ESTABILIDADES GARANTIAS DE EMPREGO FGTS.
SUM-369 DIRIGENTE SINDICAL ESTABILIDADE PROVISÓRIA
I - É indispensável a comunicação, pela entidade sindical, ao empregador, na forma do § 5º do art. 543 da CLT.
II - O art. 522 da CLT, que limita a sete o número de dirigentes sindicais, foi recepcionado pela Constituição Federal de 1988.
III- O empregado de categoria diferenciada eleito dirigente sindical só goza de estabilidade se exercer na empresa atividade pertinente à categoria profissional do sindicato para o qual foi eleito dirigente.
IV - Havendo extinção da atividade empresarial no âmbito da base territorial do sindicato, não há razão para subsistir a estabilidade.
V - O registro da candidatura do empregado a cargo de dirigente sindical durante o período de aviso prévio, ainda que indenizado, não lhe assegura a estabilidade, visto que inaplicável a regra do § 3º do art. 543 da Consolidação das Leis do Trabalho.
Há, ainda, outros empregados que gozam da mesma estabilidade provisória, ou seja, com a necessária interposição de Inquérito para Apuração de Falta Grave.
É o caso dos representantes dos empregados nas Comissões de Conciliação Prévia Empresariais (art. 625-B, § 1º, CLT). Esta estabilidade se estende até um ano após o final do mandato.
Também é o caso dos representantes (incluindo os suplentes) dos representantes dos empregados no Conselho Nacional da Previdência Social (art. 295, II, “b”, do Decreto 3.048/99). Esta estabilidade se estende até um ano após o final do mandato.
Ainda, é o caso dos representantes (incluídos os suplentes) dos representantes dos empregados no Conselho Curador do FGTS (art. 3º, § 9º, Lei 8.036/90). Esta estabilidade se estende até um ano após o final do mandato.
Dirigente da CIPA – o art. 10, II, “a”, do ADTC da Constituição Federal, garante a vedação da dispensa arbitrária ou sem justa causa do empregado eleito para cargo de direção de comissões internas de prevenção de acidentes, desde o registro de sua candidatura até um ano após o final de seu mandato.
Esta garantia se estende aos empregados eleitos representantes na CIPA (titulares e suplentes) como representantes dos empregados. Assim, os representantes dos empregadores não estão abrangidos pelo dispositivo constitucional.
A grande diferença é a ausência de necessidade de interposição de Inquérito para Apuração de Falta Grave, caso o empregado venha a cometer alguma infração.
O dispositivo constitucional fala em vedação da dispensa arbitrária ou sem justa causa. Assim, fica possibilitada a dispensa por justa causa (infracional). O que seria despedida arbitrária?
Art. 165 - Os titulares da representação dos empregados nas CIPA (s) não poderão sofrer despedida arbitrária, entendendo-se como tal a que não se fundar em motivo disciplinar, técnico, econômico ou financeiro.
É a única norma no nosso sistema jurídico que dispõe o que seria uma despedida arbitrária. Assim, se o motivo não for disciplinar, técnico, econômico ou financeira, a despedida será considerada arbitrária.
A jurisprudência tem se manifestado pela aplicação do art. No caso de empregados representantes na CIPA. Assim, seria permitido o seu despedimento por motivo disciplinar (despedida com justa causa), além de despedimento fundado em (RELEVANTE E COMPROVADO) motivo técnico, econômico ou financeiro.
Gestante - o art. 10, II, “b”, do ADTC da Constituição Federal, garante a vedação da dispensa arbitrária ou sem justa causa da empregada gestante, desde a confirmação da gravidez (entenda-se: desde o momento da concepção. Critério objetivo) até cinco meses após o parto.
Não se aplica a gestante a norma que define o que seria despedida arbitrária, pois esta é específica para os membros da CIPA. Assim, só poderá a gestante ser despedida pelo cometimento de alguma infração, ou seja, por justa causa, sem a necessidade interposição de Inquérito para Apuração de Falta Grave.
Empregado Acidentado – todo o empregado que sofre acidente do trabalho (ou doença ocupacional), ficando afastado por mais de 15 dias das funções e que receba benefício de auxílio- doença acidentário, tem garantia de emprego de 12 meses a partir do seu retorno a empresa.
A jurisprudência tem atenuado o requisito de “recebimento do benefício previdenciário” em função das tentativas de fraude de alguns empregadores, que ficavam pagando o salário no período do afastamento, para evitar que o empregado adquirisse a garantia de emprego.
