CAPÍTULO III GRUPO DE CONTADORA: PROPOSTA E AÇAO NO CON
2. Surgimento, propostas e ação de Contadora
2.1. 1983: Constituição do Grupo de Contadora e ação 2.1.1. Surgimento do Grupo de Contadora
Em 8 e 9 de janeiro de 1983, se reuniram na Ilha de Conta dora, no Panamá, os Ministros das Relações Exteriores da Co lômbia, México, Panamá e Venezuela. Muito embora tenham sido tratados, nesta reunião, diversas questões interessantes ã América Latina, o tema principal discutido foi o da crise cen tro-americana que estava a ponto de deflagrar um conflito bé lico entre alguns países, especialmente Honduras e Nicarágua que, se fosse realmente levado a termo, poderia estender-se ã toda região.
- Comunicado, da Primeira Reunião de Contadora
No Comunicado Conjunto que resultou da Reunião em Contado ra, os quatro Ministros assinalaram que os conflitos da zona não deveriam ser parte do confronto Leste-Oeste e, sendo as
sim, urgia a necessidade de eliminar os "fatores que os inten sificam". Formularam um chamado urgente a todos os paises da área centro-americana para que, através do diálogo e da nego ciação se reduzissem as tensões e se estabelecessem as bases para um clima permanente de convivência pacifica e respeito mútuo entre os Estados. Assim, ao reafirmar a obrigação de to do Estado de não recorrer ã ameaça de uso da força em suas re lações internacionais, convocaram estes mesmos paises a abs- terem-se de tudo que pudesse agravar a situação, gerando peri go ã região. Respeitando os principios de não-intervenção e de auto-determinação dos povos, os Chanceleres analisaram novas ações possíveis e assinalaram a conveniência de incorporar a estes esforços a valiosa contribuição e o necessário apoio de outros paises da comunidade latino-americana, reiterando, tam bém, a decisão de seguir contribuindo para o fortalecimento e- conômico dos paises centro-americanos e do Caribe. Consideran do que estas e outras medidas de cooperação econômica ajuda riam aos propósitos de estabilidade politica e social na
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0 pronunciamento dos quatro paises latino-americanos ob teve o respaldo imediato do Escritório de Coordenação dos paí ses não alinhados, reunidos em Manágua em janeiro daquele ano. Posteriormente, a Sétima Cumbre que se reuniu em Nova Delhi no mês de maio, se manifestou em sentido similar.
- Agravamento da situação
Apesar das iniciativas do Grupo de Contadora para a paci ficação da região, a situação se agravou no primeiro trimestre de 1983. A Nicarágua solicitou uma reunião urgente do Conselho de Segurança das Nações Unidas enquanto Honduras e outros pai ses da área se pronunciaram a favor da designação da OEA para conduzir o assunto. Ante a eminente deflagração do conflito, o presidente da Colômbia realizou uma viagem relâmpago a Venezue
la, Panamá e México para manter contatos com os presidentes ^ 4- - - 51
destes tres paises.
