Relat´orio T´ecnico-Cient´ıfico Per´ıodo: 02/2010 a 02/2011
M´etodos de Renormaliza¸c˜ao Aplicados `a Intera¸c˜ao N´ucleon-N´ucleon
I. RESUMO DO PROJETO INICIAL
Este relat´orio descreve as atividades desenvolvidas pelo Grupo de Estudos em F´ısica de H´adrons (GREFH) do Centro de Ciˆencias e Humanidades (CCH) da Universidade Presbiteriana Mackenzie no per´ıodo de fevereiro de 2010 a fevereiro de 2011, referentes ao projeto de pesquisa intitulado “M´etodos de Renormaliza¸c˜ao Aplicados `a Intera¸c˜ao N´ucleon-N´ucleon”.
Visando dar continuidade `as atividades de pesquisa do grupo relacionadas ao estudo da evolu¸c˜ao de potenciais n´ucleon-n´ucleon (NN), tanto os fenomenol´ogicos quanto os derivados no contexto da Teoria de Campos Efetiva Quiral (Chiral Effective Field Theory-ChEFT), atrav´es do Grupo de Renormaliza¸c˜ao de Similaridade (Similarity Renormalization Group-SRG), o plano de trabalho proposto para o desenvolvimento do projeto compreendia os seguintes itens:
a) Estudo da evolu¸c˜ao n˜ao-perturbativa do potencial delta de Dirac em duas dimens˜oes com o SRG, atrav´es da solu¸c˜ao num´erica da equa¸c˜ao de fluxo de Wegner visando estabelecer procedimen-tos num´ericos robusprocedimen-tos e c´odigos otimizados para a aplica¸c˜ao do SRG `as intera¸c˜oes N N .
b) Estudo da renormaliza¸c˜ao das intera¸c˜oes N N em “leading-order” (LO) ChEFT no esquema de renormaliza¸c˜ao convencional utilizando um cutoff em momento (Cutoff Renormalization-CR) e no esquema de renormaliza¸c˜ao pelo m´etodo do kernel subtra´ıdo (Subtracted Kernel Method-SKM), atrav´es da solu¸c˜ao num´erica da equa¸c˜ao de Lippmann-Schwinger (LS).
c) Estudo da evolu¸c˜ao com o SRG do potencial de Nijmegen e das intera¸c˜oes N N em LO ChEFT renormalizadas nos esquemas CR e SKM, atrav´es da solu¸c˜ao num´erica da equa¸c˜ao de fluxo de Wegner e do c´alculo de observ´aveis de espalhamento.
Todos os itens propostos em nosso projeto de pesquisa foram desenvolvidos a contento e com bastante ˆexito, resultando em nove publica¸c˜oes. No presente momento, estamos elaborando mais dois artigos a serem submetidos para publica¸c˜ao em peri´odicos indexados.
´
E importante ressaltar tamb´em que o desenvolvimento deste projeto permitiu consolidar nossa colabora¸c˜ao com os professores Varese Salvador Tim´oteo (Faculdade de Tecnologia - UNICAMP), Manoel Roberto Robilotta (Instituto de F´ısica - USP) e Enrique Luiz Arriola (Departamento de F´ısica At´omica y Molecular - Universidade de Granada, Espanha).
No que se segue detalhamos a metodologia utilizada, descrevemos e discutimos os resultados obtidos e apresentamos as principais conclus˜oes de nossa pesquisa.
II. METODOLOGIA
Nesta se¸c˜ao apresentamos uma discuss˜ao detalhada dos principais elementos te´oricos, modelos e m´etodos envolvidos no desenvolvimento do projeto.
A. Formalismo do Grupo de Renormaliza¸c˜ao de Similaridade (SRG)
1. Formula¸c˜ao de Glazek-Wilson
A formula¸c˜ao geral do SRG foi desenvolvida por Glazek e Wilson [1, 2] no contexto da Teoria de Campos Hamiltoniana no Cone de Luz (Hamiltonian Light-Front Field Theory-HLFFT), visando obter hamiltonianos efetivos nos quais os acoplamentos entre estados de alta e baixa energia s˜ao eliminados, ao mesmo tempo evitando o aparecimento de divergˆencias artificiais na forma de de-nominadores de baixa energia em expans˜oes perturbativas. O m´etodo ´e implementado atrav´es de transforma¸c˜oes unit´arias cont´ınuas constru´ıdas para substituir os efeitos dos acoplamentos re-movidos por intera¸c˜oes efetivas dependentes da escala livres de denominadores de baixa energia, garantindo que os hamiltonianos efetivos n˜ao produzem divergˆencias ultravioleta. ´E importante notar que as transforma¸c˜oes n˜ao removem graus de liberdade, apenas integram os acoplamentos entre estados com diferen¸cas de energia maiores que uma dada escala.
Consideremos um sistema descrito por um hamiltoniano canˆonico escrito na forma H = h + V , onde h ´e o hamiltoniano livre e V ´e um potencial de intera¸c˜ao. Em geral, o hamiltoniano cont´em acoplamentos diretos entre estados de todas as escalas de energia, os quais podem ser fontes de divergˆencias ultravioleta. Na discuss˜ao que se segue, utilzamos uma base de auto-estados do hamiltoniano livre, h| i >= ²i| i >.
A partir do hamiltoniano canˆonico H definimos um hamiltoniano bare Hλ0 regularizado por um
cutoff λ0 (grande) em diferen¸cas de energia nos v´ertices de intera¸c˜ao. Tal cutoff ´e denominado cutoff de similaridade e aqui possui dimens˜oes de energia. O hamiltonino bare pode ser ent˜ao escrito na forma
Hλ0 ≡ h + Vλ0 ≡ h + fλ0(V + H
ct
λ0) , (1)
onde fλ0 ´e chamada fun¸c˜ao de similaridade e Hλct0 s˜ao contratermos a serem determinados atrav´es
do processo de renormaliza¸c˜ao de modo a remover a dependˆencia dos observ´aveis com respeito ao cutoff λ0. A fun¸c˜ao de similaridade fλ0 ´e definida de modo a regularizar o hamiltoniano atrav´es
Geralmente, a fun¸c˜ao de similaridade ´e escolhida como uma fun¸c˜ao suave do cutoff tal que (i)fλ0 → 1, para |²i− ²j| << λ0 ,
(ii)fλ0 → 0, para |²i− ²j| >> λ0. (2)
Uma escolha mais simples para a fun¸c˜ao de similaridade ´e uma fun¸c˜ao degrau θ(λ0− |²i− ²j|). O pr´oximo passo consiste em definir uma transforma¸c˜ao unit´aria U (λ, λ0) que age sobre o hamiltoniano bare Hλ0 e muda o cutoff de similaridade para uma escala menor λ, produzindo um hamiltoniano renormalizado,
Hλ ≡ U (λ, λ0) Hλ0 U†(λ, λ0) . (3)
A condi¸c˜ao de unitariedade satisfeita por U (λ, λ0) ´e dada por
U (λ, λ0) U†(λ, λ0) ≡ U†(λ, λ0) U (λ, λ0) ≡ 1 . (4)
O hamiltoniano renormalizado Hλ ´e for¸cado `a forma de banda diagonal conforme o cutoff de similaridade λ diminui e pode ser escrito na forma
Hλ ≡ h + fλ Vλ , (5)
onde fλ ´e a fun¸c˜ao de similaridade correspondente ao cutoff λ e Vλ ´e definido como sendo a
intera¸c˜ao reduzida (i.e., a intera¸c˜ao efetiva na escala λ com a fun¸c˜ao de similaridade fatorada). A transforma¸c˜ao de similaridade U (λ, λ0) pode ser definida em termos de um operador anti-hermitiano ηλ que gera mudan¸cas infinitesimais do cutoff λ,
U (λ, λ0) ≡ T exp µZ λ0 λ ηλ0 dλ0 ¶ , (6)
onde T coloca os operadores em ordem crescente do valor do cutoff λ0 da esquerda para a direita.
Tomando a derivada da Eq. (6) e utilizando a condi¸c˜ao de unitariedade dada na Eq. (4) e sua derivada, obtemos a rela¸c˜ao
ηλ = U (λ, λ0) dU†(λ, λ0) dλ = − dU (λ, λ0) dλ U †(λ, λ 0) = −ηλ† . (7)
Assim, tomando a derivada da Eq. (3) e utilizando a condi¸c˜ao de unitariedade combinada com a Eq. (7), obtemos uma equa¸c˜ao diferencial de primeira ordem para a evolu¸c˜ao do hamiltoniano,
dHλ
dλ = [Hλ, ηλ] , (8)
O gerador ηλ ´e definido especificando-se v´ınculos para a varia¸c˜ao de h e Vλ com o cutoff λ. Uma escolha poss´ıvel ´e exigir que h seja independente de λ e que o hamiltoniano renormalizado n˜ao contenha denominadores de baixa energia. Tais v´ınculos s˜ao definidos pelas condi¸c˜oes
dh dλ ≡ 0 ,
dVλ
dλ ≡ [Vλ, ηλ] . (9)
Uma vez que a transforma¸c˜ao de similaridade ´e unit´aria, tanto Hλ0 como Hλ produzem o
mesmo espectro para os observ´aveis. Al´em disso, quando a transforma¸c˜ao ´e implementada de forma exata (i.e., sem utilizar uma expans˜ao perturbativa) os observ´aveis calculados utilizando-se o hamiltoniano renormalizado Hλ s˜ao independentes do cutoff de similaridade λ. Conforme
obser-vado anteriormente, os contratermos Hct
λ0 s˜ao ajustados tal que os observ´aveis tamb´em tornam-se
independentes de λ0 no limite λ0 → ∞.
