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Lidiany Cavalcante de Oliveira1

1 Formação Bacharel em Direito. Bacharel em Administração Pú-blica. Especialista em Gestão Pública, Especialista em Direito do Traba-lho e Pricesso do TrabaTraba-lho. Mestre em Dinâmicas e Desenvolvimento do Semiárido PPGDIDES UNIVASF

Resumo: O território tem dimen-sões e significados que variam de acordo com cada sociedade e de como é atribuído os modos de vida, podendo ser entendido como resguardo, ambiente onde vivemos, ou como provedor, lo-cal onde estão disponíveis todos os recursos naturais e matérias primas necessárias para a sobre-vivência das sociedades. Desse modo, os territórios semiáridos estão imersos nessa complexi-dade que é definido o território

em suas diversas vertentes. O objetivo do trabalho foi anali-sar publicações científicas que abordam sobre a dinâmica do desenvolvimento territorial e as complexidades do Semiárido brasileiro, enfatizando a produ-ção de alimentos no Vale do São Francisco (VSF), a economia criativa e a relevância da educa-ção ambiental com vistas à sus-tentabilidade. Trata-se de uma pesquisa quali-quantitativa, ex-ploratória e bibliográfica, tendo

160 161 como estratégia metodológica a

revisão sistemática de literatu-ra com protocolos específicos, onde utilizou-se apenas artigos revisados por pares, com Qualis mínimo de B2, em língua por-tuguesa, e um recorte temporal dos últimos 05 anos, utilizando como ferramenta de busca o Por-tal Periódico da Capes, através do CAFe e, a Scientific Electro-nic Library Online por meio de descritores pré- definidos com aplicação de processos de refina-mentos. Os achados da pesquisa apontam para a necessidade de compreensão das particularida-des dos territórios semiáridos, da importância da produção de ali-mentos no VSF com vistas ao de-senvolvimento socioterritorial e, da relevância da Rede de Econo-mia Criativa e da Educação Am-biental como ferramentas para a sustentabilidade local.

Palavras-chave: Desenvolvi-mento, Território, Cidades Cria-tivas, Meio Ambiente.

Abstract: Territory has dimen-sions and meanings that vary ac-cording to each society and how the ways of life are assigned, and can be understood as a safeguard, the environment where we live, or as a provider, the place where all the natural resources and raw materials necessary for the sur-vival of societies are available.

Thus, the semi-arid territories are immersed in this complexity that defines the territory in its various aspects. The objective of this work was to analyze scientific publications that address the dy-namics of territorial development and the complexities of the Bra-zilian semi-arid region, emphasi-zing food production in the São Francisco Valley (VSF), the cre-ative economy and the relevance

162 of environmental education with

a view to sustainability. This is a quali-quantitative, exploratory and bibliographic research, ha-ving as methodological strategy the systematic literature review with specific protocols, where only peer-reviewed articles were used, with a minimum Qualis of B2, in Portuguese, and a time frame of the last 5 years, using as a search tool the Capes Perio-dical Portal, through CAFe, and the Scientific Electronic Library Online by means of pre-defined descriptors with the application of refinement processes. The re-search findings point to the need to understand the particularities of semi-arid territories, the im-portance of food production in the VSF with a view to socio-ter-ritorial development, and the re-levance of the Creative Economy Network and Environmental Education as tools for local

sus-tainability.

Keywords: Development, Ter-ritory, Creative Cities, Environ-ment.

INTRODUÇÃO

Falar das complexidades do desenvolvimento territorial no Semiárido não é tarefa fácil, vis-to que se trata de uma região que possui incontáveis particularida-des e constitui-se num cenário ímpar no Nordeste brasileiro. É proeminente destacar o território como uma construção social e não apenas vê-lo numa dimensão política. Souza (2013) discorre que na análise do território, não somente a dimensão política é um elemento a ser considerado, já que este possui outros atribu-tos da vida social, que atuam di-reta ou indidi-retamente sobre esta categoria espacial, como é caso

162 163 da cultura e da economia.

O crescimento das cida-des e o avanço nos processos pro-dutivos tem promovido uma cer-ta dominação do homem sobre a natureza. Desde a década de 1970, o crescimento desordenado das cidades e o crescente ritmo de aumento populacional alterou de modo significativo os ecossis-temas naturais. Souza e Armada (2017) reiteram que no início da década de 1980, os problemas intensificaram-se e, os prejuízos ambientais tornaram-se recorren-tes, o que de certa maneira, tem provocado uma reflexão mundial em torno da necessidade de que-bra de alguns paradigmas cons-truídos a partir de uma ótica ca-pitalista.