2.1.2. Ação de Grupo de Contadora
a) A definição dos temas da negociação
Nos dias 12 e 13 de abril por mandato de seus respectivos presidentes - os quatro Ministros das Relações Exteriores do Grupo de Contadora visitaram Costa Rica, El Salvador, Guatema la, Honduras e Nicarágua para entrevistas com os mais altos d_i rigentes destes paises. Pela primeira vez, o Grupo de Contado ra estabeleceu contato formal com os governos centro-america - nos, o que permitiu vislumbrar diferentes perspectivas da crise a partir das preocupações dos respectivos paises acer ca do conflito. Posteriormente, e como resultado desta gestão, a Reunião Conjunta dos Ministros das Relações Exteriores do Grupo de Contadora, celebrada nos dias 20 e 21 do mesmo mês, permitiu a definição preliminar de assuntos que deveriam ser
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tratados na reunião. Entre os temas discutidos, mereceram atenção especial os relacionados com a segurança; neste senti-
do, foram mencionadas questões como corrida armamentista, con trole e redução de armamentos, tráfico de armas, assessores mi. litares e outras formas de assistência militar forânea, ações destinadas a desestabilizar a ordem interna de outros Estados, incidentes bélicos e tensões fronteiriças. Por outro lado,dis- cutiu-se também sobre direitos humanos, garantias individuais e sociais e os graves problemas de ordem econômica e social "que estão na base da crise que afeta a região". O encontro de abril foi o primeiro êxito de Contadora traduzido na possibilj. dade de diálogo entre os cinco Chanceleres centro-americanos e o inicio da discussão sobre uma agenda comum, estabelecendo,
igualmente, o compromisso de celebrar uma nova reunião no mês de maio desse mesmo ano.^^
b) Contadora define seu papel
0 mês de maio foi importante para as gestões de Contadora. Neste periodo tanto a Costa Rica quanto a Nicarágua recorreram ã ONU e a OEA, respectivamente. 0 governo costarriquenho pediu que se constituisse uma Força de Paz com capacidade para exer cer vigilância efetiva na fronteira com a Nicarágua; posteri ormente, solicitou que esta Força se integrasse ãs tropas dos paises do Grupo de Contadora. Paralelamente, o Conselho de Se gurança das Nações Unidas examinava as denúncias feitas pela Nicarágua sobre ataques armados ao pais, especialmente em ter-
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ritorios de fronteira com Honduras. A gravidade da situaçao assim como a existência de iniciativas tanto a nivel mundial quanto a nivel regional, levou o Grupo de Contadora, na reu nião de 11 e 12 de maio, a definir seu papel frente ao confli to centro-americano. Nessa ocasião, foi reafirmado o propósito
de sua constituição, ou seja, "cumprir uma função diplomática, orientada para a busca, por via politica, de soluções para os conflitos, contando, para tanto, com a colaboração das partes envolvidas", sendo que os esforços seriam concentrados no "pac to politico para propiciar o diálogo, o entendimento e, em ge ral, a instrumentação de mecanismos politicos que, com o con curso dos Estados interessados, pudessem assegurar o cumprimen to cabal de seus objetivos". Em resposta ã solicitação costar riquenha, o Grupo de Contadora decidiu enviar uma Comissão Ob servadora que visitou a fronteira e apresentou um informe so bre a situação da mesma.
c) A Resolução 530/83 do Conselho de Segurança
A adoção pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, em 19 de maio de 1983, por unanimidade, da Resolução 530, foi um fato de transcendental importância para o intento pacificador na América Central. 0 debate no Conselho de Segurança sobre a situação de conflito se iniciou mediante solicitação da Nica rágua, em uma carta do Ministro das Relações Exteriores desse pais, dirigida ao presidente do Conselho,em 22 de março de 1983. Nessa carta, o Ministro nicaragüense solicita uma reu nião urgente do organismo para analisar as repetidas agressões que vinha sofrendo o pais. No mês de maio o Conselho tratou a denúncia, participando do debate da questão, além dos paises implicados diretamente e dos membros do Conselho,paises euro peus, não-alinhados,e do bloco socialista. Vários paises cen tro-americanos e os Estados Unidos sustentaram que a petição nicaragüense deveria ser tratada na OEA. A Nicarágua, com base nos artigos 34 e 35 da Carta das Nações Unidas, sustentou que
as agressões das quais era vitima, colocavam em perigo a paz e a segurança internacional, razão pela qual, o Conselho teria competência para se manifestar a respeito da matéria.