Uma caracter´ıstica importante do SRG ´e que todos os operadores s˜ao consistentemente renor-malizados utilizando-se a mesma transforma¸c˜ao unit´aria, i.e. qualquer operador O evolui com o cutoff de similaridade λ segundo a equa¸c˜ao de fluxo
dOλ
dλ = [Oλ, ηλ] . (10)
2. Formula¸c˜ao de Wegner
Nas aplica¸c˜oes descritas neste projeto, utilizamos a formula¸c˜ao para o SRG desenvolvida por Wegner [3] e aplicada no contexto de problemas de muitos corpos em F´ısica da Mat´eria Condensada [4]. A formula¸c˜ao de Wegner ´e baseada em uma equa¸c˜ao de fluxo n˜ao-perturbativa que governa a evolu¸c˜ao unit´aria de um hamiltoniano com um parˆametro de fluxo s que varia de 0 a ∞,
dHs
ds = [ηs, Hs] , (11)
onde ηs= [Gs, Hs] ´e um operador anti-hermitiano que gera a transforma¸c˜ao unit´aria. A equa¸c˜ao
de fluxo de Wegner deve ser resolvida com a condi¸c˜ao de contorno Hs|s→s0 ≡ Hs0.
O operador Gs define o gerador ηs e, portanto, especifica o fluxo do hamiltoniano. A escolha
de Wegner para Gs na formula¸c˜ao original ´e a parte diagonal completa do hamiltoniano em uma dada base, Gs = diag(Hs). Um escolha mais simples consiste em utilizar o hamiltoniano livre,
Gs= h. Tais escolhas para ηsresultam em um parˆametro de fluxo s com dimens˜oes de (energia)−2e
correspondem na formula¸c˜ao de Glazek-Wilson `a escolha de uma fun¸c˜ao de regulariza¸c˜ao gaussiana com um cutoff em diferen¸cas de energia λ, denominado cutoff de similaridade. Em termos do cutoff de similaridade λ, o parˆametro de fluxo ´e dado pela rela¸c˜ao s = λ−2.
Embora ambas as escolhas para o operador Gs mencionadas anteriormente sejam capazes de for¸car o hamiltoniano `a forma de banda diagonal conforme o parˆametro de fluxo s aumenta (ou o cutoff λ diminui), foi mostrado por Glazek e Perry [5] que a utliza¸c˜ao de Gs = h pode produzir
divergˆencias em teorias com estados ligados. Tal efeito est´a relacionado ao comportamento de ciclo-limite (limit-cycle) do grupo de renormaliza¸c˜ao [6, 7] e ocorre quando λ = 1/√s aproxima-se de uma escala em que um estado ligado emerge, impondo um limite para a implementa¸c˜ao da transforma¸c˜ao de similaridade. Por outro lado, utilizando-se Gs = diag(Hs) o comportamento de
ciclo limite pode ser adequadamente tratado, garantindo-se a convergˆencia da transforma¸c˜ao. Esta ´e uma quest˜ao importante a ser considerada nas aplica¸c˜oes do SRG em F´ısica Nuclear. Conforme mostrado recentemente em v´arios artigos [8–12], a transforma¸c˜ao do SRG com Gs = h
pode ser aplicada para evoluir intera¸c˜oes N N sem problemas de divergˆencia desde que λ seja mantido maior do que as escalas em que aparecem estados ligados. Por outro lado, em casos com comportamento de ciclo-limite, tal como o que ocorre no problema nuclear de tres corpos [13–16], a transforma¸c˜ao do SRG deve ser implementada incluindo-se intera¸c˜oes em Gs [5].
A evolu¸c˜ao consistente de for¸cas nucleares de muitos corpos com o grupo de renormaliza¸c˜ao ´e uma quest˜ao crucial e desafiadora em c´alculos de estrutura nuclear utilizando intera¸c˜oes de baixo momento (low-momentum interactions) [17]. Conforme mostrado em trabalhos recentes, as equa¸c˜oes de fluxo do SRG fornecem uma abordagem para evoluir for¸cas nucleares de tres corpos diretamente, i.e. sem a necessidade de resolver o problema de tres corpos completo como no caso da abordagem conhecida como Vlow−k [18–27]. Estudos preliminares utilizando modelos simples
[28, 29] tˆem sido realizados visando estabelecer um m´etodo pr´atico para evoluir consistentemente intera¸c˜oes de tres e muitos corpos com a transforma¸c˜ao do SRG. Na Ref. [30], foi demonstrada a primeira aplica¸c˜ao de tal m´etodo para evoluir for¸cas de tres corpos, em c´alculos de n´ucleos com A ≤ 4 nuclei utilizando uma base de osciladores harmˆonicos.
B. M´etodo do Kernel Subtra´ıdo (SKM)
O M´etodo do Kernel Subtra´ıdo (Subtracted Kernel Method-SKM) [31–36] ´e um m´etodo de renormaliza¸c˜ao desenvolvido para tratar intera¸c˜oes contendo termos regulares e/ou termos de con-tato singulares que se baseia em uma equa¸c˜ao de espalhamento subtra´ıda. Ao inv´es de utilizar uma fun¸c˜ao de regulariza¸c˜ao com um cutoff em momento, no SKM a equa¸c˜ao de espalhamento ´e regularizada realizando-se subtra¸c˜oes no kernel em uma dada escala de energia, mantendo-se a intera¸c˜ao original intacta.
Uma vantagem do SKM ´e que pode ser recursivamente estendido at´e qualquer ordem derivativa das intera¸c˜oes de contato, atrav´es de um processo iterativo que envolve m´ultiplas subtra¸c˜oes. Uma abordagem semelhante baseada na renormaliza¸c˜ao subtrativa da equa¸c˜ao de LS ´e descrita nas Refs. [37–39], embora em tal abordagem tamb´em seja introduzido um cutoff para regularizar as integrais em momento.
Iniciamos a descri¸c˜ao da abordagem do SKM considerando a equa¸c˜ao de LS formal para a matriz-T de um sistema de dois corpos, que pode ser escrita na forma operatorial como
T (E) = V + V G+0(E) T (E) = V £1 + G+0(E) T (E)¤
= V + T (E) G+0(E) V =£1 + T (E) G+0(E)¤ V , (12) onde V ´e o potencial de intera¸c˜ao e G+0(E) ´e a fun¸c˜ao de Green livre para o sistema de dois corpos com condi¸c˜oes de contorno do tipo “outgoing-wave”, dada em termos do hamiltoniano livre H0por
G+0(E) = (E − H0+ i²)−1. (13)
Para potenciais singulares, como os que contˆem intera¸c˜oes de contato do tipo delta de Dirac e suas derivadas, a Eq. (12) torna-se mal definida devido `as divergˆencias ultravioleta que aparecem nas integrais em momento. Na abordagem do SKM, uma equa¸c˜ao de espalhamento regularizada e renormalizada ´e derivada realizando-se subtra¸c˜oes no propagador em uma certa escala de energia. Consideremos inicialmente um potencial singular contendo um termo regular e uma intera¸c˜ao de contato do tipo delta de Dirac, caso em que apenas uma subtra¸c˜ao ´e suficiente para se obter uma amplitude de espalhamento finita. No espa¸co de momento, esse potencial pode ser escrito na forma V = Vreg+ C0, onde C0 ´e a intensidade da intera¸c˜ao de contato. Utilizando a Eq. (12), o potencial V pode ser formalmente escrito em termos da matriz-T em uma dada escala de energia −µ2 (em unidade tais que ~ = c = 2m = 1, onde m ´e a massa reduzida do sistema de dois corpos): V = T (−µ2) £1 + G+0(−µ2) T (−µ2)¤−1=£1 + T (−µ2) G+0(−µ2)¤−1 T (−µ2) . (14)
Por conveniˆencia, escolhemos uma energia negativa para a escala de subtra¸c˜ao, tal que a fun¸c˜ao de Green livre G+0(−µ2) ´e real (isto n˜ao constitui uma restri¸c˜ao, uma vez que o m´etodo tamb´em funciona para uma escala de subtra¸c˜ao correspondente a uma energia positiva).
Substituindo o potencial V na Eq. (12) por sua express˜ao em termos de T (−µ2) dada na Eq. (14), obtemos
T (E) = T (−µ2) £1 + G+0(−µ2) T (−µ2)¤−1+ T (E) G0+(E) T (−µ2) £1 + G+0(−µ2) T (−µ2)¤−1 . (15)
Multiplicando os dois lados da Eq. (15) pela direita £1 + G+0(−µ2) T (−µ2)¤ e rearranjando os termos, obtemos a equa¸c˜ao de LS para a matriz-T com kernel subtra´ıdo,
T (E) = T (−µ2) + T (−µ2) £G+0(E) − G+0(−µ2)¤ T (E) , (16)
a qual apresenta a mesma estrutura operatorial que a Eq. (12) para a equa¸c˜ao de LS formal, mas com o potencial V substitu´ıdo de acordo com a Eq. (14) pela matriz-T na escala de subtra¸c˜ao −µ2 e o propagador livre original substitu´ıdo pelo propagador com uma subtra¸c˜ao na mesma escala.
A equa¸c˜ao de LS com kernel subtra´ıdo fornece uma solu¸c˜ao finita para a matriz-T em qualquer energia E, uma vez que seu valor na escala de subtra¸c˜ao −µ2 seja conhecido. Assim, o input para a solu¸c˜ao da Eq. (16) ´e T (−µ2), que ´e denominado driving term e cont´em a informa¸c˜ao f´ısica aparentemente perdida devido `a remo¸c˜ao da propaga¸c˜ao atrav´es de estados intermedi´arios na escala −µ2. Um ansatz simples consiste em considerar que o driving term ´e dado por
T (−µ2) = V (−µ2) = Vreg+ C0(−µ2) , (17)
onde C0(−µ2) ´e a intensidade da intera¸c˜ao de contato renormalizada na escala de subtra¸c˜ao −µ2, a qual ´e fixada atrav´es do ajuste de dados experimentais para observ´aveis de espalhamento e, portanto, cont´em a informa¸c˜ao f´ısica.