Essa temática originou da necessidade de se refletir sobre as complexidades sociais, eco-nômicas, culturais e ambientais existentes nos territórios

semiá-ridos, com foco no Vale do São Francisco. Para isso, elencou-se as seguintes questões norteado-ras (QNs): QN1: É possível afir-mar que há desenvolvimento so-cioterritorial no VSF? QN2: Qual seria a relevância de a RIDE Jua-zeiro/BA e Petrolina/PE fazerem parte da rede de economia cria-tiva da UNESCO? QN3: Quais são as ferramentas da Educação Ambiental que podem ser aplica-das aos territórios semiáridos vi-sando atingir a sustentabilidade?

Mediante tal proble-mática, o presente artigo busca analisar por meio de uma revisão sistemática de literatura, publi-cações científicas que discutem sobre a dinâmica do desenvolvi-mento territorial e as complexi-dades do Semiárido brasileiro, enfatizando a produção de ali-mentos no Vale do São Francis-co, a economia criativa e a rele-vância da educação ambiental

164 com vistas à sustentabilidade.

Trata-se de uma pesqui-sa quali-quantitativa, de caráter exploratório e bibliográfico, ten-do como estratégia metoten-dológica a revisão sistemática de literatura com protocolos específicos, onde utilizou-se apenas artigos revisa-dos por pares, com Qualis míni-mo de B2, publicados em língua portuguesa, e optou-se por um recorte temporal dos últimos 05 anos, utilizando como ferramen-tas de busca o Portal Periódico da Capes, através do CAFe, e o SciELO (Scientific Electronic Library Online) por meio de des-critores pré-definidos com apli-cação de processos de refinamen-tos, sendo que o período de busca ocorreu entre os dias 15 e 26 de maio de 2021.

Os resultados encon-trados indicam a necessidade de compreensão das peculiarida-des dos territórios semiáridos,

da relevância da produção de alimentos no VSF em busca do desenvolvimento socioterritorial.

Outrossim, aponta o significado da Rede de Economia Criativa da UNESCO para promoção do desenvolvimento local e a indis-pensabilidade da Educação Am-biental como ferramenta para a sustentabilidade.

REFERENCIAL TEÓRICO

O DESENVOLVIMENTO TERRITORIAL E AS COM-PLEXIDADES NO SEMIÁRI-DO BRASILEIRO: O PNAE NO VALE DO SÃO FRAN-CISCO (VSF)

O desenvolvimento territorial e suas complexidades: o Semiári-do e suas particularidades

Sabe-se que abordar so-bre desenvolvimento territorial

164 165 requer um aprofundamento em

teorias e análise de diferentes questões territoriais. Quando o governo brasileiro deu origem a Secretaria de Desenvolvimento Territorial (SDT) na esfera do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), optou pelo enfo-que territorial como componente norteador de políticas públicas, notadamente aquelas direciona-das para o desenvolvimento rural e para a agricultura familiar.

Nesse sentido, o terri-tório é compreendido como um espaço elaborado histórica e so-cialmente, no qual a eficácia das atividades econômicas é direta-mente regulada pelos vínculos de proximidade e pelo pertenci-mento ao espaço, sendo possível afirmar que o território pertence aos grupos sociais, sendo pro-duto do intercambio de projetos individuais e coletivos, com in-teresses comuns e conflitantes.

Desse modo, Tonneau e Cunha (2005) apontam que o território é algo permeado pela lógica da do-minação e dos interesses, muitas vezes conflitantes, inscritos tanto em um espaço físico quanto em sua forma de ocupação.

Considerando o im-pacto da globalização, Tonneau (1994) baseou-se em critérios de integração diferenciados, iden-tificando que a partir da década de 1980, três grandes grupos de territórios rurais no Nordeste, se formaram, sendo: 1. Espaços em recomposição, onde a dissipa-ção dos latifúndios consentiu a acomodação de uma agricultura familiar precária, na qual a pro-dução tende a subsistência com pouca penetração no mercado;

2. Espaços onde a agricultura familiar está consolidada; 3. Os polos agroindustriais, que são áreas integradas à economia na-cional e internana-cional, nos quais

166 as formas de produção

capitalis-tas prevalecem. O VSF se enqua-dra nesse critério 3 descrito por este autor.

