Rubens Valentini
Suinocultor, Engenheiro Agrônomo, PhD
SUSTENTABILIDADE s.f. (sXX) característica ou condição do ETIM sustentável com o suf. –vel sob a f. lat. bil(i) + -dade
SUSTENTÁVEL adj.2g. (sXV) que pode ser sustentado; passível ETIM sustentar + –vel SIN/VAR defensável, suportável
ANT HOM
susten-táveis(pl.) / sustentáveis(fl.sustentar)
SUSTENTAR v. (sXIV) ... 2 t.d. e pron. manter a resistência a;
resistir, aguentar(-se); ... 4 t.d. e pron. dar ou obter os recursos necessários à sobrevivência ou à manutenção; manter(-se), conservar(-se); 5 t.d. garan-tir e fornecer os meios necessários para a realização e continuação de (uma
atividade); ... 7 t.d. ETIM
lat. sustento,as,ávi,átum,áre SIN/VAR ver sinonímia de garantir, nutrir e proteger HOM sustentáveis(2ªp.pl.) / sustentáveis (pl.sustentável[adj.2g.]); sustento(1ªp.s.) / sustento(s.m.)1
Nas últimas décadas, e cada vez mais, o termo sustentabi-lidade é geralmente entendido como algo relativo ao meio ambiente, à ação de produzir tendo em conta a preservação do Planeta para as gerações futuras. Posto assim, a ideia recebe adesão quase ge-ral e irrestrita, Os problemas surgem quando se procura “traduzir” o conceito para nossa vida do dia a dia. Aí a discussão carrega-se de doses de idealismo, emoção, voluntarismo, política e picaretagem.
No debate público restam muito pouco de razão, seriedade, técnica e ciência. Essa palestra procura trazer um pouco de informação para ajudar no debate mais organizado desse onipresente tema da vida moderna. E, finalmente, focá-lo na suinocultura.
1 DICIONÁRIO HOUAIS DA LINGUA PORTUGUESA, Verão Eletrônica, 2009.3
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Karl William Kapp, economista de origem alemã, nascido em 1910, em 1933 transferiu-se primeiramente para Genebra e em seguida para os Estados Unidos em virtude da ascensão do nazis-mo na Alemanha. Ensinou em várias universidades e publicou, entre outras obras, “Os custos sociais da empresa privada”. Escrito origi-nalmente em 1950, o livro aborda as relações entre a economia e o meio ambiente a partir de uma perspectiva inovadora para a época.
Tornou-se um texto básico da economia institucional2 e uma obra pioneira, que antecipa aquilo que, décadas depois, será a economia ecológica3. Sendo reconhecido como um dos mais brilhantes inspi-radores da ecologia política nos anos 1970. Foi, também, o introdu-tor do termo ecossocioeconomista para descrever os economistas que adotam a concepção de desenvolvimento como uma combina-ção de crescimento econômico, aumento igualitário do bem-estar social e preservação ambiental.
Expoente na categoria de ecossocioambientalista, Ignacy Sachs (Varsóvia, 1927) é um economista polonês, naturalizado fran-cês. Há mais de trinta anos Ignacy Sachs lançou alguns dos funda-mentos do debate contemporâneo sobre a necessidade de um novo paradigma de desenvolvimento, baseado na convergência entre economia, ecologia, antropologia cultural e ciência política. É dele a seguinte sistematização do conceito de sustentabilidade4, compre-endendo cinco aspectos ou dimensões principais, a saber:
Sustentabilidade social - melhoria da qualidade de vida da população, equidade na distribuição de renda e de diminuição das diferenças sociais, com participação e organização popu-lar;
Sustentabilidade econômica - públicos e privados, regulari-zação do fluxo desses investimentos, compatibilidade entre padrões de produção e consumo, equilíbrio de balanço de pagamento, acesso à ciência e tecnologia;
Sustentabilidade ecológica - o uso dos recursos naturais deve minimizar danos aos sistemas de sustentação da vida:
2 Economia Institucional
3 Economia Ecológica
4 Sachs, Ignacy. Caminhos para o desenvolvimento sustentável. Rio de Janeiro: Garamond, 2000.
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redução dos resíduos tóxicos e da poluição, reciclagem de materiais e energia, conservação, tecnologias limpas e de maior eficiência e regras para uma adequada proteção ambi-ental;
Sustentabilidade Cultural - respeito aos diferentes valores entre os povos e incentivo a processos de mudança que aco-lham as especificidades locais;
Sustentabilidade Espacial - equilíbrio entre o rural e o urba-no, equilíbrio de migrações, desconcentração das metrópoles, adoção de práticas agrícolas mais inteligentes e não agressi-vas à saúde e ao ambiente, manejo sustentado das florestas e industrialização descentralizada;
Sustentabilidade segundo Ignacy Sachs é, assim: social, econômica, ecológica, cultural e espacial. Encontramos em cada uma das categorias acima aspectos que dizem respeito ao cotidiano da nossa vida social e à nossa ação na suinocultura.
Essas cinco dimensões, porém, abordam a questão ape-nas do ponto de vista macro - do governo e da sociedade - negli-genciando aspectos essenciais aos indivíduos e às empresas. Da mesma forma, o enfoque é estático, deixando de lado o fato de que as sociedades, o conhecimento e a tecnologia evoluem com o tem-po. Com o devido respeito ao renomado Sachs eu gostaria, pois, de introduzir dois aspectos que me parecem neglicenciados: a visão micro econômica e a perspectiva histórica.
Para tanto, tomo emprestado ao economista Levitt e ao jornalista Dubner5 o seguinte exemplo:
O desenvolvimento da sociedade moderna se deu de for-ma rápida, tornando o mundo for-mais populoso e amplamente urbano.
Porém, em consequência da movimentação desses enxames, e de seus bens, surgiu um problema. O principal meio de transporte ge-rou carradas de efeitos colaterais adversos, o que os economistas chamam de externalidades negativas, como congestionamentos de trânsito, altos custos de seguro e muito mais mortes em acidentes de trânsito. Colheitas que de início se destinavem às mesas das famílias foram desviadas para a produção de combustíveis,
5 Steven D. Levitt e Stephen J. Dubner, SUPER FREAKONOMICS – Edição eletrônica, Amazon 2009
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tando o preço dos alimentos e provocando escassez. Também se agravou a poluição atmosférica e se intensificaram as emissões de gases tóxicos, ameaçando o meio ambiente e a saúde das pessoas.
Estamos falando do automóvel, não?
Não, não estamos. Estamos falando do cavalo!
O cavalo, tão versátil e poderoso ajudante do homem des-de tempos imemoriais passou a trabalhar des-de muitas maneiras na medida que expandiam-se as cidades modernas: transportando pessoas, puxando transporte privado, coletivo e de carga, arrastan-do materiais de construção, transportanarrastan-do assistência médica e ajudando a combater incêndios.
A cidade de Nova Iorque sediou em 1898 a primeira confe-rência internacional de planejamento urbano que reuniu delegações do mundo todo. O tópico que dominou a reunião não foi nem mora-dia, nem uso da terra urbana ou desenvolvimento econômico ou infraestrutura. Os delegados estavam desesperados com o proble-ma do esterco de cavalo. Na era do “cavalo motor” o esterco era a maldição das cidades, empilhado pelos lados das ruas, causando terrível mau cheiro e contribuindo para a proliferação de doenças. A conferência foi um fracasso, terminando muito antes do programado sem qualquer conclusão.
Na virada do século XX, Nova Iorque com cerca de 3.400.000 habitantes tinha próximo de 200.000 cavalos. E, ao mes-mo tempo em que eram de ajuda inestimável, criavam problemas insolúveis. Um cavalo, em média, produz cerca de 11 kg de esterco por dia o que gerava 1,2 mil t por dia na cidade. Além disso, a pro-dução de urina de cavalo somava cerca de 200.000 litros/dia. Em 1890 alguém previu que em 1930 o esterco em Nova Iorque chega-ria às janelas dos terceiros andares dos prédios.