1. Potencial Renormalizado e Intera¸c˜ao de Ponto Fixo
Uma vez que a intensidade da intera¸c˜ao de contato renormalizada C0(−µ2) na Eq. (17) ´e fixada, e portanto o driving term T (−µ2) ´e conhecido, um potencial renormalizado V
R pode ser definido
por meio da Eq. (14) [33]:
V → VR≡£1 + T (−µ2) G+0(−µ2)¤−1 T (−µ2) . (18)
Multiplicando os dois lados da Eq. (18) pela esquerda por £1 + T (−µ2) G+ 0(−µ2)
¤
e rearran-jando os termos, obtemos uma equa¸c˜ao integral (na forma operatorial)
VR= T (−µ2) − T (−µ2) G+0(−µ2) VR. (19)
que relaciona formalmente o potencial renormalizado VR ao driving term T (−µ2).
Substituindo V por VR na Eq. (12), obtemos a equa¸c˜ao de LS para a matriz-T renormalizada:
O potencial renormalizado VRn˜ao ´e bem definido para intera¸c˜oes singulares. N˜ao obstante, para um driving term T (−µ2) como o definido pela Eq. (17), contendo um termo regular mais uma intera¸c˜ao de contato do tipo delta de Dirac, a Eq. (20) fornece uma solu¸c˜ao finita para a matriz-T renormalizada, TR(E), equivalente `a obtida a partir da equa¸c˜ao de LS com kernel subtra´ıdo Eq.(16),
i.e. TR(E) = T (E). Esse resultado fornece uma justificativa a posteriori para as manipula¸c˜oes formais de VR e V utilizadas para obter as Eqs. (16) e (19). Em c´alculos num´ericos, ´e mais
conveniente regularizar a integral impl´ıcita na Eq. (19) introduzindo-se um cutoff em momento Λ, tal que seja poss´ıvel trabalhar com um potencial renormalizado ˜VR(Λ) bem definido. Utilizando
esse potencial, constru´ımos a equa¸c˜ao de LS para uma matriz-T regularizada com um cutoff, ˜
TR(E; Λ) = ˜VR(Λ) + ˜VR(Λ) ˜G+0(E; Λ) ˜TR(E; Λ) , (21)
onde ˜G+0(E; Λ) denota a fun¸c˜ao de Green na integral regularizada.
No limite Λ → ∞ o resultado obtido resolvendo-se a Eq. (21) com o potencial regularizado com o cutoff ˜VR(Λ) deve ser o mesmo que o obtido a partir da solu¸c˜ao direta da Eq. (20) com VR. ´E
importante enfatizar que o cutoff em momento Λ utilizado nesse contexto desempenha apenas o papel de um regulador instrumental para a integra¸c˜ao num´erica. O parˆametro de escala relevante ´e a escala de subtra¸c˜ao −µ2, na qual a informa¸c˜ao f´ısica ´e introduzida atrav´es da intensidade da intera¸c˜ao de contato renormalizada C0(−µ2) no driving term T (−µ2).
A escala de subtra¸c˜ao −µ2 ´e arbitr´aria e, portanto, os observ´aveis de espalhamento n˜ao devem depender de sua escolha. Para satisfazer essa condi¸c˜ao, a matriz-T deve ser independente de −µ2:
∂TR ∂µ2 =
∂T
∂µ2 = 0 . (22)
Das Eqs. (20) e(22) obtemos que o potencial renormalizado VR tamb´em ´e independente de −µ2,
∂VR
∂µ2 = 0 , (23)
o que implica que o hamiltoniano renormalizado HR = H0+ VR corresponde a um ponto fixo do
grupo de renormaliza¸c˜ao, i.e. estacion´ario com respeito `a varia¸c˜ao da escala de subtra¸c˜ao −µ2. Utilizando as Eqs. (19) e (23) ou as Eqs. (16) e (22), uma equa¸c˜ao do grupo de renormaliza¸c˜ao pode ser obtida para o driving term T (−µ2) [33] na forma de uma equa¸c˜ao de Callan-Symanzik n˜ao-relativ´ıstica (Non-Relativistic Callan-Symanzik-NRCS) [40–42],
∂T (−µ2)
∂µ2 = T (−µ2)
∂G+0(−µ2)
∂µ2 T (−µ2) , (24)
com a condi¸c˜ao de contorno T (−µ2)|
µ→¯µ= V (−¯µ2) = Vreg+C0(−¯µ2) imposta em uma dada escala de referˆencia ¯µ.
2. Recursividade do SKM para Subtra¸c˜oes M´ultiplas
A equa¸c˜ao de LS para a matriz-T com uma subtra¸c˜ao, Eq. (16), pode ser escrita utilizando-se a nota¸c˜ao
T (E) = V(1)(−µ2) + V(1)(−µ2) G+1(E; −µ2) T (E) , (25) onde V(1)(−µ2) ≡ T (−µ2) ´e o driving term e G+
1(E; −µ2) ≡ G+0(E) − G+0(−µ2) denota a fun¸c˜ao de Green com uma subtra¸c˜ao, a qual tamb´em pode ser escrita na forma
G+1(E; −µ2) = (−µ2− E) G+0(−µ2) G+0(E) = F1(E; −µ2) G+0(E) , (26) A fun¸c˜ao F1(E; −µ2) pode ser entendida como um fator de forma que modifica a fun¸c˜ao de Green livre G+0(E) introduzindo um fator proporcional a q−2 na integra¸c˜ao em momento. Tal fator de
forma ´e suficiente para regularizar divergˆencias geradas na equa¸c˜ao de LS por um potencial singular contendo apenas uma intera¸c˜ao de contato pura do tipo delta de Dirac. No entanto, para potenciais singulares contendo termos que geram divergˆencias de ordem mais alta na equa¸c˜ao de LS, como intera¸c˜oes de contato derivativas, o esquema SKM deve ser generalizado. Conforme mostrado nas Refs. [32, 34], nesse caso ´e necess´ario realizar m´ultiplas subtra¸c˜oes no kernel da equa¸c˜ao de LS utilizando um procedimento iterativo.
Para um n´umero geral de subtra¸c˜oes n, definimos uma equa¸c˜ao de LS com kernel subtra´ıdo n vezes, dada por
T (E) = V(n)(E; −µ2) + V(n)(E; −µ2) G+n(E; −µ2) T (E) . (27) A fun¸c˜ao de Green com n subtra¸c˜oes G+n(E; −µ2) ´e definida por
G+n(E; −µ2) ≡£(−µ2− E) G+0(−µ2)¤n G+0(E) = Fn(E; −µ2) G+0(E) . (28) Note que o fator de forma Fn(E; −µ2) introduz um fator proporcional a q−2n na integra¸c˜ao em
momento, regularizando divergˆencias at´e ordem q2n−1. O driving term V(n)(E; −µ2) para a equa¸c˜ao de LS subtra´ıda n vezes ´e constru´ıdo recursivamente atrav´es de um processo iterativo, iniciando-se com V(1)(−µ2). A f´ormula de recurs˜ao ´e dada por
V(m)(E; −µ2) = ¯V(m)(E; −µ2) + Vsing(m)(−µ2) , (29) onde ¯ V(m)(E; −µ2) = h 1 − (−µ2− E)m−1 V(m−1)(E; −µ2) G+0(−µ2)m i−1 V(m−1)(E; −µ2) , (30)
O termo Vsing(m)(−µ2) cont´em as intera¸c˜oes singulares de ordem mais alta que geram integrais di-vergentes e podem ser regularizadas realizando-se m subtra¸c˜oes. Deve-se notar da Eq. (29) que o driving term V(m)(E; −µ2) a cada itera¸c˜ao ´e derivado em dois passos. Primeiro, calculamos
¯
V(m)(E; −µ2) de V(m−1)(E; −µ2), resolvendo a equa¸c˜ao integral obtida da Eq. (30): ¯
V(m)(E; −µ2) = V(m−1)(E; −µ2)+(−µ2−E)m−1V(m−1)(E; −µ2) G+0(−µ2)mV¯(m)(E; −µ2) . (31)
Em seguida, adicionamos as intera¸c˜oes singulares de ordem mais Vsing(m)(−µ2).
Como no caso de uma subtra¸c˜ao, uma vez que o driving term V(n)(E; −µ2) com n subtra¸c˜oes ´e conhecido podemos manipular formalmente a Eq. (27) para definir um potencial renormalizado,
VR≡
h
1 + V(n)(E; −µ2)¡G+0(E) − Gn+(E; −µ2)¢i−1 V(n)(E; −µ2) , (32)
que ´e iterado na Eq. (20) para TR(E) e leva a um hamiltoniano de ponto fixo. Da mesma forma,
uma equa¸c˜ao NRCS para o driving term V(n)(E; −µ2) pode ser obtida a partir da invariˆancia da matriz-T subtra´ıda n vezes com respeito `a escala de subtra¸c˜ao −µ2,
∂V(n)(E; −µ2)
∂µ2 = −V(n)(E; −µ2) ∂G+
n(E; −µ2)
∂µ2 V(n)(E; −µ2) , (33) com a condi¸c˜ao de contorno dada por V(n)(E; −µ2)|
µ→¯µ = V(n)(E; −¯µ2) imposta em uma dada
III. DETALHAMENTO DOS C ´ALCULOS E RESULTADOS OBTIDOS
Nesta se¸c˜ao descrevemos os c´alculos envolvidos em cada item do plano de trabalho, bem como os principais resultados obtidos.