Na ótica de Tonneau e Cunha (2005) a ânsia pelo de-senvolvimento pode, no caso das políticas públicas para o Se-miárido, ser aplicada em empre-endimentos que se fundam em práticas sociais localizadas nos territórios. Entretanto, sempre há o risco de o discurso não ter con-sonância com práticas efetivas nas relações entre poder público e sociedade civil, visto que a di-ficuldade dos gestores públicos municipais em operarem como subsídios eficazes da gestão dos territórios do semiárido, requer ponderações e ações concretas que proporcionem maior capa-cidade de governança no nível local, devido as complexidades e particularidades do Semiárido brasileiro.

O Vale do São Francisco e a pro-dução de alimentos: o PNAE e o desenvolvimento sustentável

A fruticultura no polo agrícola Petrolina-PE/Juazeiro--BA, situado no submédio do Vale do São Francisco, tem se as-sinalado uma acelerada expansão da área cultivada, um elevado crescimento da produção e um significativo desenvolvimento do setor exportador de frutas, opor-tunizando a região uma perspec-tiva de promoção de melhoria socioeconômica, contudo, é cru-cial enfatizar que se trata de uma produção de frutas voltada para a exportação, e não de alimentos com vistas ao consumo interno.

No VSF, o surto moder-nizador agrícola, segundo An-drade (1992), se deu em função das políticas públicas de irriga-ção do governo atendendo a

gru-166 167 pos empresariais prioritários em

detrimento dos agricultores fa-miliares (colonos), desvinculan-do a função social da irrigação e promovendo a acumulação de ca-pital, não demudando o arcabou-ço de poder. Nessa premissa, a fase introdutória de implantação de cooperativas nos perímetros irrigados de Petrolina (PE) e Jua-zeiro (BA) caracterizou- se como imprópria ao objetivo de viabili-zar o protagonismo por parte dos agricultores familiares, uma vez que desconsiderou as possibili-dades de construção do capital social (ALBUQUERQUE; CÂN-DIDO, 2013).

Nesse sentido, a agricul-tura e os agricultores familiares sempre estiverem à margem dos processos produtivos que inte-gram as políticas de incentivo à produção de alimentos. No que tange ao valor de produção, os dados do Censo Agropecuário

precitado indicam que a produ-ção da agricultura familiar ge-rou receita de 106,5 bilhões de reais (23% do total), enquanto a geração de receita da agricultura não familiar foi de 355,9 bilhões de reais (77% do total) (ROSA NETO; SILVA; ARAÚJO, 2020).

Os autores acrescentam que a participação da agricultura fami-liar tem importância significativa na maioria dos produtos hortíco-las e alimentícios em geral, e em algumas espécies frutíferas.

Mediante tais pressu-postos, uma ação do Estado bra-sileiro, particularmente por Meio do desenvolvimento Agrário (MDA) passou a partir dos anos 1990, a incorporar, no âmbito das políticas públicas, a perspectiva do desenvolvimento territorial concomitante e a valorização da produção advinda da agricultura familiar. Como exemplo de atua-ção nessa escala municipal temos

168 o Programa Nacional de

Alimen-tação Escolar (PNAE), criado em 1955, reestruturado em 1994 em virtude do processo de des-centralização e reformulado em 2009, a partir da institucionali-zação da Lei n° 11.947. Como o PNAE requer a participação dos gestores municipais que são os responsáveis pela execução do programa em cada município, bem como a oferta de alimentos comercializada pela agricultura familiar, o PNAE traz implícita a necessidade de estimular o de-senvolvimento territorial, consi-derando o município como escala de análise prioritária e os gesto-res municipais como promotogesto-res desse desenvolvimento.

A agricultura familiar no país envolve 4,3 milhões de estabelecimentos rurais, com mais de 12 milhões de pessoas trabalhando, representa 38% do valor Bruto de Produção – R$

54,5 bilhões, embora ocupe me-nos de 25% da área agricultu-rável. No vale do São Francisco são mais de 30 mil hectares ir-rigados. São 700 quilômetros de tubos, mais de 156 quilômetros de canais e cerca de 2600 produ-tores (IPEA, 2020).