A controvérsia acerca da competência das Nações Unidas ou da OEA na resolução do conflito centro-americano esteve sem pre presente. Os Estados Unidos e seus aliados na América Cen tral - especialmente El Salvador e Honduras - sempre defende ram a postura de competência da OEA no assunto, enquanto que a Nicarágua recorria ãs Nações Unidas, devido ao caráter hegemô nico dos Estados Unidos no organismo regional. Em 19 de maio, o
Conselho de Segurança da CMJ/com a Resolução 530/83 avaliou as nego ciações de paz do Grupo de Contadora. Este apoio significou uma inovação diplomática, porque confiou aos paises latino-america ^ nos a negociação do conflito regional. Foi evidente, também, o não cancelamento, em virtude da participação do Conselho, da manifestação das instâncias regionais bem como dos esforços de mediação dos paises da área, como haviam chegado a sustentar os próprios membros do Grupo de Contadora. Ao contrário, a resolução do Conselho de Segurança fortaleceu o trabalho de Contadora e estabeleceu um marco de referência que justifica va futuras ações na busca da pacificação regional. A Resolução 530, reafirmou o direito da Nicarágua e de todos os paises da zona a viverem em paz e segurança, livres da ingerência exter na, e elogiou os esforços do Grupo de Contadora, fazendo um chamado urgente aos Estados interessados para que cooperassem plenamente com o Grupo,apelando para que não se poupassem es forços para encontrar soluções ao problema da região. Solici tou ainda, ao Grupo de Contadora, que mantivesse o Conselho de Segurança informado acerca dos resultados destes esforços.
Finalmente pediu ao Secretário Geral das Nações Unidas que in formasse o Conselho de Segurança da evolução da s i t u a ç ã o . 0 México teve uma participação ativa tanto no debate como nas negociações informais que permitiram a elaboração de ura pro
jeto de Resolução capaz de superar um veto no Conselho. A par tir de maio ficaria afirmado o Grupo de Contadora como o foro mais adequado para o tratamento da crise centro-americana.^^
d) Segunda reunião Conjunta de chanceleres do Grupo____de Contadora e dos paises centro-americanos
Em 28, 29 e 30 de maio teve lugar a Segunda Reunião Con junta dos Ministros das Relações Exteriores de Contadora com os Chanceleres centro-americanos. Na ocasião foi examinada a situação regional e acordada uma agenda dividida em quatro gran des áreas: o marco conceituai, os problemas politicos e de se gurança, os objetivos econômicos e sociais,e os mecanismos pa ra a execução dos acordos estabelecidos. No curso da Reunião os Chanceleres centro-americanos apresentaram diversas propos tas, evidenciando a necessidade de criação de um grupo técnico
integrado por representantes de nove paises. Este Grupo, for mado pelos vice-ministros das Relações Exteriores revelaria, posteriormente, sua utilidade como foro de discussão e análise para preparar as reuniões de chanceleres. Com a aprovação da agenda, se concluiu a primeira parte das gestões do Grupo de
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Definidos os temas e sua agrupação, parecia iniciar-se a segunda etapa das negociações do conflito; mas, no mês de ju nho não se celebrou nenhuma reunião de Chanceleres. O Grupo
técnico de vice-ministros se reuniu sem poder efetuar progre^ sos concretos.
e) Reunião de Cancún
Em face do bloqueio de toda negociação e do agravamento da situação centro-americana, os presidentes dos paises do Grupo de Contadora se reuniram em Cancún, México, em 17 de julho pa ra firmar uma Declaração de grande importância para o proces so de Contadora, jâ que, pela primeira vez, se acordou um con junto de dez compromissos políticos que deveriam ser alcança dos para garantir a convivência na região.