A. Evolu¸c˜ao do Potencial Delta de Dirac em Duas Dimens˜oes com o SRG
Com o objetivo de estabelecer procedimentos num´ericos robustos e c´odigos otimizados para a aplica¸c˜ao do SRG `as intera¸c˜oes NN, consideramos inicialmente a evolu¸c˜ao de um hamiltoniano para um sistema de duas part´ıculas n˜ao-relativ´ısticas em duas dimens˜oes que interagem via um potencial de contato do tipo delta de Dirac [43]-[48]. Uma vers˜ao discretizada desse potencial foi considerada anteriormente por Glazek e Wilson [49] como um modelo para estudar a aplica¸c˜ao do SRG a uma teoria assintoticamente livre. Aqui, consideramos a vers˜ao cont´ınua.
A equa¸c˜ao de Schr¨odinger em espa¸co de configura¸c˜ao para o movimento relativo de duas part´ıculas em duas dimens˜oes com um potencial de contato atrativo do tipo delta de Dirac (em unidades tais que ~ = 1) ´e dada por
−∇2r Ψ(r) − α0δ(2)(r) Ψ(r) = E Ψ(r) . (34) A constante de acoplamento α0 ´e adimensional, uma vez que tanto o operador energia cin´etica como o potencial de contato delta de Dirac em duas dimens˜oes escalam como 1/r2, de modo que a Eq. (34) ´e invariante de escala (i.e. n˜ao existe uma escala intr´ınsica de energia ou comprimento). Embora essa equa¸c˜ao possa ser facilmente resolvida no espa¸co de confirgura¸c˜ao regularizando-se o potencial de contato com uma fun¸c˜ao de distribui¸c˜ao, optamos por trabalhar no espa¸co de momento com o objetivo de estabelecer uma conex˜ao mais transparente com os c´alculos implementados no contexto do SRG e da EFT.
A equa¸c˜ao de Schr¨odinger no espa¸co de momento ´e dada por p2 Φ(p) − α0
(2π)2 Z
d2q Φ(q) = E Φ(p) , (35)
onde p ´e o momento relativo e Φ(p) ´e a transformada de Fourier da fun¸c˜ao de onda no espa¸co de configura¸c˜ao Ψ(r). A invariˆancia de escala implica que se um estado ligado existe (com E < 0) ent˜ao a Eq. (35) admitir´a solu¸c˜oes para qualquer energia negativa, que correspondem a um cont´ınuo de estados ligados com energias estendendo-se at´e −∞. A condi¸c˜ao de auto-valor para a energia de liga¸c˜ao E0 = −E ´e dada por
1 = α0 2π Z ∞ 0 dp p 1 (p2+ E0) . (36)
A integral do lado direito da Eq. (36) diverge logaritmicamente de modo que o problema ´e mal definido. N˜ao obstante, utilizando-se esquemas padr˜ao de regulariza¸c˜ao e renormaliza¸c˜ao podemos obter uma solu¸c˜ao exata anal´ıtica [43].
1. Solu¸c˜ao Padr˜ao
Inicialmente, regularizamos a integral na Eq. (36) com cutoff ultravioleta em momento Λ, 1 = α0 2π Z Λ 0 dp p 1 (p2+ E0) = α0 4π ln µ 1 +Λ2 E0 ¶ . (37)
Resolvendo essa equa¸c˜ao para a energia de liga¸c˜ao E0 obtemos
E0= Λ2 (e4π/α0 − 1)−1. (38)
Claramente, se a constante de acoplamento α0 ´e fixa, ent˜ao E0 → ∞ quando Λ → ∞. Para eliminar a divergˆencia e produzir um estado ligado bem definido, podemos renormalizar a con-stante de acoplamento exigindo que a mesma dependa do cutoff Λ tal que a energia de liga¸c˜ao E0 permane¸ca fixa no limite Λ → ∞,
α0→ αΛ= 4π ln ³ 1 +ΛE2 0 ´ . (39)
Assim, a constante de acoplamento renormalizada adimensional αΛ que caracteriza a intensidade da intera¸c˜ao de contato delta de Dirac ´e substitu´ıda por um parˆametro com dimens˜ao, a energia de liga¸c˜ao E0, que pode ser escolhida arbitrariamente e fixa a escala de energia da teoria renormalizada. Este ´e um exemplo simples de transmuta¸c˜ao dimensional (dimensional transmutation) [50]. O hamiltoniano original ´e invariante de escala, mas o processo de renormaliza¸c˜ao introduz uma escala de energia que caracteriza os observ´aveis da teoria. Tamb´em ´e interessante notar que a teoria renormalizada ´e assintoticamente livre, uma vez que αΛ→ 0 no limite Λ → ∞.
Podemos utilizar a intera¸c˜ao renormalizada para calcular outros observ´aveis. A prescri¸c˜ao usual para os c´alculos ´e obter as solu¸c˜oes com o cutoff finito e ent˜ao tomar o limite Λ → ∞. Quando ´e implementado um c´alculo exato (i.e., n˜ao-perturbativo) os resultados finais devem ser independentes dos esquemas de regulariza¸c˜ao e renormaliza¸c˜ao. Como exemplo, calculamos os phase-shifts a partir da solu¸c˜ao da equa¸c˜ao de LS para a matriz-T com a intera¸c˜ao renormalizada,
T (p, p0; k2) = V (p, p0) + Z
d2q V (p, q)
k2− q2+ i ² T (q, p0; k2) , (40) onde k ´e o momento on-shell no referencial do centro-de-massa.
O espalhamento em onda-S (l = 0) ´e o ´unico que ocorre, uma vez que a barreira centr´ıfuga suprime completamente o potencial de contato delta de Dirac para as ondas mais altas. Assim, integrando sobre a vari´avel angular obtemos
TΛ(l=0)(p, p0; k2) = VΛ(l=0)(p, p0) + Z Λ 0 dq q V (l=0) Λ (p, q) k2− q2+ i ² T (l=0) Λ (q, p0; k2) , (41) onde VΛ(l=0)(p, p0) = −α
Λ/2π. A equa¸c˜ao de LS para a matriz-T on-shell (p = p0 = k) ´e dada por TΛ(l=0)(k, k; k2) = −αΛ 2π − αΛ 2π T (l=0) Λ (k, k; k2) Z Λ 0 dq q 1 k2− q2+ i ² . (42) Resolvendo esta equa¸c˜ao obtemos
TΛ(l=0)(k, k; k2) = −2 · ln µ k2 E0 ¶ + ln µ Λ2+ E0 Λ2+ k2 ¶ − i π ¸−1 . (43)
A matriz-T on-shell exata ´e ent˜ao obtida tomando-se o limite Λ → ∞: T(l=0)(k, k; k2) = −2 £ln¡k2/E0
¢
− i π¤−1 . (44)
Uma forma mais conveniente de calcular os observ´aveis de espalhamento ´e utilizar a matriz-K (matriz de reatˆancia). A equa¸c˜ao de LS para a matriz-K ´e semelhante `a equa¸c˜ao para a matriz-T , exceto que s˜ao impostas condi¸c˜oes de contorno de onda estacion´aria para a fun¸c˜ao de Green. Dessa forma, a prescri¸c˜ao i² utilizada na equa¸c˜ao de LS para a matriz-T ´e substitu´ıda pelo valor principal, tal que a matriz-K ´e real. A equa¸c˜ao de LS para a matriz-K projetada na onda-S ´e dada por
KΛ(l=0)(p, p0; k2) = VΛ(l=0)(p, p0) + P Z Λ 0 dq q V (l=0) Λ (p, q) k2− q2 K (l=0) Λ (q, p0; k2) , (45) onde P denota o valor principal. A rela¸c˜ao entre as matrizes K e T on-shell exatas ´e dada por
K−1(k, k; k2) = T−1(k, k; k2) − i π/2 . (46) Utilizando a rela¸c˜ao entre a matriz-T on-shell e os phase-shifts,
k cot δ(k) − i k = −2k π T
−1(k, k; k2) , (47)
obtemos a seguinte express˜ao para o valor exato dos phase-shifts, cot δ(k) = 1
π ln ¡
k2/E0¢ . (48)
´
E importante notar que mantendo um cutoff em momento Λ finito, resulta em erros dependentes do cutoff no inverso da matriz-T e, portanto, nos phase-shifts, os quais s˜ao proporcionais a potˆencias inversas do cutoff. Para Λ >>√E0, k, tais erros podem ser obtidos perturbativamente atrav´es de uma expans˜ao dupla da diferen¸ca entre o inverso da matriz-T on-shell dependente de Λ e o inverso da matriz-T on-shell exata em potˆencias de √E0/Λ e k/Λ,
∆T−1 = TΛ−1(k, k; k2) − T−1(k, k; k2) = −(E0+ k2) 2Λ2 + (E2 0 − k4) 4Λ4 + O · E3 0 Λ6; k6 Λ6 ¸ . (49)
2. Evolu¸c˜ao com o SRG
O hamiltoniano em espa¸co de momento para o movimento relativo de duas part´ıculas n˜ao-relativ´ısticas em duas dimens˜oes com um potencial de contato atrativo do tipo delta de Dirac pode ser escrito na forma
H(p, p0) = Trel(p, p0) + V (p, p0) , (50) onde Trel(p, p0) = p2δ(2)(p − p0) ´e o hamiltoniano livre (energia cin´etica) e V (p, p0) = −α0/(2π)2. Deve-se notar que os elementos de matriz do potencial delta de Dirac no espa¸co de momento s˜ao constantes, mostrando claramente que o hamiltoniano acopla diretamente um n´umero infinito de escalas. Tais acoplamentos s˜ao precisamente a fonte de divergˆencias logaritmicas que aparecem na equa¸c˜ao de Schr¨odinger, conforme mostrado na subse¸c˜ao anterior.
Para renormalizar esse hamiltoniano, aplicamos o SRG na formula¸c˜ao de Wegner. Escolhendo o gerador ηs = [Trel, Hs] e integrando na vari´avel angular, obtemos a equa¸c˜ao de fluxo para os
elementos de matriz do potencial no espa¸co de momento relativos, dVs(p, p0) ds = −(p 2− p02)2 V s(p, p0) + Z ∞ 0 dq q (p2+ p02− 2q2)Vs(p, q)Vs(q, p0). (51) Por conveniˆencia, consideramos aqui e no que se segue que o parˆametro de fluxo s est´a relacionado a um cutoff de similaridade λ com dimens˜oes de momento, tal que s = λ−4.