O PNAE, no que se re-fere às aquisições de produtos, demonstra relevância no proces-so de desenvolvimento regional, uma vez que essa compra é fei-ta de fornecedores do municí-pio ou da região. Desse modo as compras públicas do PNAE, em âmbito municipal e regional, são instrumentos capazes de legiti-mar políticas para a realização de licitações, constituindo assim um novo mercado regional.

Segundo o Conselho Nacional de Segurança Alimen-tar e Nutricional (CONSEA) a compra direta do produtor rural utilizando recursos do PNAE

168 169 permite o aumento de recursos

da agricultura familiar e uma alimentação saudável e ancorada na visão de direitos relacionados à saúde, alimentação, direito dos agricultores e ecologia, incor-porando questões estruturais e culturais do sistema alimentar (PNAE, 2020).

É uma das iniciativas do Governo federal mais bem vis-tas pelos agricultores familiares do país. Vários estudos apontam para diversos avanços no meio rural em função desta iniciativa, permitindo novas oportunidades de mercado para os produtos re-gionais e de estratégias e canais alternativos de comercialização e valorização desses produtos (IPEA, 2020).

Portanto, o apoio ao de-senvolvimento sustentável local ocorre pela priorização da com-pra de produtos diversificados, orgânicos ou agroecológicos, e

que sejam produzidos no próprio município onde está localizada a escola, ou na mesma região, com especial atenção aos assen-tamentos rurais e comunidades indígenas e quilombolas. Nesse sentido, para o município, signi-fica a geração de emprego e ren-da, fortalecendo e diversificando a economia local, e valorizando as especificidades e os hábitos alimentares locais (PNAE, 2015).

A ECONOMIA CRIATIVA COMO POSSIBILIDADE PARA A RIDE JUAZEIRO/

BA E PETROLINA/PE

Breve histórico da Economia Criativa: impacto e relevância

A UNESCO (United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization) em 2004 desenvolveu o projeto cha-mado de “cidades criativas”, com

170 a perspectiva de incentivar a

coo-peração entre cidades que inves-tem na criatividade, propiciando um aparato urbano impelido pelo desenvolvimento sustentável, in-cluindo e aumentando a influên-cia cultural através da economia criativa.

Ponderando que o con-ceito de Economia Criativa está acoplado a componentes locais, o espaço no qual são desenvolvidas as ações e empreendimentos con-verte-se em um elemento proe-minente para ser complexificado e compreendido. De acordo com Lima (2011) no Brasil o grande desafio de proporcionar o desen-volvimento se dá em razão de sua extensão continental e das desi-gualdades sociais, econômicas, regionais, organizativas e cultu-rais dos seus territórios.

Este mesmo autor reite-ra que a Economia Criativa está também associada aos Objetivos

de Desenvolvimento do Milênio (ODM) no que concerne à co-operação de comunidades em formas coletivas e de governan-ça diferenciadas, bem como, em processos produtivos em peque-na escala e dimensão inseridas na dinâmica criativa que possibi-lita a sustentabilidade e a inclu-são econômica e social (LIMA, 2011).

Olhada sob diferentes contrapontos conceituais, a Eco-nomia Criativa adentrou na pauta internacional do debate econô-mico e político a partir dos anos 2000. Segundo o IPEA (2013), ela pode ser vista como o con-junto de atividades que integra a criatividade como fator de produ-ção de bens e serviços ou como matéria-prima e mercadoria. Em síntese, a economia criativa tem relação direta com à criatividade, à economia e à sociedade utili-zando tecnologia e propriedade

170 171 intelectual (DORSA, 2019).

Uma cidade para ser considerada criativa, segundo Landry (2013) precisa atrair a atenção a nível nacional e inter-nacional por meio dos talentos presentes, apresentando seus tra-balhos, inovando e contribuindo para a disseminação da cultura, crescendo em economia e inten-sificando o conhecimento.

A RCC tem como ob-jetivo promover a cooperação internacional entre as cidades realmente comprometidas em investir na criatividade como forma de propelir o desenvolvi-mento urbano e sustentável, a inclusão social e o aumento da influência da cultura em todo o mundo (MIRSHAWAKA, 2017, p. 94).