Neste documento, os presidentes assinalaram que, analisa da a critica situação centro-americana, foi unânime a profunda preocupação pela rápida deteriorização das relações ante a crescente escalada de violência, o aumento progressivo das tensões, os incidentes fronteiriços e a ameaça de uma confla gração bélica que poderia generalizar-se. Somado a tudo isso, a corrida armamentista e a ingerência forânea, formavam um quadro dramático que afetava a estabilidade politica da re gião. Advertiam que a paz centro-americana sõ poderia ser uma realidade na medida em que se respeitassem os principios fun damentais da convivência entre as nações: a não-intervenção, a auto-determinação, a igualdade soberana dos Estados, a coopera ção para o desenvolvimento econômico e social, a solução paci fica das controvérsias, assim como a expressão autêntica da vontade popular. Destacavam, por outro lado, que a criação de condições favoráveis para a paz na região dependeria, funda mentalmente da genuína disposição para o diálogo por parte dos palses centro-americanos, aos quais corresponderia a responsa
bilidade primordial e o maior esforço na busca de Acordos que assegurassem a convivência. Faziam ainda, um chamado aos pai ses que tivessem interesses e vinculos na região para que con tribuíssem com sua influência politica para fortalecer as cau sas do entendimento e se comprometessem, sem reservas, a favor da opção diplomática pela paz. A fim de acelerar o processo pacificador na América Central, os presidentes propuseram no Documento o estrito cumprimento dos principios fundamentais que regem as relações internacionais, a celebração de acordos e compromissos politicos que propiciassem, na região, um efetivo controle da corrida armamentista, mediante eliminação de as sessores estrangeiros, a criação de zonas desmilitarizadas, a proscrição do uso do território de alguns Estados para desen volver ações politicas ou militares de desestabilização em outros Estados, a erradicação do tráfico de armas e a proibição de outras formas de ingerência nos assuntos internos de qual quer pais da área. Propôs também, a elaboração de um eficaz aproveitamento do programa e a celebração de acordos entre os paises centro-americanos, destinados a garantir a paz regio nal. Estas medidas - segundo a Declaração - deveriam ser acom panhadas de um grande esforço no interior de cada pais compro metido para fortalecer as instituições democráticas e garantir a observância dos direitos humanos. Os governos do Grupo de Contadora se comprometeram, por sua vez, a continuar seu pro grama de cooperação a favor da América Central e a canalizar o apoio internacional no sentido da reativação econômica da área, apelando ã comunidade internacional para que contribuis se em prol das soluções pacificas para os problemas centro-
59 americanos.
f) Resposta ã proposta da "Declaração de Cancún"
As respostas ã proposta da Declaração não foram alenta- doras, uma vez que não se alteraram as diferenças de enfoque entre a administração Reagan e o Grupo de Contadora;ao contrá rio, aumentou a militarização da região com o envio da frota norte-americana para a costa da Nicarágua. Em carta de 21 de julho de 1983 - dirigida aos presidentes da Colômbia, Méxi co, Panamá e Venezuela - Reagan mencionou uma série de princí pios que considerava básicos para a solução da crise centro- americana tais como, a instauração de regimes democráticos,re tirada de todos os assessores militares e de segurança,e con gelamento da aquisição de armas ofensivas. 0 governo norte-ame ricano expressou suas reticências ao Grupo de Contadora ao defender a OEA como mecanismo adequado para resolver o confli to regional.
Fidel Castro comunicou aos presidentes do Grupo de Conta dora o pleno apoio de Cuba ã gestão do Grupo e destacou a dis posição da Nicarágua para negociar os temas contidos na agenda de Contadora.
Em relação aos países centro-americanos, comprometidos na crise, houve por um lado, a resposta dada pelo governo nicara- güense, que anunciou uma nova proposta de seis pontos que in cluía o compromisso para pôr término a toda situação de 'beli gerância prevalecente através da assinatura imediata de acordo de não-agressão entre seu país e Honduras; interrupção do for necimento de armas ãs forças em conflito com El Salvador; cessa
ção da venda de material bélico, treinamento, uti
lização do território para agredir qualquer governo centro- americano. 0 compromisso assegurava o respeito absoluto ã au-
to-determinação dos povos centro-americanos e a não-ingeréncia nos assuntos internos de cada país, suspensão das agressões e da discriminação econômica a qualquer país da América Central, não instalação de bases militares estrangeiras em território da América Central, assim como a suspensão de manobras na zona com a participação de exércitos estrangeiros.^^
Em resposta à "Declaração de Cancún" , Os, gOvernos. Costa Rica, El Salvador, Guatemala e Honduras, realizaram em 20 de julho uma Reunião Ministerial na cidade de Guatemala para de finir uma estratégia comum. Nesta Reunião, se reiterou a con vicção de que correspondia aos países centro-americanos - "re solver seus próprios problemas", ainda que isso não deixasse de fora a possibilidade de cooperação da comunidade interna cional, na solução do impasse.