Em princ´ıpio, poder´ıamos impor a condi¸c˜ao de contorno em s0 = 0 (λ0→ ∞),
Hs0=0(p, p0) = H(p, p0) = Trel(p, p0) + V (p, p0) . (52)
onde Trel(p, p0) = p2δ(p − p0) e V (p, p0) = −α
0/2π. No entanto, o hamiltoniano bare (i.e., sem cutoff de similaridade) produz divergˆencias logaritmicas e, portanto, a condi¸c˜ao de contorno deve ser imposta em outro valor s0 6= 0, levando `a transmuta¸c˜ao dimensional. Formalmente, deve ser imposta uma prescri¸c˜ao de renormaliza¸c˜ao que permita obter um hamiltoniano bem definido em s = s0, fixando assim a teoria subjacente. Uma prescri¸c˜ao simples consiste em utilizar a constante de acoplamento renormalizada αΛ derivada na subse¸c˜ao (III A 1) para definir o potencial no hamiltoniano bare. Introduzimos um cutoff ultravioleta em momento Λ e tomamos
V (p, p0) → VΛ(p, p0) = − αΛ 2π = − 2 ln ³ 1 +ΛE20 ´ . (53)
Utilizando esta prescri¸c˜ao, o hamiltoniano bare torna-se bem definido e a condi¸c˜ao de contorno pode ser imposta em s0 = 0. ´E importante notar que, dessa forma, a teoria subjacente ´e fixada em λ0 → ∞ ajustando-se a energia de liga¸c˜ao E0.
Em trabalhos anteriores [51]-[53] resolvemos a equa¸c˜ao de fluxo Eq. (51) perturbativamente, utilizando a id´eia de “coupling-coherence” [54]-[57]. Assumimos uma solu¸c˜ao na forma de uma expans˜ao em potˆencias de αs,Λ/2π, Vs,Λ(p, p0) = " −αs,Λ 2π + ∞ X n=2 ³ αs,Λ 2π ´n Fs,Λ(n)(p, p0) # e−s(p2−p02)2 , (54)
onde Fs,Λ(n)(p, p0) s˜ao operadores irrelevante que se anulam para p = p0 = 0, e resolvemos a Eq. (51)
iterativamente, obtendo express˜oes anal´ıticas ordem-a-ordem para as aproxima¸c˜oes perturbativas do potencial renormalizado. Ent˜ao, utilizamos essas aproxima¸c˜oes em uma sequˆencia de c´alculos de estado ligado e analisamos o escalamento dos erros na energia de liga¸c˜ao com o cutoff de similaridade λ = s−1/4 em cada ordem.
Nas Refs. [51, 52] comparamos os resultados com os obtidos em c´alculos de estado ligado basea-dos na abordagem de Lepage para a EFT [67]. Por simplicidade, utilizamos uma potencial efetivo separ´avel que consiste na transformada de Fourier de um potencial delta de Dirac regularizado por uma fun¸c˜ao suave de um cutoff em momento Λ e uma s´erie de intera¸c˜oes efetivas aproximadamente locais que correspondem `as derivadas do potencial delta de Dirac,
VΛeff(p, p0) = · C0(Λ) + C2(Λ) (p 2+ p02) 2Λ2 + C4(Λ) (p4+ p04) 4Λ4 + C40(Λ) p2p02 2Λ4 + . . . ¸ × e−p2/2Λ2 e−p02/2Λ2 . (55)
Seguindo o m´etodo descrito por Steele e Furnstahl [58, 59], os parˆametros Ci(Λ) foram determinados ordem-a-ordem ajustando-se os valores exatos do inverso da matriz-K para baixos momentos. O m´etodo consiste em ajustar a diferen¸ca entre o inverso da matriz-K on-shell obtida a partir do potencial efetivo at´e uma dada ordem e o inverso da matriz-K on-shell exata por um polinˆomio interpolante em k2/Λ2,
∆K−1 = KΛ−1(k, k; k2) − K−1(k, k; k2) = A0+ A2 k2 Λ2 + A4
k4
Λ4 + · · · (56) e ent˜ao minimizar os coeficiente Ai com respeito a varia¸c˜oes dos parˆametros Ci(Λ).
Os resultados da an´alise de erros para os c´alculos em EFT mostram que os erros escalam como potˆencias inversas do cutoff em momento Λ, conforme esperado devido ao fato que as intera¸c˜oes efetivas s˜ao dadas por operadores irrelevantes. Conforme cada termo ´e adicionado ao potencial efetivo e o correspondente parˆametro Ci(Λ) ´e ajustado, observa-se uma redu¸c˜ao sistem´atica dos
Para os c´alculos na abordagem do SRG, a an´alise de erros mostra dois regimes diferentes de escalamento. Quando o cutoff de similaridade λ ´e maior do que o cutoff em momento Λ (introduzido para definir o hamiltoniano bare) o escalamento ´e semelhante ao obtido para a EFT, i.e. os erros seguem uma lei de potˆencia. Quando o cutoff de similaridade λ torna-se menor do que o cutoff em momento Λ, al´em dos erros que seguem uma lei de potˆencia h´a erros proporcionais ao inverso do logaritmo que resultam do truncamento em uma dada ordem em αs,Λ da expans˜ao perturbativa
descrita na Eq. (54) para o potencial renomalizado.
Neste projeto, resolvemos a Eq.(51) numericamente, obtendo uma solu¸c˜ao exata (n˜ao-perturbativa) para o potencial evolu´ıdo com o SRG. O espa¸co de momento relativo ´e discretizado em uma grade com N pontos de integra¸c˜ao gaussianos (em nossos c´alculos utilizamos 200 pontos), levando a um sistema de N2 equa¸c˜oes diferenciais acopladas n˜ao-lineares de primeira ordem que ´e resolvido utilizando-se um algoritmo de Runge-Kutta adaptativo de quinta-ordem.
Nas Figs. (1) e (2) s˜ao mostrados respectivamente os plots de contorno e de superf´ıcie para a evolu¸c˜ao do potencial de contato delta de Dirac em duas dimens˜oes com o cutoff de similaridade λ = s−1/4, iniciando com o potencial inicial (bare) V
Λ(p, p0) definido utilizando-se a constante de acoplamento renormalizada αΛ da Eq. (39) fixada no cutoff em momento Λ = 50 para fornecer uma energia de liga¸c˜ao E0 = 1 (em unidades arbitr´arias). Os elementos de matriz do potencial inicial VΛ=50(p, p0) s˜ao constantes e observamos claramente a supress˜ao sistem´atica dos elementos de matriz fora da diagonal conforme o cutoff de similaridade λ ´e reduzido, tal que o potencial ´e for¸cado `a forma de banda diagonal.
FIG. 1: Evolu¸c˜ao com o SRG do potencial delta de Dirac em duas dimens˜oes para Λ = 50 e E0 = 1 em
unidades arbitr´arias (plots de contorno).
FIG. 2: Evolu¸c˜ao com o SRG do potencial delta de Dirac em duas dimens˜oes para Λ = 50 e E0 = 1 em
Na Fig. 3 s˜ao mostrados os resultados para os phase-shifts em fun¸c˜ao da energia no referencial do laborat´orio ELAB calculados a partir da solu¸c˜ao num´erica da equa¸c˜ao de LS para a matrix-K com o potencial delta de Dirac inicial VΛ=50(p, p0) e com os potenciais correspondentes evolu´ıdos
com o SRG at´e v´arios valores do cutoff de similaridade λ.
0 2 4 6 8 10 60 80 100 120 140 160 180 DELTA 2D ( d e g ) E LAB initial 2 5 10 15 20 30 40 50 60
FIG. 3: Phase-shifts para o potencial delta de Dirac inicial e para os potenciais evolu´ıdos com o SRG at´e v´arios valores de λ.
Na Fig. 4 s˜ao mostrados os erros relativos nos phase-shifts para os potenciais evolu´ıdos com o SRG com respeito aos resultados obtidos para o potencial inicial VΛ=50(p, p0), como fun¸c˜ao de ELAB para v´arios valores de λ (esquerdo) e como fun¸c˜ao de λ para v´arios valores de ELAB (direito). Visando evitar a mistura com erros devidos `a utiliza¸c˜ao do cutoff em momento Λ = 50 e com os erros num´ericos devidos ao algoritmo utilizado para a solu¸c˜ao da equa¸c˜ao de LS, comparamos os phase-shifts para os potenciais evolu´ıdos com o SRG com os obtidos para o potencial inicial VΛ=50(p, p0), ao inv´es de comparar com os resultados exatos dados pela Eq. (48).
10 -4 10 -3 10 -2 10 -1 10 0 10 1 10 -12 10 -11 10 -10 10 -9 2 5 10 15 20 30 40 50 60 DELTA 2D / E LAB 0 10 20 30 40 50 60 10 -12 10 -11 10 -10 10 -9 E LAB 10 -4 0.13 0.83 1.83 10 DELTA 2D /
FIG. 4: Erros relativos nos phase-shifts para os potenciais evolu´ıdos com o SRG a partir do potencial delta de Dirac inicial. Painel esquerdo: como fun¸c˜ao de ELAB para v´arios valores de λ; Painel direito: como
Como se pode observar, os phase-shifts obtidos para os potenciais evolu´ıdos com o SRG s˜ao os mesmos que os obtidos para o potencial inicial, exceto por diferen¸cas relativas menores que 10−9 devido a erros num´ericos residuais (os quais dependem da discretiza¸c˜ao e dos parˆametros de
precis˜ao e tolerˆancia utilizados na rotina do algoritmo de Runge-Kutta utilizado para evoluir o potencial). Este resultado ´e esperado, uma vez que a transforma¸c˜ao de similaridade ´e unit´aria. Pode-se observar tamb´em duas regi˜oes distintas de escalamento nos plots de erro para ELAB fixo (direito). Quando o cutoff de similaridade λ ´e menor do que o cutoff em momento Λ(= 50) os erros s˜ao praticamente constantes. Quando λ torna-se maior do que Λ ocorre uma transi¸c˜ao para um regime de escalamento diferente, no qual os erros diminuem significativamente.