A economia criativa se-gundo Machado (2012) pode ser considerada o grande motor do desenvolvimento do século XXI,

porque tem um diferencial em valorizar de maneira sustentável e humana e não meramente cres-cimento econômico. A relação entre criatividade e cultura na economia de uma cidade, requer viabilizar que exista a junção en-tre valores, mudanças e progres-so, associando aos aspectos so-ciais presentes de maneira a criar novas oportunidades.

A inscrição para obter o título de “cidade criativa” da UNESCO visa avaliar se a cida-de estabelece uma economia que oportunize emprego aos seus ci-dadãos, independente de forma-ção escolar, além de atrair pro-fissionais altamente capacitados, desenvolvendo produtos/serviços inovadores. A cidade criativa é aquela que dá e tem espaço para que as peculiaridades de todos sejam atendidas, são as que se desenvolvem com aspectos pró-prios, fortalecendo a economia

172 através da valorização cultural e

social (SANTOS, 2006).

Nesse sentido, Gou-lart, Vieira e Carvalho (2005) afirmam que parcerias, consór-cios, redes, arranjos produtivos, alianças, clusters são formas sob as quais as interorganizações podem se apresentar, de modo a promover o desenvolvimento local. Desse modo, a localidade define o espaço de articulação e implementação das ações volta-das para o desenvolvimento, mas não pode confiná- lo, visto que a questão da sustentabilidade re-presenta o enfrentamento do pa-radoxo global-local. Enfrentá-lo, demanda capacidade dos indiví-duos e organizações em articu-lar o que interessa da sociedade global moderna às identidades e necessidades locais (ASATO, et al., 2019).

A RIDE Juazeiro/BA e

Petroli-na/PE e a Economia Criativa:

qual o nosso potencial?

A RIDE do polo Petro-lina - Juazeiro é composta, além das duas cidades, por Casa Nova, Curaçá e Sobradinho, no estado da Bahia; Lagoa Grande, Orocó e Santa Maria da Boa Vista, no estado de Pernambuco; foi insti-tuída pela Lei Complementar nº 113/2001 e regulamentada pelo Decreto nº 4.366/2002, com o objetivo de articular e harmoni-zar as ações administrativas da União, dos Estados e dos muni-cípios para a promoção de pro-jetos que visem à dinamização econômica e provisão de infraes-truturas necessárias ao desenvol-vimento (BRASIL, 2001; 2002;

2015).

Cada cidade tem um modo próprio de desenvolver-se economicamente, conforme suas particularidades e fatores

histó-172 173 ricos. Conforme Soares e Vieira

(2019) uma cidade considerada criativa precisa estabelecer cone-xão entre a cultura, as inovações e as relações estabelecidas com possibilidades de desenvolvi-mento econômico. Entre os prin-cipais benefícios da participação das cidades no programa, pode--se citar o fomento ao turismo, o fortalecimento das atividades culturais, a proteção aos bens públicos, equipamentos urbanos, patrimônios históricos e o estí-mulo à Economia Criativa.

Para Soares e Vieira (2019) muitas cidades no mundo buscam o título de “cidade cria-tiva” pela UNESCO, mas são as suas características que farão com que essa conquista seja pos-sível. Pois, ainda conforme os autores, não importa o tamanho da cidade, desde que trilhe o ca-minho da inovação, da criativi-dade, da cultura, da tecnologia,

que possa abrilhantar ao mundo, mostrando suas riquezas através das peculiaridades existentes.

Assim, a RIDE Petroli-na – Juazeiro, com seu arcabouço cultural e histórico, tem desen-volvido imensas possibilidades de fortalecimento econômico em nível do agronegócio, alavancan-do o enoturismo, oportunizanalavancan-do novas aberturas de trabalho e encontrando seu espaço a nível mundial. Apresenta imensos po-tenciais para sua inscrição na rede

“cidades criativas” da UNESCO, para tanto este estudo propõe si-nalizar a aspectos que respaldem os gestores públicos a se articu-larem conjuntamente em prol de propiciar que sejam reconhecidas mundialmente em sua economia criativa. Asato et al., (2019) des-creve “algumas chaves” para a promoção do desenvolvimento local, a saber:

1)a mobilização da

174 população; 2) a

ela-boração de projetos locais; 3) o trabalho conjunto com so-matório sinérgico;

4) o propiciar for-mação para o de-senvolvimento; 5) o fortalecimento das comunicações; 6) a valorização dos re-cursos locais; 7) a criação de empregos locais, especialmente aos jovens; 8) Consi-derar o turismo como motor do desenvolvi-mento; 9) o levar em consideração a cultu-ra local; 10) a criação de empresas e apoio às pequenas e medias empresas e 11) o po-sicionar a agricultura no coração dos pro-jetos locais (ASATO, et al., 2019, p. 200).