A população de moscas e ratos aí gerados era gigantesca.
Estudos indicam que as moscas geradas nesse ambiente no final do sec. XIX início do XX pode ser responsabilizado por surtos de fatais doenças infecciosas como o tifo e a diarreia infantil.
A quantidade de cavalos e de veículos puxados por eles além dos congestionamentos trazia consigo o problema de seguran-ça de tráfego. Em 1.900 foram reportados 200 mortes de pessoas
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em acidentes de trânsito envolvendo cavalos, ou um para cada 17.000 habitantes. A taxa de mortes no trânsito em 2003 foi de 1:30.000. Outro problema era a morte dos animais na rua. Em 1880 esse número em Nova Iorque foi de 15.000 animais, ou 41 por dia, que tinham que ser removidos. Devido aos seus 500 kg de peso médio e à dificuldade em retalhá-los, muitos eram deixados apodre-cer nas ruas para facilitar a remoção posterior6.
As previsões eram apocalípticas e não havia solução à vis-ta. O que “salvou a humanidade” não foi nem uma ação governa-mental nem a intervenção divina, foram inventos tecnológicos priva-dos: o bonde elétrico e o automóvel, ambos muitos mais limpos e mais eficientes. O automóvel, mais barato e mais fácil de manejar que um veículo tracionado a cavalo permitiu que os cidadãos do mundo pudessem respirar profundamente, agora sem ter que torcer o nariz, retomando o caminho do desenvolvimento. Foi considerado
“o salvador do meio ambiente”.
Nada mais semelhante com a situação atual, impossível.
Não cabe aqui, porém, discutirmos o angustiante paradoxo de que a solução do início do sec. XX - o automóvel – seja o vilão do início do XXI. Basta realçar que a saída para a encruzilhada de 1.900 foi um evento tecnológico que se provou econômico, tanto para seus inven-tores e produinven-tores quando para seus usuários.
É minha convicção que o exemplo deixa claro que as cate-gorias de sustentabilidade enunciadas por Sachs não podem ser encaradas como estáticas nem podem ignorar a dimensão microe-conômica de nossas decisões como indivíduos e cidadãos. Fica claro – assim entendo – que sem desconsiderar o valor dos enunci-ados macro de Sachs, do ponto de vida das empresas e das pesso-as – os agentes econômicos da sociedade - a categoria básica da sustentabilidade é “ficar vivo”. Empresas para cuidarem da susten-tabilidade lattu sensu precisam ser rentáveis; os indivíduos para aplicarem a sustentabilidade no seu dia a dia precisam de seguran-ça econômica. Aliás, isto é redundante com o primeiro enunciado de Sachs, a Sustentabilidade Social.
6 Eric Morris, FROM HORSE POWER TO HORSEPOWER – 2006, University of California, Los Angeles.
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Saltando do geral para o particular, sustentabilidade conti-nua sendo conceito amplo que abrange muitos aspectos (além do econômico!) da atividade da nossa atividade, a suinocultura:
A matéria prima do trabalho dos veterinários: sanidade;
De muita atualidade, e não menos importante - Meio ambien-te;
De crescente importância de mercado – rastreabilidade, au-sência de antibióticos e contaminantes, saudabilidade, bem-estar animal...
Muito desses aspectos componentes da sustentabilidade são aceitos com naturalidade, pois diretamente ligados à razão eco-nômica. Sanidade, por exemplo: ninguém discute sua essencialida-de e, apesar dos custos altos muitas vezes envolvidos, não essencialida- descui-damos dela.
Outras, pela forma como chegaram até nós, muitas vezes compulsória, são recebidas com resistência e mesmo com antago-nismo. Na verdade, meio-ambiente, bem estar animal, rastreabilida-de e as restrições aos antimicrobianos ou a rastreabilida-demanda rastreabilida-de produtos naturais, são mal recebidas por não oferecerem ou parecerem não oferecer compensações econômicas.