A mudan¸ca no comportamento dos erros ´e um artefato num´erico que pode ser entendido da seguinte forma. Quando λ >> Λ, o potencial evolu´ıdo com o SRG varia lentamente, permanecendo muito pr´oximo do potencial inicial. Apenas alguns passos s˜ao necess´arios para integrar as equa¸c˜oes diferenciais com o algoritmo de Runge-Kutta, resultando em erros muito pequenos nos elementos de matriz do potencial evolu´ıdo com o SRG e, portanto, nos phase-shifts. `A medida que λ se aproxima de Λ, o potencial evolu´ıdo com o SRG passa a variar mais rapidamente. Um n´umero maior de passos ´e necess´ario para integrar as equa¸c˜oes diferenciais, resultando em erros num´ericos maiores nos phase-shifts. Quando λ << Λ, os erros tendem a um valor assint´otico.
B. Renormaliza¸c˜ao das Intera¸c˜oes N N em LO ChEFT nos Esquemas CR e SKM
A intera¸c˜ao N N em LO ChEFT consiste no potencial de troca de um p´ıon (One-Pion Exchange Potential - OPEP) mais uma intera¸c˜ao de contato delta de Dirac, sendo dada por [60]
V (~p, ~p0) = − g2a 4(2π)3f2 π ~τ1· ~τ2~σ1· (~p 0− ~p) ~σ2· (~p0− ~p) (~p0− ~p)2+ m2 π + 1 2π2 · C0s µ 1 − ~τ1· ~τ2 4 ¶ + C0t µ 3 + ~τ1· ~τ2 4 ¶¸ , (57) onde ~τie ~σi (i = 1, 2) s˜ao os operadores de Pauli usuais para isospin e spin, ga = 1.25 ´e a constante de acoplamento axial, fπ = 93 MeV ´e a constante de decaimento fraco do p´ıon e mπ = 138 MeV
´e a massa do p´ıon. Os coeficientes Cs
0 e C0t correspondem `as intensidade das intera¸c˜oes de contato respectivamente para os canais singleto1S
0 e tripleto acoplado3S1−3D1.
Consideremos uma base de ondas parciais no espa¸co de momento relativo com normaliza¸c˜ao dada por 1 = 2 π Z ∞ 0 dq q2 | q(LS)J; I i h q(LS)J; I |, (58) onde os sobrescritos J, L, S e I denotam respectivamente os n´umeros quˆanticos de momento angular total, momento angular orbital, spin e isospin do estado N N .
Utilizando essa base, os elementos de matriz do potencial em LO ChEFT projetados nos canais 1S
0 (J = 0; L = 0; S = 0; I = 1) e3S1−3D1 (J = 1; L = 0, 2; S = 1; I = 0) s˜ao dados por
Vs00(p, p0) = V1π,s00 (p, p0) + C0s , (59)
Vtl0l(p, p0) = V1π,tl0l (p, p0) + C0t δl00δl0 . (60)
onde l, l0= 0, 2 e V00
1π,s(p, p0), Vl
0l
1π,t(p, p0) denotam respectivamente os elementos de matriz do OPEP nos canais1S 0 e 3S1−3D1, dados por V1π,s00 (p, p0) = g 2 a 32πf2 π µ 2 − Z 1 −1 dx m 2 π p2+ p02− 2pp0x + m2 π ¶ , (61) V1π,t00 (p, p0) = g2a 32πf2 π µ 2 − Z 1 −1 dx m2π p2+ p02− 2pp0x + m2 π ¶ , (62) V1π,t20 (p, p0) = g 2 a √ 2 16πf2 π Z 1 −1 dxp 02− 2pp0x + p2(3 2x2−12) p2+ p02− 2pp0x + m2 π , (63) V1π,t22 (p, p0) = ga2 32πf2 π Z 1 −1 dx2pp 0x − (p2+ p02)(3 2x2−12) p2+ p02− 2pp0x + m2 π , (64) V1π,t02 (p, p0) = V1π,t20 (p0, p). (65) No limite p, p0 → ∞, obtemos lim p ou p0→∞V 00 1π,s(p, p0) = g2 a 16πf2 π (66) lim p ou p0→∞V 00 1π,t(p, p0) = g2 a 16πf2 π , lim p ou p0→∞V 22 1π,t(p, p0) = 0, (67) lim p ou p0→∞V 20 1π,t(p, p0) = g2 a √ 2 8πf2 π , lim p ou p→∞V 20 1π,t(p, p0) = 0 ; (68) Os observ´aveis de espalhamento para cada canal de onda parcial da intera¸c˜ao N N podem ser calculados iterando-se os potenciais atrav´es das equa¸c˜oes de LS correspondentes,
Ts00(p, p0; k2) = Vs00(p, p0) + 2 π Z ∞ 0 dq q2 Vs00(p, q) k2− q2+ i² Ts00(q, p0; k2) (69) Tl1l2 t (p, p0; k2) = Vtl1l2(p, p0) + 2 π X l3 Z ∞ 0 dq q2 V l1l3 t (p, q) k2− q2+ i² T l3l2 t (q, p0; k2) , (70) onde li = 0, 2 (i = 1, 2, 3).
Os phase-shifts podem ser obtidos a partir da matriz-T on-shell (p = p0 = k) utilizando-se a
rela¸c˜ao S(k2) = 1 − 2ik T (k, k; k2). Para os canais desacoplados,
S(k2) = exp(2 i δJs,t), (71)
e para os canais acoplados (na parametriza¸c˜ao de Stapp [61]),
S(k2) = cos (2²t) exp(2 i δt J−1) i sin (2²t) exp(i δJ−1t + i δtJ+1) i sin (2²t) exp(i δt J+1+ i δtJ−1) cos (2²t) exp(2 i δJ+1t ) , (72)
onde ²t´e denominado parˆametro de mistura.
Neste trabalho, obtemos os observ´aveis de espalhamento utilizando a matriz-K ao inv´es da matriz-T . A rela¸c˜ao entre as matrizes T e K on-shell ´e dada por:
K−1(k, k; k2) = T−1(k, k; k2) − i k . (73)
Claramente, quando iterados na equa¸c˜ao de LS os potenciais em LO ChEFT projetados nos canais1S0 e3S1−3D1 geram divergˆencias ultravioleta, sendo necess´ario utilizar um procedimento n˜ao-perturbativo de regulariza¸c˜ao e renormaliza¸c˜ao para obter solu¸c˜oes finitas e bem definidas. O esquema padr˜ao para renormalizar a equa¸c˜ao de LS, inspirado no grupo de renormaliza¸c˜ao de Wilson [62–64], consiste em introduzir um cutoff Λ para regularizar as integrais em momento na equa¸c˜ao de LS (Cutoff Renormalization - CR) e fixar as constantes de acoplamento das intera¸c˜oes de contato, as chamadas constantes de baixa energia (Low-Energy Constants - LEC’s), atrav´es do ajuste de um conjunto de dados para observ´aveis de espalhamento em baixas energias [60, 65–67]. Uma vez fixadas as LEC’s para um dado cutoff Λ, a equa¸c˜ao de LS para a matriz-T pode ser resolvida para calcular outros observ´aveis em baixas energias.
O potencial N N ´e considerado corretamente renormalizado quando os observ´aveis em baixas energias obtidos s˜ao independentes do cutoff Λ ou apresentam apenas uma dependˆencia residual com rela¸c˜ao a Λ que pode ser removida atrav´es da inclus˜ao de termos de contato de ordem mais alta. Na linguagem do grupo de renormaliza¸c˜ao de Wilson, isso significa que as LEC’s devem depender do cutoff Λ de modo que as amplitudes de espalhamento obtidas sejam (aproximadamente) invariantes com respeito ao mesmo (renormalization group invariance).
No esquema SKM, ao inv´es de utilizar um cutoff em momento, a equa¸c˜ao de LS ´e regularizada realizando-se subtra¸c˜oes no kernel em uma dada escala de energia. As equa¸c˜oes de LS subtra´ıdas para as matrizes-K projetadas nos canais1S
0 e 3S1−3D1 s˜ao dadas respectivamente por: Ks00(p, p0; k2) = Vs(1),00(p, p0; −µ2) + 2 π P Z Λ 0 dq q2 µ µ2+ k2 µ2+ q2 ¶ Vs(1),00(p, q; −µ2) k2− q2 Ks00(q, p0; k2) , (74) Kl1l2 t (p, p0; k2) = Vt(1),l1l2(p, p0; −µ2) + 2 π X l3 P Z Λ 0 dq q2 µ µ2+ k2 µ2+ q2 ¶ V(1),l1l3(p, q; −µ2) k2− q2 Ktl3l2(q, p0; k2) . (75)
Para a solu¸c˜ao num´erica dessas equa¸c˜oes, discretizamos o espa¸co de momento relativo em um grid com N pontos de integra¸c˜ao gaussianos, de modo que a equa¸c˜ao integral ´e convertida em um sistema de equa¸c˜oes lineares. Esse sistema de equa¸c˜oes ´e ent˜ao resolvido utilizando-se um algoritmo que implementa o m´etodo de invers˜ao de matrizes. ´E importante notar que introduzimos um cutoff ultravioleta em momento Λ, conveniente para os c´alculos num´ericos quando consideramos a evolu¸c˜ao com o SRG do potencial renormalizado no esquema SKM. Tal cutoff permite trabalhar com um grid finito de pontos de integra¸c˜ao, necess´ario para uma solu¸c˜ao num´erica eficiente da equa¸c˜ao de fluxo de Wegner utilizando o algoritmo de Runge-Kutta. Conforme observado anteriormente, o cutoff Λ deve ser entendido nesse contexto como um regulador instrumental para as integra¸c˜oes num´ericas, cujos efeitos nas quantidades calculadas devem se anular no limite Λ → ∞.
