designados por PIA1 a PIA4, ligando as professoras aos instrumentos de avaliação de seus alunos disponibilizados para a pesquisa.

Essa organização oportuniza a classificação das ideias, que podem ser incluídas numa mesma discussão, permitindo um olhar mais globalizado sobre o tema em discussão, além de exigir do autor clareamento entre a explicação e análise de interpretação.

Considerando que as professoras dos Anos Iniciais são profissionais que vivenciaram experiências avaliativas desde sua entrada na escola, entendo ser a formação universitária importante, pois o amadurecimento pessoal e profissional permite que reflitam, busquem orientações e referências formativas para sua atuação.

Os preceitos éticos da Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde, do Ministério da Saúde (10/10/1996), regulamentam a pesquisa com seres humanos, respeitando os participantes que concordaram e assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido (Anexo 5).

A Gerência Regional de Educação e a Secretaria Municipal de Educação de Maravilha emitiram termo de autorização para que pudesse inserir-me nas escolas pertencentes às redes de ensino sob sua responsabilidade para conversar com as professoras pedagogas egressas do