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TEMAS ECONÔMICOS

2) Sustainable Building Inde

Com o propósito de avaliar e relatar o progresso anual rumo à construção sustentável internacionalmente a UNEP Sustainable Building and Construction Initiative (SBCI) reuniu

Capítulo 4 – Indicadores de sustentabilidade de edificações 83

especialistas em desempenho de edifícios, representantes do governo e atores da indústria da construção para buscar estabelecer (SEO; FOLIENTE; TUCKER, 2009): a) um consenso acerca de temas centrais (não mais que dez) relacionados à sustentabilidade de edificações; b) indicadores apropriados (Sustainable Building Index) a cada temática acompanhados por metas e níveis de desempenho-chave (benchmarking) e; c) um framework para relato de desempenho de edificações sustentáveis.

O consenso emergente da iniciativa resultou num conjunto de indicadores associados a questões globais (Tabela 4.3) listados do mais ao menos relevante. Notou-se a dificuldade em definir um indicador principal por temática e, o custo ao longo do ciclo de vida não foi classificado junto aos indicadores principais ainda que tenha sido considerado muito importante especialmente quanto às implicações econômicas ao longo do ciclo de vida de edificações. A iniciativa não produziu até então, no entanto, uma definição ou consenso acerca de metas ou níveis de referência.

No que diz respeito a um índice (SB Index) único, SEO; FOLIENTE e TUCKER (2009) acreditam que, conceitualmente, independentemente do nível de avaliação (estoque construído, nível nacional ou de edifícios individuais), este deveria ser definido como um conjunto de indicadores e não um número único para uma avaliação global. Sistemas utilizados por diferentes países demandam ajustes locais quanto ao peso relativo de indicadores a fim de que resultados possam ser agregados num único número e, um índice isolado poderia inibir ou desestimular a coleta de dados apropriada para comparações de igual para igual (consideradas as especificidades locais).

Inicialmente, os indicadores serviriam para o relato de sustentabilidade por meio da harmonia e consistência de dados e, posteriormente, para o acúmulo de dados e estabelecimento de níveis de referência de desempenho. Com a consistência do relato de dados globalmente, o acúmulo de dados e definição estatística de níveis de referência para cada indicador podem viabilizar um índice global realmente representativo.

Tabela 4.3 – Sustainable Building Index: indicadores, unidades de medida e método de avaliação (SEO; FOLIENTE; TUCKER, 2009).

Indicador Unidade Método de avaliação

Tema 1: Energia e GHG

Emissão anual de gases do efeito estufa kg CO2 eq./m2 Cálculo/ simulação /LCA

Tema 2: Água

Águas pluviais, cinzas e negras coletadas e tratadas/utilizadas

Indicador Unidade Método de avaliação

Tema 3: Materiais e uso de recursos

Uso de materiais reciclados na construção % por massa Declaração ambiental do produto/ LCA

Tema 4: Qualidade do ar interno

Nível de poluentes do ar interno Nível de poluente/m3

Iluminação adequada ao trabalho Lux

Ruídos dB

Conforto térmico Índice PMV

Amostragem/ simulação

Tema 5: Resíduos

Resíduos para aterros Kg/m2/ano Medição direta ou pesquisa anual

Tema 6: Emissões no ar e na água

Emissões de poluentes ao longo do ciclo de vida Nível de poluente/m2/ano Cálculo estimado

Tema 7: Uso do solo e ecologia

Área já utilizada para construção e áreas verdes preservadas Sim/ não Observação

Tema 8: Gestão

Relato anual energético, ambiental, de gestão de resíduos e

melhorias Sim/ não Verificação direta

Tema 9: vida útil

Vida útil de componentes ou do conjunto da edificação Anos Cálculo da expectativa da vida útil

Tema 10: adaptabilidade

Técnica: Facilidade de movimentar partes Climática: Resiliência e dinâmica do edifício

Funcional: Facilidade de alteração do uso da edificação -

Estimativa/ cálculo/ avaliação de projeto

4.3 ESPECIFICIDADES DO DESENVOLVIMENTO DE INDICADORES DE SUSTENTABILIDADE DE EDIFICAÇÕES

A norma ISO aponta requisitos essenciais a serem observados ao se definir sistemas de indicadores, como o fato de que a sustentabilidade deve ser descrita por um conjunto de indicadores que expressem aspectos ambientais, sociais e econômicos, bem como sua inter- relação e; que o desenvolvimento de indicadores e seus processos de aplicação devem ser reportados com transparência (ISO, 2006).

O desenvolvimento conceitual por trás dos indicadores de sustentabilidade de edificações tem evoluído nos últimos anos. No entanto, as discussões ainda se concentram em que estrutura analítica adotar e quais os critérios de seleção mais adequados, mas de modo geral, verificam-se grandes avanços. Ainda, ao passo que os usuários se familiarizam com os indicadores e a metodologia utilizada para construí-los a atenção se foca nos componentes que exercem pressão àqueles que contribuem para a tendência descrita por determinado indicador e assim, estes se tornam ferramentas para a definição detalhada, clara e objetiva de prioridades.

O desenvolvimento e o uso de indicadores abrangem diversas etapas e o ponto de partida, no caso de indicadores de sustentabilidade de edificações, deveria ser a identificação do contexto local, dos principais usuários e suas prioridades ou exigências. Um grande número de atores compõe as partes interessadas no setor da construção: governo, proprietários, cidadãos e usuários de edificações, construtoras, fornecedores de produtos e matérias-

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primas, empresários e imobiliárias, e profissionais como projetistas, urbanistas e arquitetos. E a necessidade dos usuários varia de simples indicadores ambientais adequados para produtos específicos a conjuntos completos que relacionam todos os aspectos da sustentabilidade – ambiental, cultural, econômico e social – de edificações.