Em fins de julho, foi realizada uma reunião entre os mem bros do Grupo de Contadora e os países da América Central. Fo ram apresentadas duas propostas nesta reunião, por parte dos países centro-americanos. Por um lado. Costa Rica, El Salva dor, Guatemala e Honduras, precisaram sua posição num documen to denominado "Bases para a Paz na América Central", que in sistia na necessidade de empreender ações de reconciliação na cional, viabilizadas através de eleições; propunha, também, a criação de um organismo superior integrado pelos chanceleres da área, cujas funções seriam, entre outras, as de "coordenar e velar pelo cumprimento dos acordos c e l e b r a d o s " . A Nicará gua, por outro lado, apresentou um documento chamado "Proposta de Declaração Política sobre Princípios, Compromissos e Con trole para gerar condições pacíficas na área centro-americana", que estabelecia que as funções de supervisão e controle dos
acordos de paz na região seriam confiadas ao Conselho de Segu rança das Nações U n i d a s . M a s , o relevante destas propostas díspares residia no fato de que, apesar das divergências exis tentes entre elas, ambas propugnavam pela participação na discussão dos governos envolvidos no conflito; a partir daí, o Grupo de Contadora, através de seu grupo técnico - integra do pelos Vice-ministros das Relações Exteriores - procuraria elaborar um texto único que servisse como base para o processo
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de negocxaçao.
g) O "Documento de Objetivos"
Na quarta Reunião de Chanceleres do Grupo de Contadora e dos cinco países centro-americanos no Panamá, de 7 a 9 de se tembro, foram conquistados importantes avanços no processo de paz, já que se conseguiu a aprovação de um texto único chama do "Documento de Objetivos". Nele se aproximam e se conciliam, sobre as bases da "Declaração de Cancún", as propostas centro- americanas anteriormente mencionadas.
Reiterados os princípios básicos do direito internacio nal, o Documento inicia com o diagnóstico da crise centro- americana e enumera vinte compromissos específicos que resumem as questões que preocupam os governos centro-americanos e que são parte da agenda previamente aprovada por eles e pelo Grupo de Contadora.
0 "Documento de Objetivos" também inclui o compromis so de iniciar negociações com o propósito de preparar a cele bração dos acordos e adotar os mecanismos jurídicos necessá rios para formalizar e desenvolver os objetivos mencionados e assegurar o estabelecimento de sistemas adequados de verifica
ção e controle. A ratificação do "Documento de Objetivos" pe los governos centro-americanos, significava que as negociações poderiam iniciar-se sobre bases mais sólidas.
Enquanto o Grupo de Contadora continuava suas negocia ções, a Assembléia Geral das Nações Unidas discutia o conflito centro-americano, a partir da iniciativa da Nicarágua. A dis cussão da crise na América Central por parte daquele organismo
internacional, preocupou alguns países da região que temiam que a intervenção das Nações Unidas pudesse vir a obstaculi- zar, de alguma forma, a ação do Grupo de Contadora.
Em 11 de novembro a Assembléia Geral das Nações Unidas aprovou a Resolução n9 38/10, que condenava os atos de agres são contra a soberania, a independência, a integridade terri torial dos Estados, os ataques lançados a partir do exterior e dirigidos contra instalações estratégias da Nicarágua, assim como a perda de vidas em El Salvador e Honduras; esta resolu
ção demandava, também, aos Estados da região - como a outros Estados - a abstenção de realização de operações militares com objetivo de exercer pressões políticas que pudessem degenerar
68 a situação e prejudicar o esforço do Grupo de Contadora.
2.1.3. Balanço da ação do Grupo de Contadora em 1983
Apesar dos sucessos obtidos no terreno diplomático, di versos acontecimentos dificultavam as ações para a pacificação da região, que acabaram agravando o conflito existente. Neste ano ocorreu a invasão a Granada cujo efeito psicológico não se pode negar, como também o das manobras militares conjuntas de grande envergadura. Por outro lado, a crescente militarização
da zona, com o impulso ã corrida armamentista, a multiplicação de incidentes fronteiriços e de ações de desestabilização, a guerra verbal e a reativação de pactos militares pareceram le var, em várias oportunidades, neste ano, o desencadeamento do conflito bélico.
Mas, no balanço do ano é importante destacar que o Grupo de Contadora, com sua ação, conseguiu reunir os governos cen