Neste projeto realizamos uma investiga¸c˜ao detalhada da evolu¸c˜ao das intera¸c˜oes N N com o SRG. No que se segue, apresentamos um sum´ario dos resultados obtidos e as principais conclus˜oes de nosso estudo.
Inicialmente, consideramos a intera¸c˜ao de contato delta de Dirac em duas dimens˜oes, visando ilustrar a aplica¸c˜ao do SRG atrav´es de um exemplo simples e estabelecer procedimentos num´ericos robustos e c´odigos otimizados para a aplica¸c˜ao do SRG `as intera¸c˜oes N N . Os elementos de matriz do potencial delta de Dirac em duas dimens˜oes no espa¸co de momento s˜ao constantes, gerando divergˆencias logaritmicas quando o potencial ´e iterado na equa¸c˜ao de LS ou de Schr¨odinger. N˜ao obstante, solu¸c˜oes exatas podem ser obtidas analiticamente introduzindo-se um cutoff em momento Λ e renormalizando-se a constante de acoplamento que caracteriza a intensidade da intera¸c˜ao de contato de modo a remover a dependˆencia dos observ´aveis com rela¸c˜ao ao cutoff, levando `a transmuta¸c˜ao dimensional e `a liberdade assint´otica. Resolvemos a equa¸c˜ao de fluxo de Wegner para o potencial delta de Dirac em duas dimens˜oes renormalizado exigindo-se que a energia de liga¸c˜ao permane¸ca constante conforme o cutoff Λ ´e removido e verificamos que o potencial evolu´ıdo com o SRG ´e for¸cado `a forma de banda diagonal `a medida que o cutoff de similaridade λ ´e reduzido. A partir da solu¸c˜ao num´erica da equa¸c˜ao de LS para a matriz-K, calculamos os phase-shifts como fun¸c˜ao de ELAB para o potencial delta de Dirac inicial e para os correspondentes potenciais evolu´ıdos com o SRG at´e v´arios valores do cutoff de similaridade λ e verificamos a unitariedade da transforma¸c˜ao do SRG at´e erros relativos num´ericos menores que 10−9. Duas regi˜oes de escalamento
foram observadas nos plots de erro para ELAB fixo: os erros relativos s˜ao praticamente constantes para λ < Λ e diminuem significativamente para λ > Λ. Tal mudan¸ca no escalamento dos erros ´e um artefato num´erico relacionado ao n´umero de passos requeridos pelo algoritmo de Runge-Kutta para evoluir o potencial.
Em seguida, realizamos uma an´alise detalhada da renormaliza¸c˜ao da intera¸c˜ao N N em LO ChEFT no esquema SKM. O potencial N N em LO ChEFT consiste no OPEP mais uma intera¸c˜ao de contato delta de Dirac, de modo que apenas uma subtra¸c˜ao ´e necess´aria. A partir da solu¸c˜ao da equa¸c˜ao de LS subtra´ıda (regularizada com um cutoff Λ), calculamos a matriz-K on-shell em E = k2 = 0 e, ajustando os valores experimentais dos comprimentos de espalhamento respecti- vamente nos canais 1S0 e 3S1, investigamos a varia¸c˜ao das intensidades das intera¸c˜oes de contato renormalizadas Cs
0 e C0t com a escala de subtra¸c˜ao µ. No caso do canal1S0, tamb´em investigamos a varia¸c˜ao de C0s com o cutoff instrumental Λ.
Para um valor fixo de Λ a intensidade da intera¸c˜ao de contato renormalizada Cs
0 no canal 1S0 cresce monotonicamente com µ e no limite µ → ∞ converge assintoticamente para o valor obtido utilizando-se o esquema CR. Analogamente, para um valor fixo de µ a intensidade da intera¸c˜ao de contato renormalizada Cs
0 cresce monotonicamente com Λ e no limite Λ → ∞ sua dependˆencia com Λ se anula assintoticamente, evidenciando a natureza instrumental do cutoff Λ. No caso do canal 3S
1, a evolu¸c˜ao da intensidade da intera¸c˜ao de contato renormalizada C0t com µ exibe um comportamento de ciclo-limite, divergindo para valores espec´ıficos de µ. Tal comportamento ocorre devido ao aparecimento de estados ligados esp´urios no canal 3S
1−3D1.