As exigências do consumidor, que dependem de compen-sação econômica via preço, são, sem dúvida, mais difíceis de alcan-çar, especialmente em mercados como o nosso que ainda privilegi-am a quantidade à qualidade. Mas é preciso distinguir dentre as exigências da demanda aquelas que podem trazer benefícios intrín-secos.
Meio ambiente, por exemplo. Deixando de lado a falta de realismo contida em algumas das exigências do Código Florestal em discussão, especialmente a recomposição da mata ciliar, foquemos da questão dos efluentes. Primeiro, tratando os efluentes, a qualida-de qualida-de nossas próprias águas, e a qualida-de nossos vizinhos, é incrementa-da. Segundo, a digestão, fermentação e a compostagem dos efluen-tes e rejeitos permite seu uso correto e rentável como corretivos e fertilizantes de lavouras e pastagens. É também comum o uso ener-gético do metano retido na geração de calor e energia elétrica.
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A rentabilidade da adoção de diferentes métodos de trata-mento de efluentes não é mais objeto de discussão. Sua eventual não adoção é questão de falta de capacidade de investimento e não de retorno econômico.
Rastreabilidade, ausência de antibióticos e contaminantes, saudabilidade, são outras exigências crescentes do mercado que nos causam preocupação. Da maneira como alguns desses princí-pios foram adotados na União Europeia – de forma compulsória – e como chegaram até nós – de forma fragmentada – trouxe preocupa-ções a toda cadeia produtiva brasileira.
Rastreabilidade é uma ação claramente de cadeia e, a despeito de alguns ensaios, ainda espera por definições e ações coletivas, privadas e públicas. A ausência de contaminantes é abso-lutamente desejável e depende fundamentalmente da seriedade dos fornecedores de insumos e da fiscalização oficial. Já a produção sem o uso generalizado de antimicrobianos vem ganhando maior atenção técnica e será naturalmente adotada pelos produtores tão logo seja factível e econômica. Saudabilidade, junto com conveni-ência e indulgconveni-ência são identificados como as três principais ten-dências que, do ponto de vista intrínseco dos alimentos, influenciari-am o mercado nos próximos anos. Exigem-se progressivamente mais alimentos produzidos sob condições de responsabilidade am-biental e social dos produtores, produtos orgânicos, com ausência de antibióticos e/ou promotores de crescimento, sem OGM’s na sua composição, produzidos localmente, etc. E os consumidores preci-sam acreditar que a indústria garanta que esses desejos são satis-feitos, daí a importância crescente das marcas e da particularização dos produtos. Daí o caráter de cadeia que se empresta a esses con-ceitos de rastreabilidade, saudabilidade e produção isenta de anti-microbianos.
Quanto ao bem-estar animal, é genericamente aceito que, motivado por pressões de grupos de consumidores defensores dos animais, não resulta em produtos que cubram seus custos adicio-nais. Antes do aspecto da rentabilidade, façamos uma pequena digressão, baseada em palestra apresentada pelo Professor David Fraser7, do Animal Welfare Program, Faculty of Land and Food
7David Fraser, Animal welfare and the veterinary profession: 50 years of change - Keynote Address, Proceedings of the 21st IPVS Congress, Vancouver, Canada – July 18-21, 2010
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tems, University of British Columbia, Vancouver, BC, Canadá, apre-sentado no 21o IPVS em 2010:
Cerca de 10 anos atrás recebi um telefonema inesperado da empresa BURGER KING dizendo que a companhia queria criar um programa para assegurar seus consumidores acerca do bem-estar dos animais ao longo de sua cadeia de suprimento e me con-vidando para fazer parte do conselho consultivo. Admito ter ficado surpreso e cético com a questão: restaurantes de fast food como agentes de mudança social? Isso não se encaixava no estereotipo popular.