Também não se aplica ao acidentado a norma que define o que seria despedida arbitrária, pois esta é específica para os membros da CIPA. Assim, só poderá o empregado acidentado ser despedido pelo cometimento de alguma infração, ou seja, por justa causa, sem a necessidade interposição de Inquérito para Apuração de Falta Grave.
Outro caso interessante de “garantia de emprego indireta” é a do empregado reabilitado, que só poderá ser despedido por justa causa ou se o empregador contratar previamente outro empregado em condições semelhantes (art. 93, § 1º, Lei 8.213/91).
FGTS
Como já referido, o sistema do FGTS entrou no nosso ordenamento jurídico com o advento da Lei 5.107/66, como uma opção (para os empregados urbanos, excetuando, portanto, os rurais e domésticos) ao antigo sistema celetista (estabilidade + indenização tempo de serviço). Com o advento da Constituição Federal de 1988, tornou-se obrigatório (exceto para os domésticos).
O FGTS consiste em recolhimentos pecuniários mensais, em conta bancária vinculada ao nome do empregado, com base de cálculo e em percentual definido por lei, podendo ser sacado pelo empregado em situações típicas definidas na lei, com ou sem indenização compensatória adicional.
Características do FGTS.
Recolhimentos Mensais – o instituto, como já referido, é formado por recolhimentos pecuniários mensais, efetivados pelo empregador, em conta bancária vinculada ao nome do empregado, com parâmetros legalmente estabelecidos. Esses depósitos são de natureza imperativa, excetuando-se os empregados domésticos e os diretores não empregados.
No início, os depósitos poderiam ser feitos em qualquer instituição bancária autorizada pelo Banco Central. Hoje, os depósitos são concentrados na Caixa Econômica Federal, que é o Agente Operador do Fundo. Os depósitos são corrigidos monetariamente, além de capitalizarem juros de 3% ao ano.
A base de cálculo é de 8% do complexo salarial do empregado, acrescido das gorjetas habitualmente recebidas. Incide, também, sobre o aviso prévio e o 13º salário. Atualmente, com o advento da Lei Complementar 110/2001, aos 8% são acrescidos 0,5% (total de 8,5%), sendo que esse percentual adicional (0,5%) é contribuição social, e não direito trabalhista. Destina-se ao Estado (União) e não ao empregado.
Abrangência do FGTS – o FGTS é imperativo para os empregados urbanos e rurais (esses, desde a Constituição Federal de 1988) e para os trabalhadores (não empregados) avulsos. É facultativo para os empregados domésticos e para os diretores não empregados. Depois de feita a opção (pelo empregador/tomador dos serviços) não há opção de retrocesso.
Saque do FGTS. Acréscimo Rescisório – o FGTS pode ser sacado pelo seu titular em inúmeras hipóteses, previstas nos arts. 18 a 21, Lei 8.036/90). Do ponto de vista trabalhista, despontam aquelas hipóteses vinculadas a extinção do contrato de emprego (remeto a parte da matéria que explicitou os direitos rescisórios em cada modalidade de extinção).
Ressalto que nas modalidades de extinção do contrato de emprego em que o empregado não pode sacar o FGTS (“pedido de demissão” e despedimento por justa causa), ele não perde o direito ao FGTS. Os valores depositados são de sua propriedade, existindo apenas a indisponibilidade momentânea dos valores.
Dependendo do tipo de extinção do contrato de emprego, incidirá sobre o valor depositado na conta vinculada do FGTS um acréscimo, denominada indenização compensatória, que poderá ser de 40% ou de 20%, para os casos em que ela incidir.
Ressalto que a indenização compensatória incidirá sobre a totalidade dos depósitos referentes aquele contrato de emprego, independente do empregado ter efetuado algum saque no decorrer do contrato (aquisição da casa própria, por exemplo). Ainda, ressalto que, com o advento da Lei Complementar 110/2001, o empregador pagará 50% sobre os depósitos do FGTS como indenização compensatória, sendo que 10% é contribuição social, e não direito trabalhista. Destina- se ao Estado (União) e não ao empregado.
O FGTS, em seu conjunto global e indiferenciado de depósitos, é um fundo de destinação variada. Assim, além de seu evidente viés trabalhista, viabiliza, financeiramente, a execução de programa de habitação popular, saneamento básico e infra-estrutura urbana.