Uma vez fixadas as intensidades das intera¸c˜oes de contato renormalizadas Cs
0 e C0t, calculamos os driving terms e os correspondentes potenciais renormalizados de ponto fixo VR(p, p0) para os
canais 1S
0 e 3S1−3 D1 para v´arios valores da escala de subtra¸c˜ao µ com um cutoff Λ fixo. Para o canal 1S0, o driving term varia com µ tal que o potencial renormalizado permanece aproxi- madamente invariante, apresentando uma pequena dependˆencia residual com respeito a µ devida ao procedimento de ajuste de C0s. Essa dependˆencia residual deve ser eliminada evoluindo-se os driving terms de uma escala de referˆencia ¯µ at´e a escala µ atrav´es da equa¸c˜ao NRCS. No limite µ → ∞ o driving term torna-se independente de µ, concordando com o potencial renormalizado. Para o canal 3S
1−3D1, o potencial renormalizado apresenta forte dependˆencia com respeito a µ, consequˆencia direta do comportamento de ciclo-limite exibido por C0t.
Calculamos ent˜ao os phase-shifts em fun¸c˜ao de ELABpara v´arios valores da escala µ com Λ fixo. Para o canal 1S0, os phase-shifts desviam-se fortemente dos resultados obtidos com o potencial de Nijmegen. As diferen¸cas relativas entre os phase-shifts calculados em um dado µ e em µ → ∞ escalam como ELAB(∝ k2) para µ fixo e como 1/µ2 para E
LAB fixo. Os phase-shifts no canal 3S1 e o parˆametro de mistura ²1 apresentam forte dependˆencia com respeito a µ, exceto para energias muito baixas. Para o canal3D
1, os phase-shifts s˜ao praticamente independentes de µ, apresentando concordˆancia muito boa com os resultados obtidos com o potencial de Nijmegen.
Em seguida, consideramos a evolu¸c˜ao com o SRG do potencial de Nijmegen nos canais 1S 0 e 3S
1−3D1. Conforme esperado, o potencial ´e for¸cado `a forma de banda diagonal. Calculando os phase-shifts, verificamos a unitariedade da transforma¸c˜ao do SRG at´e erros num´ericos menores que 10−9. Seguindo o m´etodo descrito por Bogner et al. [9, 10], utilizamos uma fun¸c˜ao de regulariza¸c˜ao
exponencial para cortar o potencial no canal1S
0 evolu´ıdo com o SRG acima de um dado momento kmax. Verificamos que, como consequˆencia do desacoplamento das componentes de baixo e alto momento, os phase-shifts calculados para os potenciais evolu´ıdos com o SRG cortados em kmax> λ concordam com os obtidos a partir dos potenciais evolu´ıdos originais para ELAB ∼ 2 kmax2 /M .
Finalmente, consideramos a evolu¸c˜ao com o SRG do potencial SKM-LO ChEFT nos canais 1S
0 e 3S1−3D1, resolvendo numericamente a equa¸c˜ao de fluxo de Wegner utilizando como input os potenciais renormalizados VR(p, p0). Conforme esperado, a evolu¸c˜ao com o SRG suprime sis-
tematicamente os elementos de matriz fora da diagonal `a medida que o cutoff de similaridade λ diminui, for¸cando o potencial a uma forma de banda diagonal. Calculando os phase-shifts, tamb´em verificamos a unitariedade da transforma¸c˜ao do SRG. Como no caso da evolu¸c˜ao com o SRG do potencial delta de Dirac em duas dimens˜oes, duas regi˜oes de escalamento foram observadas nos plots de erro (com ELAB fixo) para o canal1S0, com transi¸c˜ao em λ ∼ Λ. Comparando os elementos de matriz dos potenciais de Nijmegen e SKM-LO ChEFT no canal1S
0 evolu´ıdos com o SRG, ver- ificamos que os potenciais permanecem distintos `a medida que o cutoff de similaridade λ diminui, mostrando apenas uma tendˆencia a tornarem-se similares em baixo momento. Esse resultado ´e esperado, uma vez que os dois potenciais n˜ao s˜ao equivalentes com respeito aos phase-shifts. N˜ao obstante, espera-se que a universalidade em baixos momento se manifeste `a medida que termos de ordem mais alta na expans˜ao quiral sejam adicionados ao potencial SKM ChEFT inicial. Como descrito anteriormente para o potencial de Nijmegen, analisamos o desacoplamento dos observ´aveis em baixa energia com rela¸c˜ao aos graus de liberdade de alta energia para o potencial SKM-LO ChEFT no canal1S
0 evolu´ıdo com o SRG, obtendo um padr˜ao de desacoplameto qualitativamente semelhante.
Em trabalhos futuros, pretendemos estudar a evolu¸c˜ao com o SRG de potenciais N N em ChEFT at´e ordens mais altas (NLO, NNLO e N3LO) e em outros canais de onda parcial, bem como considerar os efeitos devidos `a utiliza¸c˜ao de diferentes geradores para a transforma¸c˜ao do SRG.