Os driving terms Vs(1),00(p, p0; −µ2) e Vt(1),l1l2(p, p0; −µ2) na escala de subtra¸c˜ao −µ2 para os
canais1S
0 e 3S1−3D1 s˜ao definidos atrav´es do ansatz
Vs(1),00(p, p0; −µ2) ≡ Ks00(p, p0; −µ2) = V1π,s00 (p, p0) + C0s(−µ2) , (76)
V(1),l1l2
t (p, p0; −µ2) ≡ Ktl1l2(p, p0; −µ2) = V1π,tl1l2(p, p0) + C0t(−µ2) δl2,0δl1,0 . (77)
As intensidades das intera¸c˜oes de contato renormalizadas Cs
0(−µ2) e C0t(−µ2) s˜ao fixadas na escala de subtra¸c˜ao −µ2 ajustando-se respectivamente os comprimentos de espalhamento a
s e
at para os canais 1S0 e 3S1. Resolvemos as Eqs. (74) e (75) numericamente e calculamos os comprimentos de espalhamento a partir das matrizes-K on-shell em E = k2 = 0 atrav´es das rela¸c˜oes as = Ks00(0, 0; k2 = 0) e at = Kt00(0, 0; k2 = 0), ajustando os valores de C0s(−µ2) e Ct
0(−µ2) de modo a reproduzir os valores experimentais as = −23.7 fm e at = 5.43 fm com uma
Na Fig. (5) ´e mostrado o ajuste da intensidade da intera¸c˜ao de contato renormalizada Cs
0 para o canal1S
0 em fun¸c˜ao da escala µ para v´arios valores do cutoff Λ (esquerdo) e em fun¸c˜ao do cutoff Λ para v´arios valores da escala µ (direito).
10 1 10 2 10 3 10 4 -0,56 -0,54 -0,52 -0,50 -0,48 -0,46 -0,44 -0,42 -0,40 C s 0 ( f m ) (f m -1 ) (fm -1 ) 10 25 50 100 200 infinity 10 1 10 2 10 3 10 4 -0,56 -0,54 -0,52 -0,50 -0,48 -0,46 -0,44 -0,42 -0,40 C s 0 ( f m ) (f m -1 ) (fm -1 ) 10 25 50 100 200 infinity
FIG. 5: Intensidade da intera¸c˜ao de contato renormalizada Cs
0 para o canal1S0. Painel esquerdo: em fun¸c˜ao
de µ para v´arios valores de Λ; Painel direito: em fun¸c˜ao de Λ para v´arios valores de µ.
Para cada valor de Λ, a varia¸c˜ao de Cs
0 com µ se anula assintoticamente no limite µ → ∞ e, portanto, o esquema SKM leva aos mesmos resultados que seriam obtidos no esquema CR. Analogamente, para cada valor da escala µ a varia¸c˜ao de Cs
0 com Λ se anula assintoticamente no limite Λ → ∞, ou seja C0s absorve as divergˆencias e fornece o valor correto do comprimento de espalhamento as. Esse resultado mostra claramente que o papel do cutoff Λ ´e puramente
instrumental, uma vez que no limite Λ → ∞ todas as divergˆencias ultravioleta na equa¸c˜ao de LS s˜ao regularizadas unicamente pelo procedimento de subtra¸c˜ao, fornecendo uma matriz-K finita.
Na Fig. (6) s˜ao mostrados o driving terms Vs(1),00(p, 0; −µ2) para o canal1S0 calculados para v´arios valores da escala µ com um cutoff fixo Λ = 25 fm−1.
0 5 10 15 20 25 -0,8 -0,7 -0,6 -0,5 -0,4 -0,3 -0,2 -0,1 0,0 0,1 = 25 fm -1 V ( 1 ) ( 0 ,p ; -2 ) ( fm ) p (fm -1 ) (f m -1 ) 10 25 50 100 200 inf inity
Na Fig. (7) ´e mostrado o ajuste da intensidade da intera¸c˜ao de contato renormalizada Ct
0 para o canal3S
1 em fun¸c˜ao da escala µ com um cutoff fixo Λ = 25 fm−1.
0 2 4 6 8 10 12 -15 -10 -5 0 5 10 15 C t 0 ( f m ) (f m -1 ) = 25 fm -1
FIG. 7: Intensidade da intera¸c˜ao de contato renormalizada Ct
0 para o canal3S1 em fun¸c˜ao de µ.
Conforme se pode observar, enquanto Cs
0 cresce monotonicamente com µ, a evolu¸c˜ao de C0texibe um comportamento de ciclo-limite, divergindo para valores espec´ıficos de µ. Esse comportamento ´e semelhante ao descrito na Ref. [68] para a renormaliza¸c˜ao no esquema CR e ocorre devido ao aparecimento de estados ligados esp´urios no canal 3S1−3D1.
Na Fig. (8) s˜ao mostrados os driving terms V(1),l1l2
t (p, p0; −µ2) para o canal3S1−3D1 calculados para v´arios valores da escala µ com um cutoff fixo Λ = 25 fm−1.
0 5 10 15 20 25 -3,5 -3,0 -2,5 -2,0 -1,5 -1,0 -0,5 0,0 0,5 1,0 1,5 = 25 fm -1 V ( 1 ) , 0 0 ( 0 ,p ; -2 ) ( f m ) p (fm -1 ) (f m -1 ) 1 5 10 25 50 3 S 1 - 3 S 1 0 5 10 15 20 25 10 -10 10 -9 10 -8 10 -7 10 -6 10 -5 = 25 fm -1 V ( 1 ) , 0 2 ( 0 ,p ; -2 ) ( f m ) p (fm -1 ) (f m -1 ) 1 5 10 25 50 3 S 1 - 3 D 1 0 5 10 15 20 25 10 -6 10 -5 10 -4 10 -3 10 -2 10 -1 10 0 10 1 10 2 = 25 fm -1 V ( 1 ) , 2 0 ( 0 ,p ; -2 ) ( f m ) p (fm -1 ) (f m -1 ) 1 5 10 25 50 3 D 1 - 3 S 1 0 5 10 15 20 25 10 -12 10 -11 10 -10 10 -9 10 -8 10 -7 10 -6 10 -5 = 25 fm -1 V ( 1 ) , 2 2 ( 0 ,p ; -2 ) ( f m ) p (fm -1 ) (f m -1 ) 1 5 10 25 50 3 D 1 - 3 D 1
FIG. 8: Driving terms V(1),l1l2
Uma vez fixados os driving terms Vs(1),00(p, 0; −µ2) e Vt(1),l1l2(p, p0; −µ2) na escala de subtra¸c˜ao
−µ2, calculamos os phase-shifts a partir da solu¸c˜ao num´erica da equa¸c˜ao de LS subtra´ıda para as matrizes-K nos canais de onda parcial correspondentes, Eqs. (74) e (75). Na Fig. (9) s˜ao mostrados os phase-shifts no canal 1S
0 em fun¸c˜ao da energia no laborat´orio ELAB, obtidos para v´arios valores da escala µ com um cutoff fixo Λ = 25 fm−1.
0 20 40 60 80 100 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 SKM-LO ChEFT 1 S 0 (fm -1 ) 10 25 50 100 200 infinity Nijmegen = 25 fm -1 ( d e g ) E LAB (MeV)
FIG. 9: Phase-shifts no canal1S
0em fun¸c˜ao da energia no laborat´orio ELABpara o potencial em LO ChEFT
obtido a partir da equa¸c˜ao de LS subtra´ıda para a matriz-K.
Conforme se pode observar, os resultados obtidos para os phase-shifts a partir da equa¸c˜ao de LS subtra´ıda desviam-se fortemente dos resultados obtidos a partir do potencial de Nijmegen [69], analogamente ao que ocorre para a intera¸c˜ao em LO ChEFT no canal 1S
0 renormalizada utilizando-se outros esquemas.
Na Fig. (10) s˜ao mostradas as diferen¸cas relativas entre os phase-shifts no canal1S
0, calculados na escala µ e em µ → ∞ com um cutoff fixo Λ = 25 fm−1, como fun¸c˜ao de ELAB para v´arios valores de µ (esquerdo) e como fun¸c˜ao de µ para v´arios valores de ELAB (direito).
10 -3 10 -2 10 -1 10 0 10 1 10 2 10 -10 10 -9 10 -8 10 -7 10 -6 10 -5 10 -4 10 -3 10 -2 = 25 fm -1 (fm -1 ) 10 25 50 100 200 E LAB (MeV) 10 25 50 75 100 150 250 10 -10 10 -9 10 -8 10 -7 10 -6 10 -5 10 -4 10 -3 10 -2 = 25 fm -1 E LAB (MeV) 10 -3 0.16 1.34 13 100 (fm -1 )
FIG. 10: Diferen¸cas relativas entre os phase-shifts na escala µ e em µ → ∞. Painel esquerdo: como fun¸c˜ao de ELABpara v´arios valores de µ; Painel direito: como fun¸c˜ao de µ para v´arios valores de ELAB.
No intervalo de escalas µ considerado nos c´alculos, as diferen¸cas relativas escalam aproximada-mente como ELAB(∝ k2) para µ fixo e como 1/µ2 para ELABfixo. No limite µ → ∞, os phase-shifts devem se tornar independentes da escala µ, concordando com os resultados obtidos utilizando-se o esquema CR. ´E importante lembrar que no contexto do SKM o cutoff Λ ´e apenas um regulador instrumental, cujos efeitos nos phase-shifts podem ser eliminados utilizando-se m´etodos padr˜ao para tomar o limite Λ → ∞, tal como a extrapola¸c˜ao de Richardson [70].