Contudo, o desenvolvi-mento local pode ser percebido como um processo endógeno de

transformação, que leva ao dina-mismo econômico e à melhoria da qualidade de vida em diferen-tes unidades territoriais e socie-dades (BUARQUE, 2008). Para ser sólido e sustentável, deve impulsionar e aproveitar as po-tencialidades locais e colaborar para erguer as oportunidades so-ciais e a disponibilidade e com-petitividade da economia local, e simultaneamente deve garantir a conservação dos recursos na-turais locais, que é a sustentação das suas potencialidades e possi-bilidade para a qualidade de vida dos habitantes locais (Ibidem, et al., 2019).

A EDUCAÇÃO AMBIEN-TAL COMO FERRAMENTA PARA CONSTRUÇÃO DA SUSTENTABILIDADE NOS TERRITÓRIOS SEMIÁRI-DOS

174 175 Território e suas vertentes:

uma ênfase aos territórios se-miáridos

Os territórios semiári-dos brasileiro ocupam cerca de 12% do território nacional (1,03 milhão de km²) e abrange 1.262 municípios, considerando a deli-mitação atual divulgada em 2017 (BRASIL, 2017). A complexida-de e dinâmica para traçar novas configurações de áreas (região) de um território como o semiá-rido brasileiro, tanto em relação aos aspectos geográficos, quanto no que tange a regionalização, requer um estudo sistemático e minucioso.

Tendo em vista que o termo território trata de uma categoria de análise conceitual da Geografia, sendo identificado como porção do espaço, sempre esteve atrelado a abrigo e sobe-rania que, por sua vez, sugere,

simultaneamente, a existência de um espaço delimitado no qual existe um Estado que exerce seu poder de decisão sobre essa por-ção do espaço (SILVA; BEZER-RA, 2020).

Na concepção de Saquet (2013, p. 13) “[...] o território é um desses conceitos complexos, substantivado por vários elemen-tos, no nível do pensamento e em unidade com o mundo da vida”.

O território também representa elementos que estão vinculados ao poder, e por sua vez, à sobe-rania. Ademais, também abarca relações materiais e imateriais, processos de variações econômi-cas, polítieconômi-cas, culturais e sociais.

Considerando o território semiá-rido como objeto de análise, tal conceito se expõe evidência nas relações de poder no espaço, como historicamente marcada pelas desigualdades socioeconô-micas, ponderadas por Andrade

176 (2005) e Furtado (2007).

Já Santos (1999, p. 7), corrobora afirmando que terri-tório é lugar onde ocorrem todas as ações “todas as paixões, to-dos os poderes, todas as forças, todas as fraquezas, isto é onde a história do homem plenamente se realiza a partir das manifesta-ções da sua existência”, isto é, o território está ligado à questão de identidade e de pertencimento. E é precisamente nesse processo de pertencimento, acolhida e segu-rança que o homem se relaciona e transforma o meio através das suas necessidades e instabilida-des (SILVA; BEZERRA, 2020).

Mediante tais pressu-postos, ressalta-se que Raffestin (1993) foi um dos primeiros te-óricos a debater sobre território e espaço geográfico. Este autor afirma que é primordial analisar e perceber que o espaço é ante-rior ao território. Segundo ele, o

território origina a partir do es-paço, sendo este, “o resultado de uma ação conduzida por um ator sintagmático (ator que realiza um programa) em qualquer nível. Ao se apropriar de um espaço, con-creta ou abstratamente [...] o ator

‘territorializa’ o espaço” (Ibi-dem, p. 143).

Nesta perspectiva, é crucial discorrer que Haesbaert (2001) conceitua território a par-tir de três vertentes básicas:

1) jurídico- política, quando o território é entendido como um espaço delimitado e controlado por um poder, especialmente estatal; 2) a cultural onde o território é visto como produto de apropriação feito através do imaginá-rio e/ou identidade social sobre o espa-ço; 3) econômica, quando o território é encarado como produto espacial do

No documento ISSN: 2675-7451 Vol. 03 - n 04 - ano 2022 (páginas 161-200)

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