Mas cedi e me senti agradavelmente surpreso de me ver discutindo a questão da manutenção da confiança do consumidor e
“fazendo a coisa certa para os animais”.
Resumindo a estória, o engajamento do Burger King no bem-estar-animal levou a mudanças sensíveis. De fato, a Temple Grandin em 2.000, depois de anos inspecionando abatedouros com padrões medíocres de bem-estar-animal reportou mudanças dramá-ticas imediatamente após o envolvimento de cadeias de restauran-tes.
Isto, claro, é apenas um exemplo do considerável aumento na atenção dedicada ao bem estar animal, em alguns casos a partir de participantes inesperados.
Em 2.005 os 170 membros da Organização Internacional de Saúde Animal (OIE) adotou unanimemente 80 páginas de pa-drões de bem-estar animal que hoje fazem parte do altamente influ-ente Código de Saúde dos Animais Terrestres.
Mais ou menos na mesma época, o International Finance Corporation, o braço financeiro do Banco Mundial exigiu que o bem-estar animal fizesse parte dos planos das companhias de produtos animais nas quais ele investe.
Em 2.008 a FAO, agência das Nações Unidas para a agri-cultura e redução da fome, organizou uma consulta internacional sobre como ajudar os países, especialmente os em desenvolvimen-to, a implementar boas práticas de bem-estar animal. E há a expec-tativa de que brevemente será apresentada às Nações Unidas uma
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“Declaração Universal sobre Bem-estar Animal”, já coma expressa aprovação de muitos países.
Aproximadamente 40 anos atrás quando eu comecei a pesquisar o bem-estar de suínos o tema estava na periferia da ciên-cia. Para muita gente as palavras “pesquisa” e “bem-estar animal”
não pertenciam à mesma frase, exceto talvez para criticar o padrão de bem-estar dos animais de laboratório. Então, o que aconteceu que o bem-estar animal mudou de um tema marginal para algo que atrai atenção do Burger King, do Banco Mundial e das Nações Uni-das?
O Professor segue então sua palestra agrupada nos tópi-cos:
Algumas das razões por detrás do crescente foco sobre o bem estar animal;
O debate sobre o quê, exatamente, é “bem-estar animal”;
Um pouco da ciência que tem sido aplicada a temas de bem-estar animal;
O papel dos veterinários neste mundo de rápidas mudanças.
Vale a pena estudar esse texto. No entanto, para nosso objetivo imediato, basta dizer que, de forma sintética, mas revelado-ra, o item de bem-estar-animal, como definido legalmente na UE8, que mais preocupa é o da gestação coletiva, com área por porca um pouco maior que a normalmente adotada na gestação em gaiolas.
Gestação coletiva era a norma na suinocultura até o pós II Grande Guerra. O que fomentou a hoje generalizada gestação em gaiolas na suinocultura industrial foi a necessidade do controle nutri-cional das fêmeas em gestação. Sem a administração de ingesta adequadamente definida, em quantidades e qualidade para os dife-rentes períodos de gestação, genética à parte, não teria sido possí-vel atingir leitegadas com o tamanho, a homogeneidade e os pesos hoje correntes.
Retornar à gestação coletiva dá a sensação de retrocesso.
No entanto, as diferentes soluções de arraçoamento adotadas na
8 Council Directive 2008/120/EC of 18 December 2008 laying down minimum standards for the protection of pigs.
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UE e nos EUA visam todas permitir que as porcas em gestação coletiva comam seu quinhão sem a interferência de outras do mes-mo grupo.
Paradoxalmente, porém, a gestação coletiva com alimen-tação correta pode representar ganhos relativamente à gesalimen-tação individualizada em gaiolas. Essas vantagens abrangem:
Maior movimentação dos animais, resultando em melhor musculatura;
Controle nutricional individual;
Maiores pesos de nascimento;
Critério de descarte de porcas baseado kg ração/ kg de leitão produzido;
Atração de mão de obra mais qualificada (maior poder de atração);
Economia de mão de obra.