Ao longo da revisão bibliográfica realizada no Capítulo 3 foi possível identificar e apontar a existência de uma seqüência de etapas metodológicas fundamentais para a formulação de indicadores de sustentabilidade num contexto mais amplo. São elas:

1. Definição da estrutura analítica para a organização de indicadores; 2. Definição de critérios de seleção;

3. Coleta de dados;

4. Análise e interpretação dos resultados; 5. Definição de ferramentas para apresentação; 6. Divulgação da informação.

No âmbito dos sistemas de avaliação/certificação de edificações, é preciso restringir o foco e perceber pontos críticos deste processo quando aplicado à escala do edifício. E, sobretudo, explorar melhor cada uma das etapas para o desenvolvimento de indicadores de sustentabilidade sob esta ótica específica, pontuando suas semelhanças e especificidades. Somente assim será possível evidenciar os aspectos que caracterizam a metodologia que instiga esta pesquisa: a do desenvolvimento de indicadores de sustentabilidade de edificações.

O primeiro ponto a destacar é que indicadores de sustentabilidade de edificações são, em geral, utilizados no âmbito de sistemas ou métodos de avaliação/certificação de edificações e que, cada método utiliza uma abordagem específica para definir requisitos ou categorias de indicadores, os pesos de cada requisito (ponderação), a pontuação a eles atribuída, os níveis de referência (benchmarking) aos quais os resultados medidos por meio dos indicadores serão comparados, entre outros elementos. De fato, neste contexto, a funcionalidade de um indicador depende de sua seleção, estruturação e organização segundo uma hierarquia ou lógica, bem como de critérios para ponderação de resultados, distribuição de pontos e

normalização7 de resultados. Neste sentido, uma análise do histórico do desenvolvimento e das estruturas dos métodos existentes internacionalmente realizada por Silva (2003) realça alguns aspectos marcantes relacionados a estes sistemas8 de avaliação de edificações:

• O desenvolvimento e intenções de uso de cada sistema variam de ferramentas

para uso no auxílio ao projeto até ferramentas de avaliação pós-ocupação;

• Os sistemas diferem segundo agendas, especificidades e necessidades de cada

país, mas dentro de blocos de discussão relativamente comuns, presentes em qualquer contexto;

• A consideração de impactos ao longo de todo o ciclo de vida permeia todos os

sistemas de avaliação disponíveis e de alguma forma transparece em suas estruturas, mas poucos seguem o formato de LCA (Life-cycle assessment) com

maior fidelidade;

• Os sistemas enfrentam - ou em algum momento enfrentaram – três pontos

metodológicos críticos muito bem definidos: estabelecimento de uma estrutura de

avaliação e do conjunto de indicadores correspondente, de um sistema consensual para ponderação e para agregação de resultados; e de referências e metas de desempenho para os indicadores utilizados;

• Os sistemas partilham o objetivo de encorajar a demanda do mercado por

níveis superiores de desempenho ambiental, seja com avaliações detalhadas ou

simplificadas;

• Todos os sistemas concentram-se exclusivamente na dimensão ambiental da

sustentabilidade, em função da natureza da agenda para a sustentabilidade em

países desenvolvidos ser tão centrada na dimensão ambiental e pelo reconhecimento do direito do “outro” - seja ele um vizinho, um operário ou um bairro - existentes nos países desenvolvidos.

Percebe-se, a partir destas considerações, a pontuação de certos elementos que podem influenciar ou que se relacionam diretamente aos indicadores utilizados em sistemas de avaliação e aos resultados produzidos por eles: (a) a escala temporal (dentro do ciclo de vida da edificação); (b) a escala geográfica – local, regional, nacional ou global (quanto ao

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Uma vez adotado um determinado indicador, sua unidade é normalmente consensual, isto é: emissões são expressas em Kg de substâncias equivalentes/ano; o consumo de energia, em MJ/ano; e o consumo de água, em m3/ano. Pode

haver, no entanto, variação quanto ao critério de normalização, isto é: se os valores dos indicadores são expressos como a quantidade absoluta de impacto ou por unidade de área, ou por horas de ocupação da edificação (SILVA, 2003). A normalização de resultados pode ser adotada para evitar equívocos de interpretação influenciados, por exemplo, por extremos de densidade de ocupação do edifício.

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Silva (2003) se concentrou na revisão dos principais sistemas existentes para avaliação ambiental de edifícios na ocasião, sendo que sua seleção excluiu os sistemas em idiomas pouco acessíveis, os em desenvolvimento e aqueles derivados dos sistemas selecionados a seguir: BREEAM (BRE Environmental Assessment Method) – Reino Unido; LEEDTM (Leadership in Energy and Environmental Design) – Estados Unidos; BEPAC (Building Environmental

Performance Assessment Criteria) – Canadá; GBC (Green Building Challenge) – Internacional e; CASBEE (Comprehensive Assessment System for Building Environmental Efficiency) – Japão.

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contexto no qual se insere o edifício); (c) escala de impacto (temporal e geográfica); (d) aspectos metodológicos; (e) escopo e finalidade da avaliação. Tendo isto em mente, traça-se um paralelo a partir das etapas metodológicas previamente identificadas para o desenvolvimento de indicadores de sustentabilidade, a fim de identificar aspectos-chave para melhor considerar especificidades associadas ao desenvolvimento de indicadores de sustentabilidade na escala do edifício.

ETAPA 1 - Definição da estrutura analítica para a organização de indicadores de