Na Fig. (11) s˜ao mostrados os phase-shifts nos canais 3S
1 e 3D1 e o parˆametro de mistura ²1 em fun¸c˜ao de ELAB, obtidos para v´arios valores de µ com um cutoff fixo Λ = 25 fm−1.
0 20 40 60 80 100 0 20 40 60 80 100 120 140 160 180 200 = 25 fm -1 SKM-LO ChEFT 3 S 1 (fm -1 ) 1 5 10 25 50 Nijmegen ( d e g ) E LAB (MeV) 0 20 40 60 80 100 -15 -10 -5 0 = 25 fm -1 SKM-LO ChEFT 3 D 1 (fm -1 ) 1 5 10 25 50 Nijmegen ( d e g ) E LAB (MeV) 0 20 40 60 80 100 -2 -1 0 1 2 3 4 = 25 fm -1 SKM-LO ChEFT 1 (fm -1 ) 1 5 10 25 50 Nijmegen E LAB (MeV)
FIG. 11: Phase-shifts nos canais3S
1e3D1 e parˆametros de mistura ²1em fun¸c˜ao da energia no laborat´orio ELABpara o potencial em LO ChEFT obtido a partir da equa¸c˜ao de LS subtra´ıda para a matriz-K.
Os phase-shifts no canal3S
1 apresentam forte dependˆencia com respeito a µ, exceto para ener-gias muito baixas (ELAB < 5 MeV). `A medida que µ aumenta, os phase-shifts tornam-se menos sens´ıveis `a varia¸c˜ao de µ, aproximando-se razoavelmente dos resultados obtidos com o potencial de Nijmegen no intervalo de energias considerado. Para o canal3D
1, os phase-shifts s˜ao praticamente independentes de µ, apresentando concordˆancia muito boa com os resultados obtidos com o poten-cial de Nijmegen. O comportamento do parˆametro de mistura ²1 ´e semelhante ao dos phase-shifts no canal3S
1, apresentando dependˆencia mais acentuada com respeito a µ e concordˆancia razo´avel com os resultados obtidos com o potencial de Nijmegen apenas para energias ELAB < 10 MeV.
Passamos agora ao c´alculo dos potenciais renormalizados para os canais1S
0 e3S1−3D1. Uma vez que as intensidades das intera¸c˜oes de contato renormalizadas Cs
0 e C0t s˜ao fixadas na escala µ, podemos obter os potenciais renormalizados VR,s(1),00(p, p0) e V(1),l1l2
R,t (p, p0) respectivamente a partir
dos driving terms Vs(1),00(p, p0; −µ2) e Vt(1),l1l2(p, p0; −µ2) resolvendo equa¸c˜oes integrais derivadas
da Eq. (19) substituindo-se a matriz-T pela matriz-K, VR,s(1),00(p, p0) = Vs(1),00(p, p0; −µ2) − 2 πP Z Λ 0 dq q2 V (1),00 s (p, q; −µ2) −µ2− q2 V (1),00 R,s (q, p0) , (78) V(1),l1l2 R,t (p, p0) = V (1),l1l2 t (p, p0; −µ2) − 2 π X l3 P Z Λ 0 dq q2 V (1),l1l3 t (p, q; −µ2) −µ2− q2 V (1),l3l2 R,t (q, p0) . (79)
A princ´ıpio, os potenciais renormalizados obtidos a partir da solu¸c˜ao das Eqs. (78) e (79) devem ser independentes da escala de subtra¸c˜ao −µ2, uma vez que por constru¸c˜ao correspondem a operadores de ponto fixo do grupo de renormaliza¸c˜ao. No entanto, uma dependˆencia residual com respeito `a escala µ ´e gerada pelo procedimento de ajuste utilizado para fixar as intensidades das intera¸c˜oes de contato C0s e C0t. Conforme observado na subse¸c˜ao (II B 1), para obter um potencial renormalizado rigorosamente invariante com respeito `a varia¸c˜ao da escala de subtra¸c˜ao −µ2 os driving terms devem ser evolu´ıdos atrav´es da equa¸c˜ao NRCS a partir de uma escala de referˆencia ¯
µ onde as intensidades renormalizadas Cs
0 e C0t s˜ao fixadas.
Na Fig. (12) s˜ao mostrados os potenciais renormalizados VR,s(1),00(p, 0) para o canal 1S0, calcu-lados a partir dos driving terms Vs(1),00(p, p0; −µ2) para v´arios valores da escala µ com um cutoff
fixo Λ = 25 fm−1. 0 5 10 15 20 25 -0,8 -0,7 -0,6 -0,5 -0,4 -0,3 -0,2 -0,1 0,0 0,1 (f m -1 ) 10 25 50 100 200 inf inity = 25 fm -1 V R ( 0 ,p ; -2 ) ( fm ) p (fm -1 )
FIG. 12: Potenciais renormalizados VR,s(1),00(p, 0)) para o canal1S 0.
Como esperado, o potencial renormalizado VR,s(1),00(p, p0) permanece aproximadamente invariante
com respeito `a varia¸c˜ao da escala µ. No limite µ → ∞, o driving term concorda com o potencial renormalizado, ambos tornando-se independentes de µ.
Na Fig. (13) s˜ao mostrados os potenciais renormalizados V(1),l1l2
R,t (p, 0) para o canal3S1−3D1,
calculados a partir dos driving terms V(1),l1l2
t (p, p0; −µ2) para v´arios valores da escala µ com um
cutoff fixo Λ = 25 fm−1. 0 5 10 15 20 25 -12 -10 -8 -6 -4 -2 0 2 4 6 8 10 = 25 fm -1 V R ( 1 ) , 0 0 ( 0 , p ) ( fm ) p (fm -1 ) (f m -1 ) 1 5 10 25 50 3 S 1 - 3 S 1 0 5 10 15 20 25 -1 0 1 2 3 4 = 25 fm -1 V R ( 1 ) , 0 2 ( 0 , p ) ( 1 0 6 f m ) p (fm -1 ) (f m -1 ) 1 5 10 25 50 3 S 1 - 3 D 1 0 5 10 15 20 25 -6 -4 -2 0 2 4 6 = 25 fm -1 V R ( 1 ) , 2 0 ( 0 , p ) ( f m ) p (fm -1 ) (f m -1 ) 1 5 10 25 50 3 D 1 - 3 S 1 0 5 10 15 20 25 -0,3 -0,2 -0,1 0,0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 = 25 fm -1 V R ( 1 ) , 2 2 ( 0 ,p ) ( 1 0 6 f m ) p (fm -1 ) (f m -1 ) 1 5 10 25 50 3 D 1 - 3 D 1
FIG. 13: Potenciais renormalizados V(1),l1l2
R,t (p, p0) para o canal 3S1−3D1.
Como se pode observar, enquanto o potencial renormalizado VR,s(1),00para o canal1S
0´e razoavel-mente insens´ıvel `a varia¸c˜ao de µ, os potenciais renormalizados V(1),l1l2
R,t para o canal 3S1 −3 D1
apresentam forte dependˆencia residual com respeito `a escala µ. Esse resultado ´e consequˆencia do comportamento de ciclo-limite exibido pela intensidade da intera¸c˜ao de contato renormalizada Ct
0. Enfatizamos novamente que evoluindo os driving terms de uma escala de referˆencia ¯µ para a escala µ atrav´es da equa¸c˜ao NRCS, ao inv´es de utilizar o procedimento de ajuste para fixar as intensidades das intera¸c˜oes de contato renormalizadas, a dependˆencia residual dos potenciais renormalizados e dos observ´aveis de espalhamento com respeito `a escala µ devem se anular. Nesse caso, espera-se uma dependˆencia n˜ao-trivial dos driving terms com respeito `a escala µ de modo a garantir a invariˆancia da matriz-K subtra´ıda.
C. Evolu¸c˜ao com o SRG das Intera¸c˜oes N N
Consideremos o hamiltoniano no centro-de-massa para um sistema de dois n´ucleons, o qual pode ser escrito na forma H = Trel+ V , onde Trel corresponde `a energia cin´etica no centro-de-massa e V corresponde ao potencial N N . Aqui e no que se segue, utilizamos unidades tais que ~ = c = M = 1, onde M ´e a massa do n´ucleon.
Utilizando o gerador ηs = [Trel, Hs], a equa¸c˜ao de fluxo de Wegner para a evolu¸c˜ao do potencial
N N com o SRG ´e dada por dVs(p, p0) ds = −(p 2− p02)2V s(p, p0) + 2 π Z ∞ 0 dq q2 (p2+ p02− 2q2) Vs(p, q) Vs(q, p0), (80)
onde Vs(p, p0) denota abreviadamente os elementos de matriz do potencial N N projetados em uma
base de ondas parciais no espa¸co de momento relativo com normaliza¸c˜ao dada pela Eq. (58): Vs(JLL0S;I)(p, p0) = h p(LS)J; I|Vs| p0(L0S)J; I i , (81)
Para canais n˜ao-acoplados (L = L0 = J), os elementos de matriz do potencial s˜ao dados por Vs(p, p0) ≡ Vs(JJJS;I)(p, p0). (82)
Para canais acoplados (L, L0 = J ± 1), os Vs(p, p0) representam matrizes 2 × 2 de elementos de
matriz para as diferentes combina¸c˜oes de L e L0:
Vs(p, p0) ≡ Vs(JLLS;I)(p, p0) V(JLL 0S;I) s (p, p0) Vs(JL0LS;I)(p, p0) V(JL 0L0S;I) s (p, p0) . (83)
Como consequˆencia da escolha do gerador ηs= [Trel, Hs] para a transforma¸c˜ao do SRG, cada canal